Espaço de Pesquisas
Oi! Este é um espaço do qual você pode pesquisar e encontrar histórias de mulheres que participaram do nosso projeto por todo o Brasil! Legal, né?
Pra usar, basta digitar no espaço de pesquisa alguma palavra-chave, por exemplo: alguma profissão, alguma cidade, algum tema...
É o nosso verdadeiro banco de dados - o primeiro, da história das mulheres que se relacionam afetivamente
com mulheres - e precisa ser valorizado! ♥
294 resultados encontrados com uma busca vazia
- Susy e Pâmela | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Susy estava com 38 anos no momento da documentação. Nasceu em Imperatriz, interior do Maranhão e também já morou no Pará por um período de trabalho. Sua volta ao Maranhão foi motivada pela saudade da Pâmela, como ela brinca ao contar. Atualmente trabalha enquanto pedagoga em uma escola de educação infantil do bairro e também na Universidade Estadual do Maranhão, onde pesquisa gênero e sexualidades. Além da vida profissional, gosta de dançar, assistir filmes e séries. Pâmela estava com 37 anos no momento da documentação. Também é natural de Imperatriz, mas nunca morou fora da cidade. Enfermeira formada pela Universidade Federal do Maranhão, atua na área há mais de 13 anos e também dá aulas em uma faculdade particular. É apaixonada por leitura, cinema, cozinhar, fazer churrasco e explorar o universo do café, ainda que de forma simples, gosta de aprender um pouco. Afirma ser mais tímida do que Susy, mas se solta quando está em ambientes seguros e acolhedores. Em 2008, na universidade, Susy e Pâmela foram apresentadas por uma amiga em comum. Susy cursava pedagogia à noite e Pâmela enfermagem durante o dia (a amiga, por sua vez, cursava direito - eram áreas diferentes interagindo). Pâmela era envolvida na militância da universidade… Susy era mais na dela e não concordava muito com as greves. Mas algo foi se unindo: na época, Susy participava de uma igreja evangélica junto com a amiga e Pâmela, embora de família católica, também começava a frequentar a mesma religião que elas. Então a aproximação inicial veio desse espaço religioso e das atividades da universidade. A amizade se formou com naturalidade, até que se viram conversando muito mais que o normal - no início era por SMS, aproveitando os 60 minutos de ligação a cada recarga… depois migraram para o MSN usando os computadores disponíveis no laboratório da universidade ou no trabalho do pai da Pâmela... Fato era: estarem juntas ou trocarem mensagens o tempo todo era o que as deixava feliz, com uma intimidade crescendo junto da conexão. O ponto de virada aconteceu quando Susy organizou um aniversário para Pâmela, já que esse não era um costume em sua família. Preparou fotos, vídeos e depoimentos para exibir na igreja. Ao selecionar as imagens, encontrou uma em que Pâmela estava mergulhado no Rio Tocantins (rio que beira a orla de Imperatriz). Ao ver a foto, Susy ficou ‘paralisada’ um tempo, não conseguia parar de olhar e percebeu algo diferente: essa admiração não era a mesma admiração que tinha por outras amigas. Foi ali que entendeu, pela primeira vez, que havia algo além da amizade entre elas. A aproximação entre Susy e Pâmela foi deixando de ser só uma amizade de forma muito sutil: os abraços demorados, os carinhos discretos, tudo havia muito toque na pele. Aos domingos, Pâmela buscava Susy de carro para irem juntas à igreja e naquele momento criavam um espaço de intimidade não-nomeada. Mas o primeiro beijo só foi acontecer de fato no centro acadêmico da universidade, onde Pâmela era responsável por algumas coisas do espaço e lá poderiam se sentir seguras quando estavam sozinhas. Porém, junto do afeto veio também o peso da culpa, alimentado pelo ambiente religioso e pelo preconceito familiar. Ou seja: depois de ficarem juntas no centro acadêmico, entenderam em conjunto que estavam errando e decidiram por confessar o que aconteceu às lideranças da igreja - que orientaram cada vez mais o afastamento. Assim, em 2010, interromperam o contato próximo e se restringiram a uma amizade contida. Durante os próximos quatro anos muitas coisas aconteceram… Susy se mudou para o Pará, elas se formaram e a relação ficou suspensa nesse lugar da amizade - mas que internamente era puro desejo. Mesmo sem assumir o que sentiam, a atração nunca desapareceu: às vezes se encontravam e o toque na pele ainda deixava claro que havia algo ali. Mas, o conflito era intenso, sobretudo para Pâmela que enfrentava muitos comentários homofóbicos dentro de casa. Em 2015, fora do ambiente da igreja, decidiram finalmente dar uma chance ao relacionamento. O namoro começou às escondidas, sem que ninguém da família ou do círculo de amizades soubesse oficialmente. E esse sigilo durou: foram quase cinco anos vivendo o amor em silêncio, entre encontros discretos e afetos guardados pra ser vividos apenas sem ninguém por perto. Alguns amigos desconfiavam, mas não havia perguntas diretas e elas também não se sentiam bem para contar. Foi um período que o amor significou: se proteger. Durante uma viagem a Salvador, no ano novo de 2018 para 2019, Pâmela pediu Susy em casamento. Não havia ainda uma perspectiva clara de como concretizar esse passo, mas o gesto representava a certeza de que queria dividir a vida com ela. De volta à Imperatriz no começo do ano, a decisão de assumir a relação começou a pesar mais para Pâmela, especialmente por causa das questões familiares e da dificuldade em enfrentar a rejeição que sabia que poderia vir. Susy, que já morava sozinha, recebia Pâmela em sua casa aos finais de semana, e nesse período começaram a considerar morar juntas. Pensaram também em alugar ou comprar um apartamento, até que surgiu a ideia de formalizar uma união estável. Mas toda a conversa foi evoluindo: se fariam a união, então que fosse um casamento. Numa única noite, entre um papo corajoso e cerveja, decidiram tudo. No dia 16 de maio de 2019 oficializaram o casamento - e foi com o casamento que se assumiram publicamente. Decidiram que cada uma contaria para a própria família no mesmo dia e horário. Susy levou a mãe até sua casa, enquanto Pâmela saiu mais cedo do trabalho e também contou para sua família. A conversa foi direta: não se tratava de pedir autorização, mas de afirmar a escolha de viver juntas e de reconhecer que a relação já existia havia cinco anos. A decisão era simples, a reação nem tanto. A mãe de Susy não recebeu bem a notícia e desde então nunca aceitou bem a relação. Entretanto, mesmo com o preconceito enraizado das famílias, elas seguiram firmes na decisão e no compromisso assumido. Não foi fácil viver tantos anos um relacionamento escondido de todos, mas agora entendem que vivem o melhor do bem-estar e da maturidade que foi construída nesse tempo todo. Susy conta de um período de fragilidade que passou por uma cirurgia e que Pâmela cuidou dela de uma forma intensa e inesperada. Ainda depois de tantos anos, esse momento foi muito importante e fez a relação ultrapassar o campo do amor romântico, é um espaço de cuidado e entrega. Elas contam também como o amor se tornou referência. O próprio casamento que foi pioneiro em Imperatriz - antes a cidade nunca havia oficializado união entre mulheres no cartório. Hoje elas contam como frequentemente pessoas chegam para reconhecer a relação delas enquanto uma inspiração e como isso é importante porque elas não tiveram referências quando começaram. Susy mesmo citou que parecia impossível que lá, no “último DDD do mapa” (o DDD 99), parecia que essas coisas nunca iriam dar certo. Mas foram prova de que deu (e dá). Hoje em dia a naturalidade faz parte de tudo: seja sair de mãos dadas, trocar gestos de afeto, participar de eventos LGBTs na cidade… fazem questão de viver sendo quem são. O lar, marcado pelos dois gatinhos e por um canto seguro, também é o espaço acolhedor onde fazem questão de viver bem. Não há mais motivos para não ser quem são. ↓ rolar para baixo ↓ Susy Pâmela
- Nayara e Mayara | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. ↓ rolar para baixo ↓ Nayara Mayara
- Clarissa e Agnis | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Agnes estava com 33 anos no momento da documentação, é natural de São Gabriel, cidade interiorana do Rio Grande do Sul. Saiu de lá aos 17 anos e se mudou para Santa Maria por conta dos estudos, mas parte da família segue na sua cidade natal até hoje. Em Santa Maria se formou em nutrição, morou em Porto Alegre por um tempo, mas voltou à Santa Maria porque passou num concurso administrativo. Hoje em dia, mora novamente em Porto Alegre dividindo o lar com a Clarissa. Clarissa estava com 30 anos no momento da documentação. É natural de Porto Alegre e conta que sempre foi criada dentro da igreja. Se assumiu aos 18 anos, sendo uma mulher desfeminilizada e passou por muitos processos para entender quem era e se sentir bem com a forma que se vestia e com quem se relacionava. Foi muito difícil enfrentar os preconceitos vindos de fora e de dentro de casa, ouvir a palavra da “cura gay”, lutar pela aceitação… mas fica muito feliz quando observa o quanto as coisas já caminharam e o quanto sua família hoje em dia é apaixonada pela Agnes - brinca que gostam mais da Agnes do que dela e que adotaram ela como filha. Começa falando sobre isso porque é uma das partes que mais admira na sua história e na história delas enquanto um casal, e ressalta o quanto faz parte do relacionamento tranquilo que possuem esse valor que dão aos seus corpos e às pessoas que amam. Agnes, quando conheceu Clarissa, era uma pessoa que não se permitia viver muito o presente. Ficava sempre presa ao passado ou ao futuro. Se preocupava com o que precisava fazer, com o que tinha que planejar. Clarissa a fez entender que a vida é o momento, na maioria das vezes, nas coisas mais simples - foi durante a relação que ela começou a bordar, que voltou a ler, que passou a amar os passeios na pracinha final de tarde e compartilhar tantas receitas novas juntas. Clarissa completa que elas viraram duas senhorinhas e que adoram isso. Clarissa também adora chegar em casa, ouvir música e apreciar o descanso sem a cobrança do dia-a-dia. Explica que quando uma está muito cansada, a outra faz o almoço ou a janta… ou dividem as tarefas para não ficar pesado para as duas. Entendem que isso é se fortalecer. E que aos poucos vão descobrindo novas coisas que gostam de fazer. Sentem que viviam num limbo, estavam sempre tentando agradar os outros, pouco faziam para si mesmas ou para buscar suas felicidades e que depois de começarem a relação descobriram o que realmente gostam e que as faz feliz na simplicidade do dia. Clarissa e Agnes se conheceram no final de 2021, ambas estavam num processo de autoconhecimento, depois de relacionamentos longos. Se conheceram num aplicativo de relacionamentos. Agnes nunca havia entrado em aplicativos e não achava que isso combinava muito com ela, mas resolveu testar coisas novas, queria alguma amizade ou companhia para sair, conversar. Clarissa também não era dos aplicativos, nunca havia tomado iniciativa com ninguém por lá e Agnes foi uma exceção que deu certo. Se encontraram para tomar um açaí - o açaí em si estava ruim, mas o encontro foi ótimo! E desde então ficaram juntas. Entendem que não estavam procurando um relacionamento, foram se conhecendo e visualizando seu processo de cura, sentiam medo e até demoraram para admitir o quanto estavam apaixonadas, mas o processo fluiu e encararam o medo até estarem dispostas à relação. Logo no início do namoro, Agnes voltou a morar em Santa Maria por conta do trabalho. Foi difícil porque era algo novo, sentiram bastante saudade e isso demandava uma viagem toda semana para se encontrarem. Mas foi nesse movimento que se fortaleceram enquanto casal e entenderam que realmente queriam estar juntas. Vivenciaram momentos que foram decisivos para se conhecerem em versões que ainda não tinham tido oportunidade de ver… E sempre quando pensam na temporalidade das coisas ou “como poderiam ter se conhecido antes”, “tal coisa poderia ter acontecido antes”, refletem que foi no momento certo, precisavam passar pelas vivências para que o amadurecimento acontecesse. Ao total, Agnes morou um ano e oito meses em Santa Maria. Quando Agnes voltou de Santa Maria, ela e Clarissa moraram no mesmo terreno que a família da Clarissa durante quase um ano, até que alugaram o apartamento que moram hoje em dia. Constroem o lar com muito carinho, nas decorações feitas com artesanato aproveitando os momentos juntas, na forma que se alinham para seguirem uma relação de respeito num espaço confortável e seguro… Além disso, fizeram questão de buscar a independência num lar que seja só delas porque entendem a importância de serem consideradas uma unidade familiar, mulheres adultas que trabalham, se amam e constroem um futuro com consciência, não duas amigas ou duas meninas que vivem “uma fase”. Quando nos encontramos para a documentação acontecer, Agnes havia apresentado Clarissa para seus familiares há poucos dias e ainda estava entendendo a situação. Conta que sonham em casar, projetam o futuro juntas e é muito importante que as pessoas que amam e que desejam o bem possam compartilhar a vida com elas de forma natural e feliz por desejo próprio, sem obrigação ou questão social. Querem por perto pessoas que realmente apoiem, celebrem o amor. O que Clarissa e Agnes querem refletir para os outros na relação, é o que mais aprendem juntas vivendo esse amor: o companheirismo. Foi compartilhando o olhar/a forma que se enxergavam que impulsionam o crescimento uma da outra, até mesmo o autoconhecimento, e cresceram de forma que antes nem imaginavam. Hoje se enxergam muito mais felizes, com propósito e se permitindo ser vulnerável, porque sabem com quem contar. Querem que as pessoas que amam também saibam que podem contar com esse apoio e esse amor, porque elas viram que o amor que criaram dentro da relação já expandiu para a forma que são individualmente em vida, virou algo muito maior que uma relação romântica. ↓ rolar para baixo ↓ Clarissa Agnis
- Gerando Renda | Documentadas
Gerando renda é uma forma de conectar mulheres através do mercado de trabalho. gerando renda para o projeto Manter o projeto não é tarefa fácil! Fazer viagens, pegar metrôs, ônibus, barcas... disponibilizar tempo e conseguir manter as contas pagas é um grande desafio. E como queremos documentar o maior número de casais possíveis, disponibilizamos o nosso PIX e aceitamos qualquer valor como quantia de doação! Qualquer valor MESMO. Tem 2 reais e pode aplicar no projeto? é super válido! De quantias pequenas a quantias maiores, se cada uma e cada um de nós ajudar um pouquinho, conquistamos o Brasil todo! Colabore com a documentação histórica do amor entre mulheres! Para doar é muito fácil! - Entre no aplicativo do seu banco e clique em PIX > transferir PIX. - Escolha o tipo de chave: o nosso é e-mail :) - Digite o nosso e-mail, você pode copiar aqui: fernanda@documentadas.com - Digite o valor desejado da doação :D - Aparecerá o nome da idealizadora do projeto: Fernanda Piccolo Huggentobler. Então é só conferir e confirmar! Prontinho, a partir de agora você estará ajudando a documentar o amor entre mulheres no Brasil todo! Ah! Uma coisa importante. Quer saber como funciona os nossos gastos e ver como a sua doação está sendo utilizada? dá uma olhada nos nossos destaques do Instagram, lá tem um chamado: Prestação de Contas ♥ quer conferir a prestação de contas no Instagram? clica aqui! gerando renda para a comunidade LGBT Acreditamos que - além de que contar histórias de mulheres - podemos conecta-las. Falarmos sobre seus trabalhos, compartilharmos situações, momentos e, enfim, gerarmos renda. O mercado de trabalho segue difícil e podemos nos apoiar contratando trabalhos de mulheres da comunidade LGBT, certo? certo! Tá precisando de uma arquiteta? de uma chefe de cozinha para um evento do qual você tá promovendo? ou quem sabe quer fazer uma tatuagem nova e queria escolher uma tatuadora inspiradora? aqui temos! No nosso espaço de 'busca', clicando AQUI você consegue pesquisar pela palavra-chave (o serviço que você precisa), ver qual profissional está à disposição, ler sua história e entrar em contato com ela. O contato pode ser feito clicando no botão aqui na tela indicando a profissional que você leu, conheceu a história e deseja contratar/solicitar um orçamento. Nosso papel será te conectar diretamente com ela! Bora fortalecer a profissional que você admira! quer conhecer o serviço de alguma profissional? clica aqui!
- livro | Documentadas
Aline e Aya audio
- Keziah e Patricia | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Keziah estava com 26 anos no momento da documentação, é natural de Fortaleza e chegou em Pernambuco em 2021. Atualmente trabalha como engenheira de software, sendo desenvolvedora. Adora praticar esportes, escrever (inclusive já escreveu alguns livros independentes de romances sáficos) e cuidar dos seus bichos - gato, cachorro, papagaio, jabuti e calopsita. Sempre foi apaixonada por jogos e isso a fez cursar uma faculdade de desenvolvimento de jogos - que a levou para ciência da computação. Ao contar sobre a sua trajetória, destaca também que passou 16 anos frequentando a igreja, tendo uma família bastante conservadora, o que refletiu por muito tempo numa carga forte de culpa cristã que sentia em ser quem ela é. Atualmente, sente que as coisas mudaram e são mais tranquilas, mas faz parte de um longo processo de reconhecimento, pertencimento, auto acolhimento e maturidade. Pouco tempo antes da documentação, Patrícia e Keziah haviam visitado Fortaleza juntas e, pela primeira vez, Keziah apresentou uma namorada para os seus pais. Sente que foi muito legal esse passo, nem imaginava que isso um dia poderia acontecer. Estão namorando há anos e a família dela já sabia, mas agora que aconteceu o encontro sabem que é um passo considerável na relação. Patrícia estava com 32 anos no momento da documentação. É natural de Recife, trabalha como designer e adora ler - inclusive, foi por conta desse hobbie que conheceu a Keziah, em 2020. Ficou desempregada e começou a ler ainda mais no tempo livre, procurou pessoas que gostavam de ler para fazer amizades no Twitter e em meio às postagens conheceu um livro dela - leu, amou e procurou o perfil para conhecer mais sobre a autora. Enquanto para Patrícia a história começa quando ela lê um livro da Keziah, para a Keziah a história começa enquanto ela estava num relacionamento em meio à pandemia. Não estava sendo um bom relacionamento, não se sentia feliz e paralelo a isso seu livro estava em ascensão, recebia diversos elogios e comentários positivos diariamente. Decidiu que deveria procurar alguém que estivesse disposta a ler um pouco do que escrevia para dar uma opinião sincera: uma ajuda, um auxílio, iluminar os pensamentos… Então fez algo que até então nunca havia feito: postou que estava procurando essa pessoa. A Patrícia era a pessoa ideal para isso porque comentava muito sobre literatura no Twitter. Falava sobre diversos livros, reclamava ou elogiava, interagia em diversos posts… e foi assim que elas começaram a conversar de fato. A intimidade aumentou rapidamente, mas Keziah nunca levou muito a sério a possibilidade de algo, principalmente por morarem em estados diferentes no meio de uma pandemia. Conversavam, compartilhavam coisas da vida, faziam maratona de filmes, mas acreditavam que seria uma amizade e ela ainda tentava entender e processar o término da relação que vivia. Quando entendeu que estava solteira oficialmente, Patrícia começou a flertar de forma mais direta e até apresentou seus amigos de forma online, compartilhando grupos de jogos durante o período pandêmico. E cada vez mais, também, compartilhavam sobre sua escrita da forma que Keziah procurava: alguém para trazer opiniões e ideias criativas. Alguns meses depois de estarem nesse processo, em meio à pandemia, morando em estados diferentes, mas conversando e já desenvolvendo sentimentos, Keziah voltou a morar com os seus pais no interior do Ceará por conta das questões financeiras de estar desempregada e entendeu: agora está ainda mais distante a ideia dessa relação um dia dar certo. Mas, depois de muita conversa, entenderam o quanto se gostavam e queriam tentar se conhecer pessoalmente, seguir aos poucos a relação à distância. Keziah comprou a passagem para Recife de ônibus logo que algumas medidas de lockdown foram “afrouxadas”, numa viagem de 14 horas. Ficou mais de uma semana hospedada em um apartamento que alugaram para poder ficar isoladas e sem colocar a família em risco. O primeiro lugar que visitaram juntas foi o local que fizemos a documentação (o Marco Zero) e, por mais que Keziah nunca tivesse viajado dessa forma, todas as amigas estavam mais felizes que preocupadas, já torcendo pelo casal. Keziah estava decidida a fazer o ENEM novamente para voltar à faculdade e colocar a opção de cursar no Recife, fazendo sua mudança para lá. Deu a notícia para Patrícia com medo dela se assustar, afinal, estavam se conhecendo pessoalmente depois de tanto tempo… E ela respondeu que não estava nenhum pouco assustava porque na cabeça delas, já poderiam até se casar. Ela pensou: “Ufa, bom, na minha também! Então tá tranquilo!”. Conta que depois dessa primeira semana, se apaixonou completamente por Recife e não se arrepende da escolha que fez de morar na cidade, gosta muito de ter escolhido Pernambuco como seu lar. Cerca de um ano depois de se conhecerem pessoalmente, Keziah se mudou de fato para Recife. Diferente dos planos iniciais, não fez o ENEM, mas sim um processo seletivo numa empresa e já chegou na cidade com um trabalho fixo. No começo, alugou um apartamento, mas passava tanto tempo na casa da Patrícia que acabou indo morar lá de vez. A família da Patrícia, por sua vez, não aceitava no início o fato dela se relacionar com outra mulher… mas foi aprendendo a lidar (e adorar) a companhia da Keziah. Um dia, quando a Keziah ainda morava em Fortaleza e contou que gostaria de se mudar, ao se despedir a mãe da Patrícia disse para ela voltar mais vezes, pois adorava a “casa com barulho”. Pois vivem bem e a casa segue com barulho todos os dias. Passaram a entender o amor como uma escolha. Enxergam a paixão que sempre existiu, mas o amor que vivem nessa rotina, dentro de casa com os pais, com os bichos, com a saga por terminar a faculdade, os desafios do trabalho ou vivendo na cidade, são escolhas diárias que firmam compartilhar e ultrapassar juntas. Ficam positivamente surpresas quando enxergam o equilíbrio que lidam com as coisas e a construção que foi feita nesses anos. Ressaltam que é um amor que leva o tempo inteiro: desde uma acordar mais cedo para poder fazer o café para a outra ir na faculdade e não perder o horário considerando todo o trânsito que leva até chegar, todas as formas que consideram suas correrias e dividem os pesos para não ser tão pesado pra uma pessoa só… acreditam que tudo só dá certo por conta disso. “Eu acho que dá certo porque a gente estava sempre, tipo... Tentando se ajudar. Sim. O tempo inteiro.” Quando para pra pensar nesses 4 anos de relação, Keziah conta sobre um diagnóstico de depressão que foi dado há anos atrás e que, na época, o pensamento era que não havia perspectiva de coisas boas. Como se no futuro não houvesse lugar para nada de bom na vida pessoal ou profissional. Mas hoje em dia, de alguma forma, o relacionamento faz tudo parecer muito leve e é muito legal pensar sobre esse merecimento do amor. Hoje em dia também não há mais diagnóstico depressivo. ↓ rolar para baixo ↓ Patricia Keziah
- Clarissa e Roberta | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Clarissa estava com 31 anos no momento da documentação, é natural de Carpina, cidade interiorana de Pernambuco. Chegou em Recife para fazer faculdade de farmácia, fez um intercâmbio para o estado de Minas Gerais onde passou um ano e meio lá estudando - e conhecendo um pouco mais de si, do mundo, tendo influências positivas diferentes das que possuía na cidade pequena ou em Recife - e quando voltou já se sentia muito diferente. Começou a viajar mais pelo Brasil, se inscreveu em congressos e cursos, aconteceram também suas primeiras experiências com mulheres, seu primeiro relacionamento e, assim, morou em outras cidades… sentiu que passou a conhecer mais quem ela era de verdade. Depois do seu primeiro relacionamento não ter dado certo e não ter sido tão bom quanto esperava, decidiu voltar para Recife, e voltou com um olhar totalmente diferente daquela primeira vez quando chegou. Se reconectou com a cidade, conheceu novas pessoas e se permitiu fazer uma viagem que sempre sonhou: para a Amazônia. Quando voltou: conheceu Roberta. Hoje em dia, moram juntas e parte do seu trabalho é compartilhado em casa com ela, numa sala com máquinas impressoras 3D montando recursos terapêuticos para auxiliar pessoas com dificuldade em mobilidade. Roberta estava com 28 anos no momento da documentação. Ouvindo Clarissa contar sua parte no momento da nossa conversa, ela comenta que seu momento de descoberta não foi assim aos poucos como o da companheira, sempre se viu 100% hétero. Suas amigas comentavam que ela deveria ficar com meninas para experimentar, mas ela nos padrões heteronormativos não concordava, até comentava que achava uma mulher ou outra bonita, mas era admiração, não atração. No íntimo, confessa: tinha curiosidade, mas não pensava em explorar. Pensava que se encontrasse uma mulher que realmente chamasse a atenção ela se permitiria, enquanto isso, não pensaria sobre. Foi um processo de muito autoconhecimento até se relacionar com Clarissa. Roberta é natural de Recife, morou muitos anos em Jaboatão dos Guararapes e fez uma especialização enquanto terapeuta ocupacional em reabilitação física. Hoje em dia, é responsável pela Ocupacional 3D, onde fazem os produtos citados no início do texto e também dá palestras e cursos sobre recursos terapêuticos. Quando Clarissa chegou em Pernambuco após a viagem, era época de São João e decidiu instalar um aplicativo de relacionamentos para encontrar alguém e ir nas festas dançar um forrozinho. Foi assim que conheceu Roberta. Na época, Roberta já havia desconstruído - ou melhor, construído - um pouco a ideia de se relacionar com mulheres, já passara por algumas experiências e entendeu que poderia, sim, estar numa relação com uma mulher. Às vezes deixava seu app voltado para homens, às vezes para mulheres… não tentava se enquadrar em algo. E em 2023 estava num momento de cura, depois de períodos difíceis vividos em 2021 e 2022, queria conhecer pessoas novas. O primeiro encontro foi o bastante para entender que iriam se conectar (o primeiro mesmo que deu certo, ainda bem! Porque o primeiro que a Clarissa havia sugerido era um encontro que nitidamente daria errado, uma ação social de catar lixo no rio…). Mas ufa, o primeiro encontro foi o forrozinho sonhado, conversas com conexão e tudo mais. Até comentaram com os amigos que provavelmente iriam ouvir falar mais o nome uma da outra nas conversas… porque provavelmente não seria algo passageiro. Continuaram se encontrando, descobriram coisas semelhantes, foram sentindo que tudo poderia virar um namoro, mas não falaram sobre isso diretamente, aos poucos introduziram o assunto, até que um mês depois estavam de fato namorando. Depois do início do namoro, passavam muito tempo juntas. Não ficavam mais de três dias sem se encontrar. Foi quando decidiram dividir o lar. Cerca de um ano depois, já estavam noivas. Num pedido de casamento, Clarissa criou um cordel inspirado na história delas e presenteou Roberta. O São João é muito significativo para elas, afinal, é a data que se conheceram e o período preferido do ano. Mas não podemos deixar de citar: entre os presentes, desde o começo do namoro Clarissa se destaca pelas ideias criativas. Tudo foi caminhando com intensidade, afirmam a rapidez quando relembram, mas entendem que o aprofundamento da relação foi feito à vontade. A própria família da Clarissa, que nos outros relacionamentos nunca se aproximou, fez questão de conhecer a Roberta e estar próxima durante a mudança, conhecendo o lar que elas moram. Para elas, isso mostra o quanto esse relacionamento é diferente. Apesar da família ainda ter seus limites, é muito importante ver como tudo já caminhou com disposição, como as pessoas ao redor já mudaram suas percepções e seus preconceitos nesses últimos anos através do amor. Roberta conta que no começo ela sentia bastante medo da rapidez e da proximidade, mas que de alguma forma se sentia à vontade e gostava do que vivia, queria dar uma chance para essa relação. Por mais assustadora que fosse a velocidade, praticamente avassaladora, possuía a sensação de que já se conheciam. E não queria mais estar distante. Foi estranho ver uma pessoa chegando “de mala e cuia” na sua casa aos poucos, encaixando suas coisas, compartilhando sua rotina. Depois seria estranho não ter mais essa pessoa. Hoje explica como foi importante a existência da Clarisse na sua vida para tantas outras coisas, como a questão das impressoras 3D que possuem em casa, que ela sempre sonhou em ter para fazer os produtos com adaptações para pessoas com deficiência. Foi Clarissa quem incentivou a busca pelo sonho e hoje são companheiras de estudos e sócias, criaram a empresa da Roberta, que explica o quanto o trabalho a salva diariamente. Ela é uma pessoa que se move pelo cuidado, seja com a família ou os amigos, está sempre zelando por quem ama. É dedicada e sente que isso está na sua cultura, aprendeu a ser assim desde criança, tanto que escolheu essa profissão. Fizemos questão de documentar esse sonho nas fotos também, nessa parceria num dos quartos de casa é onde mora uma parte muito grande desse amor. ↓ rolar para baixo ↓ Clarissa Roberta
- Naiara e Mary | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Naiara estava com 58 anos no momento da documentação. Se dedicou 32 anos ao serviço público, sendo 29 deles no Tribunal do Trabalho, na área de Tecnologia da Informação, período em que participou da informatização completa do órgão, da migração do papel para os sistemas digitais. Antes de qualquer profissão, sempre se reconheceu militante: desde os 13 anos, quando começou a entender o que era ser mulher e pensar sobre gênero e sexualidade. Em toda sua vida esteve presente em movimentos políticos, sindicais, LGBTs e de mulheres, construindo muita participação na luta. Nasceu em São Jorge, no interior do Rio Grande do Sul, mas foi morar em Porto Alegre quando ainda era bebê e lá cresceu, trabalhou, conheceu a Mery, começaram esse relacionamento que já dura 40 anos… e criou suas raízes. Mary estava com 73 anos no momento da documentação. Nasceu em Porto Alegre, na rua Lima e Silva, uma das principais do bairro Cidade Baixa, mas confessa que nunca deixou de ser “bicho do mato”. Depois de um curto período morando com a avó, novamente na rua onde nasceu, voltou para Viamão, cidade vizinha de Porto Alegre, para viver com os pais, que estavam começando a construir a vida por lá. Trabalhou desde muito cedo, com carteira ‘de menor’ assinada, e se aposentou cedo por conta disso, aos 45 anos. Sua carreira se baseou mais de duas décadas em uma empresa imobiliária, no setor de microfilmagem - uma profissão que praticamente desapareceu com a tecnologia, mas ela explica: cada documento que passava pelo condomínio chegava às mãos dela, que filmava, e assim viravam um rolinho de filme. Quando começou a trabalhar, ainda sendo ‘de menor’, jogava vôlei e era apaixonada por esportes. Foi quando questionou sua sexualidade pela primeira vez também. Ainda que as dúvidas vieram na adolescência, Mary lembra que, ainda criança, “namorava as bonecas” e era reprimida pela mãe - e por si mesma. Da mesma forma era cobrada pelos pais e por si mesma. Mas no fundo, conta que se ganhava uma boneca ou um sapato, ficava magoada. Queria mesmo era uma bola. Quando começou a jogar vôlei, Mary ainda não havia se envolvido com nenhuma menina. Tinha apenas admirações platônicas difíceis de nomear… e o esporte se tornou também um espaço para entender o que estava acontecendo. Trabalhando muito cedo, ouvia conversas pelos cantos do refeitório na ‘firma’ sobre existir uma casa/uma boate cheio de bicha, de sapatão. Um dia, entre os seus 17/18 anos, criou coragem e foi lá. Era o início da década de 70. Conta que ficou nem quinze minutos, saiu assustada. Foi o impacto de ver no mundo real aquilo que tentava ignorar, a materialização de pensamentos que achava que não poderiam existir. Não eram só coisas da cabeça dela. Depois de uma viagem de férias, surgiu um jogo de futebol entre empresas e ela foi convidada a participar. Afinal, jogava bola desde criança nas ruas de Viamão e, apesar de se machucar nesse primeiro jogo, foi ali que começou a jogar de verdade e conhecer mulheres lésbicas de verdade. Diferente do vôlei, no futebol pareciam falar mais sobre as coisas. Lá se aproximou de uma amiga - que era a tia de Naiara e foi quem as apresentou - e passou a conviver frequentemente com as “entendidas” ou, em brincadeira, as “cebolas”, referência a um time de São José do Norte (cidade referência na plantação de cebolas) cujas jogadoras/treinadoras/diretoras eram todas lésbicas. No futebol, enfrentaram dificuldades e muitos preconceitos. Como Mary mesmo diz: “Nessa época, jogar futebol era perigoso”. Com a criação do Parque da Marinha, criaram o time Marinha do Brasil. Defendendo Porto Alegre no Citadino, um campeonato. Só conseguiam treinar depois das dez da noite porque a elite ocupava as quadras do Parque Marinha até tarde. Muitas vezes foram expulsas violentamente, quando tentavam chegar antes. Contaram com a ajuda dos homens negros de Alvorada, que também treinavam depois das 22h, e que as treinaram por quase um ano, ensinando fundamentos, jogadas e resistência. O ambiente era perigoso, e todas trabalhavam, então saiam cansadas e iam jogar bola. O futebol era coisa da periferia e não havia jogadora que vivesse apenas do esporte ou de estudos. Quando venceram o campeonato, foram junto aos homens negros, numa grande comemoração. Mary jogou durante muitos anos, tanto que, aos 33 conheceu Naiara - mais de dez anos depois de ter iniciado nos jogos. Quando já estavam juntas, namorando, houve um torneio de empresas e Mary sofreu o primeiro bullying que foi muito marcante em sua vida. Após atingir uma colega com a bola, ouviu insultos e comentários muito violentos, sendo humilhada diante de toda a empresa. Chorou muitas vezes ao lembrar, o que magoava era que poucas pessoas, como a Nai e mais alguns amigos, ficaram ao lado dela, ainda que ela não tivesse feito nada de errado. A culpa era ela ser uma mulher lésbica, como se isso a tornasse agressiva demais, como se quisesse ‘virar homem’. Fala sobre isso destacando a importância de terem se mantido sustentando juntas as dores - e as vitórias - de tantos momentos marcados por coragem, e de tanta história importante para a nossa própria comunidade LGBT. A vida delas mudou numa dessas noites de boate, quando Mary foi encontrar a tia da Nai e acabou esbarrando com ela. Tocava uma música brega que elas contam rindo, com vergonha, e a tia insistiu para que Mary tirasse Nai para dançar. Ela assim o fez e lançou logo uma cantada, horrível, e a Nai não retribuiu. Mary brinca: “Ela foi embora, me deixou no meio do salão!” mas Nai desmente, diz que não foi assim, só foi uma cantada ruim mesmo. Continuaram se encontrando aos poucos, até que finalmente deu certo. Mas tinham medo da reação da tia, afinal, se envolverem já era um passo a mais, Nai estava fazendo 18 anos e Mary já tinha 33. Levou meses, praticamente um ano, para se tornar de fato um namoro. Com a convivência crescendo, Mary começou a circular entre o grupo de amigos da Naiara - obviamente bem mais jovens - e que adorava a presença dela porque ela tinha carro, proporcionava carona e passeios mais adultos. A intimidade, porém, era difícil de dar certo: ambas moravam com os pais, não tinham muita privacidade, a não ser na casa da Mary. Foi então que alugaram um apartamento simples no bairro Menino Deus, entre 1984–1985. A verdade é que ninguém sabia sobre elas, sempre foi como se fossem boas amigas. Na rua, a dificuldade era outra porque Mary evitava qualquer demonstração de afeto em público, temendo que Nai fosse agredida por causa dela. Foi muito tempo para conseguirem conversar sobre e mudar os atos, sobretudo trabalhar a militância lésbica. Com o tempo, construíram uma vida conjunta. Nai fala uma coisa muito importante sobre essa formação: de que muitas mulheres lésbicas começaram a passar em concursos para poder ter a certeza que não seriam demitidas e, só assim, assumirem suas vidas, pegarem nas mãos na rua sem medo. Como foi o caso dela. Ela sempre pôde falar mais por ser concursada. Anos depois, compraram uma casa em Viamão - grande, acessível e perto da família da Mary - e ficaram ali por vinte anos. O lugar virou ponto de encontro: churrascos, aniversários, amizades que entravam e saíam como num clube familiar. E a própria convivência da relação também enfrentou diversas barreiras internas e externas. Nai admitia ter preconceitos em relação ao futebol de Mary, e ambas viveram momentos marcados pela transfobia estrutural da época. Mary, por exemplo, chegava a se travestir de homem para conseguir sair de Viamão até Porto Alegre durante a noite e voltar em segurança. Essas camadas mostravam como o relacionamento delas se entrelaçou com a construção de uma comunidade LGBT que buscava sobreviver, existir e ganhar voz. Ao longo dos anos, se reconheceram de muitas formas, algumas que não fazem mais parte de quem são (como essa visão transfóbica que existiu por um momento), e também se reconheceram nas muitas mudanças individuais. Mary e Nai carregam hoje uma família enorme: onze sobrinhos, dois sobrinhos-netos, e o reconhecimento, desde sempre, como um casal diante de todos eles. Agora voltando a morar em Porto Alegre, num apartamento menor, falam muito sobre o ato de envelhecer juntas: não com peso, mas com essa lucidez de quem olha o mundo e percebe o quanto ainda precisa mudar. Veem gente jovem repetindo ideias de décadas atrás, enquanto elas seguem se atualizando, se abrindo, se movendo. “A idade não engessa quem não quer”, dizem. Foram muitas coisas vividas nos últimos anos também: Nai enfrentou o câncer enquanto, no mesmo período, Mary sofreu dois aneurismas cerebrais. As marcas permanecem, especialmente para Nai, que ainda lida com dificuldades deixadas pelo tratamento. Mesmo assim, transforma tudo em ação: pensa em projetos de lei, busca articulação política, tenta abrir caminhos para outras pessoas viverem processos menos exaustivos que os seus. Conversamos sobre como cansa existir em estruturas que já são adoecedoras e, ainda assim, precisar lutar o tempo todo. O pai da Mary faleceu em 2025, aos 93, tendo passado os últimos anos sendo cuidado por elas. A mãe de Nai, agora com 90, segue sendo cuidada por elas também. E observando esse cuidado, elas não deixam de pensar e falar sobre como desejam viver a velhice juntas. Sem depositar nas irmãs, nos sobrinhos ou na família grande a responsabilidade pelo que virá. A mudança da casa para o apartamento veio desse pensamento: perceberam que viviam mais em função da manutenção do espaço do que da própria vida. Hoje, planejam o futuro com a serenidade possível. Sabem que o tempo diminui a agilidade, a disposição, a vontade… mas não diminui o amor. Ajustam rotinas, fazem escolhas, reorganizam o que for preciso para permanecerem lado a lado, do jeito que sempre quiseram: com lucidez, coragem e a leve rebeldia de quem nunca deixou de construir uma relação - diga-se de passagem, de mais de 40 anos. ↓ rolar para baixo ↓ Ana Naiara Mary
- Psicólogas disponíveis | Documentadas
O Documentadas oferece apoio psicológico para mulheres que amam mulheres e fazem parte da comunidade LGBT. nossas profissionais disponíveis Ana Carolina Psicóloga Psicóloga pela Universidade Federal Fluminense - mestrado em Psicologia Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. CRP 05/58463 Leia mais Viviane Psicóloga Psicóloga graduada pela PUCRS, especialista em Clínica Psicanalítica (UFRGS) e mestre em Psicologia Social na UFRGS. CRP: 07/23395 Leia mais Marina Albuquerque Psicóloga Psicóloga graduada pelo Centro Universitário IESB e especialista em Psicologia Humanista. CRP-01/19203. Leia mais Camila Psicanalista Psicanalista. Membro provisório do Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre/RS (CEPdePA) e Advogada Especialista em Direito Público Leia mais Ana Clara Ruas Psicóloga Psicologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói. CRP 05/66226 Leia mais Maria Clara Goes Psicóloga Psicóloga mestra sobre saúde sexual de mulheres cis lésbicas, pela Universidade Federal da Bahia. Praticante da Psicanálise - CRP 03/27093 Leia mais Maria Freire Psicanalista Psicanalista pela Escola Letra Freudiana. Doutorado em filosofia. Leia mais Júlia Psicóloga Psicóloga - Mestrado na Universidade Federal Fluminense em Psicologia - CRP 05/60076 Leia mais Ariadne Sitaro Psicóloga Psicóloga Pós Graduanda em Gestalt Terapia e Reprodução Humana Assistida. CRP 02/28387 Leia mais Deyse Van Der Ham Psicóloga Psicóloga - Especialista em Políticas Públicas e Assistência Social pela PUCRS. CRP 07/24426 Leia mais Larissa Psicóloga Psicóloga formada pela Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo. CRP 06/161422 Leia mais Priscila Dornelas Psicóloga Formada em 2022 pela UNIBRA – Centro Universitário Brasileiro. Atuo pela Abordagem Centrada na Pessoa. CRP 02/29904 Leia mais Ana Flávia Psicanalista Pedagoga pela Universidade Federal do Paraná e psicanalista pela Associação Livre Centro de Estudos em Psicanálise Leia mais Raquel Psicóloga Psicóloga formada pela Faculdade de Pato Branco/FADEP Pós-graduação em Gênero e Sexualidade. CRP 12/23076 Leia mais Laís Tiburcio Psicóloga Psicóloga Clínica, Pós-graduanda em Gênero & Sexualidade, formação em Politica Nacional de Saúde LGBT. Estudos em Psicanálise. CRP 05/57276 Leia mais Gabryella Neves Psicóloga Psicóloga Clínica, formada pela Universidade da Amazônia CRP 10/10695. Leia mais Thays Waichel Psicóloga Psicóloga graduada pela (ULBRA/RS), especialista em Garantia dos Direitos e Políticas de Cuidados à Criança e ao Adolescente pela Universidade de Brasília (UNB/DF) e estudante de Psicanálise. CRP: 37/003 Leia mais Paula Martins Psicóloga Psicóloga, formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e pós graduanda em Psicopedagogia. CRP 05/63682 Leia mais Caroline Afonso Psicóloga Psicóloga - formada pela Universidade Luterana do Brasil Canoas/RS. CRP 07/38059 Leia mais Rayanne Moreira Psicóloga Psicóloga clínica, Pós-graduada em Gestalt-terapia. CRP 05/57973 Leia mais Gabriela Nunes Psicóloga Psicóloga formada pela UNISINOS e pós-graduanda em Psicologia Clínica pela PUCRS. CRP 07/41102 Leia mais Maria Célia Psicóloga Psicóloga clínica e social, PUC Minas (campus Poços de Caldas) e mestre em Psicologia pela UFMG. CRP: 04/78352. Leia mais Jamyle Psicóloga Psicóloga - Mestrado em lesbianidades a partir de uma perspectiva interseccional, pela Universidade Federal do Ceará. CRP 11/18191 Leia mais Talyta Psicóloga Psicóloga - graduada pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) - estudos em psicanálise. CRP 06/169049 Leia mais Kíssila Psicóloga Psicóloga formada pela UFF e pós-graduanda em Fenomenologia Decolonial e Clínica Ampliada pelo NUCAFE. CRP 05/69513 Leia mais Jade Psicóloga Psicóloga pela Universidade Federal Fluminense - mestrado em Psicologia Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. CRP 05/58463 Leia mais para fazer cadastro, basta ler sobre as psicólogas disponíveis, preencher o formulário em cada "Ler Mais" e aguardar o nosso contato! caso tenha alguma dúvida, nos mande um alô por aqui :)
- Camila e Lian | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Camila Marins estava com 41 anos no momento da documentação. É jornalista, mestra em políticas públicas e em direitos humanos. Sua trajetória é profundamente marcada pelo trabalho e pela militância. É idealizadora do projeto de lei Luana Barbosa, voltado ao enfrentamento do lesbocídio, e do projeto de lei Cassandra Rios, que propõe fomento à comunicação e à produção editorial lésbica, disputando orçamento público e articulando legislações para a população lésbica no Brasil. Integra a Rede Nacional de Proteção de Jornalistas e Comunicadores Populares, ligada ao Instituto Vladimir Herzog e é diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro. Camila é natural de Santa Rita do Sapucaí, interior de Minas Gerais. Boa parte da infância foi dividida entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Já adulta, foi para Campinas estudar jornalismo, trabalhou como assessora da vereadora mais jovem eleita pelo PSOL na cidade, até que em 2009 participou da Brigada de Solidariedade a Cuba, experiência que a conectou à uma oportunidade profissional no Rio, para onde se mudou em 2010. Desde então, constrói atuação política em movimentos, partidos e articulações, principalmente voltadas para as pautas das mulheres. Lian estava com 43 anos no momento da documentação, nasceu em Goiânia e vive no Rio de Janeiro há duas décadas. Mudou-se para cursar mestrado em comunicação social, tornou-se doutora na área e atualmente também trabalha enquanto atriz, escritora e criou o podcast “Maternidade de Guerrilha”. É mãe da Paz, que está com sete anos no momento. Lian se define como solar: gosta do dia, do sol, da água e do ar livre. Ama trilhas, viagens, leitura, palavras cruzadas e atividades lúdicas… está sempre disposta à brincar, imaginar e criar. Juntas, compartilham o gosto pelas palavras e pelos jogos. É nas cruzadinhas que se encontram, como quem cultiva linguagem e cumplicidade. Entre militância, arte, maternidade e imaginação, constroem uma vida atravessada por política e por brincadeiras, onde o compromisso coletivo e o prazer do cotidiano caminham juntos. Camila e Lian já se conheciam de vista dos encontros do coletivo Slam das Minas, em parceria com a Brejeiras. Lian é envolvida no Slam, Camila representava a Brejeiras, mas nunca haviam conversado diretamente. Foi perto do aniversário de Camila que o primeiro passo foi dado: ela publicou nos stories do Instagram um convite da festa que iria acontecer e recebeu a resposta de Lian: “Taurines, as melhores pessoas”. As duas fazem aniversário com cinco dias de diferença. E o comentário virou convite: para a festa e para um almoço despretensioso. Mas ainda existia a dúvida: era um almoço para começar uma amizade ou era um date? Lian suspeitou do date, topou. No bar, o nervosismo delas tomou conta. Camila derrubou água, ri contando: estava apavorada. Lian mergulhou em conversas profundas sobre traumas familiares e experiências com ayahuasca, depois ficou temendo ter assustado Camila com tantos papos. Nenhuma das duas teve coragem de uma iniciativa de beijo, estava tudo meio confuso dentro de si. Dias depois, foi o aniversário da Camila, ela comemorou em um bar em Santa Teresa com muitas amigas, uma grande festa. Lian foi, era próximo da sua casa e decidiu passar por lá. Encontrou amigas em comum, celebrou, e foi naquele dia, em 2024, que elas se beijaram pela primeira vez: como as duas, um amor taurino - intenso e teimoso - começou. Mais tarde, conversando com calma, perceberam que o primeiro encontro esteve cheio de sinais: olhares, pausas, expectativas. O nervosismo, os traumas e a timidez impediram que enxergassem. Foi quando deram uma segunda chance no aniversário. Hoje entendem que o beijo não foi só impulso, foi coragem. Depois do primeiro beijo, os encontros se tornaram frequentes. Houveram cafés da manhã, Camila conheceu a Paz, filha da Lian, que na época estava com cinco anos (uma diferença enorme para os sete anos que está hoje). Vieram os cinemas, as visitas em casa, a convivência que foi se tornando natural. Ainda assim, pairava a dúvida silenciosa: era namoro ou não? No Dia dos Namorados, Camila convidou para passarem juntas assistindo um filme com a Paz, e fez a pergunta “Quer namorar comigo?”. Para Lian, era uma formalização do que já existiam, na cabeça dela elas já namoravam. Tempos depois, com a presença da Camila em casa, Lian conta de um episódio durante a sessão de terapia que estava falando sobre o relacionamento a Paz escutou. Depois ela perguntou: “A Camila é sua namorada? Uma menina?”. A Paz sempre conviveu com pessoas LGBTs, a confusão era em torno de organizar essas referências e entender que sua mãe também poderia namorar uma mulher. A questão mais difícil não foi o namoro com uma mulher, mas o ciúme em relação à mãe. Paz sempre demonstrou forte vínculo e proteção, recusando demonstrações de afeto que a excluíssem. Houveram momentos intensos, declarados com honestidade infantil: “Eu odeio a Camila, mas eu amo a Camila!”. A resposta nunca foi repressão, mas validação, afinal, as emoções são confusas mesmo e elas podem coexistir, não estão erradas, assim como Paz está descobrindo elas agora, não é fácil lidar. Hoje, ela acredita que o ciúme não desapareceu, mas se transformou. Paz consegue dizer quando sente as coisas - sejam boas ou ruins. Não há sentimentos proibidos, apenas sentimentos a serem compreendidos. E, sobretudo, ao invés de exigir racionalização precoce, há escuta. Talvez o maior aprendizado seja esse: permitir sentir antes de explicar. Afinal, até nós, adultas, ainda tentamos entender o que sentimos. Camila entende que o amor mora nos detalhes: na forma como Lian fala, no gesto de dividir uma comida gostosa, na semelhança que se revela quando leem juntas ou disputam palavras cruzadas. Foi assim desde o começo: sente que algo se assentou. Elas são competitivas, curiosas, gostam de trocar ideias sobre o que estão lendo, de descobrir coisas novas. O amor, para Camila, vive nesses instantes compartilhados. Lian nunca teve o hábito de beber e sempre se sentiu deslocada diante de uma vida adulta que parece girar em torno de bares e álcool. É diurna, prefere trilhas, cachoeiras, livros, jogos, imaginação, fantasia. Gosta de estar ao ar livre, de brincar, de criar. Por muito tempo, sentiu-se excluída por não caber nesse roteiro social. Com Camila, encontrou acolhimento: alguém que abraça quem ela é, que topa jogar, conversar, estar inteira. Há ainda a maternidade, a guarda alternada, os ciúmes e os atravessamentos próprios de quem constrói uma relação com uma criança no centro. Tudo é processual, conversado, escutado: entre elas, existe a possibilidade de falar de traumas, de histórico de vida, de medos e fragilidades com profundidade. Há uma busca compartilhada por presença: Lian sente a necessidade que a pessoa esteja ali de fato, aproveitando o momento, sem distrações. Camila, inclusive, reconhece que o relacionamento foi decisivo para retomar sua saúde: parar de beber foi um dos passos mais importantes da sua vida. As conversas sobre neuroplasticidade e psicodélicos, iniciadas ainda no primeiro encontro, também abriram caminhos de transformação e cuidado que impactaram sua forma de estar no mundo. Além disso, a convivência trouxe mudanças concretas: viver mais o dia, ao ar livre na natureza, fez com que o sedentarismo desse lugar ao movimento. O amor entre elas tornou-se uma prática cotidiana de cuidado, visando sempre a escolha do crescimento. ↓ rolar para baixo ↓ Lian Camila
- Vanessa e Dayanne | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Dayanne estava com 34 anos no momento da documentação. Nasceu em Aracaju e é psicóloga, professora e musicista. Com três trabalhos que refletem suas paixões, a música sempre esteve presente na sua vida, enquanto a psicologia surgiu ainda na adolescência, em uma feira de profissões que a fez descobrir seu caminho. Depois, o mestrado a levou à carreira docente, onde também a realizou. Além da rotina intensa, ela adora assistir séries e viajar para conhecer novas culturas e lugares. No palco, seu talento brilha: toca surdo, teclado, instrumentos de percussão, canta e integra uma banda de samba, mostrando que a música é um caminho, samba é democracia. Vanessa estava com 32 anos no momento da documentação, é natural de Simão Dias, no centro-sul de Sergipe, e chegou a Aracaju em 2017 para estudar. Criada em um povoado, onde o ritmo da vida era mais conectado à natureza e respeitando o tempo das coisas, teve um grande choque cultural ao se mudar para a capital. Após abandonar o curso de enfermagem por dificuldades em conciliar trabalho e estudos, encontrou sua verdadeira vocação em marketing, alinhando a paixão pela comunicação ao seu histórico como produtora cultural no interior. No passar dos anos foi convidada para ser educadora e, mesmo tendo uma avó e uma mãe educadoras, nunca foi algo que ela tinha imaginado trabalhar - e aqui ressalta que sua mãe, merendeira, talvez nem saiba que era educadora, mas que toda pessoa trabalhadora de escola educa e merece ser tratada enquanto educador. Hoje, ocupa um lugar de educadora antirracista, acredita que é sua missão de vida - e que sua espiritualidade chegou para confirmar. Ambas destacam a importância de serem retratadas como mulheres pretas, candomblecistas, conscientes de seus corpos vulneráveis, mas plenas em sua capacidade de ocupar espaços - que até mesmo quando crianças não imaginavam que poderiam estar ocupando. Sabem que todos os lugares que habitam têm uma dimensão política, e levam isso consigo, seja estudando, conversando, refletindo ou se divertindo. Com personalidades vibrantes e muito ligadas à rua, ou melhor, “rueiras”, são mulheres que amam estar no mundo, vivendo intensamente e construindo histórias significativas. Dayanne nunca foi de paquerar, muito menos pelas redes sociais, mas em 2022 Vanessa a seguiu no Instagram e logo chamou sua atenção. Ela chegou a comentar com uma amiga: “Nossa, que menina bonita!”. Já tinha visto Vanessa em alguns sambas e resolveu segui-la de volta. Aos poucos, as interações começaram com reações aos stories e passaram a sugerir encontros presenciais. Quando finalmente se viram, parecia que já se conheciam há anos. A conexão foi imediata e diferente de tudo que já tinham vivido. Dayanne, em especial, enfrentava um momento de confusão interna e refletia: “É agora? É essa pessoa?”. Percebeu que o que sentia era genuíno e forte, e que o amor, como estava vivendo, poderia ser algo tranquilo, leve e livre, sem controle ou imposições. No primeiro encontro, combinaram de se encontrar no apartamento de Dayanne antes de irem a uma festa temática dos anos 90. Chegaram ao evento de mãos dadas, como se já fossem um casal. Riem ao lembrar que o local não era nada romântico: músicas do É o Tchan tocando alto, precisando gritar para se ouvir. Felizmente, o tempo no apartamento garantiu que se conectassem antes do caos da festa. Desde aquele dia, continuaram se encontrando, e tudo foi acontecendo naturalmente, com leveza e diversão. Com o tempo e muitas conversas, descobriram curiosidades que pareciam unir ainda mais os caminhos: os pais de Dayanne, por exemplo, se conheceram no povoado onde Vanessa nasceu. Esses detalhes só reforçaram a sensação de que já estavam ligadas de alguma forma. Tudo foi acontecendo de forma bonita e intensa, ao mesmo tempo que se estende de forma leve, divertida, tranquila, diferente do que já se imaginaram vivendo. Aprendem, assim, que o amor é sem querer controlar o desejo do outro, “sem querer fazer com que o outro seja o que eu quero que ele seja”. Dayanne e Vanessa fazem questão de manter uma comunicação aberta e honesta, sempre conversando sobre seus desejos e construindo a relação com cuidado e atenção. Como diz bell hooks, o amor é uma escolha. Não o que ele desperta na hora que você sente, mas o que você vai construir com isso, como ele vai ser construído na relação. Por isso, fazem questão de considerar seus desejos e falam sobre eles o tempo todo. Vanessa cresceu em um lar onde a igreja católica estava presente no mesmo terreno da sua casa, porque sua avó doou parte do terreno para a construção. Frequentou o catolicismo até os 18 anos, mas sempre teve interesse por outras culturas e religiões, simpatizava com tudo o que era do povo preto. Com o tempo, decidiu se afastar das igrejas e, quando conheceu Day, soube que ela já era parte de um terreiro em São Cristóvão (cidade em que fizemos as fotos). Apesar disso, Dayanne nunca a pressionou a frequentar - e tinha o cuidado de não a influenciar. Vanessa passou a visitar terreiros urbanos por curiosidade e interesse, mas frequentava de fato religiões. Na época, dividia o lar com a irmã, que era evangélica, e até se permitiu algumas vivências na religião dela também. Quando passou a frequentar mais os terreiros, sentia-se limitada por não poder vivenciar isso livremente em casa. As vivências se intensificaram perante o reconhecimento na religião e, em meios a essas conversas e necessidades, Day e Vanessa decidiram morar juntas para viver com mais liberdade e acolhimento. São Cristóvão se tornou um símbolo importante na trajetória delas. Além de ser a cidade do terreiro que conecta suas crenças, foi lá que aconteceu o pedido de casamento, em um show de Rachel Reis, cantora que amam. Agora, sonham em construir uma família candomblecista, dando continuidade ao amor, à ancestralidade e às crenças e aos valores que compartilham. Day conta que se abriu sobre sua sexualidade para a família há pouco tempo. Antes de contar, enfrentou o medo da rejeição, mas foi acolhida com amor e apoio. Sua família não apenas a aceitou, mas ajudou a realizar o sonho de comprar a casa onde vivem. Esse acolhimento foi crucial para que ela se sentisse segura sendo quem é, tanto em casa quanto em outros espaços, como no trabalho. Hoje, todos ao seu redor sabem que ela é uma mulher bissexual em um relacionamento lésbico. Até sua avó, católica e com mais de 80 anos, respeita profundamente o casal e suas escolhas, refletindo como o amor caminha lado a lado com o respeito e a admiração. Day destaca a importância de dar visibilidade à bissexualidade. Ela reconhece que sua compreensão sobre si mesma foi tardia porque, durante boa parte da vida, não sabia que poderia nomear essas experiências. Sempre teve paixões por meninos e “admirações” por meninas: que poderiam ter sido paixões, mas que ficaram sem nome. Ela ressalta como é importante acolher a bissexualidade desde o início, em vez de buscar culpados para algo que não é errado. Por isso, faz questão de não deixar o "B" ser apagado e discute a temática de forma aberta, especialmente por entender que se torna referência para seus alunos, criando um espaço de acolhimento e segurança. Vanessa, por outro lado, cresceu em uma família marcada por mulheres fortes, especialmente mães solo. Com poucos exemplos de casais ao seu redor, precisou construir sua própria ideia de afeto e relacionamentos. Aprendeu que não precisa estar em um espaço de sempre agradar ao outro e esquecer de si, mas sim de um relacionamento saudável, pautado em autoamor e troca. Como mulheres negras em um relacionamento entre mulheres, elas enfrentaram olhares de fetichização, julgamentos que tentam reduzir o relacionamento a uma fase ou curtição. Por isso, ambas se dedicam a construir um amor que foge dessas narrativas, valorizando o cuidado, o enaltecimento mútuo e uma nova forma de amar. Esse relacionamento reflete a força que encontram uma na outra, no enaltecimento. Tanto no âmbito pessoal quanto na luta por respeito e visibilidade. Para elas, o amor é sobre aprender, construir e cuidar, enquanto criam uma narrativa que reflete o afeto e a elevação que desejam viver. ↓ rolar para baixo ↓ Vanessa Dayanne
- Nossas Professoras | Documentadas
O Documentadas oferece apoio educacional para mulheres que amam mulheres e fazem parte da comunidade LGBT. nossas professoras disponíveis Ana Ferreira Natural de São Paulo, Formada em Letras pela PUC-SP e pós-graduada em Sociologia pela FESP-SP. Possui certificado de proficiência em inglês pela Universidade de Cambridge Leia mais Laura Queiroz Natural de Uberlândia, formada em Letras-Inglês pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Leia mais inglês Maria Eduarda Oliveira Natural do Rio de Janeiro, formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, concluindo a licenciatura em Letras e a graduação em Pedagogia. Leia mais Nelice Almeida Natural do Rio de Janeiro, possui formação em Letras Inglês/Português pela UFF, pós-graduação em Literatura de Língua Inglesa e graduação em Psicologia. Leia mais Stela Barbosa Natural de Aracaju, é formada em Letras Português/Inglês pela Universidade Federal de Sergipe. Leia mais espanhol Amanda Condasi Natural do Rio de Janeiro, licenciada em Letras: Português - Espanhol pela UFRJ. Leia mais Maria Camila Natural da Colômbia, especialista em Tradução Audiovisual em Espanhol e atua há mais de seis anos no ensino do idioma. Leia mais Luiza Zanni Natural do Rio de Janeiro, formada em Letras Português/Espanhol pela UERJ e pós-graduada em Linguagens Artísticas, Cultura e Educação pelo IFRJ. Leia mais Vanessa Oliveira Natural de Pernambuco, formada em Letras – Português e Espanhol, com especialização em Fonética e Fonologia. Leia mais francês Alice Turino Natural do Rio de Janeiro, possui bacharelado e licenciatura em Letras Português/Francês pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Leia mais coreano Uriel Barroso Natural de Manaus, possui experiência em projetos acadêmicos, organização educacional e apoio a processos de intercâmbio e formação internacional. Leia mais polonês Róża Maria Walaszczyk Filóloga russa e pesquisadora sobre religião na Universidade de Gdańsk (Polônia). Leia mais para fazer cadastro, basta ler sobre as professoras disponíveis, escolher com quem mais se identifica e preencher o formulário disponível em cada "Ler Mais". caso tenha alguma dúvida, nos mande um alô por aqui :)
- Jessica e Amanda | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Jéssica estava com 34 anos no momento da documentação. É natural de Maceió, capital de Alagoas e trabalha como designer gráfica em uma escola, com foco na criação de materiais pedagógicos para a educação infantil. Apaixonada pela profissão, encontra na criatividade uma forma de se conectar ao universo das crianças. Fora do trabalho, seu hobbie é amar café e cerveja: adora explorar botecos ‘raiz’ e estar entre amigos. Também gosta de conhecer lugares diferentes e conta que isso se intensificou depois de conhecer Amanda, já que adoram fazer isso no tempo livre. Amanda estava com 29 anos no momento da documentação e é advogada. Nascida em Santana do Mundaú, interior de Alagoas, cresceu em uma família com 12 irmãos. Entre idas e vindas da faculdade, viveu períodos em Maceió e outros em sua cidade natal, que fica a cerca de uma hora e meia da capital, numa rotina bastante puxada. Apaixonada por praia, pela convivência com a família e por encontros entre amigos, gosta também de programas mais tranquilos, seja em casa ou em saídas leves. Entre cafés, botecos, família e amigos, Jess e Amanda construíram uma relação de simplicidade e afeto. Jess e Amanda se conheceram em 2017, através de uma amiga em comum. Na época, ambas estavam em outros relacionamentos e, num primeiro momento, não houve aproximação imediata porque Amanda era mais introspectiva. A convivência foi crescendo quando Jéssica se mudou para perto dessa amiga, vizinha de Amanda, no mesmo condomínio. As visitas constantes tornaram a presença inevitável e a amizade aconteceu aos poucos. Por mais que já estivessem se acostumando com a presença uma da outra, o vínculo começou em torno dos desabafos: as duas compartilhavam experiências semelhantes sobre os relacionamentos que viviam porque estavam passando por momentos difíceis em suas relações. A amiga em comum, ao ouvir os desabafos, comentava sobre como iriam se identificar por viverem situações muito semelhantes. Esse processo de dividir e verbalizar dores abriu novos olhares para si mesmas e para a vida que levavam. E, conversando, também acolhiam uma a outra. Em 2018, Amanda terminou o relacionamento e voltou para o interior. Estava num momento muito delicado e precisava sair de Maceió. Ainda que distante, manteve breve contato com Jess. Eventualmente, voltavam a se encontrar por meio de amigos em comum, quando ela ia para Maceió. Tempo depois, quando ambas estavam solteiras, perceberam que a aproximação se intensificou. Sentem que se admiravam muito - a forma que enxergavam a vida, lidavam com as situações e a leveza com que conduziam conversas e encontros. Demoraram um tempo para entender que a admiração era desejo, os amigos perceberam que os olhares mudaram antes mesmo delas se darem conta, e aos poucos elas também se permitiram tentar transformar a amizade em algo a mais. Foi em 2019 que Jess e Amanda ficaram pela primeira vez. Após ficarem algumas vezes em 2019, Jess e Amanda entenderam que gostavam uma da outra, mas o grande divisor de águas foi a pandemia de COVID-19, em 2020. Amanda ainda morava no interior e enfrentava dificuldades para trabalhar em home office na casa da mãe, onde viviam muitas pessoas. Jess, por sua vez, morava apenas com a mãe em Maceió e também trabalhava remotamente. Para aliviar a situação, convidou Amanda a passar uma semana em sua casa, assim relaxaria um pouco e teria um espaço mais silencioso para o trabalho. O que era temporário acabou se transformando em permanente. A pandemia se intensificou, Amanda chegou com uma mochila e aos poucos levou suas coisas, até que passou a morar de vez com Jess e sua mãe. De 2020 a 2025, elas dividiram casa com a mãe da Jess, o que trouxe diversos desafios. Apesar de ser um período de fortalecimento do relacionamento e construção de família, a convivência foi marcada por momentos delicados. Amanda precisou lidar com restrições, já que ocupava uma casa que não era de fato dela e não podia reagir a certas situações como gostaria. Para Jess, havia também o peso da relação familiar. O processo de se assumirem enquanto um casal - e um amor entre mulheres - trouxe dor e resistência, mas também acolhimento. Conversas difíceis e importantes com suas famílias, sabedoria e concessões. Foram anos desejando ter seu próprio lar, mas ainda não tinham condições financeiras para isso, então resistiram até se estruturarem. No começo de 2025, conseguiram se mudar para uma nova casa. A mudança representou liberdade e a chance de construir juntas o lar que sempre desejaram. Reconhecem o caminho percorrido, os aprendizados conquistados e celebram a vida que estão conseguindo viver: podendo ser quem são. Com o tempo, Jéssica e Amanda conquistaram uma nova forma de estar no mundo. Hoje, as pessoas olham para elas e reconhecem que são um casal, que estão construindo uma família com carinho e afeto. Já não existe mais o medo de precisar esconder gestos, olhares ou palavras (e lutaram muito por isso). Essa naturalidade se reflete para os ambientes familiares, o trabalho, a vida em geral. A segurança existe perante a coragem de viverem de forma transparente. Para elas, estar em um relacionamento significa disposição: a entrega, a clareza sobre o que querem construir juntas e a vontade de assumir isso sem necessidade de validação externa. O amor se manifesta tanto na intimidade quanto na postura, em uma escolha consciente de não se encolher diante do preconceito. Como se conheceram compartilhando fases difíceis, ressignificaram isso e constroem uma relação baseada em confiança, respeito e admiração. A trajetória revela que a construção de uma vida em comum não se resume ao romance, mas passa também pela decisão diária de enfrentar o mundo lado a lado, sem abrir mão de quem são. ↓ rolar para baixo ↓ Jess Amanda
- 0000 | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Rebeca e Samara se conheceram em outubro de 2023, durante uma live de uma página voltada ao público lésbico e bissexual. A proposta da live era conectar mulheres, seja para amizades ou relacionamentos. Samara tinha saído de um relacionamento - que não havia sido fácil - há cerca de seis meses, tomou coragem e decidiu participar para conhecer pessoas novas. Foi então que Rebeca a notou e começou a seguir no Instagram. Começaram a conversar imediatamente e se deram super bem, as conversas se tornaram diária e vieram chamadas de vídeo e ligações. Construíram um vínculo à distância - uma morando na Bahia, a outra no Piaui - que durou seis meses, e decidiram se relacionar de forma virtual. Em abril de 2024, Rebeca disse para Samara que faria uma viagem para visitar o pai no interior. No entanto, dias depois, veio a surpresa: Rebeca não estava no interior, mas sim a caminho de Salvador. Com a ajuda de familiares, ela arquitetou uma mudança e aproveitou a ocasião para surpreender Samara em seu aniversário, deixando claro que já tinha os planos de conseguir um emprego por lá e ficar de vez. A falta de aceitação de sua sexualidade pela família, somada aos seis meses de conexão intensa com Samara, desencadeou o impulso de recomeçar. Tinha o medo de não dar certo por não se conhecerem pessoalmente? Claro. Mas arriscar era preciso. Após algumas entrevistas, conseguiu um emprego e começou a se estruturar. Como ela mesma diz: "Já vim com os planos de ficar perto da Sam, não queria mais voltar para o Piauí." Desde então, elas têm vivido juntas, transformando aquela conexão inicial em uma história de amor real e corajosa, e Rebeca não se arrepende e nem deseja voltar. Quando chegou em Salvador, Rebeca ficou na casa dos seus familiares que moravam na cidade, mas também foi recebida com carinho pela família da Sam. Após uns meses, decidiram começar uma vida juntas, em um lar só delas. Os primeiros móveis foram adquiridos com pressa, mas com a ajuda preciosa da família para facilitar o início dessa nova etapa, ainda que pagando em várias prestações. Com alegria, contam como frequentemente refletem sobre essa decisão e afirmam, sem hesitar, que não se arrependem - principalmente a Rebeca, de ter deixado o Piauí para construir essa história ao lado de Samara. O amor, que começou de forma tão inesperada, revelou uma força que surpreende até elas mesmas. O que torna a relação única, segundo Sam, é a forma como se sentem ouvidas e reconhecidas uma pela outra. "Não vale só assinar embaixo. Ela deixa eu falar," diz Samara, expressando a dinâmica de respeito mútuo que construíram. E isso que é muito interessante, no dia-a-dia, além de desafiador, mostra o quanto representa crescimento para elas e para a família. E nesse crescimento também aprendem a lidar com questões que nem sabiam que era possível: como os ciúmes, a vida financeira, a ter paciência e entender que conquistam as coisas aos poucos, de acolher nos momentos difíceis, não procrastinar a luta dos estudos… uma puxa a outra nos sonhos. O amor delas também se revela nos pequenos impulsos do cotidiano. Desde Sam que gasta todos os caracteres na hora de se declarar, até a forma mais tímida de Rebeca, que prefere ações a palavras. É o mesmo impulso que levou Rebeca a mudar de estado e que ainda as guia em decisões, como comprar coisas sem tanto planejamento ou dizer “sim, vamos” antes de pensar duas vezes. Esses gestos espontâneos mostram que, mesmo com os desafios, o que importa é fazer dar certo. Samara, no momento da documentação, estava com 26 anos. É formada em História pela UBA e vive em Salvador, onde trabalha como professora em uma escola particular. Apesar de amar sua formação, sonha em cursar Direito, algo que pretendia fazer desde o início, antes de se apaixonar por História. Determinada e cheia de sonhos, Samara ainda planeja voltar à faculdade e realizar esse desejo. No tempo livre, ela adora ir ao cinema, shows, ouvir música, ler e assistir séries. Rebeca estava com 21 anos no momento da documentação. Nasceu em Salvador, mas passou a maior parte da vida no Piaui. Recentemente, em abril de 2024, decidiu voltar para Salvador motivada pelo amor que construiu com Samara. Atualmente, trabalha como operadora de telemarketing e cursa Ciências Biológicas, mas seu grande sonho é estudar Medicina. Rebeca é apaixonada por música e se destaca ao tocar violão, guitarra e bateria. Embora não seja fã de leitura como Samara, ela ama ir ao estádio de futebol – um hábito que aprendeu com Samara, e agora ambas torcem juntas pelo Vitória. A praia é um dos cenários mais especiais para as duas. Apaixonadas pelo mar, elas encontram nesse ambiente o refúgio para criar memórias juntas. Assim como o futebol no estádio, os passeios à beira-mar se tornaram um dos momentos mais significativos do relacionamento, por isso escolheram o lugar para fazermos as fotos na documentação. ↓ rolar para baixo ↓ Samara Rebeca
- Qual é a desse lambe aí? | Documentadas
Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Toda mulher merece amar outra mulher. E esse lambe aí? Acreditando na potência do Documentadas para além das redes sociais e do mundo online, decidimos colocar o projeto na rua conversando com os espaços das cidades por onde passamos. Foi através das técnicas arte urbana como lambe-lambe e stickers que começamos a espalhar uma frase famosa por aqui: “Toda mulher merece amar outra mulher”, além de uma tiragem inicial de 300 fotografias de casais que já participaram do projeto, com intervenções gráficas escritas por cima e o @documentadas, identificando nosso Instagram/site. Estar na rua nos abriu a possibilidade de troca com públicos antes inalcançáveis. Passamos entre universidades, boêmias e comunidades. Se as mulheres amam outras mulheres em múltiplos espaços, acreditamos que nossa arte também deva ocupar múltiplos espaços. Tal fato foi - e está - sendo possível pela impressão/colagem por valores acessíveis (afinal, o projeto é independente) e também por permitirmos ouvir a linguagem das ruas. Seguimos monitorando os espaços colados através da localização nas redes sociais, vendo postagens com fotos que as pessoas tiram deles e quais são as reações positivas/negativas ao ver essa manifestação. POR QUE NOSSOS LAMBES NÃO DURAM NAS RUAS? Nossos lambes são arrancados, vandalizados, riscados… Isso fala sobre muitas pessoas ainda serem lesbofóbicas e terem ódio ao saber que duas mulheres podem - e merecem - se amar em público, infelizmente. Porém, em nenhum momento um lambe riscado é arrancado para que outro seja colado em cima, pelo contrário: é importante deixar ali para que o preconceito também fique escancarado perante uma manifestação de afeto les-bi. Não deixaremos de colar nossos cartazes e adesivos. O Documentadas é uma forma de combate ao preconceito, enquanto houver cartaz, cola, pincel e adesivo, estaremos colocando nossa arte na rua e ouvindo o que a rua tem a nos dizer. QUER COLABORAR COM O DOC PARA QUE ELE TENHA MAIS LAMBES POR AÍ OU NOS CHAMAR PARA UMA EXPOSIÇÃO EM ALGUM LOCAL? ENTRA EM CONTATO PELO SITE OU NO E-MAIL: FERNANDA@DOCUMENTADAS.COM
- Cilla e Fabiana | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Fabiana estava com 37 anos no momento da documentação. É professora de química e está atualmente fazendo doutorado na Universidade Federal do Pará. Além das aulas na universidade, também dá aulas particulares para estudantes do ensino fundamental e médio, ensinando química, física e matemática. É uma pessoa caseira, apaixonada por tarot, astrologia e espiritualidade, se considerando católica não praticante. Acredita que existem saberes para além das religiões tradicionais, e gosta de explorar esses caminhos esotéricos. Nos momentos livres, ama maratonar filmes e torcer para o Palmeiras, seu time do coração. Sua trajetória acadêmica é o grande motivo de orgulho, sempre quis estudar e se formar numa universidade federal. É licenciada em química e formada também em química industrial, se dedicou muito, por vezes abdicou de ter vida social e preferiu os estudos. Sabendo dessa prioridade, também, sempre é grata à sua família por ter apoiado, sido base para que ela conseguisse conquistar esse sonho. Cila estava com 34 anos no momento da documentação. É fotógrafa, filmmaker e social media. Apaixonada por fotografia desde a época das câmeras analógicas, além de ter uma forte ligação com a música: compõe, canta e toca alguns instrumentos. Tem músicas autorais publicadas até nas plataformas de streaming e já fez apresentações que envolviam outros artistas autistas. Atualmente, estuda produção multimídia na UFPA e também jornalismo, fazendo a modalidade EAD. Já morou em lugares como Paraíba e Canadá, mas enfrentando algumas situações difíceis, precisou voltar para Belém. Hoje em dia passou a entender seu modo de aprender, se acolher de melhor forma… Passou cinco anos cuidando do pai, já idoso, que estava bastante doente (uma fase que exigiu muito emocionalmente), agora reingresso na faculdade e se dedica ao que realmente ama: a fotografia, a arte e a comunicação. Cila fez a cirurgia bariátrica em 2024 e a recuperação não foi nenhum pouco fácil. Após muitos anos sendo militante contra a gordofobia, viu sua saúde prejudicada e optou pela cirurgia, sendo necessário passar por todo um processo desafiador. Fabi foi uma presença fundamental: se reinventou em coisas que não sabia, aprendeu a cozinhar, Cila a representa como uma luz: sempre aparece quando a escuridão ameaça tomar conta. Com ela, encontrou uma parceira de verdade, em todas as dificuldades. E mais do que isso: ganhou uma nova família - as tias da Fabi, por exemplo. Os vínculos, as famílias que se agregaram, a casa que constroem juntas, para as duas se tornou uma relação saudável que nem imaginava que poderia existir. Fabi, por sua vez, nunca tinha tido um relacionamento antes (com mulheres ou com homens). Nem imaginava que relações amorosas pudessem ser tão tranquilas. Conheceu Cila em 2022, por um aplicativo de relacionamentos. Já estava quase desistindo da ideia de usar os aplicativos, na verdade, porque as conversas não fluíam. Mas Cila fez de tudo para chamar sua atenção e começaram a conversar. O papo foi fluindo de forma positiva e a primeira proposta de encontro foi ir ao circo. Fabi adorou, achou super criativo, divertido. Infelizmente não deu certo, mas a outra proposta também foi legal: uma peça musical sobre Queen no teatro. Foram e, durante o intervalo, a conversa entre elas foi tão leve e espontânea que se sentiram em casa. Nas palavras de Fabi, pareciam se conhecer há muito tempo. O encontro teve que terminar cedo porque Fabi tinha uma prova no dia seguinte, mas antes de irem embora, Cila a convidou para sua festa de aniversário que seria nos próximos dias. Fabi foi, levou um presente, e esse gesto mexeu com Cila: ela quem sempre tomava as atitudes de presentear, se dedicar aos outros, pela primeira vez se via sendo cuidada. “Ela nem tinha me beijado ainda e já se preocupava em me agradar”, lembra. Não era pelo valor financeiro, era pela atitude. Depois que ficaram juntas pela primeira vez, no aniversário da Cila, elas continuaram se encontrando e nutrindo a paixão que ia acontecendo. Fabi viu em Cila o que ela nem sabia que era possível buscar em alguém, mas que admirava: uma pessoa responsável, carinhosa, dedicada ao trabalho, aos estudos e à família, principalmente, por ela cuidar do seu pai que estava doente, sendo a principal responsável por ele. Fabi, que por muito tempo adiou a vida amorosa por conta de estudos e trabalho, desejava uma parceira que entendesse esse ritmo, que tivesse paciência e vontade de construir uma vida compartilhada. Com Cila sentiu que isso pela primeira vez poderia ser possível. Em maio, durante o aniversário de uma amiga que sempre apoiou o casal, a amiga incentivou Fabi a pedir Cila em namoro. Cila chegou um pouco depois, direto do trabalho, e Fabi fez o pedido na frente de todos. Contam como foi legal, inesperado e simples. Sentiram-se respeitadas, celebradas, e desde então vivem uma relação de parceria. Juntas, já viajaram ao Rio de Janeiro, estudaram espanhol e foram para a Argentina…. Estão sempre topando o novo. Passaram por vários momentos difíceis, deixaram a comunicação afiada, e não largaram as mãos. Fabi também adotou as gatas que Cila trouxe do Canadá, agora são delas e tratam com muito carinho. Hoje vivem uma parceria sólida, com poucas brigas e muita escuta. Quando uma está em crise, a outra sabe exatamente o que fazer: um abraço forte, um gesto de cuidado, uma palavra certa, dar um tempo para uma ficar no quarto processando... São lugares de respeito. Quando Cila convidou Fabiana para morarem juntas, em maio de 2023, depois de um ano de relação, Fabi hesitou. Não faltava vontade, mas havia um medo de sair de casa. Ao mesmo tempo, sempre que passava o fim de semana com Cila e precisava ir embora, sentia uma tristeza, sabia que queria ficar lá. Foi conversando com a tia que recebeu o incentivo: se esse era o que o coração sentia, deveria seguir em frente, sem esperar aprovação dos outros. O medo existia por não saber como o mundo reagiria. Aos poucos viu que os medos eram pequenos (talvez nem fizessem tanto sentido assim) perante a relação legal que construiam. Cila sempre demonstrou muita maturidade e foi com ela que Fabi aprendeu a se libertar dessas inseguranças. Mesmo com o apoio da maioria da família, algumas pessoas se afastaram, mas as que permaneceram sempre estão presentes e são bastante respeitosas, carinhosas… A família de Cila também foi acolhedora. A mãe e irmã moram fora do Brasil, mas mandam presentes para Fabi, quando visitam estão sempre com as duas e fazem questão de incluir elas nos planos. Apenas a avó da Fabi ainda passa pelo processo de aceitação, o que traz dor, a ausência da Cila nos momentos felizes entre família quando ela está a deixa triste, não consegue entender como algo tão bonito como amar não pode ser aceito por uma das pessoas que ela mais ama e admira - como a avó - mas entende também que com o tempo isso pode ser mudado. Entendem que ela e Cila são um casal feliz, e isso deveria bastar. ↓ rolar para baixo ↓ Fabi Cilla
- Opa, tão nos copiando por aí? | Documentadas
Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Vem participar você também! • como copiar o doc • que esse projeto é lindo a gente já sabe que todo mundo deseja ter um doczinho pra chamar de seu? é óbvio! mas tem gente ultrapassando os limites para chegar nesse objetivo papo reto: o doc é estudado projetado desenhado... não vamos aceitar cópia barata & cafona por aí. então, decidimos: opa, mas calma. caiu aqui de paraquedas e não tá entendendo nadinha? vem conhecer o doc antes! ♥ agora sim, parte 1: a nossa fonte > os nossos lambes a frase "toda mulher merece amar outra mulher" foi adotada pelo .doc a partir de uma documentação que fizemos na casa de um casal [e fotografamos ela em um objeto] em 2021. na época, postamos algumas vezes e recebemos alguns comentários dizendo que deveríamos fazer um adesivo com ela estampada. e não é que deu certo? foi crescendo, crescendo, e virou a cara do documentadas, sendo usada principalmente nos nossos lambes. até então, não disponibilizávamos esses lambes para colarem por aí, acreditamos que ele é a forma que o doc ocupa as ruas enquanto arte. mas agora você pode obter ele clicando aqui: baixar moldes dos lambes aqui #olha a dica! para colar os lambes direitinho, se liga nisso aqui: - pincel ou rolinho na mão; - superfícies lisas >> e não inventa de colar lambe em local privado sem autorização! por favor! dê preferência à postes e converse com o dono do local antes de sair colando por aí; - cola tipo PVA + água, misturadas em um recipiente, não deixando nem muito denso, nem muito líquido; - chama alguém para te acompanhar, não indicamos fazer a colagem sozinha; - deixa o lambe liso com a cola bem espalhada, assim garante a durabilidade :D espalhar a frase por aí com a nossa fonte e a nossa logo é importante para garantir a identidade e a representatividade do projeto, fazendo com que ele seja reconhecido facilmente e amplamente divulgado - afinal, é assim que chegamos em mais mulheres , né? não edite esse material nem recorte a nossa logo dele. colabore com a arte. parte 3: outros produtos do .doc temos outros produtos de alta qualidade que só a gente faz: quadros, camisetas e postais. esses, você encontra na nossa loja. ó a loja do doc, que linda • para entender melhor • por que a pirataria é mais barata? - material de baixa qualidade; - produção em escala absurdamente maior; - possuem fabricação própria; - não estudam e desenvolvem o material, apenas pegam o que já existe de artistas que produzem; - não possui serviço online de retorno (atendimento) - não enviam para todo o Brasil por que os produtos do .doc custam esse valor? - temos um material de melhor qualidade - não possuímos fabricação própria, inclusive temos gasto de frete buscando na cidade de fabricação; - pagamos uma plataforma de venda; - pagamos taxas bancárias a cada venda; - não temos equipe, tudo é feito por uma pessoa (humana & artista); - pagamos pelos materiais que acompanham a ecobag (panfleto pôster + adesivos brindes) + embalagem + etiquetas; - a ecobag é um produto que garante o projeto a se manter em funcionamento, ainda com margem de lucro pequena; - enviamos para todo o Brasil; - qualquer problema que você tiver com o produto (rasgou, não serviu, foi cobrado errado) estaremos aqui para te atender; vamos ensinar a copiar o doc. //como diria nossa mãe: "quer fazer? faz direito". parte 2: nossas ecobags são elas, as queridinhas da pirataria. para a nossa tristeza: porque a ecobag é o nosso principal produto. que vacilo, né? ainda por cima piratearam ela em comic sans. pô, não dá. pega aqui o molde pra fazer a tua. faz bonito, tá? baixar moldes das ecobags aqui [quer vender com a nossa autorização em alguma feirinha? manda um e-mail para nós através do nosso site ou diretamente para fernanda@documentadas.com ] ah, mas que trabalhão fazer, né? também acho. por isso, nossa ecobag está com 60% de desconto no site depois desse furacão que vivemos. sim, é para zerar o estoque. bora com a gente? vamos encarar a pirataria de frente e fazer a nossa ecobag estar pelo Brasil todo. o que faz do doc uma marca incomparável com a pirataria? somos um projeto artístico, estudado e executado com respeito. além disso, em cada produto adquirido você contribui para que mais mulheres tenham suas histórias registradas por todo o Brasil, num documento inédito e que, até o início do projeto, era inexistente. adquirindo um produto pirata, você só contribui para a desvalorização da arte.
- Juliana e Priscila | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Juliana estava com 40 anos no momento da documentação e é natural de Olinda, cidade pernambucana em que fizemos as fotos. Formada em administração, trabalhou por alguns anos em um banco privado e hoje em dia trabalha numa empresa familiar que é responsável por recicláveis. Juntam os materiais (plástico, papel, papelão, vidro…) em outras empresas e encaminham para o destino correto. Além do trabalho, adora assistir filmes, viajar, ficar com os bichos em casa… Comenta que são tantos anos de relação, praticamente a metade da vida juntas, que faz com que se veem fazendo tudo juntas. Adoram viver a rotina. Priscila é natural de Paulista, cidade vizinha de Olinda. Quando conheceu Ju, Priscila trabalhava na área de merchandising, mas acabou prestando serviços para a família da Ju na empresa de recicláveis e descobrindo o ramo, se encontrou e trabalha com isso até hoje. Também adora gastronomia, sua verdadeira paixão que começou como um hobbie e vêm se desenvolvendo - de vez em quando criam alguns jantares e recebe até encomendas de comidas italianas para produzir. Pergunto para Ju e Pri como funciona uma empresa de reciclados, acho muito incrível esse ser o trabalho delas e poder compartilhar sobre um assunto tão necessário por aqui. Elas explicam que trabalham com empresas como supermercados que reciclam papelão - e papelão vira papelão novamente - ou editoras que reciclam livros didáticos por conta deles precisarem ser renovados por novas normas ortográficas ou atualizações de conteúdos - então fazem separação de papel… E assim encaminham cada material para as indústrias. Por exemplo: um papel branco pode virar papel higiênico, papel toalha, guardanapo… É um trabalho útil, rentável e necessário para o mundo. Em 2008, Priscila havia acabado de se mudar para Olinda e estava dividindo casa com um grupo de amigas. Logo na primeira semana da mudança, junto com essas amigas, decidiram sair para se divertir em Recife, ir beber uma cerveja, curtir e comemorar. Porém, era no meio da semana, os bares fechavam cedo… Sempre foram ‘inimigas do fim’, decidiram parar em Olinda num barzinho que ficava aberto até mais tarde chamado “Estação Maxambomba”. Ju, por sua vez, saía do trabalho em Olinda e ia encontrar suas amigas que tinham uma banda tocando coco e maracatu, gêneros musicais tradicionais de Pernambuco. Do ensaio, iam direto para o bar, algo que virou tradição semanal. Lá, as amigas de Ju e Pri se interessaram umas nas outras, Priscila ficou um pouco chateada porque preferia algo mais reservado, a amiga dela já bêbada brincava de fazer um sotaque carioca, acabaram juntando as mesas e foi assim que Ju e Priscila se conheceram. Foram comprar cigarros juntas, voltaram de braços dados mas sentaram longe quando chegaram na mesa… No final da noite, trocaram o número de telefone. Quando estavam indo embora, Priscila pegou a moto e as amigas começaram a zoar a Ju porque ela estava “flertando” com uma motoqueira… Depois começaram a conversar, na época ainda por SMS, contaram onde trabalhavam (Ju ainda estava trabalhando no banco e pouco conseguia tempo para mexer no telefone), mas marcaram de se encontrar novamente. Não se encontraram no primeiro momento combinado, mas marcaram um almoço no apartamento em que Priscila dividia com as amigas. O almoço durou o dia todo no domingo. Brincam que não seriam elas a mudar a história das lésbicas, então desde que ficaram juntas já não se separaram mais, Ju foi voltando nos dias que seguiram e assim não se desgrudaram. Ju foi morar sozinha quando trabalhava no banco porque sentia que já era a hora de ter sua independência e porque tinha uma cachorra que destruía tudo na casa dos seus pais. Acabou que não conseguiu ficar com a cachorra por conta dela precisar de mais espaço, mas cuidou dela através de uma amiga até ela ficar velhinha. Mesmo Ju tendo sua própria casa, vivia na casa da Priscila e das suas amigas, mas o apartamento estava ficando cada vez mais caótico com o tempo pelo fato de todas serem bastante jovens, faziam várias festas e a casa sempre estava cheia de gente. Até o momento que decidiram que precisavam de um novo lar, era bagunça demais até para elas - que eram inimigas do fim. Em 2009 conseguiram uma casa em Maracaípe, um lugar tranquilo que iam passar os finais de semana. Levaram algumas coisas no caminhão da empresa da família da Ju, já estavam morando juntas em um apartamento e os outros móveis encaminharam para essa casinha “de praia”. Em 2009, também, adotaram o Marvin, primeiro cachorrinho de muitos animais que vieram depois - e fiel companheiro que acompanhou quase toda a relação, faleceu no último ano. Depois de Marvin, chegou Frida, para lhe fazer companhia. Em seguida, num dia saindo para almoçar, ouviram alguns miados e encontraram um gatinho embaixo de uma árvore… Até tentaram não pegar na ida para o almoço, mas na volta não teve jeito, seria Diego. E, um tempo depois, surgiu Magali, uma gatinha que fizeram um resgate e deram uma nova vida. E assim, a família só foi aumentando… Foi chegando o Hulk, a Fiona, Rutinha, Ratinha, Olga, Mingau, o Snoop… Hoje em dia ainda possuem alguns animais em casa, entre gatos e cachorros, mas todos com o mesmo destaque: o direito a boa e a longa vida. Em 2012 chegaram à casa que moram hoje em dia, com os bichos e uma vida relação já construída. Depois que estavam com uma mentalidade mais madura sobre essa construção, começaram a pensar na unidade familiar que estavam construindo e resolveram cogitar a maternidade e a adoção. No começo do processo de adoção, estavam pensando que gostariam de adotar um bebê. Foram atrás, frequentaram as reuniões, começaram a pensar um pouco em outras possibilidades. Mas aconteceu uma situação da qual as deixou muito chateada e as fez voltar atrás, não quiseram seguir com o processo. Depois que cuidaram de uma cachorrinha, a Ratinha, durante alguns anos com cuidados diários desde todas as alimentações com mamadeira, até problemas respiratórios, nos olhos, vitaminas… Viram que estavam dispostas a serem mães e pensarem novamente sobre a disposição de terem alguém para cuidar e amar todos os dias. Foi quando, em 2020, anos depois da primeira tentativa, cogitaram entrar para a adoção novamente. Porém, diferente das ideias iniciais de ter um bebê, já haviam amadurecido outras possibilidades e decidiram adotar um adolescente. Aurelino, que hoje em dia já está com 18 anos, chegou com 13 anos na família. Tudo começou com a ideia de um apadrinhamento, já que quando os meninos completam 18 anos e saem dos orfanatos existe uma mobilização para que eles tenham condições de viverem sozinhos por um tempo. Elas foram até o local onde ele estava, conheceram todos os meninos junto da assistente social, mas havia uma condição: você não pode demonstrar interesse em adotar a criança que quer apadrinhar. Então decidiram mergulhar de vez na adoção. Conversaram com ele para saber se ele teria interesse em fazer parte da família, foi bem legal por conta de serem duas mães e ele já ter uma bagagem de vida, opinião, cultura formada, diferente de uma criança muito pequena… e ele ficou bastante animado. Queria fazer parte da família. Sempre foi carinhoso e atencioso. Ju e Priscila fizeram questão de manter as origens familiares de Aurelino antes de sua adoção também. Entendem que a bagagem que ele trás é única e é sobre quem ele é, sobre a vida dele. Assim como, os momentos que constroem juntos, são muito importantes para essa nova pessoa que ele está se tornando. Hoje em dia, a documentação dele já consta o nome das duas mães, inclusive recentemente quando ele foi se alistar ao exército houve um questionamento sobre e ele tratou de forma completamente natural e elas se orgulharam disso. Da mesma forma que ele enfrenta suas novas questões na fase da adolescência e adultez e elas tentam acompanhar isso da melhor forma, porque também é uma novidade para a primeira vivência na maternidade. São novos diálogos, desafios, vivências escolares, conversas sobre a profissão e o trabalho que deve seguir, relacionamentos… Também foi muito difícil pela primeira vez conviver com um homem dentro de casa, os recortes são outros, aprenderam, viveram muitas mudanças sendo mães, e se deram conta de coisas que ninguém havia ensinado durante o processo de adoção também: a saúde dele era muito mais frágil por conta da sua vivência e da sua alimentação na infância e levou alguns anos para ser fortificada, a educação precisou ser reforçada, a saúde mental, o vocabulário… Fazem muita questão de conversar tudo o tempo todo, entendem que não há tempo a ser desperdiçado em deixar uma conversa para depois. Ju entende que depois de tantos anos de relação, essa família tão forte que formaram reflete o quanto podem contar uma com a outra sem competição, sem disputarem quem é melhor dentro da relação. Vivem um companheirismo que quer o crescimento de todos. Enxergam a amizade, o incentivo, os projetos que dividem, o quanto a família é importante. Hoje em dia a mãe da Priscila mora com elas e foi para todas se fortalecerem, Priscila já ficou fora do Brasil para trabalhar por alguns meses em 2023 e Pri, Aurelino toda a família super apoiaram para que ela fosse porque sabiam que seria importante… Tudo é lutado em conjunto porque entendem que estão caminhando juntos. E o amor que vivem é o que mantém essa luta fazendo sentido. ↓ rolar para baixo ↓ Priscila Juliana
- Apoio Psicológico | Documentadas
O Documentadas oferece apoio psicológico para mulheres que amam mulheres e fazem parte da comunidade LGBT. saúde mental e apoio psicológico para mulheres de todo o Brasil Considerando a importância da representatividade para a construção da identidade de pessoas LGBTs e compreendendo as condições atuais do nosso país e do mundo, criamos no Documentadas uma rede de apoio psicológico. Através da psicoterapia ou da análise, uma profissional acompanhará, ouvindo e proporcionando um espaço de acolhimento para as vivências, sofrimentos e inquietações das mulheres que passam pelo projeto. Nesse primeiro momento, para atender mulheres que amam mulheres e que acompanham o projeto, criamos uma rede de psicólogas e psicanalistas que estão com vagas sociais para atendimentos individuais e online. Apostamos neste espaço porque sabemos o quão difícil é encontrar um ambiente seguro para ser escutada com atenção e cuidado. como funciona? Somos em mais de 25 profissionais - entre psicólogas e psicanalistas - e temos vagas à preços sociais, cada qual com a sua disponibilidade. Entendemos a importância de abrir essas vagas à valores mais baixos exatamente pela condição financeira particular de cada mulher, entendendo que o acesso à saúde mental deve ser democrático. Nosso propósito é atender mulheres que não encontram disponibilidade de atendimento de forma acessível nos meios particulares pagos. Toda mulher poderá se registrar na nossa plataforma acessando a área ao final dessa página. Assim, poderá consultar o perfil de cada profissional, escolher com quem mais se identifica e preencher um formulário. Todos os atendimentos partem do mesmo valor base, o que difere na hora da escolha é a profissional identificada através do breve currículo e da sua disponibilidade. Assim que o formulário for preenchido, a profissional escolhida entrará em contato para darem início ao atendimento psicológico ou psicanalítico. Para ler maiores informações sobre a nossa Política de Privacidade e os Termos de Uso de plataforma, clique aqui ♥ quer ter acesso à terapia/análise ou entrar em contato com a profissional? clica aqui
- Karol e Hémely | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Karol e Hémely se conheceram no ensino médio, em 2008. Tinham cerca de 14 anos, eram amigas e tinham várias interações na escola. Mas, depois que se formaram, romperam bruscamente o contato e Karol não entendeu o motivo. Mais de dois anos depois voltaram a se falar, em 2014, quando a avó de Karol (quem a criou) estava internada e Hémely soube. Sabia o quanto isso era importante para ela, então mandou uma mensagem. Karol aproveitou a mensagem e perguntou o que havia acontecido para aquele afastamento brusco acontecer e a resposta era a pressão familiar da Hémely. Eles tratavam a Karol com muito preconceito, falavam que ela era diferente, que elas namoravam… Sendo que elas nunca haviam sentido nada além da amizade (ou não identificavam isso até então), entendiam sim que era uma amizade muito forte, unida, que prometiam não se deixar, mas ainda assim não era um lugar romântico. A avó de Karol sempre foi uma pessoa muito tranquila e aberta, aceitava ela como ela é. Queria que ela fosse feliz sendo era, sozinha ou com alguém. Já a família de Hémely, sempre teve sua cultura moldada pela religião, não deixava Hémely ter acesso a muita coisa. Quando voltaram a se falar, com a avó de Karol no hospital, Hémely pensou no quanto Karol deveria estar triste, então se dispôs a comprar comidas, preparar lanches e chegou na casa dela com sacolas, frutas, muito apoio, disposta a ajudar e a voltar para sua vida, independente se sua família gostasse disso ou não. A avó de Karol infelizmente faleceu alguns dias depois da internação. Foi um baque gigantesco. Naquele momento Karol tinha apenas 20 anos, perdeu sua família, sua base. Hémely foi o principal suporte, junto com o apoio de outra amiga. A avó de Karol sempre a criou dizendo que quando ela morresse, ninguém seria por ela, que ela precisaria aprender a se virar… E assim o fez. O primeiro ano foi muito difícil, passou por diversas violências e precisou reaprender a viver. Ainda nesse primeiro ano, entre o luto, o suporte e tantas coisas que aconteciam, Karol e Hémely começaram a se envolver romanticamente e decidiram assumir o relacionamento. Entenderam que gostavam uma da outra há muito tempo, eram suas redes de apoio e construíam um amor, queriam investir no que sentiam. Porém, Hémely foi criada sob um olhar preconceituoso e ainda se via com preconceito, via outras pessoas gays com preconceito, levou muito tempo para quebrar seus bloqueios e entender que estava tudo bem viver esse amor, não era um pecado e ela não era uma pessoa estranha, só era ela mesma e estava fazendo algo bom, vivendo algo feliz. O começo do namoro envolveu diversos desafios simultâneos: a vida da Karol estava virada de cabeça para baixo - o luto, a violência com os familiares que não possuía contato tendo que lidar depois da morte da avó, ela se reconhecendo nessa nova vida, um relacionamento acontecendo - e a vida de Hémely em redescoberta sobre a sua sexualidade, um novo amor, o medo que seu próprio preconceito causara e sua família descobrindo tudo isso. Seu pai desconfiava, deixou de falar com ela ao ver ela se reaproximando da Karol e viveram um rompimento muito difícil, principalmente por terem sido muito próximos a maior parte da vida. Cada vez mais, a relação entre elas virava um ponto de apoio mais forte e necessário. Como a relação entre Hémely e a sua família piorava com o tempo, a partir de 2016 ela e Karol começaram os planos de morar juntas, mas só em 2019 Hémely conseguiu morar na casa de Karol. A mudança ocorreu de fato alguns meses depois, quando alugou um caminhão e buscou suas coisas na casa da sua família. Foi um processo longo, superando medos, com terapia e respeito ao próprio tempo, porque são vários contextos de violência e é preciso ter dinheiro também para alugar um novo espaço, mas conseguiram dividir um lar. Logo depois, moraram juntas num apartamento um pouco maior: esse que fizemos as fotos e que adoram estar, passear na pracinha, olhar as árvores… É um lugar que se sentem bem. Alguns meses após estarem dividindo a casa, Karol trabalhava enquanto técnica de enfermagem e precisou estar na linha de frente do combate ao Covid-19 durante a pandemia, então a rotina mudou um pouco e vieram novos desafios, mas afirmam o tempo todo: ‘o caminho é para frente, não tem outra opção, não tem como parar ou voltar, estamos seguindo e seguindo juntas, ainda que devagarinho’. Falam também da importância da arte nesse processo todo que viveram. Karol recebeu o diagnóstico de autismo nos últimos anos e pôde entender um pouco mais sobre si mesma e sobre como lida com a vida. Lembra hoje em dia das violências e pensa como a arte foi a grande aliada. As músicas que ouvia (cita Maria Bethânia, Francisco El Hombre…) e o quanto elas sempre se apagaram nas múltiplas expressões artísticas para conseguir respirar e sentir que os processos passariam. Hémely completa que juntas sempre combinaram de serem suporte, não desistir, sobreviver. Karol estava com 31 anos no momento da documentação, trabalha enquanto psicóloga e adora ler, é seu maior hobbie. Gosta de praticar atividades físicas porque acredita que isso mantém o corpo regulado, é uma pessoa metódica e gosta da rotina. Tem uma moto, adora mexer nela e se sentir um pouco mecânica, descobrir como as coisas na moto funcionam. É natural de Recife e morou muito tempo da sua vida em Abreu e Lima, então a moto foi de grande ajuda para se locomover entre as cidades, dando maior independência. Hémely estava com 31 anos no momento da documentação. Trabalha como escrevente extrajudicial no cartório, é formada em direito e hoje em dia cursa ciências sociais. Se formar em direito foi uma batalha, por conta de diversos entraves com seu pai, mas depois de muita luta conseguiu terminar o curso - e hoje em dia estuda o que realmente ama. Além dos estudos, adora assistir filmes, ou melhor, dormir no sofá enquanto assiste filmes… e ler. Para Karol e Hémely, a história que elas constroem e o amor presente nela serve de base para abrir portas para que outras pessoas não precisem viver o mesmo. Ou seja, não querem que o preconceito siga existindo, que outras pessoas passem pelas violências que elas passaram. Querem que seus familiares se espelhem no amor verdadeiro que elas vivem, que seus amigos saibam que ali existe com quem contar, que outras pessoas possam ouvir suas histórias e que não precisem passar por tanta dor como elas passaram para ficarem juntas… Acreditam que vivemos coisas para aprender e devolver o aprendizado de alguma forma, compartilhar para mudar as realidades, e esse também é um ato de amor, de estarem dispostas a mudar as coisas. Karol vê o amor no cotidiano, no presente, no respeito que existe na relação, no companheirismo que atravessa o dia-a-dia, os problemas e os desafios. Alinhando as expectativas, as conversas difíceis e as individualidades. Adora cultivar a relação, compartilhar o sonho. Fica feliz de viver um relacionamento que constroem com tanto carinho, fazendo essa escolha diária. Entendem que isso é o tempo, uma parte da história, mas que até então agora é a melhor de todas as partes que já viveram. Hémely fala sobre o relacionamento ser marcado por vários recomeços, e dentre esses recomeços, várias conquistas. Essa é a parte que a deixa mais feliz. O amor que vive com Karol mudou a forma que ela enxerga o mundo e foi um despertar para ela própria também, foi quando ela olhou para os próprios vazios, se acolheu, olhou para outras relações de forma diferente. E segue os processos porque acredita o quanto ainda podem crescer. ↓ rolar para baixo ↓ Karol Hémely
- Oi, eu sou o doc! | Documentadas
Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Vem participar você também! chega pra cá, vai ser um prazer te conhecer! O Documentadas é um banco de documentação sobre mulheres que amam outras mulheres, com o intuito de registrar historicamente o amor entre lésbicas, bissexuais e pansexuais (cis e/ou transsexuais), construindo uma literatura que até então era inexistente sobre essa população. Completando quatro anos em março de 2025, o projeto já documentou mais de 460 mulheres em 15 estados brasileiros. Para além de contar as histórias de casais brasileiros, o .doc acredita em 4 vias para atingir mudanças reais na nossa sociedade brasileira: gerar empregabilidade, divulgando as profissões e trabalhados exercidos pelas mulheres que participam do projeto; Gerar conexão com encontros presenciais e online; Espalhar artes pelas ruas falando sobre o amor entre mulheres combatendo o preconceito em espaços públicos; Gerar atendimento psicológico através da plataforma, contando com 25 profissionais oferecendo serviços de apoio psicológico e psicanalítico online por valores populares (atualmente, mais de 200 mulheres já passaram pelos nossos atendimentos). > para além da documentação > Acreditamos que a igualdade de gênero pode ser alcançada por meio do combate ao machismo e através da equidade de oportunidades de fala/escuta. Além disso, entendemos que criar um banco de dados de fácil acesso, para a divulgação de ofícios exercidos por mulheres que amam outras mulheres possibilita, assim, oportunidades de contratação dos serviços prestados pelas mesmas, uma vez que os ambientes de trabalho tendem a ser espaços de conflito e preconceito quando não oferecem diálogos e reeducação social. Visibilizar as histórias de mulheres de diferentes corpos, raças e classes sociais exerce um papel fundamental para o reconhecimento dessas populações vivas. o .doc já passou por 15 estados brasileiros, contando histórias de mais de 460 mulheres. QUER COLABORAR COM O DOC PARA QUE ELE TENHA MAIS LAMBES POR AÍ OU NOS CHAMAR PARA UMA EXPOSIÇÃO EM ALGUM LOCAL? ENTRA EM CONTATO PELO SITE OU NO E-MAIL: FERNANDA@DOCUMENTADAS.COM o .doc para além do .doc Entendemos também que a representatividade é algo extremamente importante para construção da subjetividade, tendo como intuito divulgar histórias que inspirem e motivem outras mulheres a se reconhecerem e valorizarem suas próprias histórias e histórias de amor, quando a coerção social, imposta pela heteronormatividade, diz o contrário. ainda podemos ser podcast cursos ou palestras exposições produtos curtas referência em saúde mental LGBT+ cartilhas inclusivas e muito mais! empregabilidade, psicologia, conexão, arte urbana viu a gente pela cidade? Estar na rua nos abriu a possibilidade de troca com públicos antes inalcançáveis. Passamos entre universidades, boêmias e comunidades. Se as mulheres amam outras mulheres em múltiplos espaços, acreditamos que nossa arte também deva ocupar múltiplos espaços. Foi através das técnicas arte urbana como lambe-lambe e stickers que começamos a espalhar uma frase famosa por aqui: “Toda mulher merece amar outra mulher”, além de uma tiragem de 1500 fotografias de casais que já participaram do projeto, com intervenções gráficas escritas por cima e o @documentadas, identificando nosso Instagram/site. quer contratar o documentadas para uma palestra na sua empresa, propor parcerias, fazer alguma reportagem ou conhecer mais sobre o nosso trabalho? entre em contato aqui pelo site ou mande um e-mail para fernanda@documentadas.com
- Maju e Alícia | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. A história da Maju e da Alícia fala muito sobre aquele período que vivemos quando estamos descobrindo quem somos, ainda entre a pré-adolescência e a adolescência, elas se conheceram e vivem até hoje juntas, enfrentando muitos desafios (que outros adolescentes nem sonham em viver) e, principalmente, se fortalecendo juntas. Maju hoje em dia tem 17 anos e está se formando no terceiro ano do Ensino Médio, Alícia tem 16 e está no primeiro ano. Mas tudo começou bem antes, quando Alícia tinha cerca de 12 anos de idade e estava numa praça em Rio das Ostras, matando o tempo, com uma amiga. Nessa praça, diversos meninos andavam de skate, entre eles tinha uma menina, a Maju. No primeiro momento, Alícia não entendeu se a Maju era menino ou menina, perguntou para a amiga (que a conhecia, mas que também não sabia dizer o que ‘era’ a Maju) e isso automaticamente despertou uma curiosidade enorme na Alícia, que fazia de tudo para observá-la. Quando a Maju entendeu que estava sendo observada, quis chamar atenção. Caiu logo de bunda no chão. Mas levantou, se reergueu e foi lá falar com as meninas. Se apresentou para a Alícia e disse: vem cá, deixa eu te mostrar uma pessoa muito linda aqui de Rio das Ostras - e então entrou no Instagram dela mesma, curtiu todas as suas fotos (pelo perfil da Alícia) e depois saiu, andando de skate de novo. Nesse dia, a Maju levou uma bronca da mãe dela por ter faltado à fisioterapia, mas a resposta em desculpa que ela deu, foi: eu conheci a menina mais bonita da cidade. A Maju é natural de Goiás, mas está no Rio de Janeiro - mais especificamente em Rio das Ostras - há mais de 9 anos. Já a Alícia, é do Rio de Janeiro, capital, mora em Rio das Ostras mas intercala com alguns períodos no Rio, visitando familiares. Depois que elas tiveram o primeiro encontro na praça, a Alícia passou seis meses morando no Rio de Janeiro. Nesse período ficou olhando o Instagram da Maju, mas não interagiram nenhuma vez. Quando ela voltou para Rio das Ostras, começou a namorar um menino (esse que, a pediu em namoro na frente da escola toda, fazendo um vídeo que viralizou o Brasil - um namoro super arranjado com o auxílio da mãe) e duas semanas depois ela e a Maju se encontraram no aniversário de uma amiga em comum. Nesse primeiro encontro, a Maju tentou ficar com ela, mas não tinha como, ainda mais ela estando num namoro tão recente… então ela desviou de todas as formas. Depois disso, começou-se uma amizade, então elas saíram muitas vezes. A Maju dava em cima dela sempre, isso era um fato, mas era quase uma brincadeira também porque elas sabiam que enquanto estivesse namorando não ia rolar. O namorado da Alícia, enquanto isso, morria de ciúmes. E em casa, a Alícia não parava de falar na Maju, deixando a mãe dela muito desconfiada, dizendo: “Tu não vai se apaixonar por ela não, hein, Alícia??!!”. O tempo passou e o relacionamento da Alícia foi ficando muito difícil. Ela estava se sentindo numa relação completamente invasiva, tóxica, e todas as vezes que tentava terminar o namorado não a deixava. Ele simplesmente dizia que não permitia. Numa noite, foram num aniversário e ela já tinha tentado terminar três vezes, a situação estava péssima, um amigo dele passou mal e ele foi embora. Alícia ficou no aniversário, a Maju estava também e num momento determinado da noite elas decidiram dar um basta, chutar o balde: se beijaram. Porém, como era escondido, numa confusão a Maju fingiu que passava mal, a Alícia fingiu que ajudava, elas desligaram a luz da festa toda sem querer e aí virou confusão de verdade. Depois delas se beijarem, a Alícia viu a Maju dando em cima de outra menina e então ficou muito triste. No fim da festa, já com o dia amanhecendo, o namorado (ou quase ex?) fez questão de buscar a Alícia e ela não quis ir embora com ele, então ele gritou e brigou com ela. Quem deu suporte, novamente, foi a Maju. Depois dessa situação eles terminaram, afinal, não tinha como manter esse relacionamento. A Alícia passou um tempo breve no Rio de Janeiro e quando voltou para Rio das Ostras voltou a se encontrar com a Maju. Nesses encontros, ela entendeu que gostava de verdade da Maju, e isso, naquela época, era mais um problema do que algo bom. Ambas não sabiam como lidar com a situação, sabiam que a Maju não buscava relacionamentos, mas também já estavam muito envolvidas. Sentiam que precisavam encarar a situação. Decidiram seguir se encontrando, mesmo sem ninguém saber. Com o tempo, os amigos que sabiam, não torciam para que elas ficassem juntas: não confiavam que elas seriam fiéis uma a outra, ou melhor, incentivaram que não fossem - e assim não haveria relação saudável que se sustentasse. No período em que poucos apostavam no relacionamento delas, um pedido de namoro chegou a acontecer. Namoraram, mas entre situações caóticas, sentiam que não se acertavam. A mãe da Alícia descobriu, fez um escândalo na porta da escola, a agrediu. Tudo ficava muito difícil para que elas se encontrassem e nisso, a pandemia de Covid-19 começou. Elas chegaram a ficar um tempo distantes por conta da quarentena, mas não tanto tempo, como nas grandes cidades, pois lá os encontros foram voltando a acontecer aos poucos. A Alícia, junto com a família dela, abriu uma hamburgueria, e esse local virou um ponto de encontro... porém, todas as intrigas externas foram o bastante para que o namoro não seguisse em frente. Elas terminaram, ainda, em 2020. Foram cerca de 9 meses distantes. Nesses meses, por completa influência familiar, Alícia se relacionou com um menino extremamente abusivo, agressivo, que forçava presença. Ela chegou a pesar menos de 40kg. Ele, sabendo que no fundo ela ainda gostava da Maju, ameaçava bater na Maju quando a encontrava na rua. Alícia fez de tudo para sair desse relacionamento e quando conseguiu, conversou com a Maju. Elas se acertaram, mas não enquanto um casal, apenas voltaram a conversar. Nisso, a Maju encontrou a mãe da Alícia, tomou coragem e decidiu pedir permissão: para num futuro, se tudo desse certo, elas voltarem a se relacionar. Ela respondeu que se a Alícia estivesse feliz, ela estaria feliz também - porque ela percebia que o jeito que a Alícia olha para a Maju é diferente - e no fim elas se abraçaram. Elas voltaram a se envolver e a Maju pensou em a pedir em namoro novamente e dessa vez com tudo o que o brega permite: balões, chocolates, etc. Aconteceu! Porém, infelizmente, ainda passaram por muitas situações horríveis envolvendo o ex. Ele invadia a casa da Alícia, quebrava as coisas e obrigava ela a manter a relação com ele. Foi numa atitude extrema da mãe dela em expulsar ele de lá para que finalmente isso acabar. Porém, esses conflitos já tinham afetado demais a relação da Alícia com a Maju, era difícil que as confusões não as envolvessem. A Alícia seguia pensando na Maju e no relacionamento delas, enquanto a Maju, mais uma vez, se afastara. No natal, elas voltaram a se falar, por conta de uma coincidência. E assim, voltaram de verdade. Conversaram, se encontraram, conversaram também com suas famílias, decidiram que, se era para estarem juntas, dessa vez, era para ser de um jeito diferente - e com apoio de todos, com maior confiança, diferente de todas as outras tentativas. Hoje, acreditam que deu certo. No último ano passaram diversos perrengues que as fizeram crescer e se fortalecer enquanto um casal, juntas, e também enquanto uma família. Alícia e Maju deram apoio às suas mães, chegando a morar com a mãe da Alícia, todas num apartamento, num momento difícil. Alícia também morou com a mãe da Maju. E todas se dão muito bem, valorizam o relacionamento das filhas. Nesse último ano de estudo, finalmente estão na mesma escola. Os planos são, assim que concluírem, se mudarem para o Rio e estudarem Belas Artes. Hoje entendem que a confiança e a comunicação mudou muito e que isso é o principal para que o relacionamento delas funcione. Antes, tudo se quebrava, principalmente com 'picuinhas' ou comentários alheios, hoje, não há nada entre elas que não possa ser conversado. A intimidade que elas criaram juntas não há como ser quebrada e também faz com que elas não se julguem. Acreditam que, pelo tanto que já passaram uma ao lado da outra, o que viram entre seus momentos mais frágeis faz com que também possuam muita liberdade para serem quem são, sem medo. Antes, pensavam muito sobre serem perfeitas, buscavam perfeição, hoje aceitam seus corpos e a si como são. Isso também faz com que a confiança na relação mude, a segurança, a base no amor. Quando entendemos a recapitulação de tantas coisas que viveram sendo tão novas, estando juntas, elas entendem que esse amor é o que importa. A forma que se amam e que se apoiam é o mais importante nesse processo. E se surpreendem, o quanto isso é maneiro. Visualizar a linha do tempo e entenderem que seguem aqui - recapitulam o quanto pensaram em desistir porque era muito difícil se relacionar, mas que hoje é muito legal ver o quão bonito é o que criaram. E, então, sonham com novos passos: a mudança, um casamento, uma adoção. ↓ rolar para baixo ↓ ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! ☺ vem construir esse projeto com a gente! < Alícia Maria Júlia
- Documentadas - O Livro | Documentadas
Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Vem participar você também! documentadas - o livro quer ver ele por aí? seja na livraria mais próxima de você, em um bate-papo na sua cidade ou na estante da sua casa: entre em contato com a editora ou adquira um exemplar no site da Funilaria! clica aqui! como ele surgiu? no livro sobre o documentadas há uma seleção de histórias que trazem um pouco da grandiosidade do amor. ele é a materialização desse projeto que está há anos percorrendo o brasil em busca de contar nossas histórias e reconhecer as mulheres sáficas brasileiras enquanto mulheres diversas - com infinitas histórias, realidades e recortes. nas histórias presentes no livro temos diversas cidades do brasil, classes, idades, mas o que une tudo é o fato das mulheres estarem dispostas e serem corajosas em nome do amor. este livro é o primeiro documento brasileiro que se dispõe a contar histórias reais em forma de fotolivro sobre casais formados apenas por duas mulheres. um motivo de celebração para toda a comunidade lgbt. monica benício "esse livro e esse projeto não são apenas peças importantes para nossa história e a nossa cultura. eles são, antes de tudo, ferramentas para a transformação do nosso mundo. um mundo para as mulheres." contando com um prefácio de monica benício, que tanto nos representa na política brasileira (mas não só - numa trajetória de militância que transpassa a política), na sua escrita traz recortes sobre a representatividade e a documentação finalmente nos contarem essa história que foi tão apagada. e dessa vez através do amor, de forma corajosa, com histórias de mulheres inspiradoras que nos impulsionam a desejar seguir nossos sonhos em frente. mariana mortani "uma afirmação da beleza e da profundidade desses relacionamentos que muitas vezes foram deixados de lado." prefácio & posfácio contando com o posfácio da mari mortani, que tem uma trajetória incrível na literatura LGBT+ como roteirista, tradutora e produtora de conteúdos sobre literatura sáfica, ela também fundou o clube sáfico e o podcast chá das quatro, que o doc tanto ama e admira. ter ela no livro é parte importantíssima, explicando o motivo da representatividade e da documentação caminharem juntos. encontre o livro aqui ficha técnica que fez o livro ser possível: todas as pessoas que acreditam na potência do doc, obrigada! autora do livro: fernanda piccolo huggentobler coordenação editorial: caio valiengo, marilia jahnel, renata dei vecchio revisão: caroline fernandes e daniel moreira safadi capa: angela mendes projeto gráfico: angela mendes diagramação: camila provenzi áudios: isadora volino o livro conta com + de 35 casais documentados
- Quem faz o doc? | Documentadas
Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Vem participar você também! QUEM FAZ O DOCUMENTADAS ACONTECER? O Documentadas é o primeiro banco de registros sobre o amor entre mulheres. Suas histórias são acolhidas através da escuta e da fotografia - essas, feitas por mim, a Fernanda. Idealizei o projeto em 2020 e desenvolvo ele desde então. Sou fotógrafa, fotojornalista, artista e entusiasta a mudar as visões das pessoas sobre o mundo. O .doc, hoje, representa um banco de dados online, disponível para todas as pessoas interessadas na proposta de conhecer mulheres que amam ou amaram outras mulheres na historiografia. Acredito que o Documentadas não é feito apenas por mim, mas por diversas pessoas que, ao longo dos meses, se dedicaram a doar um valor simbólico para que ele seguisse acontecendo e chegando em cada vez mais casais, pessoas que colaboram da forma que podem e que acreditam na potência do doc. Sem essas doações, o projeto jamais seguiria existindo. Portanto, reafirmo: o Documentadas é nosso. Um projeto vivo que segue em transformação. Com essas doações o projeto já chegou em centenas de mulheres por todo o Brasil. São as colaboradoras e os colaboradores: Adriana Bueno Valente Alana Laiz Alana Palma Pereira Alessandra Orgando Alessandro dos Santos Alice Cordeiro Alice Sbeghen Tavares Aline Vargas Escobar Allana Fraga Gonçalves Botelho Alyce Carolyne Porto Leal Amanda Fleming Batista Amanda Garcez Amanda Moura Ana Carolina Araujo Soares Ana Carolina Costa da Silva Pinheiro Ana Carolina Cotta Ana Carolina de Lima Ana Carolina de Souza Santos Ana Cecília Resemini Esteves Ana Clara Bento Ruas Ana Clara Piccolo Ana Clara Tavares Ana Flávia Pereira Ana Júlia Cardoso Daer Ana Milene Ana Parreiras Ana Paula Boso Ana Paula Costa Roncálio Ândria Seelig Ane Salazar de Aguiar Anelise Seren Angela Lacerda Anne de Araújo Baliza Anne Mathias Antônia Magno Aria Maria Mendes de Carvalho Augusto Pellizzaro Barbara Fadini Bárbara Fernandes Vieira Dias Beatriz Costa Nogueira Bianca de Souza Rodrigues Francisco Bianca dos Santos Zrycki Bianca Hamad Choma Bibiana Nodari Borges Brenda Eduarda Bruna Dantas Bruna Lourenco Reis Bruna Miranda do Amaral Camila Fernanda da Silva Camila Lobo Camila Monteiro de Oliveira Camila Nishimoto Camila Pereira Silva Camila Petro Camila Santiago Camilla Borges da Costa e Mello Caren Laurindo Carla Correa Carla Murielli Vieira Crispim Carolina Pasin Carolina Peres Caroline Barbosa Rodrigues Caroline Brum Caroline Corrêa Cecilia Couto Cecília Vieira de Paiva Cindy Lima Clara Campos Martins Clara Silva Claudio Daniel Tenório de Barros Cleiciane da Silva Figueiredo Cleiciane Figueiredo Cleicy Guião Cristiane Becker Damares Mendes Rosa Dandara Gonçalves Daniela Maldonado Daniele Silva Caitano Débora Queiroz Denize Dagostim Denyse Filgueiras de Alencar Diego Tomasi Dom Bittencourt Edilene Maria da Silva Elins Daiane Valenca Elis Lua Elisa Tenchini Elisabete Pereira Lopes Ellen Melo Santos Emanuelly Alves dos Santos Emily Blanco Fagundes Estela Caroline Freitas Evelyn Pereira Fabi de Aragão Fabiana Aparecida Peres Felicia Miranda Fernanda B Cardoso Fernanda Carrard Belome Fernanda Cristina Fiore Lessa Fernanda Frota Correia Fernanda Gomes Bergami Fernanda Lopes Fernanda Marques dos Santos Fernanda Uchida Francini Rodrigues da Silva Fredy Alencar Peres Colombini Gabriel Py Gabriela Biazini Talamonte Gabriela Fleck Gabriela Mancini Mainardes Gabriela Montenegro Gabrielle Schmidt Barbosa Gabrielle Secco Sampaio Geovana Maria de Lima Gomes Gilian Rodrigues Ventura Gisele Basquiroto Giulia Baptista Gizelle Cruz Glauciene Nunes Gloria La Falce Glória Lafalce Graciliene Nunes Guacira Fraga dos Santos Hailla Sianny Krulicoski Souza Sena Heloisa Silva Neves Henrique Standt Iana Aguiar Iana Oliveira da Silva Iasmim de Oliveira Isabela Arantes Costa Isabela Cananéa Isabela Damasceno Isabela Pereira Silveira Isabella Acerbi Isabella Bueno Isabella Milena Nascimento da Cunha Isabelle Rocha Nobre Isabelle Rosa Furtado Pereira Izadora Emanuelle Maizonetti Jady Marques Jamyle Rocha Silva Janaina Calu Janaina Dutra Janaina Monteiro Jéssica Bett Jéssica Brandelero Jéssica de Almeida Fernandes Jéssica Dornellas Jéssica Gladzik Jessica Rosa Trindade Jessica Soares Garcia Jéssica Spricigo Joana Cardoso Jose Schwengber Joyce Marinho Jucineia Beatriz Julia Alves Pinheiro Julia Barros Julia Caetano Julia Câmara Julia de Castro Barbosa Julia Marques Tomaz Julia Oliveira Silveira Júlia Rodrigues Júlia Silveira Barbosa Juliana Figueiredo Juliana Poncioni Juliana Scotti Juliane Gomes Kamilla Siciliano Vargas Kamylla Cristina Santos Karine Veras Karoline Camargo Rocha Karoline Camargo Rodrigues Katia Alves de Melo Laira Rocha Tenca Laís Tiburcio Lara Beatriz Nascimento Larissa Sayuri Laura Luiza Rodrigues Nogueira Laura Serpa Palomero Layssa Belfort Letícia Alves Morais Santos Letícia Moreira das Neves Letícia Ribeiro Caetano Letícia Rocha Lia Tostes Liane Mendes Lilian Dina Linnesh Rossy Lorena Vidal Louise dos Santos Martins Louise Valiengo Luana Corrêa Tourino Luana de Lima Marques Luana Moreira Luana Ramalho Martins Luana Riboura Luciana de Sousa 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Torres G Morgado Nathalia Nascimento Nathalia Silva Nascimento Neuza Ferreira Rodrigues Paloma Gomes da Silva Paula C Vital Mattos Paula Silveira Petra Herdy Pollyana Carvalhaes Ribeiro Priscila Ribeiro Priscilla Bitinia de Araujo Amorim Rafael da Silva Pereira Rafaela de Carvalho Marques Raquel Dantas Rayanne Cristina Nunes Moraes Rayssa Padilha Rebeca Fortunato Santos Ferreira Rebecca Pedroso Monteiro Rebecca S Morgado Bianchini Rejane Rodrigues Renata Canini Renata Del Vecchio Gessullo Renata Martho Renata Santos Lima Maiato Renata Silveira Vidal Reybilis Ismaryen Blanco Espin Roberta Teodoro de Oliveira Barbosa Sabrina Alves de Santana Samantha Moretti Sâmela Amorim Aquino Santiago Figueroa Sarah Nadyne de Codes Oliveira Sharon Werblowsky Simone Ambrósio Sofia Amarante Sofia Conchester Sophia Chueke Stephanie Estrella Taciane Duarte Dias Taina Fernanda Moraes Taina Oliveira Talita Marques Talyta Mendonça Tamiris Ciríaco Társila Elbert Tayami Fonseca Franca Tayana Costa Tercianne de Melo Ferreira Thabatta Alexandra Possamai Thais Agda Rodrigues da Cruz Primo Thais Cristine V Souza Thaissa Mezzari Thatiely Laisse de Queiroz Silva Thayanne Ernesto Thaysmara de S. Araújo Triscya Tamara Lima de Souza Ramos Ursula Inara Mayca Vanessa Pirineti Vania da Silva Victoria Bandeira Moreira Victoria Catharina Dedavid Ferreira Victoria Maciel Farias Victoria Mendonça Vitória Maria de Oliveira Vivian Franco Viviane Lafene Viviane Lima Viviane Otelinger Viviane Rangel Wanessa Gomes Wanessa Oliveira Weila Oliveira Noronha Yasmin da Cunha Martins Yasmin de Freitas Dias FAÇA PARTE DESSA HISTÓRIA. DOE ATRAVÉS DO NOSSO PIX: FERNANDA@DOCUMENTADAS.COM Fernanda Piccolo Huggentobler - Idealizadora
- Mah e Bruna | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Foi num clube de leitura voltado às mulheres lésbicas que Mari e Bruna se conheceram, no começo de 2024. O clube funciona online, Bruna era uma das mediadoras e organizava um grupo de Whatsapp, quando Mari entrou e se apresentou. Surgiu o interesse porque Bruna sentiu tudo em comum: ela já tinha ido para o japão e Bruna ama viajar, gostam de coisas nerds, de gatos… Então decidiu seguir ela no Instagram. No decorrer dos dias, puxou assunto e a conversa fluiu. Brincam que é uma história bem moderna, essa ‘coisa de se conhecer online’. Mari correspondia ela no Instagram até que perguntou: “Mas afinal, de onde a gente se conhece?” E Bruna explicou que era do grupo de leitura. Como Mari chegou lá se apresentando, achou justo que agora fosse a vez de Bruna se apresentar também. Dias depois, Mari postou que adorava fazer brunchs e tomar bons cafés da manhã e Bruna a convidou para tomar um brunch no Theatro Municipal de São Paulo - local que inclusive fizemos a documentação acontecer. Se encontraram no domingo, 11h da manhã, e mesmo achando bastante chique esse primeiro encontro ele foi emendado em vários outros acontecimentos: depois do Theatro passaram o dia caminhando em eventos culturais que aconteciam pela cidade. Quando já era noite, foram para um bar e demonstraram que queriam se beijar, mas ainda não haviam tomado atitude. Acabaram ficando juntas até 3h da manhã: um date que estava quase virando 24h. Se sentiam muito felizes por estarem se conhecendo, não queriam que o dia acabasse. No segundo encontro, Bruna cozinhou para Mari sua comida favorita. Sentiram-se cada vez mais próximas com o passar dos dias. Quando estavam completando um mês que se conheceram, Bruna contou que iria fazer uma grande viagem ao Sri Lanka e à Índia - parte por trabalho, parte por realizar um sonho e querer conhecer ambos lugares - Mari via sua preparação, a parte que iria tirar férias lá, toda a expectativa e perguntou “e se eu for?”. Foi uma grande felicidade para a Bruna. Sentem que poderia dar muito errado ou muito certo. Estariam num lugar com uma cultura muito diferente, sozinhas, sem se conhecer tão bem… Antes de viajarem tiveram conversas muito profundas sobre a relação e sobre começarem de fato a se relacionar, nomear como um namoro, lidando com seus medos, trazendo suas bagagens. A viagem aconteceu com 4 meses de relação ao todo. Depois do trabalho que Bruna fez no Sri Lanka, Mari chegou e viveram uma semana por lá, depois mais 15 dias na índia. Foram muitas experiências diferentes, muitos perrengues e muitos momentos felizes. A viagem foi para o lado bom: o lado que deu certo. Elas até comentam durante a documentação: “A viagem em si deu várias coisas erradas, mas a gente nunca deu errado”. Entendem que a viagem só funcionou porque se ajudaram muito, principalmente nos dias mais ansiosos e difíceis - e assim seguem até hoje porque nos momentos difíceis se apoiam, nos momentos felizes comemoram e adoram descobrir e explorar juntas, como foram nesses dias longe do Brasil. Tanto Mari, quanto Bruna, adoram conversar. São pessoas tranquilas e não se veem brigando, discutindo algo de forma grandiosa… gostam de refletir bastante sobre a relação que constroem para melhorar ela e entender o que pode ser diferente. Se sentem muito à vontade para dizer o quanto estão ou não prontas para as coisas - Bruna cita o exemplo de que no momento não se sente pronta para morar junto, e que está tudo bem, com o tempo a relação irá amadurecer e isso acontecerá em fluxo. Amam estar juntas, assim como amam suas individualidades e seus espaços pessoais, suas rotinas intensas. Respeitam cada lugar e tentam não se atropelar no tempo, para que a relação se torne algo pesado no cotidiano. Mari entende que o amor que elas constroem é uma base, uma família, um acolhimento. Sente que a família da Bruna também à acolheu muito, foi “adotada” ganhando uma família nova, com um carinho enorme nessa aproximação. Adora fazer presentes de dia das mães para a mãe e para a avó da Bruna, saber que realmente pode contar com essa família e aprender um novo amor com elas. Bruna completa que essa sensação que a Mari tem pela família dela, ela sente pelos amigos da Bruna. Ganhou novos amigos que adora, que troca meme, mensagens queridas, se sente acolhida e que realmente ama. Enxerga a relação de uma forma muito livre: não faz as coisas com a Mari porque está preenchendo uma “tabela de normas” e sente que precisa fazer, faz porque se sente bem, porque estão felizes juntas. Marianna estava com 32 anos no momento da documentação. É natural do Rio de Janeiro mas reside em São Paulo há oito anos. Trabalha como designer, sendo formada em publicidade e é apaixonada pela parte visual de conteúdos e por formar comunidades sobre, compartilhando conteúdos. Adora o mundo nerd, jogar videogame, assistir filmes e passar um tempo com o seu gatinho. Bruna estava com 34 anos no momento da documentação. É natural de São Paulo, adora conversar, é formada em história e entende que pertence à área de humanas, adora ler, escrever, trabalha e estuda as religiões e gosta de estar com pessoas. Assim como a Mari, Bruna também adora o mundo nerd, está sempre pesquisando e escrevendo algo sobre. Ela também adora viajar, já conheceu diversos países - parte por turismo, parte por trabalho, atuando diretamente na área dos direitos humanos. No tempo livre, Mari e Bruna adoram aproveitar as múltiplas coisas que São Paulo oferece: seja uma agenda cultural diversa, um restaurante ou café. Adoram conhecer novos lugares ou aproveitar a cultura local. ↓ rolar para baixo ↓ Marianna Bruna




