Espaço de Pesquisas
Oi! Este é um espaço do qual você pode pesquisar e encontrar histórias de mulheres que participaram do nosso projeto por todo o Brasil! Legal, né?
Pra usar, basta digitar no espaço de pesquisa alguma palavra-chave, por exemplo: alguma profissão, alguma cidade, algum tema...
É o nosso verdadeiro banco de dados - o primeiro, da história das mulheres que se relacionam afetivamente
com mulheres - e precisa ser valorizado! ♥
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- Quem faz o doc? | Documentadas
Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Vem participar você também! QUEM FAZ O DOCUMENTADAS ACONTECER? O Documentadas é o primeiro banco de registros sobre o amor entre mulheres. Suas histórias são acolhidas através da escuta e da fotografia - essas, feitas por mim, a Fernanda. Idealizei o projeto em 2020 e desenvolvo ele desde então. Sou fotógrafa, fotojornalista, artista e entusiasta a mudar as visões das pessoas sobre o mundo. O .doc, hoje, representa um banco de dados online, disponível para todas e quaisquer pessoas interessadas na proposta de conhecer mulheres que amam ou amaram outras mulheres na historiografia. Acredito que o Documentadas não é feito apenas por mim, mas por diversas pessoas que, ao longo dos meses, se dedicaram a doar um valor simbólico para que ele seguisse acontecendo e chegando em cada vez mais casais. Sem essas doações, o projeto jamais seguiria existindo. Portanto, reafirmo: o Documentadas é nosso. Um projeto vivo que segue em transformação. Com essas doações o projeto já chegou em mais de 310 mulheres e 10 estados brasileiros. São as colaboradoras e os colaboradores: Adriana Bueno Valente Alana Laiz Alana Palma Pereira Alessandra Orgando Alessandro dos Santos Alice Cordeiro Alice Sbeghen Tavares Aline Vargas Escobar Allana Fraga Gonçalves Botelho Alyce Carolyne Porto Leal Amanda Fleming Batista Amanda Garcez Amanda Moura Ana Carolina Araujo Soares Ana Carolina Costa da Silva Pinheiro Ana Carolina Cotta Ana Carolina de Lima Ana Carolina de Souza Santos Ana Cecília Resemini Esteves Ana Clara Bento Ruas Ana Clara Piccolo Ana Clara Tavares Ana Flávia Pereira Ana Júlia Cardoso Daer Ana Milene Ana Parreiras Ana Paula Boso Ana Paula Costa Roncálio Ândria Seelig Ane Salazar de Aguiar Anelise Seren Angela Lacerda Anne de Araújo Baliza Anne Mathias Antônia Magno Aria Maria Mendes de Carvalho Augusto Pellizzaro Barbara Fadini Bárbara Fernandes Vieira Dias Beatriz Costa Nogueira Bianca de Souza Rodrigues Francisco Bianca dos Santos Zrycki Bianca Hamad Choma Bibiana Nodari Borges Brenda Eduarda Bruna Dantas Bruna Lourenco Reis Bruna Miranda do Amaral Camila Fernanda da Silva Camila Lobo Camila Monteiro de Oliveira Camila Nishimoto Camila Pereira Silva Camila Petro Camila Santiago Camilla Borges da Costa e Mello Caren Laurindo Carla Correa Carla Murielli Vieira Crispim Carolina Pasin Carolina Peres Caroline Barbosa Rodrigues Caroline Brum Caroline Corrêa Cecilia Couto Cecília Vieira de Paiva Cindy Lima Clara Campos Martins Clara Silva Claudio Daniel Tenório de Barros Cleiciane da Silva Figueiredo Cleiciane Figueiredo Cleicy Guião Cristiane Becker Damares Mendes Rosa Dandara Gonçalves Daniela Maldonado Daniele Silva Caitano Débora Queiroz Denize Dagostim Denyse Filgueiras de Alencar Diego Tomasi Dom Bittencourt Edilene Maria da Silva Elins Daiane Valenca Elis Lua Elisa Tenchini Elisabete Pereira Lopes Ellen Melo Santos Emanuelly Alves dos Santos Emily Blanco Fagundes Estela Caroline Freitas Evelyn Pereira Fabi de Aragão Fabiana Aparecida Peres Felicia Miranda Fernanda B Cardoso Fernanda Carrard Belome Fernanda Cristina Fiore Lessa Fernanda Frota Correia Fernanda Gomes Bergami Fernanda Lopes Fernanda Marques dos Santos Fernanda Uchida Francini Rodrigues da Silva Fredy Alencar Peres Colombini Gabriel Py Gabriela Biazini Talamonte Gabriela Fleck Gabriela Mancini Mainardes Gabriela Montenegro Gabrielle Schmidt Barbosa Gabrielle Secco Sampaio Geovana Maria de Lima Gomes Gilian Rodrigues Ventura Gisele Basquiroto Giulia Baptista Gizelle Cruz Glauciene Nunes Gloria La Falce Glória Lafalce Graciliene Nunes Guacira Fraga dos Santos Hailla Sianny Krulicoski Souza Sena Heloisa Silva Neves Henrique Standt Iana Aguiar Iana Oliveira da Silva Iasmim de Oliveira Isabela Arantes Costa Isabela Cananéa Isabela Damasceno Isabela Pereira Silveira Isabella Acerbi Isabella Bueno Isabella Milena Nascimento da Cunha Isabelle Rocha Nobre Isabelle Rosa Furtado Pereira Izadora Emanuelle Maizonetti Jady Marques Jamyle Rocha Silva Janaina Calu Janaina Dutra Janaina Monteiro Jéssica Bett Jéssica Brandelero Jéssica de Almeida Fernandes Jéssica Dornellas Jéssica Gladzik Jessica Rosa Trindade Jessica Soares Garcia Jéssica Spricigo Joana Cardoso Jose Schwengber Joyce Marinho Jucineia Beatriz Julia Alves Pinheiro Julia Barros Julia Caetano Julia Câmara Julia de Castro Barbosa Julia Marques Tomaz Julia Oliveira Silveira Júlia Rodrigues Júlia Silveira Barbosa Juliana Figueiredo Juliana Poncioni Juliana Scotti Juliane Gomes Kamilla Siciliano Vargas Kamylla Cristina Santos Karine Veras Karoline Camargo Rocha Karoline Camargo Rodrigues Katia Alves de Melo Laira Rocha Tenca Laís Tiburcio Lara Beatriz Nascimento Larissa Sayuri Laura Luiza Rodrigues Nogueira Laura Serpa Palomero Layssa Belfort Letícia Alves Morais Santos Letícia Moreira das Neves Letícia Ribeiro Caetano Letícia Rocha Lia Tostes Liane Mendes Lilian Dina Linnesh Rossy Lorena Vidal Louise dos Santos Martins Louise Valiengo Luana Corrêa Tourino Luana de Lima Marques Luana Moreira Luana Ramalho Martins Luana Riboura Luciana de Sousa Santos Luciana Isabelle Luciana Patrício Luisa Rabelo Cruz Luiza Chaim Luiza Eduarda dos Santos Luíza Vieira Luiza Vieira Moura Maiara Scheila Freitas Santos Maíra de Oliveira Sampaio Maíra Godoy de Carvalho Manuela Almeida Seidel Manuela Teteo Natal Maria Clara Pimentel ATÉ AGORA, 317 PESSOAS JÁ COLABORARAM Maria de Fátima Piccolo Maria Gabriela Medina Maria Gabriela Schwengber Maria Geyze Andrade Barbosa Monteiro Maria Vitoria Candiotto Mariah de Faria Barbosa Mariana Coutinho Mariana Ferreira Dias Mariana Gomes Mariana Gomes dos Santos Mariana Matias de Sousa Mariana Souza Pão Mariane Mendes Lima Marianna Novaes Martins Marília Alves Marina da Silva Maristela Valdivino dos Santos Maurício Oliveira Mayara de Souza Santos da Silva Melissa de Miranda Mérope Messias Miguel Angel Milena Abdala Milena dos Santos Ferreira Milena Pitombo Monique Barbosa Costa Monique Silva de Figueiredo Moreira Natali Alves Lima Natalia Correa Montagner Natalia da Silva Brunelli Natalia Kleinsorgen Natasha Torres G Morgado Nathalia Nascimento Nathalia Silva Nascimento Neuza Ferreira Rodrigues Paloma Gomes da Silva Paula C Vital Mattos Paula Silveira Petra Herdy Pollyana Carvalhaes Ribeiro Priscila Ribeiro Priscilla Bitinia de Araujo Amorim Rafael da Silva Pereira Rafaela de Carvalho Marques Raquel Dantas Rayanne Cristina Nunes Moraes Rayssa Padilha Rebeca Fortunato Santos Ferreira Rebecca Pedroso Monteiro Rebecca S Morgado Bianchini Rejane Rodrigues Renata Canini Renata Del Vecchio Gessullo Renata Martho Renata Santos Lima Maiato Renata Silveira Vidal Reybilis Ismaryen Blanco Espin Roberta Teodoro de Oliveira Barbosa Sabrina Alves de Santana Samantha Moretti Sâmela Amorim Aquino Santiago Figueroa Sarah Nadyne de Codes Oliveira Sharon Werblowsky Simone Ambrósio Sofia Amarante Sofia Conchester Sophia Chueke Stephanie Estrella Taciane Duarte Dias Taina Fernanda Moraes Taina Oliveira Talita Marques Talyta Mendonça Tamiris Ciríaco Társila Elbert Tayami Fonseca Franca Tayana Costa Tercianne de Melo Ferreira Thabatta Alexandra Possamai Thais Agda Rodrigues da Cruz Primo Thais Cristine V Souza Thaissa Mezzari Thatiely Laisse de Queiroz Silva Thayanne Ernesto Thaysmara de S. Araújo Triscya Tamara Lima de Souza Ramos Ursula Inara Mayca Vanessa Pirineti Vania da Silva Victoria Bandeira Moreira Victoria Catharina Dedavid Ferreira Victoria Maciel Farias Victoria Mendonça Vitória Maria de Oliveira Vivian Franco Viviane Lafene Viviane Lima Viviane Otelinger Viviane Rangel Wanessa Gomes Wanessa Oliveira Weila Oliveira Noronha Yasmin da Cunha Martins Yasmin de Freitas Dias FAÇA PARTE DESSA HISTÓRIA. DOE ATRAVÉS DO NOSSO PIX: FERNANDA@DOCUMENTADAS.COM Fernanda Piccolo Huggentobler - Idealizadora
- Maju e Alícia | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. A história da Maju e da Alícia fala muito sobre aquele período que vivemos quando estamos descobrindo quem somos, ainda entre a pré-adolescência e a adolescência, elas se conheceram e vivem até hoje juntas, enfrentando muitos desafios (que outros adolescentes nem sonham em viver) e, principalmente, se fortalecendo juntas. Maju hoje em dia tem 17 anos e está se formando no terceiro ano do Ensino Médio, Alícia tem 16 e está no primeiro ano. Mas tudo começou bem antes, quando Alícia tinha cerca de 12 anos de idade e estava numa praça em Rio das Ostras, matando o tempo, com uma amiga. Nessa praça, diversos meninos andavam de skate, entre eles tinha uma menina, a Maju. No primeiro momento, Alícia não entendeu se a Maju era menino ou menina, perguntou para a amiga (que a conhecia, mas que também não sabia dizer o que ‘era’ a Maju) e isso automaticamente despertou uma curiosidade enorme na Alícia, que fazia de tudo para observá-la. Quando a Maju entendeu que estava sendo observada, quis chamar atenção. Caiu logo de bunda no chão. Mas levantou, se reergueu e foi lá falar com as meninas. Se apresentou para a Alícia e disse: vem cá, deixa eu te mostrar uma pessoa muito linda aqui de Rio das Ostras - e então entrou no Instagram dela mesma, curtiu todas as suas fotos (pelo perfil da Alícia) e depois saiu, andando de skate de novo. Nesse dia, a Maju levou uma bronca da mãe dela por ter faltado à fisioterapia, mas a resposta em desculpa que ela deu, foi: eu conheci a menina mais bonita da cidade. A Maju é natural de Goiás, mas está no Rio de Janeiro - mais especificamente em Rio das Ostras - há mais de 9 anos. Já a Alícia, é do Rio de Janeiro, capital, mora em Rio das Ostras mas intercala com alguns períodos no Rio, visitando familiares. Depois que elas tiveram o primeiro encontro na praça, a Alícia passou seis meses morando no Rio de Janeiro. Nesse período ficou olhando o Instagram da Maju, mas não interagiram nenhuma vez. Quando ela voltou para Rio das Ostras, começou a namorar um menino (esse que, a pediu em namoro na frente da escola toda, fazendo um vídeo que viralizou o Brasil - um namoro super arranjado com o auxílio da mãe) e duas semanas depois ela e a Maju se encontraram no aniversário de uma amiga em comum. Nesse primeiro encontro, a Maju tentou ficar com ela, mas não tinha como, ainda mais ela estando num namoro tão recente… então ela desviou de todas as formas. Depois disso, começou-se uma amizade, então elas saíram muitas vezes. A Maju dava em cima dela sempre, isso era um fato, mas era quase uma brincadeira também porque elas sabiam que enquanto estivesse namorando não ia rolar. O namorado da Alícia, enquanto isso, morria de ciúmes. E em casa, a Alícia não parava de falar na Maju, deixando a mãe dela muito desconfiada, dizendo: “Tu não vai se apaixonar por ela não, hein, Alícia??!!”. O tempo passou e o relacionamento da Alícia foi ficando muito difícil. Ela estava se sentindo numa relação completamente invasiva, tóxica, e todas as vezes que tentava terminar o namorado não a deixava. Ele simplesmente dizia que não permitia. Numa noite, foram num aniversário e ela já tinha tentado terminar três vezes, a situação estava péssima, um amigo dele passou mal e ele foi embora. Alícia ficou no aniversário, a Maju estava também e num momento determinado da noite elas decidiram dar um basta, chutar o balde: se beijaram. Porém, como era escondido, numa confusão a Maju fingiu que passava mal, a Alícia fingiu que ajudava, elas desligaram a luz da festa toda sem querer e aí virou confusão de verdade. Depois delas se beijarem, a Alícia viu a Maju dando em cima de outra menina e então ficou muito triste. No fim da festa, já com o dia amanhecendo, o namorado (ou quase ex?) fez questão de buscar a Alícia e ela não quis ir embora com ele, então ele gritou e brigou com ela. Quem deu suporte, novamente, foi a Maju. Depois dessa situação eles terminaram, afinal, não tinha como manter esse relacionamento. A Alícia passou um tempo breve no Rio de Janeiro e quando voltou para Rio das Ostras voltou a se encontrar com a Maju. Nesses encontros, ela entendeu que gostava de verdade da Maju, e isso, naquela época, era mais um problema do que algo bom. Ambas não sabiam como lidar com a situação, sabiam que a Maju não buscava relacionamentos, mas também já estavam muito envolvidas. Sentiam que precisavam encarar a situação. Decidiram seguir se encontrando, mesmo sem ninguém saber. Com o tempo, os amigos que sabiam, não torciam para que elas ficassem juntas: não confiavam que elas seriam fiéis uma a outra, ou melhor, incentivaram que não fossem - e assim não haveria relação saudável que se sustentasse. No período em que poucos apostavam no relacionamento delas, um pedido de namoro chegou a acontecer. Namoraram, mas entre situações caóticas, sentiam que não se acertavam. A mãe da Alícia descobriu, fez um escândalo na porta da escola, a agrediu. Tudo ficava muito difícil para que elas se encontrassem e nisso, a pandemia de Covid-19 começou. Elas chegaram a ficar um tempo distantes por conta da quarentena, mas não tanto tempo, como nas grandes cidades, pois lá os encontros foram voltando a acontecer aos poucos. A Alícia, junto com a família dela, abriu uma hamburgueria, e esse local virou um ponto de encontro... porém, todas as intrigas externas foram o bastante para que o namoro não seguisse em frente. Elas terminaram, ainda, em 2020. Foram cerca de 9 meses distantes. Nesses meses, por completa influência familiar, Alícia se relacionou com um menino extremamente abusivo, agressivo, que forçava presença. Ela chegou a pesar menos de 40kg. Ele, sabendo que no fundo ela ainda gostava da Maju, ameaçava bater na Maju quando a encontrava na rua. Alícia fez de tudo para sair desse relacionamento e quando conseguiu, conversou com a Maju. Elas se acertaram, mas não enquanto um casal, apenas voltaram a conversar. Nisso, a Maju encontrou a mãe da Alícia, tomou coragem e decidiu pedir permissão: para num futuro, se tudo desse certo, elas voltarem a se relacionar. Ela respondeu que se a Alícia estivesse feliz, ela estaria feliz também - porque ela percebia que o jeito que a Alícia olha para a Maju é diferente - e no fim elas se abraçaram. Elas voltaram a se envolver e a Maju pensou em a pedir em namoro novamente e dessa vez com tudo o que o brega permite: balões, chocolates, etc. Aconteceu! Porém, infelizmente, ainda passaram por muitas situações horríveis envolvendo o ex. Ele invadia a casa da Alícia, quebrava as coisas e obrigava ela a manter a relação com ele. Foi numa atitude extrema da mãe dela em expulsar ele de lá para que finalmente isso acabar. Porém, esses conflitos já tinham afetado demais a relação da Alícia com a Maju, era difícil que as confusões não as envolvessem. A Alícia seguia pensando na Maju e no relacionamento delas, enquanto a Maju, mais uma vez, se afastara. No natal, elas voltaram a se falar, por conta de uma coincidência. E assim, voltaram de verdade. Conversaram, se encontraram, conversaram também com suas famílias, decidiram que, se era para estarem juntas, dessa vez, era para ser de um jeito diferente - e com apoio de todos, com maior confiança, diferente de todas as outras tentativas. Hoje, acreditam que deu certo. No último ano passaram diversos perrengues que as fizeram crescer e se fortalecer enquanto um casal, juntas, e também enquanto uma família. Alícia e Maju deram apoio às suas mães, chegando a morar com a mãe da Alícia, todas num apartamento, num momento difícil. Alícia também morou com a mãe da Maju. E todas se dão muito bem, valorizam o relacionamento das filhas. Nesse último ano de estudo, finalmente estão na mesma escola. Os planos são, assim que concluírem, se mudarem para o Rio e estudarem Belas Artes. Hoje entendem que a confiança e a comunicação mudou muito e que isso é o principal para que o relacionamento delas funcione. Antes, tudo se quebrava, principalmente com 'picuinhas' ou comentários alheios, hoje, não há nada entre elas que não possa ser conversado. A intimidade que elas criaram juntas não há como ser quebrada e também faz com que elas não se julguem. Acreditam que, pelo tanto que já passaram uma ao lado da outra, o que viram entre seus momentos mais frágeis faz com que também possuam muita liberdade para serem quem são, sem medo. Antes, pensavam muito sobre serem perfeitas, buscavam perfeição, hoje aceitam seus corpos e a si como são. Isso também faz com que a confiança na relação mude, a segurança, a base no amor. Quando entendemos a recapitulação de tantas coisas que viveram sendo tão novas, estando juntas, elas entendem que esse amor é o que importa. A forma que se amam e que se apoiam é o mais importante nesse processo. E se surpreendem, o quanto isso é maneiro. Visualizar a linha do tempo e entenderem que seguem aqui - recapitulam o quanto pensaram em desistir porque era muito difícil se relacionar, mas que hoje é muito legal ver o quão bonito é o que criaram. E, então, sonham com novos passos: a mudança, um casamento, uma adoção. ↓ rolar para baixo ↓ ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! ☺ vem construir esse projeto com a gente! < Alícia Maria Júlia
- Juliana e Priscila | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Juliana estava com 40 anos no momento da documentação e é natural de Olinda, cidade pernambucana em que fizemos as fotos. Formada em administração, trabalhou por alguns anos em um banco privado e hoje em dia trabalha numa empresa familiar que é responsável por recicláveis. Juntam os materiais (plástico, papel, papelão, vidro…) em outras empresas e encaminham para o destino correto. Além do trabalho, adora assistir filmes, viajar, ficar com os bichos em casa… Comenta que são tantos anos de relação, praticamente a metade da vida juntas, que faz com que se veem fazendo tudo juntas. Adoram viver a rotina. Priscila é natural de Paulista, cidade vizinha de Olinda. Quando conheceu Ju, Priscila trabalhava na área de merchandising, mas acabou prestando serviços para a família da Ju na empresa de recicláveis e descobrindo o ramo, se encontrou e trabalha com isso até hoje. Também adora gastronomia, sua verdadeira paixão que começou como um hobbie e vêm se desenvolvendo - de vez em quando criam alguns jantares e recebe até encomendas de comidas italianas para produzir. Pergunto para Ju e Pri como funciona uma empresa de reciclados, acho muito incrível esse ser o trabalho delas e poder compartilhar sobre um assunto tão necessário por aqui. Elas explicam que trabalham com empresas como supermercados que reciclam papelão - e papelão vira papelão novamente - ou editoras que reciclam livros didáticos por conta deles precisarem ser renovados por novas normas ortográficas ou atualizações de conteúdos - então fazem separação de papel… E assim encaminham cada material para as indústrias. Por exemplo: um papel branco pode virar papel higiênico, papel toalha, guardanapo… É um trabalho útil, rentável e necessário para o mundo. Em 2008, Priscila havia acabado de se mudar para Olinda e estava dividindo casa com um grupo de amigas. Logo na primeira semana da mudança, junto com essas amigas, decidiram sair para se divertir em Recife, ir beber uma cerveja, curtir e comemorar. Porém, era no meio da semana, os bares fechavam cedo… Sempre foram ‘inimigas do fim’, decidiram parar em Olinda num barzinho que ficava aberto até mais tarde chamado “Estação Maxambomba”. Ju, por sua vez, saía do trabalho em Olinda e ia encontrar suas amigas que tinham uma banda tocando coco e maracatu, gêneros musicais tradicionais de Pernambuco. Do ensaio, iam direto para o bar, algo que virou tradição semanal. Lá, as amigas de Ju e Pri se interessaram umas nas outras, Priscila ficou um pouco chateada porque preferia algo mais reservado, a amiga dela já bêbada brincava de fazer um sotaque carioca, acabaram juntando as mesas e foi assim que Ju e Priscila se conheceram. Foram comprar cigarros juntas, voltaram de braços dados mas sentaram longe quando chegaram na mesa… No final da noite, trocaram o número de telefone. Quando estavam indo embora, Priscila pegou a moto e as amigas começaram a zoar a Ju porque ela estava “flertando” com uma motoqueira… Depois começaram a conversar, na época ainda por SMS, contaram onde trabalhavam (Ju ainda estava trabalhando no banco e pouco conseguia tempo para mexer no telefone), mas marcaram de se encontrar novamente. Não se encontraram no primeiro momento combinado, mas marcaram um almoço no apartamento em que Priscila dividia com as amigas. O almoço durou o dia todo no domingo. Brincam que não seriam elas a mudar a história das lésbicas, então desde que ficaram juntas já não se separaram mais, Ju foi voltando nos dias que seguiram e assim não se desgrudaram. Ju foi morar sozinha quando trabalhava no banco porque sentia que já era a hora de ter sua independência e porque tinha uma cachorra que destruía tudo na casa dos seus pais. Acabou que não conseguiu ficar com a cachorra por conta dela precisar de mais espaço, mas cuidou dela através de uma amiga até ela ficar velhinha. Mesmo Ju tendo sua própria casa, vivia na casa da Priscila e das suas amigas, mas o apartamento estava ficando cada vez mais caótico com o tempo pelo fato de todas serem bastante jovens, faziam várias festas e a casa sempre estava cheia de gente. Até o momento que decidiram que precisavam de um novo lar, era bagunça demais até para elas - que eram inimigas do fim. Em 2009 conseguiram uma casa em Maracaípe, um lugar tranquilo que iam passar os finais de semana. Levaram algumas coisas no caminhão da empresa da família da Ju, já estavam morando juntas em um apartamento e os outros móveis encaminharam para essa casinha “de praia”. Em 2009, também, adotaram o Marvin, primeiro cachorrinho de muitos animais que vieram depois - e fiel companheiro que acompanhou quase toda a relação, faleceu no último ano. Depois de Marvin, chegou Frida, para lhe fazer companhia. Em seguida, num dia saindo para almoçar, ouviram alguns miados e encontraram um gatinho embaixo de uma árvore… Até tentaram não pegar na ida para o almoço, mas na volta não teve jeito, seria Diego. E, um tempo depois, surgiu Magali, uma gatinha que fizeram um resgate e deram uma nova vida. E assim, a família só foi aumentando… Foi chegando o Hulk, a Fiona, Rutinha, Ratinha, Olga, Mingau, o Snoop… Hoje em dia ainda possuem alguns animais em casa, entre gatos e cachorros, mas todos com o mesmo destaque: o direito a boa e a longa vida. Em 2012 chegaram à casa que moram hoje em dia, com os bichos e uma vida relação já construída. Depois que estavam com uma mentalidade mais madura sobre essa construção, começaram a pensar na unidade familiar que estavam construindo e resolveram cogitar a maternidade e a adoção. No começo do processo de adoção, estavam pensando que gostariam de adotar um bebê. Foram atrás, frequentaram as reuniões, começaram a pensar um pouco em outras possibilidades. Mas aconteceu uma situação da qual as deixou muito chateada e as fez voltar atrás, não quiseram seguir com o processo. Depois que cuidaram de uma cachorrinha, a Ratinha, durante alguns anos com cuidados diários desde todas as alimentações com mamadeira, até problemas respiratórios, nos olhos, vitaminas… Viram que estavam dispostas a serem mães e pensarem novamente sobre a disposição de terem alguém para cuidar e amar todos os dias. Foi quando, em 2020, anos depois da primeira tentativa, cogitaram entrar para a adoção novamente. Porém, diferente das ideias iniciais de ter um bebê, já haviam amadurecido outras possibilidades e decidiram adotar um adolescente. Aurelino, que hoje em dia já está com 18 anos, chegou com 13 anos na família. Tudo começou com a ideia de um apadrinhamento, já que quando os meninos completam 18 anos e saem dos orfanatos existe uma mobilização para que eles tenham condições de viverem sozinhos por um tempo. Elas foram até o local onde ele estava, conheceram todos os meninos junto da assistente social, mas havia uma condição: você não pode demonstrar interesse em adotar a criança que quer apadrinhar. Então decidiram mergulhar de vez na adoção. Conversaram com ele para saber se ele teria interesse em fazer parte da família, foi bem legal por conta de serem duas mães e ele já ter uma bagagem de vida, opinião, cultura formada, diferente de uma criança muito pequena… e ele ficou bastante animado. Queria fazer parte da família. Sempre foi carinhoso e atencioso. Ju e Priscila fizeram questão de manter as origens familiares de Aurelino antes de sua adoção também. Entendem que a bagagem que ele trás é única e é sobre quem ele é, sobre a vida dele. Assim como, os momentos que constroem juntos, são muito importantes para essa nova pessoa que ele está se tornando. Hoje em dia, a documentação dele já consta o nome das duas mães, inclusive recentemente quando ele foi se alistar ao exército houve um questionamento sobre e ele tratou de forma completamente natural e elas se orgulharam disso. Da mesma forma que ele enfrenta suas novas questões na fase da adolescência e adultez e elas tentam acompanhar isso da melhor forma, porque também é uma novidade para a primeira vivência na maternidade. São novos diálogos, desafios, vivências escolares, conversas sobre a profissão e o trabalho que deve seguir, relacionamentos… Também foi muito difícil pela primeira vez conviver com um homem dentro de casa, os recortes são outros, aprenderam, viveram muitas mudanças sendo mães, e se deram conta de coisas que ninguém havia ensinado durante o processo de adoção também: a saúde dele era muito mais frágil por conta da sua vivência e da sua alimentação na infância e levou alguns anos para ser fortificada, a educação precisou ser reforçada, a saúde mental, o vocabulário… Fazem muita questão de conversar tudo o tempo todo, entendem que não há tempo a ser desperdiçado em deixar uma conversa para depois. Ju entende que depois de tantos anos de relação, essa família tão forte que formaram reflete o quanto podem contar uma com a outra sem competição, sem disputarem quem é melhor dentro da relação. Vivem um companheirismo que quer o crescimento de todos. Enxergam a amizade, o incentivo, os projetos que dividem, o quanto a família é importante. Hoje em dia a mãe da Priscila mora com elas e foi para todas se fortalecerem, Priscila já ficou fora do Brasil para trabalhar por alguns meses em 2023 e Pri, Aurelino toda a família super apoiaram para que ela fosse porque sabiam que seria importante… Tudo é lutado em conjunto porque entendem que estão caminhando juntos. E o amor que vivem é o que mantém essa luta fazendo sentido. ↓ rolar para baixo ↓ Priscila Juliana
- Opa, tão nos copiando por aí? | Documentadas
Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Vem participar você também! • como copiar o doc • que esse projeto é lindo a gente já sabe que todo mundo deseja ter um doczinho pra chamar de seu? é óbvio! mas tem gente ultrapassando os limites para chegar nesse objetivo papo reto: o doc é estudado projetado desenhado... não vamos aceitar cópia barata & cafona por aí. então, decidimos: opa, mas calma. caiu aqui de paraquedas e não tá entendendo nadinha? vem conhecer o doc antes! ♥ agora sim, parte 1: a nossa fonte > os nossos lambes a frase "toda mulher merece amar outra mulher" foi adotada pelo .doc a partir de uma documentação que fizemos na casa de um casal [e fotografamos ela em um objeto] em 2021. na época, postamos algumas vezes e recebemos alguns comentários dizendo que deveríamos fazer um adesivo com ela estampada. e não é que deu certo? foi crescendo, crescendo, e virou a cara do documentadas, sendo usada principalmente nos nossos lambes. até então, não disponibilizávamos esses lambes para colarem por aí, acreditamos que ele é a forma que o doc ocupa as ruas enquanto arte. mas agora você pode obter ele clicando aqui: baixar moldes dos lambes aqui #olha a dica! para colar os lambes direitinho, se liga nisso aqui: - pincel ou rolinho na mão; - superfícies lisas >> e não inventa de colar lambe em local privado sem autorização! por favor! dê preferência à postes e converse com o dono do local antes de sair colando por aí; - cola tipo PVA + água, misturadas em um recipiente, não deixando nem muito denso, nem muito líquido; - chama alguém para te acompanhar, não indicamos fazer a colagem sozinha; - deixa o lambe liso com a cola bem espalhada, assim garante a durabilidade :D espalhar a frase por aí com a nossa fonte e a nossa logo é importante para garantir a identidade e a representatividade do projeto, fazendo com que ele seja reconhecido facilmente e amplamente divulgado - afinal, é assim que chegamos em mais mulheres , né? não edite esse material nem recorte a nossa logo dele. colabore com a arte. parte 3: outros produtos do .doc temos outros produtos de alta qualidade que só a gente faz: quadros, camisetas e postais. esses, você encontra na nossa loja. ó a loja do doc, que linda • para entender melhor • por que a pirataria é mais barata? - material de baixa qualidade; - produção em escala absurdamente maior; - possuem fabricação própria; - não estudam e desenvolvem o material, apenas pegam o que já existe de artistas que produzem; - não possui serviço online de retorno (atendimento) - não enviam para todo o Brasil por que os produtos do .doc custam esse valor? - temos um material de melhor qualidade - não possuímos fabricação própria, inclusive temos gasto de frete buscando na cidade de fabricação; - pagamos uma plataforma de venda; - pagamos taxas bancárias a cada venda; - não temos equipe, tudo é feito por uma pessoa (humana & artista); - pagamos pelos materiais que acompanham a ecobag (panfleto pôster + adesivos brindes) + embalagem + etiquetas; - a ecobag é um produto que garante o projeto a se manter em funcionamento, ainda com margem de lucro pequena; - enviamos para todo o Brasil; - qualquer problema que você tiver com o produto (rasgou, não serviu, foi cobrado errado) estaremos aqui para te atender; vamos ensinar a copiar o doc. //como diria nossa mãe: "quer fazer? faz direito". parte 2: nossas ecobags são elas, as queridinhas da pirataria. para a nossa tristeza: porque a ecobag é o nosso principal produto. que vacilo, né? ainda por cima piratearam ela em comic sans. pô, não dá. pega aqui o molde pra fazer a tua. faz bonito, tá? baixar moldes das ecobags aqui [quer vender com a nossa autorização em alguma feirinha? manda um e-mail para nós através do nosso site ou diretamente para fernanda@documentadas.com ] ah, mas que trabalhão fazer, né? também acho. por isso, nossa ecobag está com 60% de desconto no site depois desse furacão que vivemos. sim, é para zerar o estoque. bora com a gente? vamos encarar a pirataria de frente e fazer a nossa ecobag estar pelo Brasil todo. o que faz do doc uma marca incomparável com a pirataria? somos um projeto artístico, estudado e executado com respeito. além disso, em cada produto adquirido você contribui para que mais mulheres tenham suas histórias registradas por todo o Brasil, num documento inédito e que, até o início do projeto, era inexistente. adquirindo um produto pirata, você só contribui para a desvalorização da arte.
- Rafaela e Helena | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Desde o primeiro encontro, Lucia Helena e Rafaela sentiram uma conexão natural. Nenhuma das duas esperava iniciar um relacionamento tão cedo, mas a conversa fluiu de imediato e, poucos dias depois, já estavam marcando de se ver. Nena, como é chamada, havia saído recentemente de um casamento longo, enquanto Rafaela retornava ao Recife após uma experiência no Rio de Janeiro que não durou como esperava. Mesmo assim, decidiram se abrir para algo novo. Lucia Helena, estava com 37 anos no momento da documentação. É natural do Recife, trabalha enquanto motorista de aplicativo e é estudante de educação física. Adora acordar cedo e aproveitar o dia. Seu divertimento é praticar esportes, como jogar bola e andar de bicicleta. Rafaela estava com 23 anos no momento da documentação. Mora na cidade de Paulista, região metropolitana de Recife. Vivia um momento de recomeço na cidade e não planejava nada sério, mas percebeu que ao lado de Nena tudo se encaixava sem esforço. O relacionamento evoluiu rapidamente, mas sem pressa, no tempo certo das duas. O primeiro encontro aconteceu na Páscoa, de forma despretensiosa. Nena, muito ligada à sobrinha, saiu para comprar um chocolate de presente e aproveitou para passar perto da casa de Rafa, sugerindo um encontro rápido. Rafa deu algumas desculpas, alegando estar ocupada, mas Nena insistiu um pouco, dizendo que estava de carro e iria até ela. O que seria só um encontro no carro se alongou em uma conversa, até que, entre piadinhas, se beijaram pela primeira vez. Dias depois, Rafa comentava com uma amiga que não iria namorar ninguém, que “nem tão cedo iria ceder para o namoro”... até que o celular tocou com uma notificação em tom diferente, porque geralmente nem notificava… e ela tinha colocado especialmente para ver as mensagens da Nena… quando a amiga percebeu, ela disse “Tu não vai namorar não, né? E essa notificação aí que já mudou?”. Na semana seguinte, marcaram outro encontro, dessa vez para tomar um açaí. Desde então, não se desgrudaram mais. Entre conversas, descobertas e afinidades, perceberam o quanto se encaixavam. Hoje, Rafa passa mais tempo na casa de Nena, no Recife, do que na própria casa em Paulista. Rafa e Nena veem o relacionamento como algo genuinamente diferente do que já viveram. Desde o desejo constante de estarem juntas, após experiências anteriores (em outras relações) que viveram à distância, até a liberdade de viver esse amor de forma aberta. Pela primeira vez, não precisam se esconder ou restringir nada - família e amigos sabem, apoiam e participam. Postam fotos sem receio, falam sobre o que sentem, vivem a relação sem medo. Para elas, isso é essencial: poder mostrar um amor que é bonito de se viver. O apoio mútuo se manifesta em tudo, desde as pequenas rotinas, como sair para pedalar juntas ou assistir aos jogos dos times (que são rivais), até os desafios mais profundos da vida, como os estudos, o trabalho e as dificuldades familiares que acontecem paralelas à vida. Mesmo nos momentos difíceis, sabem que podem contar uma com a outra, seja para cuidar da cachorrinha ou para enfrentar os obstáculos da vida. O relacionamento se sustenta na parceria e no companheirismo diário. Quando pensam sobre o amor, lembram das vezes em que enfrentaram momentos de ansiedade juntas. O suporte mútuo foi essencial, tanto para acalmar quanto para ajudar a concretizar aquilo que parecia inatingível - e que era causador da ansiedade. Para elas, amar é aceitar, acolher e estar presente. É uma sensação de: eu te aceito como você é e estou aqui contigo. E ficam muito felizes, também, por verem esse amor reconhecido entre as pessoas ao redor, de tanto se apoiarem os amigos e familiares reconhecem: “Teu semblante ficou melhor depois que tu conheceu essa menina” ou “Agora tu tá indo pra frente e as tuas coisas estão progredindo”. Rafa e Nena contam o quanto o relacioamento delas é diferente em vários pontos: desde conviverem próximas, desejarem estarem muito juntas e terem tido experiências à distância antes, até o contato muito aberto que possuem com a família e que antes isso não era possível - a irmã e a sobrinha, o pai e a mãe, todos já sabem e não precisam se esconder ou restringir. Postam fotos livremente, falam sobre o seu amor. Não se sentem privadas de mostrar uma relação que é tão bonita de viver. Sentem a importância do apoio - desde numa rotina muito simples em acordar e sair para pedalar, vão juntas, até assistir jogos de futebol dos times rivais juntas.. até as coisas mais profundas da vida como os estudos, os desafios de trabalho, questões familiares que acontecem paralelas à vida, os cuidados com a cachorrinha de estimação… entendem a importância de contar com a pessoa que você se relaciona. Quando pensam sobre a relação e sobre o amor, citam momentos de ansiedade que passaram juntas e que uma apoiou muito a outra, tanto para estabilizar quanto para realizar o que estava causando a ansiedade. Nesses momentos, o amor está muito veiculado à verdade, ao suporte, à uma parceria que serve como familia e acolhimento. É uma sensação de: eu te aceito como você é e estou aqui contigo. E ficam muito felizes, também, por verem esse amor reconhecido entre as pessoas ao redor, de tanto se apoiarem os amigos e familiares reconhecem: “teu semblante ficou melhor depois que tu conheceu essa menina” ou “Agora tu tá indo pra frente e as tuas coisas estão progredindo”. ↓ rolar para baixo ↓ Rafaela Helena
- Emilly e Thuane | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Tabata Thuane no momento da documentação estava com 33 anos, é natural de Paulista, na região metropolitana de Recife. É formada em design de interiores, mas acabou seguindo os passos da família de músicos e se dedicou à música e à cultura. Estudou violão no conservatório, além de canto e percussão, e hoje se apresenta em restaurantes e hoteis do Recife, além de construir uma forte atuação na cena cultural das cidades de Olinda e Recife entre dança, percussão e carnaval. Uma de suas maiores conexões com a tradição vem do pastoril, dança natalina de origem portuguesa que aprendeu com a avó e transformou em um bloco que percorre as ruas no Natal. Lá, também ensina percussão, e foi nesse caminho que se aprofundou no frevo, na ciranda e no maracatu. Hoje, divide o palco e a dança com Emelly, tocando juntas no pastoril e em diversos blocos desde ciranda, maracatu, coco e xaxado, onde Thuane cuida da harmonia e Emelly assume a percussão. Emelly estava com 22 anos no momento da documentação. Nasceu em Olinda, mas hoje mora em Paulista com Thuane e Otto, o filho delas. Estudante de pedagogia, trabalha na área e tem uma paixão especial por atuar com crianças neurotípicas. Paralelamente, dedica-se à cultura popular, tocando percussão nos blocos e eventos onde se apresentam. Além disso, adora maquiar, pintar o rosto, ler e escrever, mas reconhece que, no momento, toda a atenção e energia estão voltadas para Otto e para a construção de uma maternidade cuidadosa e afetuosa ao lado de Thuane. A música e a cultura popular são o elo que fortalece a relação das duas, mas entendem que o que vivem hoje vai além dos palcos e blocos. Enxergam a família que construíram como um reflexo da tradição e do amor que carregam, tanto na dança e no som, quanto na dedicação diária à criação de Otto. Encontraram na música um ponto de encontro, mas é no dia a dia que constroem, com cumplicidade, os laços mais importantes. Em 2019, Thuane entrou para o grupo percussivo Tambores de Saia, em Olinda, um coletivo de samba reggae formado apenas por mulheres. Incentivada pela namorada do pai, mergulhou na experiência e logo se encantou com a força do grupo. No fim daquele ano, conheceu Emelly tocando lá. Fizeram amizade rapidamente, descobriram amigos em comum e começaram a se aproximar. No início de 2020, ficaram pela primeira vez. Durante o carnaval, ainda estavam se conhecendo, mas então veio a pandemia de Covid-19. Emelly, recém-completados 18 anos, e Thuane, morando em lugares diferentes, decidiram se isolar juntas. Emelly ainda vivia com a família, enquanto Thuane morava com o pai, que sempre foi muito tranquilo e a recebeu em casa. Desde então, a relação seguiu crescendo e hoje as duas moram juntas num lar só delas - agora com Otto, que chegou transformando tudo. Elas contam que foi desafiador iniciar um relacionamento no meio do caos, com a sensação de que o mundo estava acabando. Entre elas, não houve grandes conflitos - sempre conversaram muito e se entendem bem. Mas o período trouxe desafios familiares: a irmã de Thuane também se mudou para a casa com os filhos pequenos, tornando a rotina intensa. A pandemia trouxe dificuldades, eram desafios novos para todas as pessoas e elas, enquanto trabalhadoras da cultura, estavam totalmente sem renda, precisaram inventar outras formas de conseguir financeiramente se estruturar. A prefeitura até fez algumas apresentações online na época festiva do São João e assim elas conseguiram algum retorno, mas nada se comparava à vida presencialmente, o que ajudou mesmo a segurar as pontas foi a família. Hoje, comentam ao olhar para trás, que a sensação é como se já possuíssem uma relação de muitos e muitos anos, pela maturidade que precisaram construir tão rápido para passar por todos aqueles momentos (e pelos que viriam em seguida). Com a chegada das vacinas e uma leve estabilização da pandemia, Emelly e Thuane começaram a reorganizar a vida. Para garantir uma renda, passaram a personalizar kits de festa e entregá-los para quem comemorava em casa. O trabalho deu certo e, pouco depois, conseguiram finalmente conquistar o próprio lar, mudando-se para um espaço só delas. Aos poucos passaram a refletir sobre a maternidade, um sonho antigo que haviam deixado de lado por conta de frustrações por relacionamentos anteriores. A adoção sempre foi a primeira opção, pois nenhuma das duas pensava em gerar. No entanto, quando entenderam que seriam boas mães, começaram a pensar de fato na adoção e em todas as outras alternativas. Além do pensamento, partiram para a ação: foram estudar qual o processo e, tão importante quanto, o custo de cada processo. Foi assim que chegaram à opção da inseminação caseira. Queriam ser mães ainda jovens, mas também precisavam conciliar os estudos e outras responsabilidades. Pesquisando no YouTube sobre inseminação e o processo via SUS, entenderam o valor e o quanto isso demorava, assim como o processo de adoção. Diferente da inseminação, entre as pesquisas, encontraram grupos de doadores. Estudaram os critérios com cuidado, até que localizaram um doador e tiveram o primeiro contato. Para encontrar o doador, contaram com o apoio de uma rede de amigas e marcaram o encontro na casa de uma delas. Não queriam passar por esse momento sozinhas, então se cercaram de mulheres que as acolheram e tornaram tudo mais leve. O doador foi até lá, elas até prepararam alguns doces para ele como presente, e depois passaram a noite na casa da amiga, garantindo que tudo acontecesse de forma segura e tranquila. Ainda incrédulas com a situação, deram risada juntas, sem imaginar que daria certo de primeira. Mas, para a surpresa e felicidade delas, a gravidez vingou e Otto chegou ao mundo. Queriam um nome simples, mas composto, e escolheram Otto José. Embora já estivessem juntas há um tempo, fizeram questão de celebrar o casamento com uma festa como mereciam. Cada detalhe foi feito com as próprias mãos e com a ajuda da família: serraram troncos da rua para a decoração, a irmã preparou o buffet, a prima fez o bolo… tudo foi construído em conjunto. No mesmo dia, fizeram o chá revelação. A família inteira estava certa de que seria uma menina (ou até gêmeos!). Quando descobriram que era um menino, se olharam sem entender e até brincaram: "Emelly, sorri, senão vão achar que não gostamos!". Hoje, Otto é uma criança curiosa e esperta, sempre explorando o mundo ao seu redor. Como não tem contato com telas, elas percebem que ele está sempre em busca de algo novo, o que torna cada descoberta mais especial. Desde experimentar comidas diferentes até interagir com as pessoas… ele se mostra um bebê livre e sociável. E, com duas mães ligadas à música e à cultura, não poderia ser diferente: Otto já ama tambores, batucadas e tudo o que envolve ritmo e som. Emelly e Thuane enxergam o amor na forma como Otto expressa carinho no dia a dia. Apesar de ser agitado, é um menino extremamente afetuoso, que as enche de beijos, pega no rosto e faz carinho nelas. Vivem uma relação de parceria genuína, na qual tudo é dividido de maneira natural e equilibrada. Observam que, em muitas relações heterossexuais, a carga recai quase toda sobre a mulher, e quando o marido participa, muitas vezes é por obrigação. Com elas, tudo acontece por escolha e desejo. Brincam que estão sempre fofocando, rindo e se entendendo, sem precisar dizer muito. Para elas, nunca é apenas Emelly ou apenas Thuane - são sempre três: Emelly, Thuane e Otto. Por onde passam, são reconhecidas assim, como uma família. Sentem que, após o nascimento do Otto, algumas amizades se afastaram e a rotina mudou, pois não frequentam mais os mesmos espaços de antes. Ainda assim, quando são convidadas para algo, a inclusão é sempre dos três, e isso reafirma o significado de família para elas. Gostam de ser vistas como essa unidade, onde o amor e a presença são inquestionáveis. Desejam que Otto cresça como uma criança livre, que possa viver com autenticidade e alegria. Embora saibam que ele enfrentará muitos desafios por ter duas mães, esperam que a base de amor e segurança que constroem todos os dias seja mais forte do que qualquer preconceito. Querem que ele enxergue a própria história com naturalidade, carregando consigo a certeza de que foi muito desejado. ↓ rolar para baixo ↓ Thuane Emilly
- Melina e Acácia | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Melina estava com 34 anos no momento da documentação, é professora de música e artista. Atua em diversos eventos na cidade, dá aulas (inclusive para pessoas com deficiência) e trabalha com diferentes etapas da produção musical: da escrita de partituras à edição e masterização de áudios. Está finalizando a graduação em licenciatura em música pela UFPA. Nasceu em Belém do Pará e possui uma trajetória muito ligada à arte e à cena musical paraense. Acácia estava com 28 anos no momento da documentação. Também é paraense, nascida e criada em Belém. Psicóloga, atua na área clínica de reabilitação e é apaixonada pela cultura. E foi justamente essa cultura (mais especificamente a cena musical LGBT) que aproximou as duas. Melina toca há anos no Rebuw, bar conhecido por acolher o público LGBT - especialmente as mulheres. Durante os domingos, o espaço recebia o projeto Sapa Session, um ‘pagode de sapatão’ que lotava o bar com mulheres se apresentando no palco. Acácia frequentou algumas dessas edições e, em uma delas, viu Melina tocando. Já conhecia Melina por vê-la na cena artística da cidade, até que em novembro de 2023, depois do Sapa Session, resolveu segui-la no Instagram. Melina, ao ver a notificação, achou Acácia linda e seguiu de volta, mas nenhuma das duas puxou conversa. No evento seguinte, novamente no Rebuw, Melina a reconheceu na plateia com uma amiga e, sem querer, ficou reparando demais nela, brinca que era quase deselegante, o que causou uns “gays panics”. Quando o show terminou e foi guardar o equipamento, criou coragem, foi até Acácia e se apresentou, mas não continuou uma conversa, disse seu nome, prazer, e saiu em seguida. A situação foi tão inusitada que nenhuma das duas entendeu direito o que tinha acontecido. Acabou sendo uma situação engraçada. Nunca fazia isso com ninguém… Nem Acácia, nem a amiga entenderam direito. Em dezembro, pouco tempo após a primeira interação no bar, Melina e Acácia se reencontraram em um evento que misturava show e festa, em outro local da cidade. Com amigas em comum, passaram a noite bebendo e curtindo. Quando começou a tocar o brega paraense com seus melodys, tecnobrega e clássicos regionais, as duas - que amam dançar - se encontraram e passaram duas horas dançando sem parar. Não conversaram, não se beijaram, não fizeram nada além de dançar muito. Mesmo depois de tanto tempo dançando, foram embora sem trocar palavras. Melina elogiou o quanto Acácia era cheirosa e só. Quando o dia já estava quase amanhecendo, Acácia mandou uma mensagem para Melina agradecendo pela dança e pela noite. A partir daí, começaram a conversar e passaram todo o domingo trocando mensagens. Na segunda, Acácia não estava se sentindo bem, e Melina, que estava dando aula perto do trabalho dela, decidiu levar algo para ela comer. Para Acácia, foi uma surpresa total, ela não acreditou quando Melina disse que estava lá embaixo com comida esperando por ela. Ela nem esperava esse tipo de gesto vindo de alguém que conhecia há tão pouco tempo. Ficou tão inacreditada que quando desceu já foi com o celular gravando. Tinha dez minutos de intervalo entre um trabalho e outro e foi o bastante para conversarem rapidamente. Acham engraçado essa primeira interação, foi diferente e especial. Melina também não entendia direito como tinha tido coragem de ir até lá, não era algo que ela fazia, mas sabia que já gostava de Acácia de algum jeito. Mesmo sem planos de namorar ou de tomar iniciativas, algo ali já era diferente. Melina e Acácia seguiram se conhecendo nos dias que seguiram e tudo foi bastante rápido, mas com a leveza que queriam. Conversavam muito sobre trabalho, a rotina e a vida. Quando pensavam em se encontrar para comer algo, escolhiam o Rebuw, bar que já fazia parte da vida de ambas e que amavam. Acácia conta que o Rebuw virou um espaço de conforto: além da comida boa e da proximidade com o trabalho, passou a se sentir acolhida, antes mesmo de conhecer Melina. Lá criou laços com quem trabalha no bar, e a frequência dos eventos faz dar vontade de frequentar cada vez mais. Para ela, é fundamental que existam espaços como esse, voltados para mulheres, onde possam se sentir seguras… saírem dos ambientes tradicionais que muitas vezes são pensados para nos acolher. Mesmo com a conexão entre elas aumentando consideravelmente, Melina e Acácia ainda não haviam se beijado. Passavam o dia conversando e, às vezes as noites também, por chamadas de vídeo ou pessoalmente. Melina havia decidido que só se envolveria de novo se pudesse conhecer alguém de verdade antes, e assim foi. Conversaram sobre planos de vida, limites, sonhos, opiniões sobre assuntos polêmicos… e perceberam que não queriam parar de conversar. Tanto que foram duas semanas de convivência intensa: já conheciam até ambas famílias. Entenderam que estavam gostando uma da outra, mudaram até a notificação dos celulares para não perder suas notificações a cada mensagem. Depois desse tempo, o beijo aconteceu: Acácia dormiu na casa de Melina após um show e finalmente se beijaram. Foi um momento de cuidado, carregado de afeto, responsabilidade e principalmente a escuta, o que priorizam até hoje. Poucos dias depois do primeiro beijo, Acácia adoeceu e Melina ficou visivelmente apreensiva. Acácia estranhou a reação, mas não comentou muito. O que não sabia era que Melina já estava preparando um pedido de namoro todo elaborado: aconteceria no show que ela faria no final de semana seguinte, no Rebuw, claro! Queria que tudo estivesse perfeito (inclusive a saúde de Acácia). Mobilizou amigas, combinou com a equipe do Rebuw e montou um repertório romântico único. Quando chegou ao show, Acácia percebeu que havia algo diferente no ar, mas nem imaginava que era o pedido. Até que, em meio à apresentação, o momento chegou: o bar estava lotado, recebeu um buquê com as alianças e Melina anunciando o pedido. Ficou em choque, emocionada. A filmagem do pedido viralizou nas redes sociais e, por dias, elas viveram esse momento recebendo mensagens afetuosas. Sentiram que aquele gesto ultrapassou o próprio namoro porque inspirou outros casais e fez diversas mulheres se sentirem representadas. Como tudo aconteceu às vésperas do Natal, passaram a celebração juntas, em família. Brincam que a ceia foi quase um banquete em homenagem ao novo relacionamento. Mas foi, também, um momento simbólico: estar entre as famílias, de forma aberta, dizendo quem são e quem amam. Isso é o mais importante. Melina, por exemplo, levou quase dez anos para ser aceita e nunca tinha vivido uma celebração dessa forma. Esse início, marcado por cuidado, coragem… selou o que buscavam: estavam vivendo um amor para ser visto, não escondido. Queriam celebrar. E sentia que poderia confiar na relação. Melina e Acácia reconhecem que o início foi acelerado, mas foi o tempo certo. Tudo fluiu de forma intensa e natural. Depois disso, passaram a seguir os próximos passos com mais calma. Quando surgiu a possibilidade de morarem juntas, Acácia ainda tinha medo. Estava terminando de mobiliar um apartamento alugado e Melina propôs: “bora, bora juntas.” Ela disse não no início, o medo existia por conta de outros relacionamentos em que viveu dividindo um lar. Melina resolveu insistir, ao menos para conhecer o lugar. Quando chegou, sentaram no chão, com a sala ainda vazia e conversaram sobre o que significaria dividir a vida naquele espaço. O começo da relação foi como se vivessem antes do mundo acabar: faziam tudo a todo tempo. Era muito intenso, acelerado. Até que olharam uma para a outra e entenderam: estavam cansadas. Não dava para viver em ritmo de maratona todos os dias. Decidiram ir ao cinema para desacelerar, mas o cansaço era tanto que dormiram durante o filme. Resolveram ouvir o cansaço e pisar mais lento. A mudança para o apartamento veio no início de 2024. Fizeram um chá de casa nova e, depois, foram morar mais afastadas do centro da cidade. Hoje, brincam sobre como tudo mudou: já não vivem naquele ritmo, são mais caseiras e estão em paz com isso. Melina diz que essa é a relação mais saudável que já viveu. Admira a inteligência emocional de Acácia e juntas encontram um equilíbrio leve. Sente que é muito bonito e verdadeiro o quanto querem crescer - e crescem - nessa caminhada. ↓ rolar para baixo ↓ Melina Acácia
- Sue e Sil
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Sue estava com 64 no momento da documentação e nasceu em Salvador. Quando seus pais se separaram, mudou-se para Maceió com a mãe, que trabalhava na Petrobras. Em seguida, viveu no Rio de Janeiro sua maior infância até os 25 anos, formando-se com forte influência carioca. Em 1998, retornou à Maceió para atuar no Teatro Deodoro, onde conheceu Silvana. Hoje, compartilham a vida e o trabalho, dirigindo juntas uma produtora cultural. Silvana estava com 58 anos no momento da documentação, nasceu em Maruim, Sergipe, e chegou em Maceió no ano de 1982. Jornalista, radialista e produtora cultural, sempre esteve ligada ao meio artístico. Criou o primeiro caderno de cultura do principal jornal da cidade e, posteriormente, trabalhou no Teatro Deodoro. Como frequentadora assídua das artes cênicas, encontrou lá uma verdadeira realização profissional. A relação entre elas começou pela admiração no trabalho. Durante as trocas na rotina do Teatro Deodoro, Sue já nutria sentimentos por Silvana. Juntas, fizeram uma verdadeira revolução artística na cidade, reabrindo um teatro centenário que ficou 11 anos fechado e que nem era mais considerado. Sem a facilidade da internet, num mundo de comunicações por fax, enfrentaram desafios para recolocar o espaço no circuito cultural nacional. Entre projetos, parcerias e grandes aprendizados, construíram um vínculo que ultrapassou o trabalho, tornando-se um amor sólido, baseado no respeito, na arte e na construção de um legado cultural alagoano. Sue conta que a relação sempre esteve entrelaçada ao trabalho, especialmente no início, quando chegou de Salvador após uma outra relação turbulenta que havia acabado. Trouxe consigo uma bagagem cultural fresca da Bahia e do Rio de Janeiro, que se refletiu no que estavam construindo no Teatro Deodoro. Juntas, ela e Sil levantaram diversos espetáculos e recolocaram o teatro no mapa cultural do Brasil, elevando o profissionalismo artístico em Alagoas - tudo isso sob a liderança de duas mulheres lésbicas, importante ressaltar. Ambas sempre se entenderam como lésbicas e viveram essa identidade de forma natural dentro dos meios culturais que frequentavam. Nos anos 70, 80 e 90, Sue no Rio e Sil em Sergipe encontraram espaços onde a sexualidade não era um tabu. No entanto, conversam muito e sentem que hoje as coisas estão dentro de muitas “gavetas” Estas “gavetas” estão aí para realmente trazer liberdade, identidade, autonomia e auto afirmação do que cada um é, mas muitas vezes acabam dividindo mais, se tornando uma separação. “E eu não gosto de separação. Eu gosto de tudo misturado. Não gosto de ambientes que são só isso ou só aquilo. Gosto de gente.” Por conta do trabalho, Sue e Sil abriram mão de viver uma rotina mais romântica. Como passam a maior parte do tempo juntas, lidando com demandas intensas e muitas pessoas (ainda mais agora, com o escritório dentro de casa), aprenderam a valorizar os momentos de tranquilidade a sós. Para elas, esses instantes de calma são essenciais para manter o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Elas reconhecem o impacto do que fizeram: duas mulheres liderando espetáculos em Alagoas era algo inédito. Foi assim que se encontraram, criando projetos culturais transformadores, como o “Teatro é o Maior Barato”, que democratizou o acesso ao teatro com ingressos a R$ 1,99, e espetáculos que circulavam pelo estado. Além de movimentar a cena artística, construíram uma relação de pertencimento com o público, que passou a ver o teatro como um espaço acessível e vibrante. Sil sempre teve paixão pelo jornalismo e adorava sair pelo estado imaginando matérias, transformando a busca por pautas em uma brincadeira. Como o mercado era novo, havia muito a explorar: tudo era cultura. Até os anos 90, Alagoas sequer tinha uma coluna dedicada ao tema nos jornais, sendo reduzido a notas esporádicas indicando filmes ou menções na coluna social. Criar um espaço fixo para a cultura se tornou um vício, um compromisso de dar voz e visibilidade à produção artística local. A relação começou de forma intensa, marcada por um gesto simbólico: Sue morava em um lugar muito quente, sem estrutura porque havia recém se mudado, e Sil apareceu com um ar-condicionado de presente. “A gente já tinha começado a namorar, ela chegou lá em casa, um forno! No outro dia, chega com o ar-condicionado… e depois ela.” Foram se envolvendo e percebendo que compartilhavam o mesmo ritmo e gostos. Hoje, olham para trás e se surpreendem: “25 anos de relação! É muito tempo! Mas, ao mesmo tempo, a gente vai se descobrindo e redescobrindo.” Atualmente, moram ao lado da família de Sil, para estarem próximas da mãe idosa, em uma vila acolhedora e repleta de gatos. Recentemente passaram por uma grande reforma em casa, o que exigiu ainda mais energia e paciência. Refletem sobre as inúmeras crises que enfrentaram - principalmente financeiras, pela instabilidade do trabalho em um país que não valoriza a cultura - e reconhecem que nem todo casal suportaria esses desafios. Mas atravessar tudo isso juntas fortaleceu ainda mais o amor. Entre noites que se olham antes de dormir e percebem o cansaço e momentos de conexão, sabem exatamente como lidar uma com a outra, guiadas por maturidade e intimidade construídas ao longo desses 25 anos. Sue sente que Sil trouxe um chão para sua vida, mesmo quando ela mesma diz se sentir insegura. “A Sil trouxe para mim, apesar dela dizer que não lida, que enlouquece, que fica insegura, mas ela trouxe para mim, para a minha vida, uma segurança em um lastro, um chão, que é tão importante. Eu nem sei se estaria nesse plano ainda. Porque eu era muito desligada, muito apaixonada por tudo, entrava de cabeça em tudo, de tudo, de trabalho. E a Sil, sem impor nada. Ela veio, foi amor mesmo, com o amor dela. E ela me acolheu de uma forma que eu cresci. Me tornei uma pessoa muito melhor. Para mim mesma.” ↓ rolar para baixo ↓ Sil Sue
- Lilian e Marcela | Documentadas
O encontro da Lilian e da Marcela com o Documentadas aconteceu poucos dias antes do casamento delas - que não seria nada convencional - um casamento temático de festa junina! Nos encontramos em sua casa (que também é o lugar onde trabalham sendo padeiras) e estavam entre muitos preparos: desde as últimas encomendas da padaria, pois sairiam de férias/e lua de mel logo após a cerimônia, até as preparações do casório porque tudo foi feito entre muitas mãos - comidas, decorações, lembranças… não contrataram buffet ou empresas para isso, contaram com os próprios serviços e de amigos que também trabalham com gastronomia. A festa foi dedicada a reunir pessoas que amam e fazer todas se sentirem bem: que vistam se sentindo bem, comam bem, dancem, brinquem, se divirtam. Todos estavam muito empolgados, inclusive as contratadas, que são apenas mulheres - fizeram questão disso e foram atrás até de banda de forró sapatão, que fez com que a festa ficasse muito mais animada. Conversamos sobre entender a instituição casamento com o recorte de se tratar de duas mulheres e em tudo o que isso envolve. Por mais que existam várias críticas sobre essa instituição e seus conservadorismos, existe também o lado político pela importância de ter um documento que afirma esse amor. É muito importante o evento, a celebração. Reconhecer que os familiares estão viajando de longe para celebrar esse amor que sempre nos foi negado, que toda relação heteronormativa é celebrada e comemorada o tempo todo, mas entre duas mulheres fomos colocadas num espaço de não-celebração, ficamos minguadas, podemos até beijar mas não demonstrar tanto, não abusar da demonstração… Então celebrar um casamento é celebrar MESMO. Celebrar com vontade. Ter quem você ama celebrando com vocês. Celebrar duas mulheres amando. E, para elas, o casamento só faria sentido se fosse vivido assim como será: com todas as pessoas lá, de forma coletiva. Elas construíram essa relação pensando no mundo que acreditam. Se sentem confortáveis, acolhidas. Sentem que a relação é uma grande mesa com comida e todos ao redor, compartilhando. Lilian, no momento da documentação, estava com 30 anos. Nasceu no interior do Espírito Santo, num município chamado Pinheiros, mas cresceu em Vitória, na capital. Ao completar o ensino médio foi para Mariana, em Minas Gerais, cursar história e durante a faculdade descobriu a disciplina de antropologia da alimentação. Quanto mais estudava, mais se interessava e ao finalizar a graduação começou a estudar gastronomia. Ao se mudar para Minas Gerais, não tinha conhecimentos em culinária, mas aprendeu pela necessidade e a primeira receita que fez por vontade própria foi pão de fermentação natural. Começou a ser um hobbie, mas logo se viu pesquisando mais sobre panificação e misturando a panificação com seus outros estudos dentro da gastronomia. Foi então que conheceu uma pesquisadora chamada Neide Rigo, que explica sobre plantas, hortas na cidade, sobre o que plantar > o que comer, e consumindo os conteúdos que essa pesquisadora publicava conheceu um restaurante em São Paulo, o Maní. Viu que estavam com inscrições abertas para trabalhar por um período, se inscreveu e passou, foi assim que sua mudança para São Paulo aconteceu, em 2018. O período de trabalho seria, inicialmente, de 4 meses, mas virou uma contratação e ela se oficializou enquanto padeira. Conta como foi incrível, não conhecia mulheres padeiras - ou melhor, conhecia uma só que acompanhava o trabalho e admirava. Foi uma grande realização profissional. E, para além da padaria, ela segue adorando cozinhar e descobrir receitas, inventar festas temáticas com comidas temáticas para reunir os amigos e familiares, pesquisar sobre culinárias e culturas. Marcela, no momento da documentação, estava com 27 anos. Ela é natural de São Bernardo do Campo, mas cresceu em uma cidade pequena chamada Dracena, no interior de São Paulo, onde viveu até os 17 anos. Cresceu numa família bastante grande e tradicional e passou pelo seu entendimento de gênero e sexualidade bastante cedo, então não se sentia bem no lugar onde morava, decidiu sair da cidade e se mudar para Campinas, também em São Paulo, para cursar faculdade de Artes Cênicas. Lá, durante 4 anos, se sentiu muito feliz e viveu diversas descobertas. Em 2018, precisava de maior independência financeira e procurou uma nova fonte de renda: começou a fazer pão de fermentação natural em casa. Depois disso, procurou trabalho na área, indo em padarias e oferecendo o seu serviço. Conseguiu trabalhar em uma padaria e depois disso se organizou financeiramente para se mudar para São Paulo (capital), até que em 2019 a mudança aconteceu. Logo que chegou na cidade, fez o mesmo que havia feito em Campinas: foi de lugar em lugar oferecendo seu trabalho. O primeiro lugar que ofereceu foi na padaria do Maní e a chamaram para alguns freelancers, então vez ou outra ela ia cobrir alguém, inclusive a Lilian, quando tirou alguns dias de férias. Depois desses freelas, ela foi contratada de fato. Quando começaram a trabalhar juntas, conversavam bastante. Lilian é muito acolhedora, conta que isso vem de família, aprendeu a acolher, conversar, receber bem as pessoas porque sua família é assim. Na época, ela morava em um apartamento dividindo lar com amigos e apresentou essas pessoas para a Marcela, inseriu ela na sua vida e logo viraram amigas. Marcela também foi se abrindo, contou que recém estava solteira, que queria desbravar São Paulo, aproveitar a cidade, não queria namorar. Aos poucos, às vezes se olhavam de um jeito diferente enquanto trabalhavam. Lilian percebia um jeito da Marcela observar… Até que um dia Marcela chegou um presentinho para ela, entregou e disse: “Não significa nada”. Quando Lilian chegou em casa, contou para a amiga e a amiga disse: “Significa!!! Ela te quer!!”. Num dia, saindo juntas, alguns meses depois de terem começado a trabalhar, se divertiram, foram em vários lugares até que Lilian perguntou o que estava significando aquilo. Marcela respondeu algo que Lilian até hoje acha muito legal, ela disse que achava que estava apaixonada pela Lilian, não sabia se era romanticamente, mas que adorava passar um tempo com ela, estar ali, adora a amizade e que sentia vontade de beijá-la. Lilian disse que sentia também, e assim elas se beijaram. Desde então elas ficaram juntas, mas Lilian tinha uma mudança de vida planejada: ela iria para a Espanha. Já havia desfeito a casa que compartilhava, vendido suas coisas, pedido demissão da padaria… Sua vida havia se resumido em uma mala. Passaram o final de 2019 juntas e em fevereiro de 2020 Lilian saiu de fato do trabalho, até lá elas estavam apenas vivendo, se divertindo, sabiam que a separação viria em breve. Os planos da Lilian eram visitar seus amigos em Minas Gerais, a família no Espírito Santo e se mudar de vez para a Espanha. Porém, dias antes, chegou a pandemia de Covid-19. Quando isso aconteceu, ela estava hospedada na casa de um amigo, uma kitnet em São Paulo, esse amigo havia acabado de se mudar para cursar medicina na USP e ele orientou: “Estão correndo boatos de que isso aí vai durar uns dois anos no mínimo”. Ele decidiu não ficar em São Paulo e deixou a kitnet com ela. Ela chamou a Marcela e ficaram juntas, mas não tinha nada: trabalho, roupa, perspectiva… os primeiros meses foram de espera, até que a ficha foi caindo porque o restaurante que ela iria estagiar na Espanha fechou, precisou devolver as passagens da viagem e entendeu aos poucos que o sonho acabou. Marcela também foi demitida, precisavam repensar tudo. Em abril decidiram anunciar aos amigos que iriam fazer pão para vender e, logo no primeiro anúncio, foram dois dias de fornadas. Depois, perceberam que trabalharam mais de duas semanas sem parar - e se organizaram melhor. Transformaram a kitnet numa padaria, assim foi seu sustento até novembro, quando se mudaram para um lugar maior. Ressaltam como foi muito importante as pessoas terem comprado de quem faz durante a pandemia. Esse foi o contato humano, foi o que nos uniu mais. Entre o final de 2020 e 2021 moraram em uma casa que possuía mais espaço e lá produziam em maior escala, até que chegaram no lugar que estão agora. Hoje em dia, possuem um espaço separado na casa onde acontece a produção e destinam suas vendas principalmente para pessoas jurídicas, ou seja, outras empresas e restaurantes. Se dão muito bem trabalhando juntas, adoram o que fazem e Marcela acredita muito que o amor entre mulheres está presente nessa torcida que uma tem pela outra, nesse fortalecimento. Vivem uma amizade muito potente dentro desse amor. Lilian concorda: talvez por ser tão poderosa é que muitos temem. São muito matriarcais, cuidam e zelam umas pelas outras. ↓ rolar para baixo ↓ Marcela Lilian
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Espaço de Pesquisas Oi! Este é um espaço do qual você pode pesquisar e encontrar histórias de mulheres que participaram do nosso projeto por todo o Brasil! Legal, né? Pra usar, basta digitar no espaço de pesquisa alguma palavra-chave, por exemplo: alguma profissão, alguma cidade, algum tema... É o nosso verdadeiro banco de dados - o primeiro, da história das mulheres que se relacionam afetivamente com mulheres - e precisa ser valorizado! ♥ Todos (61) Outras páginas (59) Serviços (2) 61 itens encontrados para "" Outras páginas (59) Apoio Psicológico | Documentadas saúde mental e apoio psicológico para mulheres de todo o Brasil Considerando a importância da representatividade para a construção da identidade de pessoas LGBTs e compreendendo as condições atuais do nosso país e do mundo, criamos no Documentadas uma rede de apoio psicológico. Através da psicoterapia ou da análise, uma profissional acompanhará, ouvindo e proporcionando um espaço de acolhimento para as vivências, sofrimentos e inquietações das mulheres que passam pelo projeto. Nesse primeiro momento, para atender mulheres que amam mulheres e que acompanham o projeto, criamos uma rede de psicólogas e psicanalistas que estão com vagas sociais para atendimentos individuais e online. Apostamos neste espaço porque sabemos o quão difícil é encontrar um ambiente seguro para ser escutada com atenção e cuidado. como funciona? Somos em dezoito profissionais - entre psicólogas e psicanalistas - e temos vagas à preços sociais, cada qual com a sua disponibilidade. Entendemos a importância de abrir essas vagas à valores mais baixos exatamente pela condição financeira particular de cada mulher e econômica que o país enfrenta. Estamos com o propósito de atender mulheres que precisam e que não encontram disponibilidade de atendimento de forma acessível nos meios particulares pagos. Toda mulher poderá se registrar na nossa plataforma acessando a área de login ao final dessa página. Assim, poderá fazer um cadastro dentro da nossa plataforma, consultando o perfil de cada profissional e a disponibilidade de horário/vaga que melhor se adapta à sua rotina. Todos os valores são iguais, o que difere na hora da escolha é a profissional identificada através do breve currículo e da sua disponibilidade. Assim que o prévio agendamento for realizado, o contato entre ambas será feito e a psicóloga mandará uma mensagem. Para ler maiores informações sobre a nossa Política de Privacidade e os Termos de Uso de plataforma, clique aqui ♥ nosso grupo de psicólogas e psicanalistas apoiadoras Viviane Psicóloga graduada pela PUCRS, especialista em Clínica Psicanalítica (UFRGS) e mestranda em Psicologia Social na UFRGS. CRP: 07/23395 Maria Clara Goes Psicóloga mestra sobre saúde sexual de mulheres cis lésbicas, pela Universidade Federal da Bahia. Praticante da Psicanálise - CRP 03/27093 Marina Albuquerque Psicóloga graduada pelo Centro Universitário IESB e especialista em Psicologia Humanista. CRP-01/19203. Laís Tiburcio Psicóloga Clínica, Pós-graduanda em Gênero & Sexualidade, formação em Politica Nacional de Saúde LGBT. Estudos em Psicanálise. CRP 05/57276 Ariadne Sitaro Psicóloga Pós Graduanda em Gestalt Terapia e Reprodução Humana Assistida. CRP 02/28387 Júlia Psicóloga - Mestrado na Universidade Federal Fluminense em Psicologia. - CRP 05/60076 Mariana Milan Psicóloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina. CRP 12/26613 Ana Carolina Cotta Psicóloga pela Universidade Federal Fluminense - mestrado em Psicologia Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. CRP 05/58463 Raquel Psicóloga formada pela Faculdade de Pato Branco/FADEP e pós-graduada em Gênero e Sexualidade CRP 12/23076 Camila Psicanalista. Membro provisório do Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre/RS (CEPdePA) e Advogada Especialista em Direito Público Maria Freire Psicanalista pela Escola Letra Freudiana. Doutorado em filosofia. Deyse Van Der Ham Psicóloga - Especialista em Políticas Públicas e Assistência Social pela PUCRS. CRP 07/24426 Marina Nobre. Psicóloga formada pela Universidade de Fortaleza. CRP 11/15307 Caroline Afonso Psicóloga formada em psicologia pela Universidade Luterana do Brasil Canoas/RS. CRP 07/38059 Gabriela Nunes Psicóloga formada pela UNISINOS e pós-graduanda em Psicologia Clínica pela PUCRS. CRP 07/41102 Talyta Psicóloga - graduada pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) - estudos em psicanálise. CRP 06/169049 Paula Psicóloga, formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e pós graduanda em Psicopedagogia. CRP 05/63682 Thays Waichel Psicológa graduada pela Universidade Luterana do Brasil - Canoas/RS. Ênfase em Orientação Psicanalítica. CRP 07/37003 Jamyle Psicóloga - Mestrado em lesbianidades a partir de uma perspectiva interseccional, pela Universidade Federal do Ceará. CRP 11/18191 Ana Gabardo Pedagoga pela Universidade Federal do Paraná e psicanalista pela Associação Livre Centro de Estudos em Psicanálise Dani Psicologia Social, Psicanálise e Educação - Universidade de São Paulo. CRP 06/137811 Larissa Psicóloga formada pela Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo. CRP 06/161422 Kíssila Psicóloga formada pela UFF e pós-graduanda em Fenomenologia Decolonial e Clínica Ampliada pelo NUCAFE. CRP 05/69513 Jade Psicóloga formada pela Uniritter - RS. CRP 07/34186 Ana Clara Ruas Psicóloga pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói. CRP 05/66226 quer ter acesso à terapia/análise ou entrar em contato com a profissional? clica aqui Documentadas Olá; AQUI REGISTRAMOS O AMOR ENTRE MULHERES ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA. Portfólio Para conhecer nossas histórias, clique aqui > sobre 02 sobre nós Olá, me chamo Fernanda e registro de forma documental o amor entre mulheres por todo o Brasil. O documentadas começou através de diversos estudos e da percepção de que as mulheres são pouquíssimo registradas em toda a sua história, principalmente tratando-se de mulheres que se relacionam afetivamente com outras mulheres. Para dar um basta e contar nossa própria história, percorro o país registrando casais e através desse site criamos conexões e laços de fortalecimento. Para conhecer quem faz o documentadas, clique aqui > Banco de images QUER PARTICIPAR DO PROJETO? vem por aqui! :P Mariana Musicista Leia mais Mari, além de ser uma pessoa extremamente doce, é uma musicista e compositora incrível! Ela tem um canal com a Vivi e juntas compõem histórias no Canta Minha História! Iasmim Advogada Iasmin, além de uma mulher super sorridente e alto astral, é também uma grande advogada. Natural de Duque de Caxias, baixada fluminense, hoje trabalha em um escritório no centro do Rio de Janeiro. Leia mais Carla Professora Carla, além de ser grande amante das artes e do teatro, também é professora e pedagoga em escolas públicas de Rio das Ostras e Macaé. Leia mais gerando renda para a comunidade Acreditamos que - além de que contar histórias de mulheres - podemos conecta-las. Falarmos sobre seus trabalhos, compartilharmos situações, momentos e, enfim, gerarmos renda. O mercado de trabalho segue difícil e podemos nos apoiar contratando trabalhos de mulheres da comunidade LGBT. Sendo assim, no nosso espaço de 'busca' você consegue pesquisar pela palavra-chave (o serviço que você precisa), ver qual profissional está à disposição, ler sua história e nos mandar uma mensagem. Nosso papel será te conectar diretamente com a profissional desejada! gerando renda para o projeto Manter o projeto não é tarefa fácil! Fazer viagens, pegar metrôs, ônibus, barcas... disponibilizar tempo e conseguir manter as contas pagas é um grande desafio. E como queremos documentar o maior número de casais possíveis, disponibilizamos o nosso PIX e aceitamos qualquer valor como quantia de doação! Você pode nos ajudar clicando aqui e fazendo a doação (qualquer valor!) de forma voluntária direto pelo aplicativo do seu banco! Colabore com a documentação histórica do amor entre mulheres! nossa loja tá no ar! chega pra cá ♥ Contato Natália e Bruna | Documentadas Bruna diz que ficou até surpresa quando a Natália contou o desejo de inscrever elas no Documentadas, brincou dizendo “Quem te viu, quem te vê, hein?!” porque no começo da relação, principalmente na primeira viagem que fizeram juntas, Natália tinha bastante receio até de pegar nas mãos em público… E agora quer mostrar ao mundo que o amor que vivem é lindo. Entendemos que esse medo é legítimo, assim como essa vontade de afirmação. Bruna completa: a história de amor delas também é a história de descoberta da Natália. Para Nat, o amor precisa ser por completo, ou seja, as pessoas merecem ser amadas como são. Se uma pessoa só te ama se você for heterossexual, ela não está te amando. Existe uma busca na perfeição do que criamos em cima dos outros, mas a verdade é que precisamos aceitar quem eles se tornam, quais profissões escolhem, a forma que entendem o amor, com quem se sentem bem ao relacionar, como vão compartilhar a vida… Isso tudo também é amar. Ela explica que a Bruna traz liberdade, foi um combo: a Bruna + a gatinha dela + o lar é o jeito que elas são felizes. Tudo fica nítido, é estampado a forma que se sentem confortáveis juntas. Não existe um julgamento dentro de casa. Quando uma relação existe e se fortifica é porque ali está o amor, assim enxerga Bruna. O amor a gente encontra na rotina, na construção das pequenas coisas, crescendo, cuidando, estando ali diariamente para se ajudar. Com a Natália foi a primeira vez que ela sentiu de forma plena o equilíbrio: ela pode se doar e vai receber de volta, é acolhedor. Natália, no momento da documentação, estava com 34 anos. Nasceu em Barra do Piraí, interior do Rio de Janeiro, mas foi ainda criança para Niterói e seguiu sua vida na cidade. É formada em jornalismo e fez transição de carreira recentemente, está estudando nutrição. Adora ver filmes, séries, ler e estudar o vegetarianismo e o veganismo. Atualmente, mora no Rio de Janeiro, junto à Bruna, e estão desbravando a cidade, conhecendo novos teatros, parques e outros lugares. No dia seguinte à nossa documentação elas iriam participar da primeira corrida juntas, pois estão focando em atividades físicas no momento. Bruna, no momento da documentação, estava com 36 anos. É natural do Rio de Janeiro, da zona oeste da cidade. Trabalha enquanto enfermeira e atua no ambiente corporativo, cuidando da saúde no trabalho. Além disso, faz trabalhos de marketing digital, adora a área do design e também está estudando tarot, que sempre foi um hobbie. No dia a dia, gosta de praticar exercícios dinâmicos (esportes em geral) e também curte dirigir, se sente calma quando dirige. Entre o réveillon de 2022 para 2023, durante a festa da virada de ano, Bruna e Natália se conheceram. Inicialmente não era nessa festa que Natália iria, ela e a amiga haviam comprado ingresso para outra, mas foi cancelada, então deram a opção de reembolso ou de transferência para uma festa que aconteceria na Barra da Tijuca. Elas, saindo de Niterói, acharam bem ruim a opção de ir para a Barra, mas com o valor do reembolso não conseguiriam comprar outra festa então toparam. Bruna, diferente delas, tinha macado com os amigos para ir na festa da Barra mesmo, sabia que era uma festa com um público muito hétero, que só iria ela e um amigo gay, mas topou ir porque queria se divertir. Logo que chegou, Bruna olhou para Natália. Elas não possuíam amigos em comum, estavam apenas próximas e trocaram olhares. Natália estava apenas com a amiga e percebeu os olhares, mas até então se entendia enquanto uma mulher héterossexual e achou estranho, até engraçado isso acontecendo… A festa seguiu e os olhares também. Bruna então comentou com o amigo sobre elas trocarem olhares e quando ele percebeu, disse que estava sim e a incentivou a ir falar com ela. Quando ela ia tomar iniciativa, um homem chegou até à Nat, e quando ela se livrou dele, Bruna não estava mais lá. Depois da meia noite se reencontraram porque o amigo da Bruna fez amizade com um grupo de meninos gays que a amiga da Natália também havia feito amizade, e assim elas se percebem neste grupo. Dançaram juntas, Bruna chegou rápido na Natália e ela indagou: “Que isso, não vai nem perguntar meu nome?” - então elas falaram os nomes e se beijaram. Natália já tinha ficado com uma menina antes, quando era adolescente, mas seus relacionamentos sempre haviam sido com homens. A festa foi acontecendo e elas não tiveram muitas interações, se encontraram novamente 6h da manhã quando tomaram café e a Bruna foi solicita ajudando a Nat a levar café da manhã para a amiga. Foi quando Nat perguntou como a Bruna se identificava e ela respondeu “Enquanto mulher lésbica, e você?” e ela disse que era bissexual. Ela não pensou muito, isso chegou muito naturalmente e pontual. No dia seguinte conversaram bastante e assistiram à posse do Lula juntas, de forma online. Na semana seguinte ao réveillon tiveram um encontro, se divertiram bastante e passaram a se encontrar com frequência. Ainda em janeiro viajaram juntas e na semana seguinte, dia 4 de fevereiro, começaram a namorar. Quando Bruna soube que Natália não havia ficado com mulheres antes, resolveu ir com mais calma, mas não adiantou, o namoro já estava encaminhado. Foram muitos meses no início da relação indo da zona oeste até Niterói, um caminho bastante longo, para se encontrar - ou melhor, a Bruna indo e voltando buscando a Natália para passar o final de semana na casa dela. Existia um receio muito grande de contar para a família da Nat, então tudo foi acontecendo aos poucos. Somente no começo de 2024, mais de um ano depois de se conhecerem, Nat se abriu para seus familiares. Desde então, não possui mais contato com a sua mãe. Por mais que os outros familiares ainda conversem e acompanhem (ainda que não queiram saber sobre o relacionamento) ela sente muito sobre, é muito triste ficar longe de uma das pessoas que mais ama. Entendem que eles terão seu próprio tempo para processar, assimilar e superar o preconceito, mas que nesse tempo elas não podem deixar de viver o amor mais bonito que já sentiram. Para Natália, o amor que vive com a Bruna é o sentimento mais bonito que já presenciou, que já viu acontecer… é respeitoso, é companheiro e não existe opinião que vá tirá-lo do caminho. Entende também que isso não apaga o que tanto ela, quanto a Bruna, já viveram em outros momentos da vida, em outras relações (que também já foram boas) ou em outras formas de viver, que isso tudo faz parte da construção de serem quem são, e que se esforçam muito para serem as melhores pessoas possíveis, mas que em nenhum momento sucumbirão à um pensamento preconceituoso. Então respeitam o tempo, por mais que doa muito, mas se permitem viver. Pela parte da família da Bruna, recebem muito suporte da mãe, que as trata com muito carinho e afeto. ↓ rolar para baixo ↓ Natália Bruna Ver todos Serviços (2) Juliana - Consulta Consulta Ver todos



