Espaço de Pesquisas
Oi! Este é um espaço do qual você pode pesquisar e encontrar histórias de mulheres que participaram do nosso projeto por todo o Brasil! Legal, né?
Pra usar, basta digitar no espaço de pesquisa alguma palavra-chave, por exemplo: alguma profissão, alguma cidade, algum tema...
É o nosso verdadeiro banco de dados - o primeiro, da história das mulheres que se relacionam afetivamente
com mulheres - e precisa ser valorizado! ♥
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- Quem faz o doc? | Documentadas
Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Vem participar você também! QUEM FAZ O DOCUMENTADAS ACONTECER? O Documentadas é o primeiro banco de registros sobre o amor entre mulheres. Suas histórias são acolhidas através da escuta e da fotografia - essas, feitas por mim, a Fernanda. Idealizei o projeto em 2020 e desenvolvo ele desde então. Sou fotógrafa, fotojornalista, artista e entusiasta a mudar as visões das pessoas sobre o mundo. O .doc, hoje, representa um banco de dados online, disponível para todas e quaisquer pessoas interessadas na proposta de conhecer mulheres que amam ou amaram outras mulheres na historiografia. Acredito que o Documentadas não é feito apenas por mim, mas por diversas pessoas que, ao longo dos meses, se dedicaram a doar um valor simbólico para que ele seguisse acontecendo e chegando em cada vez mais casais. Sem essas doações, o projeto jamais seguiria existindo. Portanto, reafirmo: o Documentadas é nosso. Um projeto vivo que segue em transformação. Com essas doações o projeto já chegou em mais de 310 mulheres e 10 estados brasileiros. São as colaboradoras e os colaboradores: Adriana Bueno Valente Alana Laiz Alana Palma Pereira Alessandra Orgando Alessandro dos Santos Alice Cordeiro Alice Sbeghen Tavares Aline Vargas Escobar Allana Fraga Gonçalves Botelho Alyce Carolyne Porto Leal Amanda Fleming Batista Amanda Garcez Amanda Moura Ana Carolina Araujo Soares Ana Carolina Costa da Silva Pinheiro Ana Carolina Cotta Ana Carolina de Lima Ana Carolina de Souza Santos Ana Cecília Resemini Esteves Ana Clara Bento Ruas Ana Clara Piccolo Ana Clara Tavares Ana Flávia Pereira Ana Júlia Cardoso Daer Ana Milene Ana Parreiras Ana Paula Boso Ana Paula Costa Roncálio Ândria Seelig Ane Salazar de Aguiar Anelise Seren Angela Lacerda Anne de Araújo Baliza Anne Mathias Antônia Magno Aria Maria Mendes de Carvalho Augusto Pellizzaro Barbara Fadini Bárbara Fernandes Vieira Dias Beatriz Costa Nogueira Bianca de Souza Rodrigues Francisco Bianca dos Santos Zrycki Bianca Hamad Choma Bibiana Nodari Borges Brenda Eduarda Bruna Dantas Bruna Lourenco Reis Bruna Miranda do Amaral Camila Fernanda da Silva Camila Lobo Camila Monteiro de Oliveira Camila Nishimoto Camila Pereira Silva Camila Petro Camila Santiago Camilla Borges da Costa e Mello Caren Laurindo Carla Correa Carla Murielli Vieira Crispim Carolina Pasin Carolina Peres Caroline Barbosa Rodrigues Caroline Brum Caroline Corrêa Cecilia Couto Cecília Vieira de Paiva Cindy Lima Clara Campos Martins Clara Silva Claudio Daniel Tenório de Barros Cleiciane da Silva Figueiredo Cleiciane Figueiredo Cleicy Guião Cristiane Becker Damares Mendes Rosa Dandara Gonçalves Daniela Maldonado Daniele Silva Caitano Débora Queiroz Denize Dagostim Denyse Filgueiras de Alencar Diego Tomasi Dom Bittencourt Edilene Maria da Silva Elins Daiane Valenca Elis Lua Elisa Tenchini Elisabete Pereira Lopes Ellen Melo Santos Emanuelly Alves dos Santos Emily Blanco Fagundes Estela Caroline Freitas Evelyn Pereira Fabi de Aragão Fabiana Aparecida Peres Felicia Miranda Fernanda B Cardoso Fernanda Carrard Belome Fernanda Cristina Fiore Lessa Fernanda Frota Correia Fernanda Gomes Bergami Fernanda Lopes Fernanda Marques dos Santos Fernanda Uchida Francini Rodrigues da Silva Fredy Alencar Peres Colombini Gabriel Py Gabriela Biazini Talamonte Gabriela Fleck Gabriela Mancini Mainardes Gabriela Montenegro Gabrielle Schmidt Barbosa Gabrielle Secco Sampaio Geovana Maria de Lima Gomes Gilian Rodrigues Ventura Gisele Basquiroto Giulia Baptista Gizelle Cruz Glauciene Nunes Gloria La Falce Glória Lafalce Graciliene Nunes Guacira Fraga dos Santos Hailla Sianny Krulicoski Souza Sena Heloisa Silva Neves Henrique Standt Iana Aguiar Iana Oliveira da Silva Iasmim de Oliveira Isabela Arantes Costa Isabela Cananéa Isabela Damasceno Isabela Pereira Silveira Isabella Acerbi Isabella Bueno Isabella Milena Nascimento da Cunha Isabelle Rocha Nobre Isabelle Rosa Furtado Pereira Izadora Emanuelle Maizonetti Jady Marques Jamyle Rocha Silva Janaina Calu Janaina Dutra Janaina Monteiro Jéssica Bett Jéssica Brandelero Jéssica de Almeida Fernandes Jéssica Dornellas Jéssica Gladzik Jessica Rosa Trindade Jessica Soares Garcia Jéssica Spricigo Joana Cardoso Jose Schwengber Joyce Marinho Jucineia Beatriz Julia Alves Pinheiro Julia Barros Julia Caetano Julia Câmara Julia de Castro Barbosa Julia Marques Tomaz Julia Oliveira Silveira Júlia Rodrigues Júlia Silveira Barbosa Juliana Figueiredo Juliana Poncioni Juliana Scotti Juliane Gomes Kamilla Siciliano Vargas Kamylla Cristina Santos Karine Veras Karoline Camargo Rocha Karoline Camargo Rodrigues Katia Alves de Melo Laira Rocha Tenca Laís Tiburcio Lara Beatriz Nascimento Larissa Sayuri Laura Luiza Rodrigues Nogueira Laura Serpa Palomero Layssa Belfort Letícia Alves Morais Santos Letícia Moreira das Neves Letícia Ribeiro Caetano Letícia Rocha Lia Tostes Liane Mendes Lilian Dina Linnesh Rossy Lorena Vidal Louise dos Santos Martins Louise Valiengo Luana Corrêa Tourino Luana de Lima Marques Luana Moreira Luana Ramalho Martins Luana Riboura Luciana de Sousa Santos Luciana Isabelle Luciana Patrício Luisa Rabelo Cruz Luiza Chaim Luiza Eduarda dos Santos Luíza Vieira Luiza Vieira Moura Maiara Scheila Freitas Santos Maíra de Oliveira Sampaio Maíra Godoy de Carvalho Manuela Almeida Seidel Manuela Teteo Natal Maria Clara Pimentel ATÉ AGORA, 317 PESSOAS JÁ COLABORARAM Maria de Fátima Piccolo Maria Gabriela Medina Maria Gabriela Schwengber Maria Geyze Andrade Barbosa Monteiro Maria Vitoria Candiotto Mariah de Faria Barbosa Mariana Coutinho Mariana Ferreira Dias Mariana Gomes Mariana Gomes dos Santos Mariana Matias de Sousa Mariana Souza Pão Mariane Mendes Lima Marianna Novaes Martins Marília Alves Marina da Silva Maristela Valdivino dos Santos Maurício Oliveira Mayara de Souza Santos da Silva Melissa de Miranda Mérope Messias Miguel Angel Milena Abdala Milena dos Santos Ferreira Milena Pitombo Monique Barbosa Costa Monique Silva de Figueiredo Moreira Natali Alves Lima Natalia Correa Montagner Natalia da Silva Brunelli Natalia Kleinsorgen Natasha Torres G Morgado Nathalia Nascimento Nathalia Silva Nascimento Neuza Ferreira Rodrigues Paloma Gomes da Silva Paula C Vital Mattos Paula Silveira Petra Herdy Pollyana Carvalhaes Ribeiro Priscila Ribeiro Priscilla Bitinia de Araujo Amorim Rafael da Silva Pereira Rafaela de Carvalho Marques Raquel Dantas Rayanne Cristina Nunes Moraes Rayssa Padilha Rebeca Fortunato Santos Ferreira Rebecca Pedroso Monteiro Rebecca S Morgado Bianchini Rejane Rodrigues Renata Canini Renata Del Vecchio Gessullo Renata Martho Renata Santos Lima Maiato Renata Silveira Vidal Reybilis Ismaryen Blanco Espin Roberta Teodoro de Oliveira Barbosa Sabrina Alves de Santana Samantha Moretti Sâmela Amorim Aquino Santiago Figueroa Sarah Nadyne de Codes Oliveira Sharon Werblowsky Simone Ambrósio Sofia Amarante Sofia Conchester Sophia Chueke Stephanie Estrella Taciane Duarte Dias Taina Fernanda Moraes Taina Oliveira Talita Marques Talyta Mendonça Tamiris Ciríaco Társila Elbert Tayami Fonseca Franca Tayana Costa Tercianne de Melo Ferreira Thabatta Alexandra Possamai Thais Agda Rodrigues da Cruz Primo Thais Cristine V Souza Thaissa Mezzari Thatiely Laisse de Queiroz Silva Thayanne Ernesto Thaysmara de S. Araújo Triscya Tamara Lima de Souza Ramos Ursula Inara Mayca Vanessa Pirineti Vania da Silva Victoria Bandeira Moreira Victoria Catharina Dedavid Ferreira Victoria Maciel Farias Victoria Mendonça Vitória Maria de Oliveira Vivian Franco Viviane Lafene Viviane Lima Viviane Otelinger Viviane Rangel Wanessa Gomes Wanessa Oliveira Weila Oliveira Noronha Yasmin da Cunha Martins Yasmin de Freitas Dias FAÇA PARTE DESSA HISTÓRIA. DOE ATRAVÉS DO NOSSO PIX: FERNANDA@DOCUMENTADAS.COM Fernanda Piccolo Huggentobler - Idealizadora
- Camila e Lian | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Camila Marins estava com 41 anos no momento da documentação. É jornalista, mestra em políticas públicas e em direitos humanos. Sua trajetória é profundamente marcada pelo trabalho e pela militância. É idealizadora do projeto de lei Luana Barbosa, voltado ao enfrentamento do lesbocídio, e do projeto de lei Cassandra Rios, que propõe fomento à comunicação e à produção editorial lésbica, disputando orçamento público e articulando legislações para a população lésbica no Brasil. Integra a Rede Nacional de Proteção de Jornalistas e Comunicadores Populares, ligada ao Instituto Vladimir Herzog e é diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro. Camila é natural de Santa Rita do Sapucaí, interior de Minas Gerais. Boa parte da infância foi dividida entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Já adulta, foi para Campinas estudar jornalismo, trabalhou como assessora da vereadora mais jovem eleita pelo PSOL na cidade, até que em 2009 participou da Brigada de Solidariedade a Cuba, experiência que a conectou à uma oportunidade profissional no Rio, para onde se mudou em 2010. Desde então, constrói atuação política em movimentos, partidos e articulações, principalmente voltadas para as pautas das mulheres. Lian estava com 43 anos no momento da documentação, nasceu em Goiânia e vive no Rio de Janeiro há duas décadas. Mudou-se para cursar mestrado em comunicação social, tornou-se doutora na área e atualmente também trabalha enquanto atriz, escritora e criou o podcast “Maternidade de Guerrilha”. É mãe da Paz, que está com sete anos no momento. Lian se define como solar: gosta do dia, do sol, da água e do ar livre. Ama trilhas, viagens, leitura, palavras cruzadas e atividades lúdicas… está sempre disposta à brincar, imaginar e criar. Juntas, compartilham o gosto pelas palavras e pelos jogos. É nas cruzadinhas que se encontram, como quem cultiva linguagem e cumplicidade. Entre militância, arte, maternidade e imaginação, constroem uma vida atravessada por política e por brincadeiras, onde o compromisso coletivo e o prazer do cotidiano caminham juntos. Camila e Lian já se conheciam de vista dos encontros do coletivo Slam das Minas, em parceria com a Brejeiras. Lian é envolvida no Slam, Camila representava a Brejeiras, mas nunca haviam conversado diretamente. Foi perto do aniversário de Camila que o primeiro passo foi dado: ela publicou nos stories do Instagram um convite da festa que iria acontecer e recebeu a resposta de Lian: “Taurines, as melhores pessoas”. As duas fazem aniversário com cinco dias de diferença. E o comentário virou convite: para a festa e para um almoço despretensioso. Mas ainda existia a dúvida: era um almoço para começar uma amizade ou era um date? Lian suspeitou do date, topou. No bar, o nervosismo delas tomou conta. Camila derrubou água, ri contando: estava apavorada. Lian mergulhou em conversas profundas sobre traumas familiares e experiências com ayahuasca, depois ficou temendo ter assustado Camila com tantos papos. Nenhuma das duas teve coragem de uma iniciativa de beijo, estava tudo meio confuso dentro de si. Dias depois, foi o aniversário da Camila, ela comemorou em um bar em Santa Teresa com muitas amigas, uma grande festa. Lian foi, era próximo da sua casa e decidiu passar por lá. Encontrou amigas em comum, celebrou, e foi naquele dia, em 2024, que elas se beijaram pela primeira vez: como as duas, um amor taurino - intenso e teimoso - começou. Mais tarde, conversando com calma, perceberam que o primeiro encontro esteve cheio de sinais: olhares, pausas, expectativas. O nervosismo, os traumas e a timidez impediram que enxergassem. Foi quando deram uma segunda chance no aniversário. Hoje entendem que o beijo não foi só impulso, foi coragem. Depois do primeiro beijo, os encontros se tornaram frequentes. Houveram cafés da manhã, Camila conheceu a Paz, filha da Lian, que na época estava com cinco anos (uma diferença enorme para os sete anos que está hoje). Vieram os cinemas, as visitas em casa, a convivência que foi se tornando natural. Ainda assim, pairava a dúvida silenciosa: era namoro ou não? No Dia dos Namorados, Camila convidou para passarem juntas assistindo um filme com a Paz, e fez a pergunta “Quer namorar comigo?”. Para Lian, era uma formalização do que já existiam, na cabeça dela elas já namoravam. Tempos depois, com a presença da Camila em casa, Lian conta de um episódio durante a sessão de terapia que estava falando sobre o relacionamento a Paz escutou. Depois ela perguntou: “A Camila é sua namorada? Uma menina?”. A Paz sempre conviveu com pessoas LGBTs, a confusão era em torno de organizar essas referências e entender que sua mãe também poderia namorar uma mulher. A questão mais difícil não foi o namoro com uma mulher, mas o ciúme em relação à mãe. Paz sempre demonstrou forte vínculo e proteção, recusando demonstrações de afeto que a excluíssem. Houveram momentos intensos, declarados com honestidade infantil: “Eu odeio a Camila, mas eu amo a Camila!”. A resposta nunca foi repressão, mas validação, afinal, as emoções são confusas mesmo e elas podem coexistir, não estão erradas, assim como Paz está descobrindo elas agora, não é fácil lidar. Hoje, ela acredita que o ciúme não desapareceu, mas se transformou. Paz consegue dizer quando sente as coisas - sejam boas ou ruins. Não há sentimentos proibidos, apenas sentimentos a serem compreendidos. E, sobretudo, ao invés de exigir racionalização precoce, há escuta. Talvez o maior aprendizado seja esse: permitir sentir antes de explicar. Afinal, até nós, adultas, ainda tentamos entender o que sentimos. Camila entende que o amor mora nos detalhes: na forma como Lian fala, no gesto de dividir uma comida gostosa, na semelhança que se revela quando leem juntas ou disputam palavras cruzadas. Foi assim desde o começo: sente que algo se assentou. Elas são competitivas, curiosas, gostam de trocar ideias sobre o que estão lendo, de descobrir coisas novas. O amor, para Camila, vive nesses instantes compartilhados. Lian nunca teve o hábito de beber e sempre se sentiu deslocada diante de uma vida adulta que parece girar em torno de bares e álcool. É diurna, prefere trilhas, cachoeiras, livros, jogos, imaginação, fantasia. Gosta de estar ao ar livre, de brincar, de criar. Por muito tempo, sentiu-se excluída por não caber nesse roteiro social. Com Camila, encontrou acolhimento: alguém que abraça quem ela é, que topa jogar, conversar, estar inteira. Há ainda a maternidade, a guarda alternada, os ciúmes e os atravessamentos próprios de quem constrói uma relação com uma criança no centro. Tudo é processual, conversado, escutado: entre elas, existe a possibilidade de falar de traumas, de histórico de vida, de medos e fragilidades com profundidade. Há uma busca compartilhada por presença: Lian sente a necessidade que a pessoa esteja ali de fato, aproveitando o momento, sem distrações. Camila, inclusive, reconhece que o relacionamento foi decisivo para retomar sua saúde: parar de beber foi um dos passos mais importantes da sua vida. As conversas sobre neuroplasticidade e psicodélicos, iniciadas ainda no primeiro encontro, também abriram caminhos de transformação e cuidado que impactaram sua forma de estar no mundo. Além disso, a convivência trouxe mudanças concretas: viver mais o dia, ao ar livre na natureza, fez com que o sedentarismo desse lugar ao movimento. O amor entre elas tornou-se uma prática cotidiana de cuidado, visando sempre a escolha do crescimento. ↓ rolar para baixo ↓ Lian Camila
- Vanessa e Bruna | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. O primeiro beijo que a Vanessa deu em uma mulher foi com a Bruna, quando ainda eram pré-adolescentes, descobrindo seu corpo e todos esses novos sentimentos. Eram vizinhas num bairro afastado do centro, em Criciúma - Santa Catarina. Com o tempo, Vanessa sabia que estava se apaixonando por Bruna, sempre admirou ela e eram bastante amigas, participavam muito da vida da outra, mas não chegaram a viver um romance. Hoje em dia, completando oito anos juntas, contam que são mais de vinte anos de amizade. Entendem que Vanessa tinha uma vida na igreja, enquanto Bruna era muito mais independente, os cenários eram outros, não estavam preparadas para ter um relacionamento amoroso, mas adoravam ser amigas e existia uma mútua admiração muito grande. Contam, rindo, que todos os relacionamentos da Bruna duravam dois anos. Quando começaram, a mãe da Bruna olhou para a Vanessa e falou: “Ih, dois anos, hein?! Dois anos!”. Depois desse tempo, a mãe retornou: “Tu me quebrou, hein?! Durou mais de dois anos!”. Sempre mantiveram a conversa e acreditam que isso é o que faz a relação ser tão forte. Vanessa entende que Bruna é a pessoa que acredita nela. Pegou pela mão e atravessou tudo o que foi preciso ao seu lado. No começo terminaram dez vezes (como é citado no decorrer desse texto) e ela poderia ter desistido em alguma dessas vezes, ou poderia ter desistido nos tantos preconceitos que enfrentaram. Considera, inclusive, que ela já tinha passado por isso, já vivia sua vida, era independente, mas voltou atrás, deu as mãos e começou novamente o caminho. Admiram, juntas, essa construção, a relação e tudo o que foi vivido (com momentos difíceis mas também com muitas risadas e coisas boas misturadas). Vanessa repete inúmeras vezes a admiração pela Bruna, o quanto ela é uma pessoa disposta a ajudar e finaliza com o quanto essa ajuda fez ela evoluir sendo um ser humano melhor. Juntas, elas não chegam nem perto de enxergar a relação enquanto algo descartável, se doam o máximo que podem, criaram algo fortalecido, sólido, unido. Vanessa, no momento da documentação, estava com 32 anos. É arquiteta e trabalha com reformas residenciais/prediais de forma autônoma (tá procurando uma arquiteta?! chama ela!). É natural de Criciúma, Santa Catarina. Adora praticar esportes, se movimentar, conhecer pessoas, viajar e tocar bateria. Bruna, no momento da documentação, estava com 31 anos. Trabalha enquanto personal organizer e como consultora/organizadora financeira. É natural de Porto Alegre, mas mora em Criciúma desde a infância. Comenta que não é tão sociável quanto a Vanessa, gosta mesmo de ficar em casa com o Potter, o golden, filho-pet delas, curtindo o lar e cuidando da casa. A história delas começou aproximadamente em 2003, eram vizinhas de bairro. Por incrível que pareça, era o contrário: Vanessa não era sociável, gostava de ficar no quarto assistindo clipes da MTV, com uma vassoura fingindo ser a guitarra, se imaginando numa banda de rock, enquanto as crianças brincavam na rua. Foi um dia depois da festa de aniversário de um ano do seu irmão que ela conheceu a Bruna, que adorava bebês/crianças e frequentava sua casa para vê-lo. Mesmo sendo muito jovens, Vanessa conta que já sabia que a Bruna era lésbica, rolava uma identificação, enquanto a irmã da Bruna comentava com ela em casa: “Aquela nossa vizinha ali é ‘também’”. Bruna conta que quando beijou a primeira menina, foi para a mãe da Vanessa que ela contou, já que vivia lá. Ela reagiu dizendo que a amava muito, mas que não queria mais ela frequentando sua casa. Vanessa também sofreu um pouco quando assumiu sua sexualidade, mas tudo foi mudando com conversas e hoje em dia elas têm uma relação familiar muito legal. O mesmo com a Bruna, que voltou a frequentar a casa, até mesmo naquela época - quando a Vanessa começou a namorar uma menina escondida, foi para a Bruna que a mãe foi tirar dúvidas, inclusive. Hoje, a relação da mãe com as duas é muito boa. Depois do primeiro beijo e de seguirem amigas, a amizade continuou pela adolescência e a vida adulta. Em vários momentos elas conversavam e entendiam que tinham sentimento uma pela outra. Foram vários desencontros. Houveram outros namoros, nos términos conversavam. Em 2016, Vanessa passou por um término e estava muito desesperançosa sobre as relações, conversou com a Bruna e nesse momento Bruna resolveu colocar um ponto final (ou, o contrário): Você decide > ou ficamos juntas agora ou não ficamos mais. Mesmo com tantos anos de amizade, o primeiro ano de relacionamento foi o mais difícil. A Bruna vivia de forma independente, assumida, era organizada com suas demandas e finanças, enquanto Vanessa vivia o contrário. Em um ano passaram por dez términos, praticamente todos os meses terminaram. Explicam que não havia medo ou arrependimento de terem estragado a amizade, de qualquer forma entendiam que queriam estar juntas, mas era uma realidade nova cheia de desafios, não queriam mentir para a família. Depois de passar por isso, conseguiram engatar, enfrentar o preconceito familiar - foram quatro anos “amolecendo” - nas palavras delas - o preconceito. Agora, verbalizando a história, é muito mais fácil olhar tudo o que já passou. Antes de morarem juntas no lar onde estão, Bruna passou por dois assaltos em suas casas, um deles no começo da pandemia, e acreditam que os bandidos focaram em assaltar a casa por serem duas mulheres vivendo nela. Foram experiências traumatizantes e a Vanessa foi essencial em fazer companhia e ajudar nesse processo, foi quando elas decidiram morar juntas em um apartamento. Nesse processo, chegaram a morar com a mãe da Bruna, na casa da adolescência onde tudo começou, no bairro que se conheceram, até encontrarem o apartamento onde estão hoje. Todo o processo, mesmo que ainda caótico no contexto de pandemia, foi essencial para enfrentarem a família da Vanessa e serem reconhecidas também enquanto família, dividirem seu próprio lar. Faz apenas dois anos que estão no apartamento. É muito interessante entender o trajeto, pensar o quanto foi uma saga chegar até aqui e talvez por isso gostem tanto dessa casa, valorizam ela. É, literalmente, o lar. É o lugar. Brincam que o interfone toca e demoram para atender porque querem ficar igual um bichinho na toca. Potter, o cachorro simpático que nos acompanhou o tempo todo durante a conversa - a não ser uns breves segundos de pausa para fofocar na janela - surgiu através do sonho da Bruna, que era ter um golden. Ela falava muito sobre isso, por mais que não pensasse em nada para além disso, sobre todo o trabalho e o espaço que precisaria administrar, queria ter. Um dia estavam no mercado (ela, Vanessa e um amigo), ela recebeu o salário, passou numa vitrine e viu um golden. Vanessa falou: “Compra”. Assim, chegou o Potter. Ela e Vanessa estavam completando um ano juntas. No momento da documentação, Potter estava enfrentando um câncer, então elas estão em um momento de muita luta, cuidado e amor. Conversamos muito sobre como eles (os animais em geral, o Potter e elas enquanto família) merecem o melhor até o último segundo, porque no fim, este é o verdadeiro sentido. Por mais que o câncer nos traga o sentimento do luto previamente e não paramos para pensar sobre isso em vida, antes de sabermos sobre uma doença que pode ser terminal, a vida (e a morte) nos servem o tempo todo para lembrar que temos uns aos outros e a oportunidade de compartilhar coisas boas, amor e afeto. [O .doc deseja que o Potter tenha muito carinho, petiscos e brincadeiras e que elas tenham todo o amor. ♥] Bruna explica que sente algumas dificuldades nas demonstrações de amor e/ou no entendimento do amor em si. Ela sente que ama a Vanessa, que ama o sobrinho dela… mas sente muito medo da perda e que isso se entrelaça com o medo de amar: se eu te amo, em algum momento irei te perder, então prefiro não amar para não perder. Está em processo de entendimento sobre tudo isso. Parte desse entendimento, é perceber que ela demonstra seu amor nos atos de serviço, se doa para quem ama. Vanessa sente o amor na confiança. Para ela, é fácil confiar, fazer amizades. Nasceu em um lar com muito amor, que demonstrou muito e entende que essas relações refletem na cultura dela hoje. Demonstra amor na presença, na escuta… e também no quanto se doa. Quando conversamos sobre a cidade em que elas vivem e sobre a cultura de Criciúma, elas comentam sobre a falta de inclusão que existe. Não se sentem representadas na grande maioria dos espaços. Vanessa explica que na arquitetura (sua profissão) se fala muito sobre a ocupação dos espaços - e deseja isso para a cidade. Ocupar os espaços com corpos como os nossos, corpos que demonstram diversidade e vida. Hoje em dia, elas sentem medo de andar de mãos dadas, medo das reações que as pessoas podem ter. Tentam frequentar as capitais quando querem opções de divertimento e lazer “alternativos”. Entendem que Criciúma não é uma cidade pequena, que ali tem muita coisa acontecendo, mas que a mentalidade ainda está muito pequena e que o pensamento em maioria é: “Incomodados que se mudem” - e isso não está certo. Por fim, Bruna sempre quis ser mãe. Foi por conta do irmão, ainda neném, que elas se conheceram, Bruna ama crianças e querem investir na fertilização. Hoje em dia criaram um grupo de amigas, onde um casal tem um bebê, e há uma rede de apoio muito legal. Ficam felizes em acompanhar essa evolução, ver o crescimento de todas, observar os processos e as vivências. E desejam crescer juntas. ↓ rolar para baixo ↓ Bruna Vanessa
- Ste e Jaque | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Stefannie e Jaqueline são naturais de Belém do Pará, trabalham como terapeutas ocupacionais - Jaque num hospital cardiológico, sendo especialista em cardiologia, Ste no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), sendo mestre em terapia ocupacional. Jaque adora uma vida mais caseira, curtindo o lar, assistindo séries e lendo. Está começando a gostar de viajar agora, nunca foi de passar muito tempo fora de casa. A primeira viagem que fizeram juntas foi para Mosqueiro (lugar que fizemos a documentação acontecer) e que no começo da relação foi um grande refúgio para elas - era um lugar que iam e se sentiam bem. Mosqueiro não era só uma viagem, se tornou parte da relação que construíram. Lá passavam o fim de semana com os primos da Jaque, comemoravam os aniversários, encontravam os amigos em comum, ocupavam uma casa da família e sentiam que poderiam ser quem são sem medo ou julgamento. Até hoje Mosqueiro é referência de um lugar feliz - seja nas festas de verão, na praia de água doce ou nas lembranças boas do início da relação. Foi na faculdade que Jaque e Stefannie se conheceram. Jaque entrou um pouco antes e recepcionou a turma de Ste, em 2011. Não ficaram muito próximas de início, foi aos poucos e principalmente frequentando o Centro Acadêmico que passaram mais tempo juntas. Em 2015 ficavam o dia todo na faculdade e conviviam muito, no mesmo grupo de amigos. Foi aí que a UFPA se tornou uma segunda casa. Jaque nunca havia se relacionado com mulheres, Ste brinca sobre o quanto precisou se esforçar para que ela desse uma chance para viver esse amor. Jaque complementa: na verdade, desde 2012 ela já notava Ste… mas nunca pareceu uma possibilidade, então ignoraram os sentimentos e seguiram a vida. Em 2015 começaram de fato o envolvimento e lembram com muita saudade de como era bom passar o dia na universidade. Nessa época, Ste tinha o desejo de sair de Belém quando finalizasse a faculdade, fazia muitos planos… Sua família já sabia sobre o relacionamento, enquanto Jaque ainda não havia contado, mas levava Ste para todos os eventos familiares enquanto amiga - seja aniversários, Natal, ano novo… Era como se já soubessem, só não falavam sobre. Quando finalizou a faculdade, Ste decidiu cumprir os planos que fazia há tantos anos de sair de Belém e passou para uma residência acadêmica no Maranhão. Como o namoro com Jaque já estava caminhando há mais de um ano, foi um passo importante não só pela distância que se inseriram, mas pela maturidade que foram construindo nessa mudança. Como não era tão longe, se encontravam com certa frequência, Jaque viajava sozinha até o Maranhão, Ste construiu um lar tendo sua independência pela primeira vez… e viveram dois anos a relação dessa forma. Em 2020, prestes a completar 5 anos de relação (e um pouco antes da pandemia de Covid-19 começar), Ste conversou com Jaque sobre a vontade de voltar à Belém, porém com uma condição: que a vida delas fosse diferente. Já amadureceram com o passar dos anos, era o momento de caminhar com os próprios pés, assumir o que viviam para a família de Jaque, ter seu próprio lar, não viver com tanto receio. O maior medo da Jaque era a reação de seus avós, porque sua irmã já sabia e apoiava, seus pais conviviam com ela e com a Ste então não seria uma grande surpresa… Acabou que seu pai ajudou a contar para os avós, no começo foi delicado, mas como a convivência era muito grande e o namoro já durava cinco anos, tudo foi amenizando com o passar dos dias. Como a pandemia de Covid-19 aconteceu logo que Stefannie chegou, os planos de ficarem juntas logo de início não deram certo. Foi como se continuassem numa relação à distância, principalmente por Jaque trabalhar no hospital e não poder ter contato com ninguém. Passaram meses sem se encontrar, depois se encontravam e ficavam distantes de novo… e assim discorreu o ano de 2020. No fim do ano, Ste conseguiu um trabalho em São Miguel do Guamá, interior do estado do Pará, e precisou se mudar, dando seguimento ao relacionamento à distância, então mais uma vez os planos de morar juntas foram adiados. São Miguel do Guamá é relativamente próximo de Belém (há cerca de 3h) e Stefannie já dirigia na época, então sempre que podia voltava para matar as saudades da Jaque e dos seus familiares. Por mais que tenha surgido esse novo trabalho, elas sempre planejavam: “Assim que eu voltar de São Miguel, a gente vai morar junto!”. Quando terminou o período de trabalho, um ano depois, e ela realmente voltou para Belém e antes mesmo de planejarem se ficariam na cidade ou se mudariam para uma capital maior, Jaque recebeu uma proposta de continuar trabalhando no hospital em um bom cargo e foi então que decidiram seguir na região. Começaram a procurar apartamentos, casas… e em 2022, com 7 anos de relacionamento, compraram uma casa em Ananindeua, cidade vizinha de Belém. Ficam felizes em ver como tudo caminhou, ainda que pareceu demorar muito, refletiu como o relacionamento é: calmo, com muita estabilidade. Elas prezam por isso, não querem uma montanha-russa, respeitam seus espaços, seus jeitos… quando uma quer ficar quieta, ou quando a outra quer viajar… sentem que isso é se dar bem. Desejam a companhia, desejam compartilhar a vida, mas entendem todos os limites da individualidade. Em 2024 se casaram oficialmente. Contam que foi “do nada”, Jaque estava no hospital e recebeu uma mensagem da Ste falando “E se a gente fizesse um casamento?”... Só soube responder “Me diga valores”. E dou um spoiler pra vocês: ela disse um valor que obviamente deu errado, mas deu certo também, porque Jaque topou e isso que importa. Em seis meses realizaram uma festa incrível - e em seis meses viveram por essa festa. Sentem a certeza de estarem juntas, que esse é o caminho, que estão no lugar certo e usam a palavra: decisão. É a decisão de estarem juntas, Ste até fala para a Jaque durante a documentação: “A gente é muito decisão mesmo, né?!” e conta que o próximo passo é formar uma família, seguir o caminho da fertilização. Ste comenta como é forte a conexão que possuem e que às vezes uma escuta o que a outra pensa, Jaque ri e completa que pede: “As vezes a gente fala assim: Eu posso ter o meu próprio pensamento? Porque a gente pensa a mesma coisa, fala a mesma coisa. E é muito engraçado, é confortável”. É um amor que tem o desejo, a paixão e o companheirismo, há dez anos construindo e sabendo que ainda há muito a se construir. ↓ rolar para baixo ↓ Jaqueline Stefannie
- Yulli e Nadine | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Yulli foi mãe muito nova então por muitos anos pensou que se ela era mãe, ela era hétero. Passou por um processo diferente onde foi entendendo sua liberdade, individualidade e possibilidade de amar outras mulheres… Conheceu Nadine num momento muito bom, onde já conseguia falar abertamente sobre aceitação - de amar outras mulheres e de amar a si mesma. Foi um momento em que estava aberta a viver um amor tranquilo. Estavam em um bloco carnavalesco bastante conhecido em Porto Alegre, o Bloco da Laje, em 2024. O evento estava no fim, foi na fila do banheiro químico. Nadine sempre amou o Bloco, enquanto Yulli ia pela primeira vez, com um grupo de amigas professoras. Antes de ir embora, Nadine foi ao banheiro e ouviu o grupo de amigas da Yulli falando que eram professoras e interagiu, por ser professora também. Entre aquela fila, o clima de carnaval e toda festa ao redor, elas se olharam e arrumaram uma forma de conversar. Foi quando Nadine perguntou a profissão da Yulli, ela disse que era professora também, lançou uma cantada e elas se beijaram. Trocaram Instagram, seguiram a festa. Aos poucos, interagiram com algumas curtidas no Instagram, puxaram alguns assuntos sobre política e marcaram de sair na semana seguinte. Não sabiam muito o que esperar desse encontro, poderiam se dar bem… mas também poderia ser algo completamente aleatório. Não se conheciam, não tinham amigos em comum ou sabiam os gostos. Só sabiam a opinião política, que trabalhavam na área da educação e que gostavam de músicas semelhantes - pelo o que viram nas redes sociais. Quando conversaram sentiram que tinham muitos pensamentos semelhantes, Yulli resume: “Eu pensei assim... Meu Deus, você conhece isso? Como assim? E aí... Nosso encontro... Foi muito bom”. Seguiram se encontrando. No segundo encontro, dias depois do primeiro, conversaram até às cinco da manhã num bar. Continuaram se vendo com frequência, mas Nadine garante que desde o segundo dia já estava apaixonada. Até verbalizou isso um dia para Yulli. Cerca de duas semanas depois, marcaram um encontro na Casa de Cultura Mario Quintana (local em que fizemos a documentação acontecer) para assistirem um filme no cinema, mas o filme foi péssimo, não entenderam nada, então decidiram sair e beber alguma coisa. Naquele dia foram ao mercado depois de beber, compraram coisas, montaram um jantar, dormiram juntas e pela primeira vez tiveram a experiência de ter um contato enquanto um casal. Acordarem, Nadine foi trabalhar, viveram o dia… Depois disso algo despertou sobre a vontade de viverem a relação, se conhecerem e estabelecerem essa intimidade maior. Num final de semana pouco tempo depois desse dia, estavam num bar com uma amiga da Yulli e enquanto Nadine foi ao banheiro, Yulli comentou: “Se der tudo certo em mais um mês, eu vou pedir ela em namoro”. Mal sabia ela que, ao voltar do banheiro, Nadine faria o pedido. Ela decidiu que estava sendo tão legal, tranquilo, que poderiam começar a namorar. Com pouco tempo desde o início do relacionamento, aconteceram as enchentes em Porto Alegre e a família da Yulli morava em um ponto muito vulnerável que foi tomado pelas águas. Nadine foi muito importante indo até a casa da irmã de Yulli, ajudando a limpar e estando presente. Nadine morava em Canoas, cidade que também foi muito afetada pelas enchentes, mas sempre fez questão de ajudar a família da Yulli. Em alguns momentos o trajeto que faziam em 15 minutos de carro chegou a demorar três horas. Reforçam como foi importante todo o tempo que passaram juntas, porque estavam muito vulneráveis não só pelo momento em si que era um momento doloroso, inseguro, mas pela falta d’água, por ver a família e os amigos em situações delicadas, por ter que ficar dentro de casa muitas vezes isoladas… No momento mais difícil a saída que arranjaram foi ir para o litoral, como boa parte da população, principalmente pela falta de água e luz. No meio de toda a dor, Yulli passou por um luto, Nadine foi grande suporte para que ela tivesse acolhimento e ajuda nos cuidados com os filhos. Nesse momento da documentação, inclusive, perguntei sobre a adaptação com os meninos. Como era o início da relação, como foi a apresentação de Nadine para os filhos de Yulli e como é a convivência hoje, visto que moram juntos. Nadine contou que nunca havia se relacionado com alguém que tivesse filhos, mas nunca foi um empecilho, sempre quis vivenciar isso. Eles demoraram dois meses para conhecê-la, mas ela usou uma tática que foi: levar seu cachorrinho, o Joaquim, já que criança adora bichos, assim já conquistaria eles de cara, e marcaram de passear no parque. Deu certo. O mais velho, Pedro, é mais observador, mas o Fernando é conversador e foi tranquilo. Foram construindo a relação e aos poucos surgiram as falas “O Fernando perguntou de ti…” “O Pedro perguntou de ti…”. Agora brincam muito juntos e Nadine adora a forma que foi recebida. Eles nunca nem cogitaram questionar o fato da mãe estar se relacionando com outra mulher. Yulli estava com 31 anos no momento da documentação, é professora e trabalha com alfabetização, ama sua profissão e é muito feliz nela. Também é mãe de dois meninos, o Pedro (com 9 anos) e o Fernando (com 5 anos). É natural de Porto Alegre, adora correr, praticar yoga e divide seu tempo de qualidade com os filhos e com o entendimento de não se esquecer enquanto mulher, indivíduo, que possui suas necessidades e que quer estar sempre em crescimento - ser uma profissional melhor, uma mãe melhor, uma companheira melhor. Nadine estava com 24 anos no momento da documentação, é formada em história e estudante de letras. Sempre esteve muito ligada à educação, política, ao movimento social e acredita que a educação é capaz de mudar qualquer pessoa. Adora estar com os amigos, na rua, conhecendo pessoas. Se entende desde muito nova enquanto mulher lésbica e sempre foi muito aberta quanto à isso, com seus pais e as pessoas com quem convive. É uma mulher neurodivergente, uma pessoa com TDAH e conta que aprendeu a viver com isso, e também está aprendendo a ser madrasta, construindo essa troca de amor com os meninos. Hoje em dia, Yulli e Nadine já adotaram outra cachorrinha, a Laika, e indo morar juntas uniram o Joaquim (que era cachorrinho da Nadine) com o Sombra, gato da Yulli e os meninos, Fê e Pedro, viraram uma grande família. Yulli enxerga o amor que vivem dentro dessa família no poder da escuta, da conversa e do cuidado - é onde conseguem se olhar e conviver sem apontamentos, julgamentos, sendo acolhedor estando confortável na liberdade de poder ser quem você é. Explica que surgem questões e que conseguem separar o que é da relação e o que não é, por exemplo: isso aqui vem de antes, preciso trabalhar na minha individualidade. E entende que isso também é cuidado e responsabilidade afetiva. Nadine explica que vê política em tudo e às vezes fica até mal com isso, Yulli acaba tendo que consolar ela sobre o quanto a política afeta sua vida. Mas não consegue não vincular o amor que vivem com um impacto extremamente político. Não saberia viver esse amor hoje se não tivesse construído várias etapas na sua vida, sendo a adolescente que se entendeu lésbica, se não tivesse tido todas as conversas que já viveu com sua família, se não passasse por sua militância que a construíu como mulher… Hoje em dia vê o amor que constroem chegando nos seus pais e na família de Yulli, eles brincando com os meninos, os meninos tomando banho de mangueira, é uma experiência única porque é o amor reverberando para outros lugares - virando a educação deles e virando um espaço seguro para todos eles viverem enquanto uma família. ↓ rolar para baixo ↓ Yulli Nadine
- Kétule e Beatriz | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Kétule, no momento da documentação, estava com 23 anos. Ela é natural de Turvo, uma cidade interiorana catarinense, e atualmente mora em Criciúma enquanto estuda medicina. Conta que já trabalhou em vários lugares, de atendente de loja à garçonete, mas hoje está se dedicando à sua loja de bordados e vive em um apartamento com sua gata Luna, visitando a família aos finais de semana na sua cidade natal. Beatriz estava com 22 anos no momento da documentação. É natural de Criciúma e trabalha enquanto fisioterapeuta. Sempre quis um trabalho na área da saúde e é apaixonada por isso, mas também já foi atleta de natação. Para além, no tempo livre, gosta de ser uma pessoa tranquila, caseira, adora sair para comer, ver o mar e fazer trilhas. Entendem que são pessoas com vários pontos em comum, mas ao mesmo tempo vivências e jeitos muito diferentes, temperamentos que refletem suas criações. Kétule tem uma relação muito aberta com sua família, principalmente porque já saiu de casa. Antes de assumir o relacionamento, pensou que se isso não fosse algo aceito para eles, iria acabar se afastando mais por já não morarem próximos, então tinha um grande receio, mas ainda maior uma vontade de falar sobre esse amor vivido e resolveu contar. Para Bia, Kétule adentrou como uma amiga, para depois ser namorada, então ficou um pouco mais difícil lidar. Sempre existiu a dúvida: “Será que a gente vai assumir? Será que um dia vai poder realmente falar: somos namoradas?” Faz pouco tempo que elas estão fazendo essa movimentação de se assumirem dentro de casa enquanto um casal, que começaram a ter uma relação com mais afeto na frente dos familiares. Acreditam que tudo faz parte de um crescimento. Foi através da internet que tiveram a primeira interação, tinham amigas em comum no Twitter e apareceu um tweet da Beatriz falando sobre a área da saúde, um estágio que iria abrir na UTI. Ela se interessou (pelo tweet e pela Bia) e começou a seguir ela, depois procurou o Instagram, ela seguiu de volta e começaram a conversar. Era dia 1 de abril de 2023, dia da UTI. Desde o primeiro papo as coisas fluíram, viram que estudavam na mesma faculdade e marcaram um café. O café aconteceu, se deram bem e marcaram um novo encontro, na casa da Kétule - um apartamento muito pequeno, onde criaram vários apelidos sobre ser um cantinho escuro depois de um longo corredor (caverna, corredor da morte, e por aí vai). Lá, beberam um vinho que só bebem em ocasiões especiais, comeram comidas gostosas e foi a primeira vez que se beijaram. Depois disso, se viam com frequência até que viveram os jogos da faculdade de medicina, um evento onde vem delegações de outros estados para competir em Criciúma. Kétule tocava na banda dos jogos e elas conversaram sobre esse evento, Beatriz disse que já estava perto do final do curso, que viveu tudo o que tinha para viver, mas que Kétule merecia se permitir experimentar o que a faculdade tem para oferecer, porque poderia se arrepender de entrar em uma relação. Ela fez a escolha, viveu os jogos (ainda assim sem deixar a Beatriz de lado) e depois que os jogos passaram decidiram entender aquela nova relação enquanto um namoro. Todos os amigos já adoravam elas juntas e elas sabiam que queriam namorar, mas precisavam daquele tempo para decidir e processar isso. Foi então que, ao comemorar o aniversário de uma amiga viajando para Garopaba/SC, depois de 3 meses juntas, elas selaram o pedido de namoro. Tanto Beatriz quanto Kétule namoravam homens antes de se relacionarem e já tinham apresentado esses namorados à família. Quando começaram a relação, pensaram muito sobre como iriam contar e abrir essa conversa sobre a bissexualidade. Aos poucos, Kétule contou para a mãe dela, e sentiu que toda a família foi compreensível, precisavam de tempo para entender mas nada na relação entre eles iria mudar. Para Beatriz foi mais complexo, o pai soube aos poucos e aceitou, mas a mãe tinha muitos preconceitos relacionados à elas. Foi só quando a relação estava quase completando um ano que elas conversaram sobre, quando a mãe perguntou se era um relacionamento e ela afirmou que sim. Mesmo tendo esse tempo, as coisas ainda não são fáceis, e só dia após dia elas se permitem tratar com algum afeto perto da família e permitir que a situação seja digerida. Todos os finais de semana dedicam um tempo para estar com os familiares, seja na casa da Beatriz ou na casa dos pais da Kétule, e acreditam que mostrando estar por perto esses preconceitos serão quebrados. Hoje em dia a rotina durante de semana entre estudos e trabalho é bem intensa, então o final de semana é o momento de aproveitar a relação, seja cozinhando, visitando a família, recebendo amigos e planejando o que ainda desejam viver juntas. Entendem que são pessoas bem diferentes: Kétule é mais agitada, a cabeça não para, comunicativa… Enquanto Beatriz é calma, sempre pensa muito antes de agir e não vê maldade nas pessoas. Kétule explica que na relação ela aprende o tempo todo a desacelerar, enquanto Beatriz também aprende a se abrir mais, se permitir viver mais coisas. Adoram planejar a vida juntas: desejam investir na carreira, casar, ter filhos. Criar uma família investindo em quem são e respeitando suas dificuldades, mas não fazendo com que isso se torne uma barreira. Adoram a perspectiva de vida que criaram juntas, explicaram durante a documentação que o pedido de casamento foi dividido em 4x, já que para poder casar vai levar uns 5 anos e porque numa vida heterossexual o homem pede em casamento e tudo se encaminha, para elas o melhor é fazer do jeito delas. A primeira parte do 1/4 do pedido já foi feita, Kétule presenteou Beatriz comprando uma aliança, em São Paulo. Riem dizendo que já estão 25% noivas. Kétule sempre foi uma pessoa clichê no amor, que gosta de surpresas, de ser romântica, das demonstrações… Beatriz já não é assim, acredita no amor nas ações pequenas, nos atos diários, então tiveram que adequar para entender suas linguagens. Hoje o amor delas é uma junção das duas coisas - das formas que entendem o amar. Se enxergam enquanto muito amigas, companheiras acima de tudo. Brincam que Kétule futuramente vai ganhar mais que a Bia, por ser médica, mas hoje é ela quem está mais estruturada, então o que elas plantam agora vai ser colhido no futuro. Entendem que o relacionamento foi uma grande adaptação e que seguem se adaptando, se descobrindo… e vão se descobrir o tempo todo, é constante. ↓ rolar para baixo ↓ Kétule Beatriz
- Mah e Bruna | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Foi num clube de leitura voltado às mulheres lésbicas que Mari e Bruna se conheceram, no começo de 2024. O clube funciona online, Bruna era uma das mediadoras e organizava um grupo de Whatsapp, quando Mari entrou e se apresentou. Surgiu o interesse porque Bruna sentiu tudo em comum: ela já tinha ido para o japão e Bruna ama viajar, gostam de coisas nerds, de gatos… Então decidiu seguir ela no Instagram. No decorrer dos dias, puxou assunto e a conversa fluiu. Brincam que é uma história bem moderna, essa ‘coisa de se conhecer online’. Mari correspondia ela no Instagram até que perguntou: “Mas afinal, de onde a gente se conhece?” E Bruna explicou que era do grupo de leitura. Como Mari chegou lá se apresentando, achou justo que agora fosse a vez de Bruna se apresentar também. Dias depois, Mari postou que adorava fazer brunchs e tomar bons cafés da manhã e Bruna a convidou para tomar um brunch no Theatro Municipal de São Paulo - local que inclusive fizemos a documentação acontecer. Se encontraram no domingo, 11h da manhã, e mesmo achando bastante chique esse primeiro encontro ele foi emendado em vários outros acontecimentos: depois do Theatro passaram o dia caminhando em eventos culturais que aconteciam pela cidade. Quando já era noite, foram para um bar e demonstraram que queriam se beijar, mas ainda não haviam tomado atitude. Acabaram ficando juntas até 3h da manhã: um date que estava quase virando 24h. Se sentiam muito felizes por estarem se conhecendo, não queriam que o dia acabasse. No segundo encontro, Bruna cozinhou para Mari sua comida favorita. Sentiram-se cada vez mais próximas com o passar dos dias. Quando estavam completando um mês que se conheceram, Bruna contou que iria fazer uma grande viagem ao Sri Lanka e à Índia - parte por trabalho, parte por realizar um sonho e querer conhecer ambos lugares - Mari via sua preparação, a parte que iria tirar férias lá, toda a expectativa e perguntou “e se eu for?”. Foi uma grande felicidade para a Bruna. Sentem que poderia dar muito errado ou muito certo. Estariam num lugar com uma cultura muito diferente, sozinhas, sem se conhecer tão bem… Antes de viajarem tiveram conversas muito profundas sobre a relação e sobre começarem de fato a se relacionar, nomear como um namoro, lidando com seus medos, trazendo suas bagagens. A viagem aconteceu com 4 meses de relação ao todo. Depois do trabalho que Bruna fez no Sri Lanka, Mari chegou e viveram uma semana por lá, depois mais 15 dias na índia. Foram muitas experiências diferentes, muitos perrengues e muitos momentos felizes. A viagem foi para o lado bom: o lado que deu certo. Elas até comentam durante a documentação: “A viagem em si deu várias coisas erradas, mas a gente nunca deu errado”. Entendem que a viagem só funcionou porque se ajudaram muito, principalmente nos dias mais ansiosos e difíceis - e assim seguem até hoje porque nos momentos difíceis se apoiam, nos momentos felizes comemoram e adoram descobrir e explorar juntas, como foram nesses dias longe do Brasil. Tanto Mari, quanto Bruna, adoram conversar. São pessoas tranquilas e não se veem brigando, discutindo algo de forma grandiosa… gostam de refletir bastante sobre a relação que constroem para melhorar ela e entender o que pode ser diferente. Se sentem muito à vontade para dizer o quanto estão ou não prontas para as coisas - Bruna cita o exemplo de que no momento não se sente pronta para morar junto, e que está tudo bem, com o tempo a relação irá amadurecer e isso acontecerá em fluxo. Amam estar juntas, assim como amam suas individualidades e seus espaços pessoais, suas rotinas intensas. Respeitam cada lugar e tentam não se atropelar no tempo, para que a relação se torne algo pesado no cotidiano. Mari entende que o amor que elas constroem é uma base, uma família, um acolhimento. Sente que a família da Bruna também à acolheu muito, foi “adotada” ganhando uma família nova, com um carinho enorme nessa aproximação. Adora fazer presentes de dia das mães para a mãe e para a avó da Bruna, saber que realmente pode contar com essa família e aprender um novo amor com elas. Bruna completa que essa sensação que a Mari tem pela família dela, ela sente pelos amigos da Bruna. Ganhou novos amigos que adora, que troca meme, mensagens queridas, se sente acolhida e que realmente ama. Enxerga a relação de uma forma muito livre: não faz as coisas com a Mari porque está preenchendo uma “tabela de normas” e sente que precisa fazer, faz porque se sente bem, porque estão felizes juntas. Marianna estava com 32 anos no momento da documentação. É natural do Rio de Janeiro mas reside em São Paulo há oito anos. Trabalha como designer, sendo formada em publicidade e é apaixonada pela parte visual de conteúdos e por formar comunidades sobre, compartilhando conteúdos. Adora o mundo nerd, jogar videogame, assistir filmes e passar um tempo com o seu gatinho. Bruna estava com 34 anos no momento da documentação. É natural de São Paulo, adora conversar, é formada em história e entende que pertence à área de humanas, adora ler, escrever, trabalha e estuda as religiões e gosta de estar com pessoas. Assim como a Mari, Bruna também adora o mundo nerd, está sempre pesquisando e escrevendo algo sobre. Ela também adora viajar, já conheceu diversos países - parte por turismo, parte por trabalho, atuando diretamente na área dos direitos humanos. No tempo livre, Mari e Bruna adoram aproveitar as múltiplas coisas que São Paulo oferece: seja uma agenda cultural diversa, um restaurante ou café. Adoram conhecer novos lugares ou aproveitar a cultura local. ↓ rolar para baixo ↓ Marianna Bruna
- Letícia e Rossana | Documentadas
Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Letícia estava com 32 anos no momento da documentação. É veterinária e costuma dizer que isso resume muita coisa da sua vida. Nascida em Belo Horizonte, mudou-se para o Rio de Janeiro no começo de 2023, movida por uma sensação antiga de que precisaria viver ali em algum momento, somada à uma oportunidade de trabalho. O sol, o calor e a praia sempre pareceram combinar com quem ela é. Além de veterinária, é tutora de quatro pets, gosta de ler, vive cronicamente online e adora os memes e o mundo digital. Rossana estava com 30 anos no momento da documentação. Também é veterinária, mineira até o último detalhe e carrega com orgulho os estereótipos: café, queijo, prosa e afeto. Nascida e criada em Belo Horizonte, mudou-se para o Rio há cerca de oito meses, depois de um período em que viveram o relacionamento à distância. Enquanto Letícia veio primeiro, Rossana permaneceu em BH cuidando dos pets - os que já estavam com elas e os que foram aparecendo pelo caminho. Hoje em dia, morando no Rio, conta que sempre gostou muito da cidade, principalmente do movimento, do calor que convida a estar na rua e dos encontros simples em bares ao ar livre - quase sempre acompanhados de uma cerveja e boas conversas. O primeiro ano da Letícia no Rio foi o mais difícil, especialmente pela distância entre elas e pela saudade da família. Com a mudança definitiva da Rô, a rotina ganhou outro ritmo e mais leveza. Ainda que estejam criando novos vínculos na cidade, a maior parte da rede afetiva segue em Belo Horizonte: a família e as amizades antigas. Até mesmo dos amigos que estão no Rio, vários vieram de BH. Por isso, as viagens de volta são frequentes, quase mensais, mantendo viva a conexão com o lar. Foi na Faculdade de Veterinária da UFMG que Letícia e Rossana se conheceram, ou melhor, não foi na faculdade - foi no Bar do Cabral. Um famoso bar estilo copo-sujo em frente à universidade. Elas estudavam na mesma época, mas em prédios e rotinas diferentes. Letícia entrou na faculdade em 2014 e, por um período, esteve em intercâmbio, o que fez com que não se cruzassem antes. Foi apenas em 2016 que os caminhos se alinharam. Na primeira vez em que se viram no bar, houve interesse, mas nenhuma conversa. Algum tempo depois, voltaram a se encontrar no mesmo lugar e trocaram olhares. Ainda assim, não se falaram naquela noite. Mais tarde, Letícia tomou a iniciativa e enviou uma mensagem pelo Facebook, já sabia quem era a Rô e encontrou o perfil dela. Comentou que havia percebido a troca de olhares e perguntou se ela ainda estava por ali. Ela já tinha ido embora, mas começaram a conversar online. Sem muitos recursos, sendo jovens e ainda morando com a família, combinaram de se encontrar pela primeira vez na biblioteca da faculdade. Depois de uma aula, se encontraram e, numa cabine da biblioteca, deixaram o tempo passar. Se beijaram - depois de Rô ter insistido um beijo, porque sentia que Letícia estava tímida - e depois foram caminhando até onde pegariam a van para ir embora. Em 2026 elas completam dez anos juntas, construindo essa história passo a passo. Pouco tempo depois do primeiro beijo, começaram a namorar e, desde então, a vida foi sendo compartilhada de forma contínua. A convivência veio naturalmente, mas morar juntas aconteceu mais adiante, em 2021, durante a pandemia. Até então, ambas viviam com as famílias e já conversavam sobre esse desejo, mas parecia que ainda não era a hora certa - precisavam terminar os estudos, priorizar a carreira por um tempo. Durante esses anos, quase tudo foi vivido em conjunto. Elas se formaram na mesma faculdade em tempos próximos, depois ingressaram juntas na residência da UFMG (em especialidades diferentes, mas no mesmo ciclo) e trabalharam no mesmo hospital veterinário. Foram anos de rotina compartilhada, de muito tempo lado a lado e de um vínculo intenso. A mudança para o primeiro apartamento, em Belo Horizonte, marcou um novo capítulo: foi ali que construíram, de fato, uma casa. Compraram a própria cama, mesa, móveis, escolheram cada detalhe. Brincam que não são minimalistas. Gostam de casa com cara de lar. Esse processo foi muito simbólico. Antes viviam em um universo muito voltado à faculdade, aos amigos e então deram um passo à um processo diferente: a moradia. Foi também nessa fase que começaram a adotar animais, algo que fala muito sobre elas e a relação. O primeiro pet foi uma gatinha que acabou ficando com a mãe de uma delas; depois vieram outros gatos, adotados ainda em 2018, quando moravam separadas. Desde o início, cuidar (da casa, da profissão, dos animais e uma da outra) sempre fez parte do jeito delas de estarem juntas. Já na nova casa, vieram as novatas: a gatinha e a cachorrinha. Letícia conta que já fazem anos que ela deseja casar - e morar junto. O processo começou de fato quando sentiram que existia estabilidade, a mãe dela ajudou bastante e são muito gratas pelo apoio que possuem da família e dos amigos. Depois que já moravam juntas e estavam bem adaptadas, em 2023, Letícia recebeu a proposta para vir para o Rio de Janeiro. Ela sempre amou o Rio e desejou morar aqui, então foi uma decisão conjunta aceitar a proposta e se jogar na nova oportunidade. Não foi fácil viver o relacionamento à distância, mas em 2025 Rô também se mudou, com os pets e com o restante da casa, recomeçando a vida em um novo lar. Foi também quando o pedido de casamento se concretizou: Letícia preparou tudo a partir de um álbum de fotos antigo que elas completavam juntas aos poucos, mas que foram deixando de lado. Ela completou as páginas que faltavam e, na última, escreveu a pergunta: “Quer casar comigo?”. Ajoelhou-se, entregou o álbum e improvisou a aliança - porque sabia que a escolha definitiva precisaria ser conjunta (e porque estava muito indecisa para isso). No fim, noivado feito, planos traçados, casamento sonhado para 2027. São dez anos de uma construção longa, marcada por conversa, aprendizado e flexibilidade. Com o tempo, vieram a maturidade, o respeito à individualidade e a compreensão de que ceder também é forma de ganhar. Hoje em dia, a vida a duas se faz junto dos bichos (Pavê, Pudim, Pimentinha e Pitanga) e dos bichinhos que foram lar temporário ou que já partiram (cada um deixando sua marca, sua história, seu amor). ↓ rolar para baixo ↓ Rossana Letícia
- livro | Documentadas
Aline e Aya audio
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- Jamile e Raquel
Jamile e Raquel moram no mesmo condomínio, ainda que em apartamentos distintos, em Brasília. Jamile é super brincalhona, está sempre rindo, é extrovertida, faz palhaçadas e isso quebra bastante a seriedade da Raquel, fazendo ela rir o tempo todo. Jamile sente muito frio, Raquel se permite viver nas cobertas por puro agrado. Juntas, elas adoram jogar The Sims, ler livros, brincar com os filhos da Raquel e ficar com os bichos que ambas adotaram - elas amam animais, principalmente os cães e gatos. Raquel já trabalhou em uma ONG de cuidados e é uma grande defensora da adoção, foi assim que influenciou Jamile a adotar suas gatinhas (juntando as gatas de ambas, são: Leci, Selene, Aurora, Íris e Bebete). Elas acreditam que animais são peças muito importantes no auxílio ao combate à depressão e ansiedade, e com as gatas, tudo passou a ter outro sentido dentro de casa. Por mais que morem em Brasília, nem a Jamile, nem a Raquel nasceram lá. Raquel é antropóloga, finalizou o mestrado recentemente e está se preparando para o doutorado. Já foi doula e é mãe de dois filhos. Ela tem 30 anos e sua família é de Minas Gerais, parte de Belo Vale e outra parte de Belo Horizonte, local onde ela nasceu. Jamile é jornalista e nos conta o quanto ser jornalista exige da vida - exige do que ela é - mesmo sendo apaixonada pela profissão (e, dentro da profissão, pelo jornalismo esportivo). Ela nasceu em Piracicaba, interior de São Paulo e chegou em Brasília com a família aos 16 anos descobrindo uma cidade totalmente diferente das outras que conhecia. Quando elas se conheceram, em 2019, o que sentiam (e o que poderiam sentir) ainda era muito incerto. Foi através de um aplicativo de relacionamentos que se conheceram e marcaram um encontro e, neste dia, a Jamile estava se sentindo um pouco triste, não queria ir. Foi num aniversário antes e uma amiga a incentivou, disse que poderia ser uma pessoa legal, era uma oportunidade. Por estar no aniversário antes, já estava com pessoas, bebendo e conversando, então quando ela chegou trouxe consigo uma animação que descontraiu o primeiro momento sem conhecer a Raquel. Elas se deram bem, ficaram e começaram a se relacionar a partir daí. Mesmo que um relacionamento vá se construindo de forma natural no começo, elas contam como foi lidar com a ansiedade e a depressão e entender os limites de cada uma. Para a Jamile, por exemplo, entender que não seria uma carga, um peso a mais ou algo do tipo na vida da Raquel. E, também, a Raquel explica sobre esse momento de assumir um namoro, que a fez refletir em várias coisas entendendo que era uma mãe solo, que precisava diariamente dar conta de muitas coisas na vida e do que isso iria demandar, se estava realmente preparada e sentiu medo de não conseguir estar cem por cento na relação. Ambas tinham seus medos, mas conseguiram equilibrar tudo aos poucos, mostrar uma para a outra o que sentiam e conversar sobre isso. Entender seus limites, colocá-los de forma amorosa e visualizar as diferenças com amor também. Segundo a Raquel: “Olhar e dizer: te aceito e tô aqui.” Morar tão próximas facilitou diversas coisas, ainda mais no momento mais intenso da pandemia de Covid-19, em 2020 e 2021. Os filhos da Raquel ficaram um ano sem escola, todos estavam dentro de casa e ter a Jamile por perto era muito importante. Elas também têm o apoio da família (Raquel, inclusive, ama a família da Jamile e eles se dão muito bem), mas para a Jamile viver o processo de “saída do armário” foi um processo prévio bastante intenso. Hoje em dia, para além da família, Jamile conta sobre como as pessoas questionam ela sobre ela assumir e maternar os filhos da Raquel. Ela explica que nunca se colocou neste lugar e que não quer ter filhos, também não gostaria de se ver o tempo todo nesse questionamento. Ambas valorizam a independência, o tempo sozinhas ou juntas e sabem que, se assim desejarem, vão ter uma relação saudável com as crianças. Essa relação já existe, inclusive - elas adoram a Jamile, o quanto ela brinca com eles, eles visitam as gatinhas dela… Tudo é uma questão de naturalidade sobre o relacionamento que as duas possuem, enquanto mulheres que se amam, e que as crianças acolhem também. Elas falam o quanto falta conhecer mais mulheres que têm filhos ou que estão em situações como as que elas vivem, ser uma mãe solo e namorar outra mulher. Jamile explica que sempre viveu uma heterossexualidade compulsória e ter essa noção a fez mudar muitas coisas, inclusive o entendimento sobre a forma de se relacionar com alguém. Ela nem conseguia imaginar uma relação saudável como a que tem hoje ou de que alguma pessoa a conheceria como a Raquel conhece e escolheria ficar, não iria embora na primeira oportunidade, que segue ali e ama de verdade. Já viveu muitas relações “de vidro”, como ela mesma colocou: são relações que na hora do conflito, se ela não ceder, a pessoa pode pegar, jogar no chão e quebrar toda a relação. Com a Raquel, aprendeu que as relações podem ser “de borracha", serem maleáveis, se caírem no chão, juntam, limpam e cuidam, com conversa e afeto, tentando entender a dor. Raquel completa a fala da Jamile, explicando que o ato de gostar de alguém era sempre algo envolvendo interpretar um papel. Ficar comprovando algo, ser o que a pessoa queria, pois se não fosse, teria medo dela ir embora… e que agora não é mais assim. Elas estão juntas porque ambas querem, independente de qualquer papel. Estão conectadas e são gratas à isso. Jamile Raquel
- Página de erro 404 | Documentadas
404 error vish maria. como você veio parar aqui?! nem eu, que sou o site, sabia que essa página existia. acho que isso é um erro. vem cá, vamos lá para o início. o lugar que você queria chegar é outro, né? pesquise aqui o lugar que você deseja
- Lilian e Marcela | Documentadas
O encontro da Lilian e da Marcela com o Documentadas aconteceu poucos dias antes do casamento delas - que não seria nada convencional - um casamento temático de festa junina! Nos encontramos em sua casa (que também é o lugar onde trabalham sendo padeiras) e estavam entre muitos preparos: desde as últimas encomendas da padaria, pois sairiam de férias/e lua de mel logo após a cerimônia, até as preparações do casório porque tudo foi feito entre muitas mãos - comidas, decorações, lembranças… não contrataram buffet ou empresas para isso, contaram com os próprios serviços e de amigos que também trabalham com gastronomia. A festa foi dedicada a reunir pessoas que amam e fazer todas se sentirem bem: que vistam se sentindo bem, comam bem, dancem, brinquem, se divirtam. Todos estavam muito empolgados, inclusive as contratadas, que são apenas mulheres - fizeram questão disso e foram atrás até de banda de forró sapatão, que fez com que a festa ficasse muito mais animada. Conversamos sobre entender a instituição casamento com o recorte de se tratar de duas mulheres e em tudo o que isso envolve. Por mais que existam várias críticas sobre essa instituição e seus conservadorismos, existe também o lado político pela importância de ter um documento que afirma esse amor. É muito importante o evento, a celebração. Reconhecer que os familiares estão viajando de longe para celebrar esse amor que sempre nos foi negado, que toda relação heteronormativa é celebrada e comemorada o tempo todo, mas entre duas mulheres fomos colocadas num espaço de não-celebração, ficamos minguadas, podemos até beijar mas não demonstrar tanto, não abusar da demonstração… Então celebrar um casamento é celebrar MESMO. Celebrar com vontade. Ter quem você ama celebrando com vocês. Celebrar duas mulheres amando. E, para elas, o casamento só faria sentido se fosse vivido assim como será: com todas as pessoas lá, de forma coletiva. Elas construíram essa relação pensando no mundo que acreditam. Se sentem confortáveis, acolhidas. Sentem que a relação é uma grande mesa com comida e todos ao redor, compartilhando. Lilian, no momento da documentação, estava com 30 anos. Nasceu no interior do Espírito Santo, num município chamado Pinheiros, mas cresceu em Vitória, na capital. Ao completar o ensino médio foi para Mariana, em Minas Gerais, cursar história e durante a faculdade descobriu a disciplina de antropologia da alimentação. Quanto mais estudava, mais se interessava e ao finalizar a graduação começou a estudar gastronomia. Ao se mudar para Minas Gerais, não tinha conhecimentos em culinária, mas aprendeu pela necessidade e a primeira receita que fez por vontade própria foi pão de fermentação natural. Começou a ser um hobbie, mas logo se viu pesquisando mais sobre panificação e misturando a panificação com seus outros estudos dentro da gastronomia. Foi então que conheceu uma pesquisadora chamada Neide Rigo, que explica sobre plantas, hortas na cidade, sobre o que plantar > o que comer, e consumindo os conteúdos que essa pesquisadora publicava conheceu um restaurante em São Paulo, o Maní. Viu que estavam com inscrições abertas para trabalhar por um período, se inscreveu e passou, foi assim que sua mudança para São Paulo aconteceu, em 2018. O período de trabalho seria, inicialmente, de 4 meses, mas virou uma contratação e ela se oficializou enquanto padeira. Conta como foi incrível, não conhecia mulheres padeiras - ou melhor, conhecia uma só que acompanhava o trabalho e admirava. Foi uma grande realização profissional. E, para além da padaria, ela segue adorando cozinhar e descobrir receitas, inventar festas temáticas com comidas temáticas para reunir os amigos e familiares, pesquisar sobre culinárias e culturas. Marcela, no momento da documentação, estava com 27 anos. Ela é natural de São Bernardo do Campo, mas cresceu em uma cidade pequena chamada Dracena, no interior de São Paulo, onde viveu até os 17 anos. Cresceu numa família bastante grande e tradicional e passou pelo seu entendimento de gênero e sexualidade bastante cedo, então não se sentia bem no lugar onde morava, decidiu sair da cidade e se mudar para Campinas, também em São Paulo, para cursar faculdade de Artes Cênicas. Lá, durante 4 anos, se sentiu muito feliz e viveu diversas descobertas. Em 2018, precisava de maior independência financeira e procurou uma nova fonte de renda: começou a fazer pão de fermentação natural em casa. Depois disso, procurou trabalho na área, indo em padarias e oferecendo o seu serviço. Conseguiu trabalhar em uma padaria e depois disso se organizou financeiramente para se mudar para São Paulo (capital), até que em 2019 a mudança aconteceu. Logo que chegou na cidade, fez o mesmo que havia feito em Campinas: foi de lugar em lugar oferecendo seu trabalho. O primeiro lugar que ofereceu foi na padaria do Maní e a chamaram para alguns freelancers, então vez ou outra ela ia cobrir alguém, inclusive a Lilian, quando tirou alguns dias de férias. Depois desses freelas, ela foi contratada de fato. Quando começaram a trabalhar juntas, conversavam bastante. Lilian é muito acolhedora, conta que isso vem de família, aprendeu a acolher, conversar, receber bem as pessoas porque sua família é assim. Na época, ela morava em um apartamento dividindo lar com amigos e apresentou essas pessoas para a Marcela, inseriu ela na sua vida e logo viraram amigas. Marcela também foi se abrindo, contou que recém estava solteira, que queria desbravar São Paulo, aproveitar a cidade, não queria namorar. Aos poucos, às vezes se olhavam de um jeito diferente enquanto trabalhavam. Lilian percebia um jeito da Marcela observar… Até que um dia Marcela chegou um presentinho para ela, entregou e disse: “Não significa nada”. Quando Lilian chegou em casa, contou para a amiga e a amiga disse: “Significa!!! Ela te quer!!”. Num dia, saindo juntas, alguns meses depois de terem começado a trabalhar, se divertiram, foram em vários lugares até que Lilian perguntou o que estava significando aquilo. Marcela respondeu algo que Lilian até hoje acha muito legal, ela disse que achava que estava apaixonada pela Lilian, não sabia se era romanticamente, mas que adorava passar um tempo com ela, estar ali, adora a amizade e que sentia vontade de beijá-la. Lilian disse que sentia também, e assim elas se beijaram. Desde então elas ficaram juntas, mas Lilian tinha uma mudança de vida planejada: ela iria para a Espanha. Já havia desfeito a casa que compartilhava, vendido suas coisas, pedido demissão da padaria… Sua vida havia se resumido em uma mala. Passaram o final de 2019 juntas e em fevereiro de 2020 Lilian saiu de fato do trabalho, até lá elas estavam apenas vivendo, se divertindo, sabiam que a separação viria em breve. Os planos da Lilian eram visitar seus amigos em Minas Gerais, a família no Espírito Santo e se mudar de vez para a Espanha. Porém, dias antes, chegou a pandemia de Covid-19. Quando isso aconteceu, ela estava hospedada na casa de um amigo, uma kitnet em São Paulo, esse amigo havia acabado de se mudar para cursar medicina na USP e ele orientou: “Estão correndo boatos de que isso aí vai durar uns dois anos no mínimo”. Ele decidiu não ficar em São Paulo e deixou a kitnet com ela. Ela chamou a Marcela e ficaram juntas, mas não tinha nada: trabalho, roupa, perspectiva… os primeiros meses foram de espera, até que a ficha foi caindo porque o restaurante que ela iria estagiar na Espanha fechou, precisou devolver as passagens da viagem e entendeu aos poucos que o sonho acabou. Marcela também foi demitida, precisavam repensar tudo. Em abril decidiram anunciar aos amigos que iriam fazer pão para vender e, logo no primeiro anúncio, foram dois dias de fornadas. Depois, perceberam que trabalharam mais de duas semanas sem parar - e se organizaram melhor. Transformaram a kitnet numa padaria, assim foi seu sustento até novembro, quando se mudaram para um lugar maior. Ressaltam como foi muito importante as pessoas terem comprado de quem faz durante a pandemia. Esse foi o contato humano, foi o que nos uniu mais. Entre o final de 2020 e 2021 moraram em uma casa que possuía mais espaço e lá produziam em maior escala, até que chegaram no lugar que estão agora. Hoje em dia, possuem um espaço separado na casa onde acontece a produção e destinam suas vendas principalmente para pessoas jurídicas, ou seja, outras empresas e restaurantes. Se dão muito bem trabalhando juntas, adoram o que fazem e Marcela acredita muito que o amor entre mulheres está presente nessa torcida que uma tem pela outra, nesse fortalecimento. Vivem uma amizade muito potente dentro desse amor. Lilian concorda: talvez por ser tão poderosa é que muitos temem. São muito matriarcais, cuidam e zelam umas pelas outras. ↓ rolar para baixo ↓ Marcela Lilian
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Espaço de Pesquisas Oi! Este é um espaço do qual você pode pesquisar e encontrar histórias de mulheres que participaram do nosso projeto por todo o Brasil! Legal, né? Pra usar, basta digitar no espaço de pesquisa alguma palavra-chave, por exemplo: alguma profissão, alguma cidade, algum tema... É o nosso verdadeiro banco de dados - o primeiro, da história das mulheres que se relacionam afetivamente com mulheres - e precisa ser valorizado! ♥ Todos (61) Outras páginas (59) Serviços (2) 61 itens encontrados para "" Outras páginas (59) Apoio Psicológico | Documentadas saúde mental e apoio psicológico para mulheres de todo o Brasil Considerando a importância da representatividade para a construção da identidade de pessoas LGBTs e compreendendo as condições atuais do nosso país e do mundo, criamos no Documentadas uma rede de apoio psicológico. Através da psicoterapia ou da análise, uma profissional acompanhará, ouvindo e proporcionando um espaço de acolhimento para as vivências, sofrimentos e inquietações das mulheres que passam pelo projeto. Nesse primeiro momento, para atender mulheres que amam mulheres e que acompanham o projeto, criamos uma rede de psicólogas e psicanalistas que estão com vagas sociais para atendimentos individuais e online. Apostamos neste espaço porque sabemos o quão difícil é encontrar um ambiente seguro para ser escutada com atenção e cuidado. como funciona? Somos em dezoito profissionais - entre psicólogas e psicanalistas - e temos vagas à preços sociais, cada qual com a sua disponibilidade. Entendemos a importância de abrir essas vagas à valores mais baixos exatamente pela condição financeira particular de cada mulher e econômica que o país enfrenta. Estamos com o propósito de atender mulheres que precisam e que não encontram disponibilidade de atendimento de forma acessível nos meios particulares pagos. Toda mulher poderá se registrar na nossa plataforma acessando a área de login ao final dessa página. Assim, poderá fazer um cadastro dentro da nossa plataforma, consultando o perfil de cada profissional e a disponibilidade de horário/vaga que melhor se adapta à sua rotina. Todos os valores são iguais, o que difere na hora da escolha é a profissional identificada através do breve currículo e da sua disponibilidade. Assim que o prévio agendamento for realizado, o contato entre ambas será feito e a psicóloga mandará uma mensagem. Para ler maiores informações sobre a nossa Política de Privacidade e os Termos de Uso de plataforma, clique aqui ♥ nosso grupo de psicólogas e psicanalistas apoiadoras Viviane Psicóloga graduada pela PUCRS, especialista em Clínica Psicanalítica (UFRGS) e mestranda em Psicologia Social na UFRGS. CRP: 07/23395 Maria Clara Goes Psicóloga mestra sobre saúde sexual de mulheres cis lésbicas, pela Universidade Federal da Bahia. Praticante da Psicanálise - CRP 03/27093 Marina Albuquerque Psicóloga graduada pelo Centro Universitário IESB e especialista em Psicologia Humanista. CRP-01/19203. Laís Tiburcio Psicóloga Clínica, Pós-graduanda em Gênero & Sexualidade, formação em Politica Nacional de Saúde LGBT. Estudos em Psicanálise. CRP 05/57276 Ariadne Sitaro Psicóloga Pós Graduanda em Gestalt Terapia e Reprodução Humana Assistida. CRP 02/28387 Júlia Psicóloga - Mestrado na Universidade Federal Fluminense em Psicologia. - CRP 05/60076 Mariana Milan Psicóloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina. CRP 12/26613 Ana Carolina Cotta Psicóloga pela Universidade Federal Fluminense - mestrado em Psicologia Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. CRP 05/58463 Raquel Psicóloga formada pela Faculdade de Pato Branco/FADEP e pós-graduada em Gênero e Sexualidade CRP 12/23076 Camila Psicanalista. Membro provisório do Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre/RS (CEPdePA) e Advogada Especialista em Direito Público Maria Freire Psicanalista pela Escola Letra Freudiana. Doutorado em filosofia. Deyse Van Der Ham Psicóloga - Especialista em Políticas Públicas e Assistência Social pela PUCRS. CRP 07/24426 Marina Nobre. Psicóloga formada pela Universidade de Fortaleza. CRP 11/15307 Caroline Afonso Psicóloga formada em psicologia pela Universidade Luterana do Brasil Canoas/RS. CRP 07/38059 Gabriela Nunes Psicóloga formada pela UNISINOS e pós-graduanda em Psicologia Clínica pela PUCRS. CRP 07/41102 Talyta Psicóloga - graduada pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) - estudos em psicanálise. CRP 06/169049 Paula Psicóloga, formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e pós graduanda em Psicopedagogia. CRP 05/63682 Thays Waichel Psicológa graduada pela Universidade Luterana do Brasil - Canoas/RS. Ênfase em Orientação Psicanalítica. CRP 07/37003 Jamyle Psicóloga - Mestrado em lesbianidades a partir de uma perspectiva interseccional, pela Universidade Federal do Ceará. CRP 11/18191 Ana Gabardo Pedagoga pela Universidade Federal do Paraná e psicanalista pela Associação Livre Centro de Estudos em Psicanálise Dani Psicologia Social, Psicanálise e Educação - Universidade de São Paulo. CRP 06/137811 Larissa Psicóloga formada pela Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo. CRP 06/161422 Kíssila Psicóloga formada pela UFF e pós-graduanda em Fenomenologia Decolonial e Clínica Ampliada pelo NUCAFE. CRP 05/69513 Jade Psicóloga formada pela Uniritter - RS. CRP 07/34186 Ana Clara Ruas Psicóloga pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói. CRP 05/66226 quer ter acesso à terapia/análise ou entrar em contato com a profissional? clica aqui Documentadas Olá; AQUI REGISTRAMOS O AMOR ENTRE MULHERES ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA. Portfólio Para conhecer nossas histórias, clique aqui > sobre 02 sobre nós Olá, me chamo Fernanda e registro de forma documental o amor entre mulheres por todo o Brasil. O documentadas começou através de diversos estudos e da percepção de que as mulheres são pouquíssimo registradas em toda a sua história, principalmente tratando-se de mulheres que se relacionam afetivamente com outras mulheres. Para dar um basta e contar nossa própria história, percorro o país registrando casais e através desse site criamos conexões e laços de fortalecimento. Para conhecer quem faz o documentadas, clique aqui > Banco de images QUER PARTICIPAR DO PROJETO? vem por aqui! :P Mariana Musicista Leia mais Mari, além de ser uma pessoa extremamente doce, é uma musicista e compositora incrível! Ela tem um canal com a Vivi e juntas compõem histórias no Canta Minha História! Iasmim Advogada Iasmin, além de uma mulher super sorridente e alto astral, é também uma grande advogada. Natural de Duque de Caxias, baixada fluminense, hoje trabalha em um escritório no centro do Rio de Janeiro. Leia mais Carla Professora Carla, além de ser grande amante das artes e do teatro, também é professora e pedagoga em escolas públicas de Rio das Ostras e Macaé. Leia mais gerando renda para a comunidade Acreditamos que - além de que contar histórias de mulheres - podemos conecta-las. Falarmos sobre seus trabalhos, compartilharmos situações, momentos e, enfim, gerarmos renda. O mercado de trabalho segue difícil e podemos nos apoiar contratando trabalhos de mulheres da comunidade LGBT. Sendo assim, no nosso espaço de 'busca' você consegue pesquisar pela palavra-chave (o serviço que você precisa), ver qual profissional está à disposição, ler sua história e nos mandar uma mensagem. Nosso papel será te conectar diretamente com a profissional desejada! gerando renda para o projeto Manter o projeto não é tarefa fácil! Fazer viagens, pegar metrôs, ônibus, barcas... disponibilizar tempo e conseguir manter as contas pagas é um grande desafio. E como queremos documentar o maior número de casais possíveis, disponibilizamos o nosso PIX e aceitamos qualquer valor como quantia de doação! Você pode nos ajudar clicando aqui e fazendo a doação (qualquer valor!) de forma voluntária direto pelo aplicativo do seu banco! Colabore com a documentação histórica do amor entre mulheres! nossa loja tá no ar! chega pra cá ♥ Contato Natália e Bruna | Documentadas Bruna diz que ficou até surpresa quando a Natália contou o desejo de inscrever elas no Documentadas, brincou dizendo “Quem te viu, quem te vê, hein?!” porque no começo da relação, principalmente na primeira viagem que fizeram juntas, Natália tinha bastante receio até de pegar nas mãos em público… E agora quer mostrar ao mundo que o amor que vivem é lindo. Entendemos que esse medo é legítimo, assim como essa vontade de afirmação. Bruna completa: a história de amor delas também é a história de descoberta da Natália. Para Nat, o amor precisa ser por completo, ou seja, as pessoas merecem ser amadas como são. Se uma pessoa só te ama se você for heterossexual, ela não está te amando. Existe uma busca na perfeição do que criamos em cima dos outros, mas a verdade é que precisamos aceitar quem eles se tornam, quais profissões escolhem, a forma que entendem o amor, com quem se sentem bem ao relacionar, como vão compartilhar a vida… Isso tudo também é amar. Ela explica que a Bruna traz liberdade, foi um combo: a Bruna + a gatinha dela + o lar é o jeito que elas são felizes. Tudo fica nítido, é estampado a forma que se sentem confortáveis juntas. Não existe um julgamento dentro de casa. Quando uma relação existe e se fortifica é porque ali está o amor, assim enxerga Bruna. O amor a gente encontra na rotina, na construção das pequenas coisas, crescendo, cuidando, estando ali diariamente para se ajudar. Com a Natália foi a primeira vez que ela sentiu de forma plena o equilíbrio: ela pode se doar e vai receber de volta, é acolhedor. Natália, no momento da documentação, estava com 34 anos. Nasceu em Barra do Piraí, interior do Rio de Janeiro, mas foi ainda criança para Niterói e seguiu sua vida na cidade. É formada em jornalismo e fez transição de carreira recentemente, está estudando nutrição. Adora ver filmes, séries, ler e estudar o vegetarianismo e o veganismo. Atualmente, mora no Rio de Janeiro, junto à Bruna, e estão desbravando a cidade, conhecendo novos teatros, parques e outros lugares. No dia seguinte à nossa documentação elas iriam participar da primeira corrida juntas, pois estão focando em atividades físicas no momento. Bruna, no momento da documentação, estava com 36 anos. É natural do Rio de Janeiro, da zona oeste da cidade. Trabalha enquanto enfermeira e atua no ambiente corporativo, cuidando da saúde no trabalho. Além disso, faz trabalhos de marketing digital, adora a área do design e também está estudando tarot, que sempre foi um hobbie. No dia a dia, gosta de praticar exercícios dinâmicos (esportes em geral) e também curte dirigir, se sente calma quando dirige. Entre o réveillon de 2022 para 2023, durante a festa da virada de ano, Bruna e Natália se conheceram. Inicialmente não era nessa festa que Natália iria, ela e a amiga haviam comprado ingresso para outra, mas foi cancelada, então deram a opção de reembolso ou de transferência para uma festa que aconteceria na Barra da Tijuca. Elas, saindo de Niterói, acharam bem ruim a opção de ir para a Barra, mas com o valor do reembolso não conseguiriam comprar outra festa então toparam. Bruna, diferente delas, tinha macado com os amigos para ir na festa da Barra mesmo, sabia que era uma festa com um público muito hétero, que só iria ela e um amigo gay, mas topou ir porque queria se divertir. Logo que chegou, Bruna olhou para Natália. Elas não possuíam amigos em comum, estavam apenas próximas e trocaram olhares. Natália estava apenas com a amiga e percebeu os olhares, mas até então se entendia enquanto uma mulher héterossexual e achou estranho, até engraçado isso acontecendo… A festa seguiu e os olhares também. Bruna então comentou com o amigo sobre elas trocarem olhares e quando ele percebeu, disse que estava sim e a incentivou a ir falar com ela. Quando ela ia tomar iniciativa, um homem chegou até à Nat, e quando ela se livrou dele, Bruna não estava mais lá. Depois da meia noite se reencontraram porque o amigo da Bruna fez amizade com um grupo de meninos gays que a amiga da Natália também havia feito amizade, e assim elas se percebem neste grupo. Dançaram juntas, Bruna chegou rápido na Natália e ela indagou: “Que isso, não vai nem perguntar meu nome?” - então elas falaram os nomes e se beijaram. Natália já tinha ficado com uma menina antes, quando era adolescente, mas seus relacionamentos sempre haviam sido com homens. A festa foi acontecendo e elas não tiveram muitas interações, se encontraram novamente 6h da manhã quando tomaram café e a Bruna foi solicita ajudando a Nat a levar café da manhã para a amiga. Foi quando Nat perguntou como a Bruna se identificava e ela respondeu “Enquanto mulher lésbica, e você?” e ela disse que era bissexual. Ela não pensou muito, isso chegou muito naturalmente e pontual. No dia seguinte conversaram bastante e assistiram à posse do Lula juntas, de forma online. Na semana seguinte ao réveillon tiveram um encontro, se divertiram bastante e passaram a se encontrar com frequência. Ainda em janeiro viajaram juntas e na semana seguinte, dia 4 de fevereiro, começaram a namorar. Quando Bruna soube que Natália não havia ficado com mulheres antes, resolveu ir com mais calma, mas não adiantou, o namoro já estava encaminhado. Foram muitos meses no início da relação indo da zona oeste até Niterói, um caminho bastante longo, para se encontrar - ou melhor, a Bruna indo e voltando buscando a Natália para passar o final de semana na casa dela. Existia um receio muito grande de contar para a família da Nat, então tudo foi acontecendo aos poucos. Somente no começo de 2024, mais de um ano depois de se conhecerem, Nat se abriu para seus familiares. Desde então, não possui mais contato com a sua mãe. Por mais que os outros familiares ainda conversem e acompanhem (ainda que não queiram saber sobre o relacionamento) ela sente muito sobre, é muito triste ficar longe de uma das pessoas que mais ama. Entendem que eles terão seu próprio tempo para processar, assimilar e superar o preconceito, mas que nesse tempo elas não podem deixar de viver o amor mais bonito que já sentiram. Para Natália, o amor que vive com a Bruna é o sentimento mais bonito que já presenciou, que já viu acontecer… é respeitoso, é companheiro e não existe opinião que vá tirá-lo do caminho. Entende também que isso não apaga o que tanto ela, quanto a Bruna, já viveram em outros momentos da vida, em outras relações (que também já foram boas) ou em outras formas de viver, que isso tudo faz parte da construção de serem quem são, e que se esforçam muito para serem as melhores pessoas possíveis, mas que em nenhum momento sucumbirão à um pensamento preconceituoso. Então respeitam o tempo, por mais que doa muito, mas se permitem viver. Pela parte da família da Bruna, recebem muito suporte da mãe, que as trata com muito carinho e afeto. ↓ rolar para baixo ↓ Natália Bruna Ver todos Serviços (2) Juliana - Consulta Consulta Ver todos




