Espaço de Pesquisas

Oi! Este é um espaço do qual você pode pesquisar e encontrar histórias de mulheres que participaram do nosso projeto por todo o Brasil! Legal, né? 

Pra usar, basta digitar no espaço de pesquisa alguma palavra-chave, por exemplo: alguma profissão, alguma cidade, algum tema... 

 

É o nosso verdadeiro banco de dados - o primeiro, da história das mulheres que se relacionam afetivamente

com mulheres - e precisa ser valorizado! ♥

78 itens encontrados

  • Luana e Maiara | Documentadas

    Por mais que a Yasmin e a Ignez se conhecessem desde 2019, elas foram ter o primeiro encontro e sair de verdade só em 2020, mais especificamente, um fim de semana antes da pandemia ser oficializada no Brasil - e em Fortaleza, cidade onde elas moram. Elas contam que estavam juntas quando saíram as primeiras notícias na TV sobre o primeiro caso de COVID-19 no Ceará e que no dia seguinte viraram 3 casos e que no dia seguinte dos 3 casos foi anunciada a “quarentena”. E aí? Como que duas pessoas que moram com os pais começam a construir um relacionamento (e a se conhecer) num contexto inicial de pandemia? Hoje, mais de um ano depois juntas, elas contam quanta coisa foi possível fazer mesmo estando dentro de casa: descobriram hobbies, cozinham juntas, jogam videogame, estudam muito, escutam música, se reinventam. A família da Yasmin desde o começo soube da Ignez e sempre foi uma convivência tranquila… enquanto a Ignez, nesse meio-tempo, se abriu e resolveu contar para os pais que estava namorando - isto, inclusive, é um processo recente, mas que está dando certo! Ela conta que há um ou dois anos atrás jamais se imaginaria dizendo que a família sabia e apoiava o namoro dela com outra mulher… e que hoje isso acontece naturalmente. Reforça: “Não que seja fácil, mas de estar acontecendo me deixa mais tranquila. Eu contei num segundo de coragem, sabe?”. ​ Yasmin tem 24 anos e estuda Arquitetura na Universidade de Fortaleza. Ela e o seu irmão sonham em montar uma empresa de engenharia e, além do trabalho, adora cantar, tocar violão, pintar aquarela... É uma pessoa que adora ser criativa, montar coisas e deixar o corpo se expressar. Ignez tem 25 anos, é formada em Direito e quando nos encontramos estava com foco total estudando para a OAB. Ela adora ouvir música, conhecer lugares novos e viajar. Inclusive, mesmo na pandemia, elas têm conseguido viajar de carro até o interior para ficar na casa de parentes e isso acaba garantindo uma experiência muito legal para as duas, é algo que adoram fazer. Mesmo com as dificuldades que, não só a pandemia, mas a vida em si nos coloca, tanto a Ignez quanto a Yasmin se mostraram ser pessoas que conversam muito e que se ouvem muito também. Nos momentos mais complicados, elas tendem a ficar juntas e resolver as coisas juntas. A Ignez diz “Às vezes só de estarmos quietinhas, no mesmo ambiente, já ajuda”. Ou seja, não precisa ser uma questão de resolver tudo o tempo todo, mas de gerar apoio e acolhimento. Elas acreditam que o diálogo consegue resolver qualquer coisa e possuem um acordo de que não vão dormir brigadas, então caso aconteça algum desentendimento, tentam resolver de alguma forma ou ao menos respeitam o espaço, mas não ficam desentendidas uma com a outra. ​ Mesmo que as duas tivessem vários amigos em comum, elas nunca tinham se esbarrado por aí. Mas a Ignez já tinha visto a Yasmin pelas redes sociais. E então, lá em setembro de 2019, rolou uma festa chamada “Tertúlia” em Fortaleza e a Yasmin apareceu por lá. Quando ela chegou e a Ignez viu, ficou até um pouco nervosa. Elas deram um oi, mas a Ignez percebeu a Yasmin saindo com outra menina da festa e desistiu. Uns dias depois, resolveu segui-la no Instagram e a Yasmin seguiu de volta. Meses se passaram, ela até tentou interagir pelas redes, mas não rolou. Quando o ano virou e chegou 2020, era fevereiro e elas estavam na festa de uma amiga em comum, então a Ignez viu a Yasmin chegando e até comentou com uma amiga: “Nossa, sabe aquela menina lá da festa Tertúlia? Ela tá aqui!”. Nessa festa, elas conversaram a noite toda, ficaram na borda da piscina tomando drink, dançaram forró juntinhas e se divertiram muito. E aí a Yasmin chegou nessa amiga em comum e disse que achava que ia rolar algo com a Ignez… até a amiga soltar a fatídica frase: “Não, amiga!!! Ela namora! Ela só é assim mesmo. Ela é simpática!”. O mundo da Yasmin caiu naquele momento. Ela ficou sem entender nada. Como assim?? Namora?? Um amigo dela já sabia da história do “relacionamento” da Ignez - que não era um namoro super longo e oficial, era um rolo que ela tinha com uma menina - e disse para a Yasmin “Vocês vão ficar hoje.”, mas ela estava decidida que não, por conta do namoro e tentou evitar isso a noite toda. O amigo ainda completou: “Ela “namora”, mas já-já esse relacionamento aí acaba”. ​ Ele acabou estando certo. Na hora de ir embora elas conseguiram uma carona para irem juntas e ficaram bastante próximas, foram até um local onde pediram o uber para a casa e lá aconteceu um beijo. Elas conversaram no dia seguinte sobre o que tinha acontecido, entenderam que tinha sido errado e que não era certo continuar e uns dias depois a Ignez realmente terminou o relacionamento. No carnaval, em seguida, elas se encontraram, mas pouco se falaram. Trocaram algumas mensagens pelo Whatsapp um tempo depois e a Yasmin soltou uns flertes, só para cutucar, mas depois falava “Ei, você não pode flertar de volta, porque você namora!”. Pois foi aí que a Ignez contou que não namorava mais e que poderia, sim, corresponder ao flerte. Foi nessa semana que elas decidiram sair juntas, que tiveram o primeiro encontro oficial e que em seguida a pandemia começou. No dia das namoradas, em junho, a Yasmin pediu a Ignez em namoro (mas foi praticamente uma corrida! Porque a Ignez também estava preparada para fazer o pedido). ♥ Para elas, o amor é uma construção. Seja ele entre um casal, entre a família ou amigos. É sempre construir e lutar para que seja bom, leve (que precisa ser leve) e que amar é você olhar para alguém e sentir que o que foi construído é genuíno, que veio de dentro da alma. Amar é, também, uma conexão de muita intensidade, principalmente entre duas mulheres - são corpos que desenvolvem uma força inexplicável, é revolução, uma luta constante contra quem quer que seja, contra tantas violências, e a favor do amor, com resistência. Quando pergunto como elas se sentem morando em Fortaleza e como enxergam a cidade, Yasmin comenta que gosta muito de lá e que sente muita falta de sair e curtir a cidade em si, mas que se tivesse o poder de mudar algo socialmente e culturalmente falando, seria que as pessoas respeitassem mais a história da cidade e trocassem mais o respeito entre si como um todo. Ela entende que se nos fosse ensinado a conhecer e respeitar a história da cidade e a história das pessoas que estiveram lá antes de nós estarmos, viríamos tudo com outro olhar e cuidaríamos mais dos espaços. A Ignez concorda com a educação sobre o nosso povo e completa que, nos dias de hoje, ela sente muita falta da segurança. Sente que o policiamento está sempre presente nos bairros nobres, mas que nas periferias e nos locais menos frequentados pela elite (como espaços centrais ou mais boêmios da juventude), é muito comum não se sentir segura. Gostaria que esses espaços e que a segurança em si fosse repensada - para que chegasse em todos. Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! <

  • Banco de Images | Documentadas

    Luana e Maiara amor de domingo no parque. Tânia e Clarissa amor de trajetória. Ju e Marci amor de tempo. Rennata e Vanessa amor de impacto. Bruna e Flávia amor de suporte. Carol e Joyce amor de propósito. Bibiana e Emily amor de mãos dadas. Clara e Mayara amor de doce. Thaysmara e Leticia amor de pôr do sol Júlia e Ana Carolina amor de cuidado ao detalhe. Natasha e Jéssica amor de ciclos. Rafa e Gizelle amor de acordar juntas. Carla e Yasmin amor de expressão. Yasmin e Ignez amor de encontro. Nati e Manu amor de força. Camila e Samantha amor de evento. Lu e Joana amor de flor. Nathalia e Carla amor de parque. Beatriz e Karol amor de webnamoro. Clara e Mariana amor de sétima arte. Jamy e Rebeca amor de festa. Dani e Aline amor de oposto complementar. Camilla e Karol amor de calma e maresia. Bia e Marina amor de conversa. Rachel e Raquel amor de pedidos. Aline e Aya amor de maternidade. Mavi e Fernanda amor de carro. Manô e Bruna amor de vivência. Denise e Julia amor de cerveja&cinema. Maíra e Duda amor de tatuagem. Marina e Luiza amor de cumplicidade. Juliana e Tayna amor de mil histórias. Bruna e Fran amor de resistência. Márcia e Pethra amor de pé na porta. Mari e Nonô amor de escola. Joana e Ana Clara amor à primeira vista. Rebecca e Priscila amor de mar. Bruna e Sophia amor de carnaval. Renata e Marcela amor de arte. Clara e Karine amor de parceria. Bela e Maitê amor de risadas. Victoria e Gabi amor de praia. Brenda e Jhessica amor de destinos. Carol e Gabi amor de militância. Beatriz e Tamara amor de esporte. Paula e Luiza amor de plantas e pássaros. Luana e Gabrielle amor de família. Mariana e Thalassa amor de plantinhas. Beanca e Carol amor de acompanhamento. Rita e Denize amor de 10 reais. Cassia e Kercya amor de marinar. Gabriela e Mariana amor de mãos dadas. Luiza e Maria Pérola amor de nebulosas. Lara e Ana amor de âncora. Sharon e Vivian amor de natureza. Yasmin e Juliana amor de diálogo. Isa e Camila amor de fã. Mari e Reylibis amor de outros lugares. Manu e Alyce amor de abraço. Cecilia e Jady amor de riso esvoaçante. Clara e Rayanne amor de jeito. Maria Clara e Antônia amor de cinema. Priscilla e Raphaela amor de conexões. Mari e Vivi amor de música. Júlia e Milena amor de reencontro. Talita e Louise amor de história. Juliana e Tercianne amor de teatro. Ju e Nicolli amor de vida toda.

  • Tânia e Clarissa | Documentadas

    Por mais que a Yasmin e a Ignez se conhecessem desde 2019, elas foram ter o primeiro encontro e sair de verdade só em 2020, mais especificamente, um fim de semana antes da pandemia ser oficializada no Brasil - e em Fortaleza, cidade onde elas moram. Elas contam que estavam juntas quando saíram as primeiras notícias na TV sobre o primeiro caso de COVID-19 no Ceará e que no dia seguinte viraram 3 casos e que no dia seguinte dos 3 casos foi anunciada a “quarentena”. E aí? Como que duas pessoas que moram com os pais começam a construir um relacionamento (e a se conhecer) num contexto inicial de pandemia? Hoje, mais de um ano depois juntas, elas contam quanta coisa foi possível fazer mesmo estando dentro de casa: descobriram hobbies, cozinham juntas, jogam videogame, estudam muito, escutam música, se reinventam. A família da Yasmin desde o começo soube da Ignez e sempre foi uma convivência tranquila… enquanto a Ignez, nesse meio-tempo, se abriu e resolveu contar para os pais que estava namorando - isto, inclusive, é um processo recente, mas que está dando certo! Ela conta que há um ou dois anos atrás jamais se imaginaria dizendo que a família sabia e apoiava o namoro dela com outra mulher… e que hoje isso acontece naturalmente. Reforça: “Não que seja fácil, mas de estar acontecendo me deixa mais tranquila. Eu contei num segundo de coragem, sabe?”. ​ Yasmin tem 24 anos e estuda Arquitetura na Universidade de Fortaleza. Ela e o seu irmão sonham em montar uma empresa de engenharia e, além do trabalho, adora cantar, tocar violão, pintar aquarela... É uma pessoa que adora ser criativa, montar coisas e deixar o corpo se expressar. Ignez tem 25 anos, é formada em Direito e quando nos encontramos estava com foco total estudando para a OAB. Ela adora ouvir música, conhecer lugares novos e viajar. Inclusive, mesmo na pandemia, elas têm conseguido viajar de carro até o interior para ficar na casa de parentes e isso acaba garantindo uma experiência muito legal para as duas, é algo que adoram fazer. Mesmo com as dificuldades que, não só a pandemia, mas a vida em si nos coloca, tanto a Ignez quanto a Yasmin se mostraram ser pessoas que conversam muito e que se ouvem muito também. Nos momentos mais complicados, elas tendem a ficar juntas e resolver as coisas juntas. A Ignez diz “Às vezes só de estarmos quietinhas, no mesmo ambiente, já ajuda”. Ou seja, não precisa ser uma questão de resolver tudo o tempo todo, mas de gerar apoio e acolhimento. Elas acreditam que o diálogo consegue resolver qualquer coisa e possuem um acordo de que não vão dormir brigadas, então caso aconteça algum desentendimento, tentam resolver de alguma forma ou ao menos respeitam o espaço, mas não ficam desentendidas uma com a outra. ​ Mesmo que as duas tivessem vários amigos em comum, elas nunca tinham se esbarrado por aí. Mas a Ignez já tinha visto a Yasmin pelas redes sociais. E então, lá em setembro de 2019, rolou uma festa chamada “Tertúlia” em Fortaleza e a Yasmin apareceu por lá. Quando ela chegou e a Ignez viu, ficou até um pouco nervosa. Elas deram um oi, mas a Ignez percebeu a Yasmin saindo com outra menina da festa e desistiu. Uns dias depois, resolveu segui-la no Instagram e a Yasmin seguiu de volta. Meses se passaram, ela até tentou interagir pelas redes, mas não rolou. Quando o ano virou e chegou 2020, era fevereiro e elas estavam na festa de uma amiga em comum, então a Ignez viu a Yasmin chegando e até comentou com uma amiga: “Nossa, sabe aquela menina lá da festa Tertúlia? Ela tá aqui!”. Nessa festa, elas conversaram a noite toda, ficaram na borda da piscina tomando drink, dançaram forró juntinhas e se divertiram muito. E aí a Yasmin chegou nessa amiga em comum e disse que achava que ia rolar algo com a Ignez… até a amiga soltar a fatídica frase: “Não, amiga!!! Ela namora! Ela só é assim mesmo. Ela é simpática!”. O mundo da Yasmin caiu naquele momento. Ela ficou sem entender nada. Como assim?? Namora?? Um amigo dela já sabia da história do “relacionamento” da Ignez - que não era um namoro super longo e oficial, era um rolo que ela tinha com uma menina - e disse para a Yasmin “Vocês vão ficar hoje.”, mas ela estava decidida que não, por conta do namoro e tentou evitar isso a noite toda. O amigo ainda completou: “Ela “namora”, mas já-já esse relacionamento aí acaba”. ​ Ele acabou estando certo. Na hora de ir embora elas conseguiram uma carona para irem juntas e ficaram bastante próximas, foram até um local onde pediram o uber para a casa e lá aconteceu um beijo. Elas conversaram no dia seguinte sobre o que tinha acontecido, entenderam que tinha sido errado e que não era certo continuar e uns dias depois a Ignez realmente terminou o relacionamento. No carnaval, em seguida, elas se encontraram, mas pouco se falaram. Trocaram algumas mensagens pelo Whatsapp um tempo depois e a Yasmin soltou uns flertes, só para cutucar, mas depois falava “Ei, você não pode flertar de volta, porque você namora!”. Pois foi aí que a Ignez contou que não namorava mais e que poderia, sim, corresponder ao flerte. Foi nessa semana que elas decidiram sair juntas, que tiveram o primeiro encontro oficial e que em seguida a pandemia começou. No dia das namoradas, em junho, a Yasmin pediu a Ignez em namoro (mas foi praticamente uma corrida! Porque a Ignez também estava preparada para fazer o pedido). ♥ Para elas, o amor é uma construção. Seja ele entre um casal, entre a família ou amigos. É sempre construir e lutar para que seja bom, leve (que precisa ser leve) e que amar é você olhar para alguém e sentir que o que foi construído é genuíno, que veio de dentro da alma. Amar é, também, uma conexão de muita intensidade, principalmente entre duas mulheres - são corpos que desenvolvem uma força inexplicável, é revolução, uma luta constante contra quem quer que seja, contra tantas violências, e a favor do amor, com resistência. Quando pergunto como elas se sentem morando em Fortaleza e como enxergam a cidade, Yasmin comenta que gosta muito de lá e que sente muita falta de sair e curtir a cidade em si, mas que se tivesse o poder de mudar algo socialmente e culturalmente falando, seria que as pessoas respeitassem mais a história da cidade e trocassem mais o respeito entre si como um todo. Ela entende que se nos fosse ensinado a conhecer e respeitar a história da cidade e a história das pessoas que estiveram lá antes de nós estarmos, viríamos tudo com outro olhar e cuidaríamos mais dos espaços. A Ignez concorda com a educação sobre o nosso povo e completa que, nos dias de hoje, ela sente muita falta da segurança. Sente que o policiamento está sempre presente nos bairros nobres, mas que nas periferias e nos locais menos frequentados pela elite (como espaços centrais ou mais boêmios da juventude), é muito comum não se sentir segura. Gostaria que esses espaços e que a segurança em si fosse repensada - para que chegasse em todos. Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! <

  • Documentadas

    Olá; ​ AQUI REGISTRAMOS O AMOR ENTRE MULHERES ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA. Fora da galeria Fora da galeria Para conhecer nossas histórias, clique aqui > 02 sobre nós Olá, me chamo Fernanda e registro de forma documental o amor entre mulheres por todo o Brasil. O documentadas começou através de diversos estudos e da percepção de que as mulheres são pouquíssimo registradas em toda a sua história, principalmente tratando-se de mulheres que se relacionam afetivamente com outras mulheres. Para dar um basta e contar nossa própria história, percorro o país registrando casais e através desse site criamos conexões e laços de fortalecimento. Mariana Musicista Leia mais Mari, além de ser uma pessoa extremamente doce, é uma musicista e compositora incrível! Ela tem um canal com a Vivi e juntas compõem histórias no Canta Nossa História! Bruna Bartender Bruna, além de apaixonada por passar suas tardes entre amar os bichanos e fazer novas receitas na cozinha, é uma bartender absolutamente incrível em um pub porto alegrense! Bru já fez vários cursos e se dedica ativamente à profissão! Leia mais Anna Carolina Enfermeira Chefe Leia mais Carol, além de amiga fiel e encantadora, é enfermeira chefe em um hospital público do Rio de Janeiro. Tem uma carreira de muita bravura e esteve na linha de frente contra o COVID-19. Quer inspiração??? Vem conhecer ela! QUER PARTICIPAR DO PROJETO? vem por aqui! :P gerando renda para a comunidade Acreditamos que - além de que contar histórias de mulheres - podemos conecta-las. Falarmos sobre seus trabalhos, compartilharmos situações, momentos e, enfim, gerarmos renda. O mercado de trabalho segue difícil e podemos nos apoiar contratando trabalhos de mulheres da comunidade LGBT. ​ Sendo assim, no nosso espaço de 'busca' você consegue pesquisar pela palavra-chave (o serviço que você precisa), ver qual profissional está à disposição, ler sua história e nos mandar uma mensagem. Nosso papel será te conectar diretamente com a profissional desejada! gerando renda para o projeto Manter o projeto não é tarefa fácil! Fazer viagens, pegar metrôs, ônibus, barcas... disponibilizar tempo e conseguir manter as contas pagas é um grande desafio. E como queremos documentar o maior número de casais possíveis, disponibilizamos o nosso PIX e aceitamos qualquer valor como quantia de doação! Você pode nos ajudar clicando aqui e fazendo a doação (qualquer valor!) de forma voluntária direto pelo aplicativo do seu banco! ​ ​ Colabore com a documentação histórica do amor entre mulheres! Fora da galeria

  • Juliana e Marci | Documentadas

    Foi após uma noite de natal, quando já estavam há alguns anos num misto entre amizade e flerte que, finalmente, a Juliana e a Marcyllene se beijaram e começaram a se envolver afetivamente. Elas se conheciam desde 2016, moravam em regiões próximas e tinham amigos em comum, o que facilitava com que frequentassem os mesmos lugares. E também já tinham se beijado em outros momentos, mas de alguma forma, não tinham sentido encaixar. Eram momentos diferentes, estavam com outras pessoas em mente e não sentiam ser o mais justo insistir em algo que não iria para frente. Entenderem que aquele não era o momento não impediu que elas seguissem com a amizade, o que gerou uma confiança e um respeito entre elas que foi alimentado e cuidado com o tempo. Assim, elas se encontravam, até participaram da fundação de uma Organização Comunitária no bairro, passavam todos os dias cuidando quando chegavam em casa tarde (por ser perigoso e por trabalharem em locais distantes) e seguiram por alguns anos a amizade, até a noite de Natal de 2019, que a Marci tinha recém voltado de uns meses que passou em Fortaleza e, depois da ceia, foi para a casa da Ju, se reunir com todos e celebrar. ​ A Juliana tem 22 anos, faz graduação em hotelaria e trabalha como estagiária em um hotel no Rio de Janeiro. A Marci tem 25 anos, é técnica em saúde bucal e também cursa Ciências Ambientais, além disso faz alguns trabalhos como designer gráfico e transcrição de áudios. A Ju e a Marci são de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, de um bairro chamado Jardim Catarina, o mais populoso da cidade. O que mais gostam de fazer juntas é cozinhar, estar em casa tomando uma cerveja, conversando e também estudam bastante, trocando muito sobre coisas que aprendem. Elas entendem que quando estão com problemas respeitam muito os espaços, mas que se for preciso, resolvem juntas - o apoio é sempre muito presente. Logo no começo do relacionamento elas passaram por perdas familiares e estiveram juntas uma com a outra, oferecendo base e afeto. Contam que isso foi algo que sempre destacou, desde o início, porque sentem que podem confiar uma na outra de verdade. ​ Na noite de Natal, quando a Marci acabou dormindo na casa da Ju, foi que finalmente o beijo aconteceu. Depois disso, já no começo de 2020, começaram a sair juntas enquanto um casal (não mais sendo apenas amigas) e a fazerem programas de casais, como ir ao cinema, cozinharem juntas… Mas neste momento, não estava claro para elas algum rótulo ou o que elas seriam, inclusive ainda saiam com outras pessoas e frequentavam outros lugares. Então, com o começo da pandemia e por morarem tão próximas (a Marci que sempre se locomovia muito de bicicleta e frequentava a casa da Ju) foi se tornando algo bastante natural ir até lá e ficarem juntas nesse período. A Ju entrou na faculdade, elas estudavam um tempo juntas em casa, se divertiam bastante, faziam diversos programas, mas sentiam que os passos delas enquanto um casal ainda eram muito lentos. Elas contam que não é por estarem juntas que necessariamente se envolviam, às vezes passavam semanas e não acontecia nada, rolava uma trava muito grande da Ju em relação ao que estava acontecendo e foi nesse momento que elas resolveram conversar e estabelecer melhor o que teriam. Nunca aconteceu um pedido oficial sobre o namoro, mas elas brincam que a verdadeira iniciativa veio da mãe da Ju porque elas cozinharam juntas no dia dos namorados e quando a mãe dela chegou em casa, disse: “Cadê a sua namorada???”. Foi aí que tudo começou. Até cantarolou depois “Juliana e Marcyllene estão namorandooo!”. Faz parte também entender que esse processo foi lento pela insegurança, pelo medo do preconceito familiar e pelo próprio envolvimento que já tiveram com outras pessoas e que saíram machucadas. Não é um processo fácil estarem abertas novamente para relacionar-se e, durante a conversa, fomos entendendo que talvez se elas ficassem juntas enquanto um casal, lá no começo, não teria dado certo… não teriam maturidade suficiente para entender seus momentos, seus espaços e seus tempos de processá-los. ​ Para Marci o amor é um afeto mais cuidadoso. É sobre entender quem é o outro e que ele merece ser respeitado. Respeitado em diversos sentidos, desde sua orientação, até suas escolhas (profissionais, pessoais…). Quando você respeita o que a pessoa é, aprecia aquilo que ela oferece para o mundo e para todos ao redor. E na relação entre mulheres, ela sente que o respeito está presente na grande maioria dos momentos, pela conversa ser ativa, com escuta e atenção. Sente também que é possível existir mais colo, mais cuidado. A Ju explica que para ela o amor está literalmente nos mínimos detalhes: num sorriso ou abraço, numa palavra, no apoio. Acolher a pessoa por quem ela é, enxergando quem ela é. Ela acredita que nas relações entre mulheres o amor pode se demonstrar um pouco diferente porque as mulheres conhecem seus corpos, suas vivências e sabem se entender. Falamos também sobre a vivência que elas gostariam ter na cidade de São Gonçalo e no bairro em que elas moram, por ter um contato direto com cursinhos pré-vestibulares, organizações comunitárias etc. É impossível desviar a conversa da questão de segurança pública. O medo, ao sair de casa para trabalhar, é sempre presente. Não à toa falamos no começo sobre quando elas ficavam até tarde conversando quando ainda eram amigas para saber se chegariam em casa seguras, viver num local muito perigoso é nunca saber como será chegar em casa. A Marci disse que vê o quanto isso pode mudar quando as ações dos cursinhos, cine debates e investimentos na cultura são feitos por lá, já que são os grandes transformadores das pessoas e da sociedade - abrem um leque de possibilidades para novos futuros. Falamos também sobre como é importante pensarmos sobre o presente que temos e registrá-lo, registrar também as pessoas que vivem essa realidade e que não querem simplesmente sair dela e fingir que ela não aconteceu. A Ju e a Marci são mulheres que amam o bairro, que querem mudar, investir nele. Sentem ódio pelo o que ele se torna atualmente, mas além do ódio, querem ficar para mudar. É uma sensação de pertencimento, de raiz, muito forte - e de acreditar mesmo. De promover mudanças. Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! <

  • Rennata e Vanessa | Documentadas

    A Renata e a Vanessa se conheceram em 2016, mas até começarem a namorar, quaaase em 2018, viveram um roteiro digno de novela intensa. Elas são de Fortaleza, capital do Ceará. Ou melhor, a Renata é de Maracanaú, uma cidade que pertence à região metropolitana. Foi na Praça da Gentilândia que escolheram fazer as fotos, a praça (e o bairro de Benfica em si) possui muitos significados na história das duas e durante a conversa fomos revivendo diversos momentos. Nessa história existe uma versão sobre o dia que elas se conheceram da qual a Renata não se lembra - sim, ela não se lembra de ter conhecido a Vanessa - mas calma que as reviravoltas chegam. Esse dia aconteceu entre diversos eventos na universidade (tinham calouradas, manifestações políticas…) e muitas pessoas circulavam pelos Centros de Humanidades do campus. Foi ali que elas se esbarraram, entre amigos em comum e a Vanessa até deu um cigarro para a Renata, mas ela justifica com o álcool o fato de não lembrar desse encontro rápido. Um tempo depois, a Renata estava cursando fotografia num lugar que propõe diversos cursos gratuitos e conheceu uma menina do curso de jiu-jitsu (ela até se aventurou no jiu-jitsu depois dessa amizade!), elas ficaram amigas e na época a Renata saía com uma oooutra menina, então decidiram marcar de se encontrar e beber um dia na Praça. A amiga disse que levaria outra amiga, para não ficar sobrando entre as duas e, quando chegou lá, essa amiga era a Vanessa. Renata até brinca que quando viu a Vanessa ela sentiu um forte impacto, então ok não lembrar do cigarro, né?! Já que esse dia é o verdadeiro dia do impacto! ​ Elas conversaram durante a noite toda e a Vanessa brincou várias vezes que jamais conseguiria se envolver com alguém que tem o mapa astral como o da Renata… Isso despertou na Renata a certeza de que ela nunca teria chances com a Vanessa, ficou até pensativa sobre, mas depois desse dia se adicionaram no Facebook e a Vanessa chamou ela para alguns eventos. Demorou um pouco para que saíssem e quando aconteceu pela segunda vez, foi novamente na Praça o ponto de destino. Elas passaram a noite com diversos amigos e uma comunicação totalmente atravessada, principalmente porque a Renata não assimilava nada enquanto um flerte, já que havia aceitado que não teria chances, por mais que a Vanessa insistisse e deixasse (na versão dela) claro. Então, quanto mais amigas elas ficavam, em outros eventos elas se encontravam e o resultado era igual: sempre saíam e beijavam outras pessoas. No dia 17 de maio de 2017 (sim, quase um ano depois!), na mesma Praça, teria um evento em referência ao Dia Internacional Contra a Homofobia e a Vanessa convidou a Renata, que já estaria por lá fazendo um trabalho. Elas foram juntas, mas as pessoas demoraram a chegar e ficaram sozinhas no evento, sentadas. Foi então que a Vanessa soltou a frase: “E esse beijo?! Vai sair que horas?!” e a Renata se desconcertou por completo, abrindo um sorriso. Foi logo depois desse momento que, finalmente, elas se beijaram. Elas contam que nesse dia estavam todos aguardando acontecer o impeachment do Michel Temer (aquele famoso momento em que ele entrou ao vivo e disse, depois de uma pausa enorme: Não renunciarei). Portanto, nem rolaram as gravações que a Renata iria participar trabalhando na Praça e elas ficaram juntas mais tempo, depois foram embora. ​ Depois do primeiro beijo elas começaram a conversar todos os dias, num ritmo muito diferente do que era anteriormente, além de se encontrar em todos os intervalos possíveis na Universidade. Na época, a Renata estava “de rolo/ficando” com um menino e elas contam que, mesmo amando esse primeiro momento de conhecimentos e conversas, foi também um período muito conturbado. Passaram 7 meses num relacionamento sem rótulos, ficavam com outras pessoas e acabavam brigando muito, era uma comunicação bastante difícil porque envolvia um respeito em saber os limites e no querer deixar livre, mas por outro lado uma carga muito intensa entre elas. Hoje em dia, elas recordam o quanto as duas terem um acompanhamento terapêutico na época foi fundamental para entenderem o que estavam vivenciando e conseguirem visualizar tudo com maior clareza. ​ A chave só virou quando, depois de uma briga por coincidência, elas se encontraram em um ensaio fotográfico do qual a Vanessa estava sendo modelo. Quando a Renata chegou, deu de cara com ela já em frente à câmera posando e surgiu um clima muito estranho. Depois do ensaio elas saíram e a Renata contou sobre um sonho que ela teve, do qual elas caminhavam em um lugar e a Vanessa olhava para ela e dizia “E é por isso que eu te amo.”, e ela se sentia totalmente surpresa, porque não era algo que esperava ouvir da Vanessa. Enquanto ela contava a Vanessa ficava olhando, bastante atenta em cada detalhe. Um tempo depois do sonho, elas estavam conversando online sobre 5 coisas que gostavam uma na outra, e a resposta da Vanessa foram as 5 coisas e um extra: a 6. estava escrita: “E é por isso que eu te amo.”. Ler a declaração foi algo que fez a Renata ficar completamente surpresa, ela estava na faculdade e contou para um amigo, que perguntou se ela também amava a Vanessa e ela respondeu sem hesitar que sim. Foi então que muita coisa mudou. Quando elas perceberam esse amor que sentiam e se permitiram falar isso, a comunicação ultrapassou diversas barreiras. Elas ficaram mais próximas e se enxergaram de uma forma diferente, sendo carinhosas e estando confortáveis uma com a outra. A partir disso, assumiram o relacionamento, não se envolveram mais com outras pessoas e se viram dispostas a estarem juntas. ​ A Renata tem 24 anos, faz Biblioteconomia, adora basquete e tem uma loja de camisetas (que vocês podem conferir clicando aqui!). Ela faz estágio em um Instituto de relações internacionais que dialoga entre o Brasil e alguns lugares da África e seu papel é organizar a biblioteca do lugar. Além disso, é apaixonada por fotografia e por audiovisual. A Vanessa tem 24 anos, é psicóloga, possui uma loja de acessórios e também ama fotografia. Ela dedica boa parte do seu tempo aos estudos sobre diversidade e relações raciais (com foco nas mulheres negras - que inclusive foi o tema do seu TCC) e, junto com a Renata, participa de um Coletivo LGBT em Fortaleza. A Vanessa fala sobre como foi se entender enquanto uma mulher negra e que suas referências vieram desde dentro de casa - pela mãe - até por figuras representativas na história e na literatura, como Marielle Franco, Djamila Ribeiro, Ângela Davis e Sueli Carneiro. Falamos também sobre as diversas coisas que fizemos e a importância de destacarmos isso dentro da nossa comunidade (como elas, que trabalham com suas profissões mas têm muitas outras profissões e já fizeram muita coisa por fora de uma palavra só que define formação) e de como precisamos incentivar o mercado de trabalho para quem faz de tudo nessa sobrevivência ao cotidiano. A Renata também lembra da mãe e, além disso, no âmbito artístico, diz que o primeiro professor de cinema é quem inspira e quem contribuiu para o reconhecimento próprio. Além disso, uma professora da faculdade a inspirou muito a seguir no curso de biblioteconomia. ​ Hoje em dia, elas sentem que a comunicação foi um dos maiores saltos no relacionamento. E, por mais que ainda existam desavenças, conseguem dialogar e ficar bem. Nesse momento fica mais claro o sentimento de amor para a Vanessa, porque volta ao que falamos inicialmente, de que precisa ser vivido com respeito. Ela acrescenta também o fato de que um problema delas é delas, mas um problema vivido por cada uma é compartilhado quando elas se sentem à vontade para isso (e por isso a comunicação serve para também trazer confiança no amor). Por fim, a Renata enxerga o quanto evoluíram, enquanto um casal e enquanto indivíduos. Ela acredita que o amor entre mulheres é mais carinhoso e cuidadoso e que, se pensado de uma forma romântica, ela se sente muito mais à vontade com mulheres. Já viveu situações em que homens abordaram a forma de se relacionar não-monogâmica dela enquanto algo sem limites, sem pudor e sem responsabilidade afetiva, enquanto ela não enxerga o amor assim. E, de uma forma não romântica, sente que as mulheres se identificam e se encontram, pensando nas relações familiares que construiu e no quanto o apoio é absolutamente natural entre as mulheres da casa. Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! < Rennata Vanessa

  • Bruna e Flávia | Documentadas

    A Bruna e a Flávia são duas mulheres que se encontram nessa vida através de um amor muito parceiro (e quase nômade, devido ao tanto que se mudaram nos últimos anos). Nos encontramos no Rio de Janeiro, local em que elas passaram a morar no meio do ano e que estão apaixonadas - pela praia, pela nova casa e pelos novos amigos - mas contam que já passaram por Curitiba, Belo Horizonte e por algumas cidades do interior de São Paulo. A paixão e a parceria voltam a aparecer nesse segundo parágrafo (e desculpa, mas vai ser bem difícil não soar repetitivo nesse texto porque é muito presente a forma que elas transparecem esses dois pontos) pois logo no começo da conversa a Flávia destaca que, por elas terem se mudado por conta do trabalho da Bruna, a parceria delas é algo que não abrem mão. Estão sempre caminhando juntas, se sentindo dispostas a enfrentar os desafios que encontram. A Bruna tem 26 anos e é atleta profissional de vôlei. No momento é a levantadora do Fluminense (e já esteve enquanto uma das levantadoras oficiais da seleção brasileira!). A Flávia tem 34 anos, é Personal Trainer e Fisiologista, mulher que domina muito o Crossfit e dá aula em academias. ​ Juntas, elas gostam muito de viajar e conhecer lugares, de estar com os amigos… e de, principalmente, aproveitar a companhia uma da outra: se curtindo e dando risada. Todos os dias, tentam manter um momento só delas: deixam o celular e a TV de lado, sentam no sofá e curtem a companhia uma da outra. É algo único na relação. Flávia conta que no começo era a mais tímida e a Bruna a mais extrovertida - que as pessoas naturalmente gostam muito da Bruna - e que era mais difícil elas quererem sair com os amigos, geralmente elas faziam de tudo para estarem sozinhas. Pelo fato do relacionamento ser à distância, acreditamos que isso também influenciava nelas quererem um momento só delas, claro. Mas hoje ela enxerga tudo com outro olhar, se sente mais aberta, mais à vontade e gosta de estar fazendo novas amizades, saindo por aí, sente que inclusive se permite ter mais confiança nas pessoas… É algo que destaca o quanto foi bom (e que nela acrescentou) ter aprendido ao longo dos anos. No começo do relacionamento foram dois anos à distância e por conta da pandemia os campeonatos de vôlei foram suspensos, fazendo com que Bruna tivesse um tempo sem planos para novas mudanças. Por mais que os pais dela estivessem morando em Curitiba, ela nasceu em São Paulo e elas já tinham passado por Piracicaba e Osasco, então alugaram um apartamento em Piracicaba e conseguiram ficar lá alguns meses. Foi uma experiência muito feliz morando juntas (inclusive, viram que deu super certo e decidiram realizar a União Estável). ​ A relação da Bruna e da Flávia vem, como elas mesmo intitulam: “num encontro de almas”. Ambas passaram por dois relacionamentos longos e bastante tóxicos, sendo mais jovens e isso acabou gerando um certo trauma e uma insegurança ao se envolver novamente com alguém. Elas se conheceram em 2016, quando ainda estavam em seus relacionamentos, em meio aos campeonatos esportivos (e inclusive torceram uma pela outra), mas só vieram a ter interesse em se conhecer melhor dois anos depois, através de um dos melhores amigos em comum. Por mais que se sentissem machucadas e desacreditadas no amor, quando se conheceram algo ali fez florescer a possibilidade de algo dar certo. Foram com muito cuidado para não cometer os erros do passado, sempre investindo ao máximo em comunicação e em serem sinceras sobre os sentimentos, não deixar para depois ou empurrar algo... esconder alguma coisa… assim, conseguiriam consolidar confiança. Desde então, já passaram por muitas coisas - e elas devem estar pensando “Ufa! Coloca MUITA coisa nisso!”. A Bruna se assumiu para a família (que naquela época jamais aceitaria e hoje vivem uma relação bem bacana ♥) (e que, também, teve um apoio muito legal das colegas de time e do técnico, importantíssimo de ressaltar), além disso tiveram as mudanças, a mãe da Flávia passou por uma situação de doença familiar bastante difícil afetando sua autonomia, Bruna inclusive viajou para a China nesse período, mas nunca deixou de dar apoio e suporte. Enfim, todas essas situações (e tantas outras, né?) serviram para que elas chegassem à conclusão do significado de suporte: elas se entendem enquanto uma balança. Quando uma não tá muito bem, a outra dá o apoio, assim vice-versa. Elas estão ali realmente como um impulso uma para a outra, um levantamento diário. Comentam sobre a pandemia em relação ao esporte, o trabalho, as mudanças, como isso diariamente vai afetando e como diariamente também elas se impulsionam, é um esforço que vai do levantar até o ir dormir e que é conjunto, não parte apenas parte de uma dentro do relacionamento. ​ Para elas, o amor é puro. É como uma entrega gratuita que vem de dentro para fora. E é sobre essa troca diária que elas fazem: necessita dedicação e muita entrega, mas você também recebe. Isso engloba amigos, famílias, relacionamentos românticos… E essa troca é justamente fazer sem esperar nada em troca. Na hora, a gente ri, porque parece não fazer sentido, mas faz, né? Achamos que faz. Elas entendem que a sociedade precisa de muito mais amor porque o amor e carinho são capazes de salvar as pessoas (e sobretudo, ajudá-las). Bruna entende que o amor acontece naturalmente, mas que em um casamento com o convívio diário se torna uma escolha: Escolher amar o outro pelo compromisso, responsabilidade e respeito mesmo nos momentos de dificuldades e discordâncias. Flávia comenta o quanto sente o amor latente pela mãe dela, pois sua família é a sua base e sempre estiveram por perto, sendo sua mãe seu braço direito, sua amiga. E o quanto foi forte o baque da doença. O amor é também um processo de amadurecimento - e esse amor, que elas têm, é como o que abraça todas as outras coisas: o acolhimento, o cuidado, o suporte e um verdadeiro “tô contigo para o que for”. O que vale também para a Bruna, que desde o começo acompanha e dá suporte e forças para enfrentar: não tem jeito, eu disse que ia ficar repetitivo, porque é isso o que elas realmente são > é amor de parceria. Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! < Bruna Flávia

  • Carol e Joyce | Documentadas

    Quando conheci a Carol e a Joyce nos encontramos num museu em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro e ficamos um tempo por ali, conversando e fotografando. Passamos a manhã juntas e logo entendi que elas seriam pessoas das quais eu gostaria de ter como amigas de verdade, como uma das conexões que o Documentadas propõe trazer para todas nós. Um tempo antes da história delas ser lançada aqui no site, estive no aniversário da Carol e ouvi uma fala, vindo de uma amiga próxima, sobre elas, que ecoou durante alguns dias: “São pessoas que adicionam na sua vida. Sabe? Pessoas que acrescentam. Não estão ali por estar. Elas sempre somam em algo. Sempre te trazem algo, não passam despercebidas”. Ouvir essa fala sem-querer (até porque foi realmente sem querer, já que a pessoa não falou para mim, eu ouvi de puro enxerimento) foi como ouvir um conselho - e levei a sério: desde então Joyce e Carol já frequentaram minha casa, compartilhamos rotinas, chamamos para almoços de família e planejamos incansavelmente andar de skate aos sábados de manhã. Começo esse texto dessa forma não por ego e vontade de mostrar um começo de amizade, mas por acreditar que isso descreve muito sobre quem as duas são. Quando conversamos, aquele dia lá em Niterói, Joyce falou sobre o quanto, para ela, amor significa compartilhar. Também ceder, doar, mas principalmente pensar nesse coletivo. O amor delas é sempre coletivo, elas abraçam sonhos. Tudo o que uma sente, a outra sente, então nunca é “meu”, vira “nosso”. Elas falam no coletivo - e, quando eu falo com elas, também falo no coletivo. É um “tudo bem com vocês?” mesmo que eu esteja falando com uma pessoa só no Whatsapp. Essa partilha fala sobre a forma que elas querem sentir as trocas e as vivências e na nossa conversa a Carol explica também o quanto ela aprende sobre olhar mais o outro, ouvir mais o outro lidando com todas as pessoas, mesmo fora do relacionamento. Elas destacam o quanto esse “doar” e ser “coletivo” não é apenas sobre coisas materiais, sobre dinheiro e sobre posse. Mas doar tempo, doar afeto, estar presente. Contribuir de alguma forma para deixar as coisas um pouquinho melhores. E ver a diferença que isso faz, entender o quanto isso acaba refletindo na vida de quem é atingido pelas atitudes e por quem toma a iniciativa… o quanto elas se ajudam profissionalmente, o quanto as amizades delas são agregadas por pessoas com propósito e o quanto a relação delas é construída por puro afeto. A Joyce tem 35 anos e é carioca, natural de Duque de Caxias, na baixada do Rio. Ela é topógrafa, mas trabalha com muitas coisas - pedreira, marceneira, costureira, restauradora, faz-tudo, decoração… mexer com coisas em casa é com ela mesmo! Já a Carol tem 37 anos e é vendedora em uma operadora de celulares. Ela sempre morou no mesmo bairro (e na mesma casa!) em Niterói, por mais que a gente brinca muito por antigamente ela ter tido uma alma burguesa e vivido na utopia de quem morava no Leblon. Essa brincadeira existe porque elas se conheceram há 12 anos atrás numa festa em Madureira, lugar que a Carol jamaaaais frequentaria (justamente por só frequentar festas na Zona Sul, consideradas para um público burguês) e estava lá por um acaso, quando desceu para ir ao banheiro. Foi nesse caminho que viu uma menina atrás da Joyce e achou ser uma conhecida, foi em direção dela e a Joyce a “puxou”, lançou um papinho e elas ficaram logo de cara! A Carol brinca que o baque foi grande, a perna ficou bamba e ela nunca tinha sentido isso na vida! Então chegaram à conclusão de que precisavam do contato uma da outra, né? Mas para a juventude de plantão, a gente explica: lá no ano de 2009, não era tão normal sair com o celular, ou seja, nenhuma das duas tinha como anotar telefone ou MSN. Foi aí que elas chamaram uma amiga que também estava sem telefone, mas que garantiu que decoraria o número… e não é que decorou?! Na segunda-feira elas se ligaram (assim, por linha móvel) e começaram a conversar. Ou melhor, ficou uma coisa meio estranha, né? Segundo a Carol, existem fases: teve a fase do monólogo, a fase de ficar horas, a fase de não saber o que falar… foram momentos super diferentes, mas o ponto é: elas não queriam namorar, apenas estavam curtindo aquilo. A Carol saia para outros lugares e depois ia pra casa da Joyce em Caxias, a Joyce também saia… ficaram um tempo assim até que Joyce começou a namorar outra pessoa, ligou um dia e pediu que a Carol não ligasse mais para ela e nem aparecesse mais na casa dela. Assim. Foi forte, mesmo, viu?! E aí a Carol logo pensou “Como assim, namorando??” e a ficha dela caiu por completo: “mas quem quer namorar você sou eu!”. Ela foi atrás e investiu: deixou claro o sentimento e pediu a Joyce em namoro. A Joyce aceitou e elas começaram essa aventura que vem durando 12 anos. Nesse tempo todo elas já moraram em Caxias, já foram para o interior do Pará por conta do trabalho da Joyce e ficaram lá por 1 ano (mas, pela adaptação difícil, voltaram ao Rio) e hoje em dia estão morando juntas em Niterói, com seus dois gatos e um lar muito aconchegante. A Carol comenta que acredita agora estar vivendo a melhor fase de todas no relacionamento delas, ou pelo menos, a mais saudável. Elas adoram andar de skate, de bike, acampar, fazer trilha, cross, rapel e pegaram muito gosto pela corrida. A Joyce passou por uma cirurgia para redução de peso e a Carol a acompanhou nesse processo passando também pelas dietas alimentares. Elas falam sobre como é um corpo gordo estar no esporte, como se sentem felizes fazendo trilha, andando de skate, fazendo rapel. E como se sentiam inseguras quando vestiam os equipamentos e recebiam olhares. Hoje em dia, tentam reafirmar cada vez mais o esporte como uma necessidade e um hábito para o corpo ser saudável e motivo de felicidade semanal para as duas. A Carol brinca sobre o espírito aventureiro da Joyce tornar a frase mais utilizada ultimamente ser “Joyce, cuidado!”, mas mesmo ficando preocupada, sabe que ela faz porque ama. E reforça o quanto a corrida têm salvo ela do estresse, principalmente em meio a pandemia. Por mais que elas já viveram diversas fases no relacionamento, sendo baladeiras, viajadas, morando em outros lugares e se permitindo outras coisas, viver algo mais voltado à saúde agora também está sendo prioridade porque elas começaram a perceber algumas coisas ao redor estarem um pouco diferentes. Isso aconteceu por pensarem sobre o envelhecimento. Elas querem se ver com saúde ao envelhecer e querem estar dispostas para fazerem as coisas sozinhas. Entendem que serão só as duas, que não podem contar com muitas pessoas, então o corpo é um aliado fundamental e precisa estar bem. No fim da nossa conversa a Carol falou sobre a união delas e sobre o amor - o amor em si ela enxerga como Deus, porque Deus está em tudo o que ela faz e quando ela coloca Deus nas coisas, essas coisas dão certo - e a união delas é como a luz da vida dela. A Joyce é uma pessoa que sempre traz ela de volta para onde ela deve estar (e o relacionamento traz muita vida à ela). Quando pergunto sobre onde é esse lugar que ela deve estar ela explica que é: “No pensar nos outros, na natureza, nos meus propósitos e justamente em me envolver com os meus propósitos. Me envolver no que estamos querendo deixar para as próximas pessoas, as próximas gerações, porque nada é em vão também. É reinício, reconstrução, fortalecimento.” Por mais que a Yasmin e a Ignez se conhecessem desde 2019, elas foram ter o primeiro encontro e sair de verdade só em 2020, mais especificamente, um fim de semana antes da pandemia ser oficializada no Brasil - e em Fortaleza, cidade onde elas moram. Elas contam que estavam juntas quando saíram as primeiras notícias na TV sobre o primeiro caso de COVID-19 no Ceará e que no dia seguinte viraram 3 casos e que no dia seguinte dos 3 casos foi anunciada a “quarentena”. E aí? Como que duas pessoas que moram com os pais começam a construir um relacionamento (e a se conhecer) num contexto inicial de pandemia? Hoje, mais de um ano depois juntas, elas contam quanta coisa foi possível fazer mesmo estando dentro de casa: descobriram hobbies, cozinham juntas, jogam videogame, estudam muito, escutam música, se reinventam. A família da Yasmin desde o começo soube da Ignez e sempre foi uma convivência tranquila… enquanto a Ignez, nesse meio-tempo, se abriu e resolveu contar para os pais que estava namorando - isto, inclusive, é um processo recente, mas que está dando certo! Ela conta que há um ou dois anos atrás jamais se imaginaria dizendo que a família sabia e apoiava o namoro dela com outra mulher… e que hoje isso acontece naturalmente. Reforça: “Não que seja fácil, mas de estar acontecendo me deixa mais tranquila. Eu contei num segundo de coragem, sabe?”. ​ Yasmin tem 24 anos e estuda Arquitetura na Universidade de Fortaleza. Ela e o seu irmão sonham em montar uma empresa de engenharia e, além do trabalho, adora cantar, tocar violão, pintar aquarela... É uma pessoa que adora ser criativa, montar coisas e deixar o corpo se expressar. Ignez tem 25 anos, é formada em Direito e quando nos encontramos estava com foco total estudando para a OAB. Ela adora ouvir música, conhecer lugares novos e viajar. Inclusive, mesmo na pandemia, elas têm conseguido viajar de carro até o interior para ficar na casa de parentes e isso acaba garantindo uma experiência muito legal para as duas, é algo que adoram fazer. Mesmo com as dificuldades que, não só a pandemia, mas a vida em si nos coloca, tanto a Ignez quanto a Yasmin se mostraram ser pessoas que conversam muito e que se ouvem muito também. Nos momentos mais complicados, elas tendem a ficar juntas e resolver as coisas juntas. A Ignez diz “Às vezes só de estarmos quietinhas, no mesmo ambiente, já ajuda”. Ou seja, não precisa ser uma questão de resolver tudo o tempo todo, mas de gerar apoio e acolhimento. Elas acreditam que o diálogo consegue resolver qualquer coisa e possuem um acordo de que não vão dormir brigadas, então caso aconteça algum desentendimento, tentam resolver de alguma forma ou ao menos respeitam o espaço, mas não ficam desentendidas uma com a outra. ​ Mesmo que as duas tivessem vários amigos em comum, elas nunca tinham se esbarrado por aí. Mas a Ignez já tinha visto a Yasmin pelas redes sociais. E então, lá em setembro de 2019, rolou uma festa chamada “Tertúlia” em Fortaleza e a Yasmin apareceu por lá. Quando ela chegou e a Ignez viu, ficou até um pouco nervosa. Elas deram um oi, mas a Ignez percebeu a Yasmin saindo com outra menina da festa e desistiu. Uns dias depois, resolveu segui-la no Instagram e a Yasmin seguiu de volta. Meses se passaram, ela até tentou interagir pelas redes, mas não rolou. Quando o ano virou e chegou 2020, era fevereiro e elas estavam na festa de uma amiga em comum, então a Ignez viu a Yasmin chegando e até comentou com uma amiga: “Nossa, sabe aquela menina lá da festa Tertúlia? Ela tá aqui!”. Nessa festa, elas conversaram a noite toda, ficaram na borda da piscina tomando drink, dançaram forró juntinhas e se divertiram muito. E aí a Yasmin chegou nessa amiga em comum e disse que achava que ia rolar algo com a Ignez… até a amiga soltar a fatídica frase: “Não, amiga!!! Ela namora! Ela só é assim mesmo. Ela é simpática!”. O mundo da Yasmin caiu naquele momento. Ela ficou sem entender nada. Como assim?? Namora?? Um amigo dela já sabia da história do “relacionamento” da Ignez - que não era um namoro super longo e oficial, era um rolo que ela tinha com uma menina - e disse para a Yasmin “Vocês vão ficar hoje.”, mas ela estava decidida que não, por conta do namoro e tentou evitar isso a noite toda. O amigo ainda completou: “Ela “namora”, mas já-já esse relacionamento aí acaba”. ​ Ele acabou estando certo. Na hora de ir embora elas conseguiram uma carona para irem juntas e ficaram bastante próximas, foram até um local onde pediram o uber para a casa e lá aconteceu um beijo. Elas conversaram no dia seguinte sobre o que tinha acontecido, entenderam que tinha sido errado e que não era certo continuar e uns dias depois a Ignez realmente terminou o relacionamento. No carnaval, em seguida, elas se encontraram, mas pouco se falaram. Trocaram algumas mensagens pelo Whatsapp um tempo depois e a Yasmin soltou uns flertes, só para cutucar, mas depois falava “Ei, você não pode flertar de volta, porque você namora!”. Pois foi aí que a Ignez contou que não namorava mais e que poderia, sim, corresponder ao flerte. Foi nessa semana que elas decidiram sair juntas, que tiveram o primeiro encontro oficial e que em seguida a pandemia começou. No dia das namoradas, em junho, a Yasmin pediu a Ignez em namoro (mas foi praticamente uma corrida! Porque a Ignez também estava preparada para fazer o pedido). ♥ Para elas, o amor é uma construção. Seja ele entre um casal, entre a família ou amigos. É sempre construir e lutar para que seja bom, leve (que precisa ser leve) e que amar é você olhar para alguém e sentir que o que foi construído é genuíno, que veio de dentro da alma. Amar é, também, uma conexão de muita intensidade, principalmente entre duas mulheres - são corpos que desenvolvem uma força inexplicável, é revolução, uma luta constante contra quem quer que seja, contra tantas violências, e a favor do amor, com resistência. Quando pergunto como elas se sentem morando em Fortaleza e como enxergam a cidade, Yasmin comenta que gosta muito de lá e que sente muita falta de sair e curtir a cidade em si, mas que se tivesse o poder de mudar algo socialmente e culturalmente falando, seria que as pessoas respeitassem mais a história da cidade e trocassem mais o respeito entre si como um todo. Ela entende que se nos fosse ensinado a conhecer e respeitar a história da cidade e a história das pessoas que estiveram lá antes de nós estarmos, viríamos tudo com outro olhar e cuidaríamos mais dos espaços. A Ignez concorda com a educação sobre o nosso povo e completa que, nos dias de hoje, ela sente muita falta da segurança. Sente que o policiamento está sempre presente nos bairros nobres, mas que nas periferias e nos locais menos frequentados pela elite (como espaços centrais ou mais boêmios da juventude), é muito comum não se sentir segura. Gostaria que esses espaços e que a segurança em si fosse repensada - para que chegasse em todos. Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! < Joyce Carol

  • Bibiana e Emily | Documentadas

    Encontrei a Emily e a Bibiana em um fim de tarde próximo à orla do Guaíba, em Porto Alegre, há uns meses atras… foi durante um movimento inicial, em que elas estavam se permitindo sair na rua novamente para ver o pôr do sol (depois de todo o período de isolamento pandêmico) que elas toparam fazer parte do Documentadas. Sentamos na grama, numa área distante de onde a maioria das pessoas circulavam e conversamos por um tempo, nos conhecendo e compartilhando ideias. Ouvi o que elas pensavam sobre o amor, sobre as relações que as mulheres constroem juntas e, claro, sobre a relação que elas construíram em meio à pandemia. A Emily acredita que o amor é algo muito relacionado à aceitação, ou seja, que nem sempre a pessoa amada vai ser o que você espera, ou que os projetos que vocês desejaram vão ser exatamente o que vocês imaginaram, mas que o amor está nesse lugar de aceitar a realidade e de conseguir ser compassivo. O amor fala sobre conseguir ter compaixão pelas coisas, mesmo quando elas não são aquilo que desejamos. E que, até mesmo como um acréscimo, o amor entre mulheres surge enquanto uma vontade muito latente de construir algo, enquanto um projeto de vida, envolvendo casa, respeito, vontades… é literalmente uma construção conjunta. A Biba ouve ela falando tudo e a observa, depois complementa: ela entende o amor enquanto um apoio e um cuidado que está ali (não naturalmente, porque temos que cuidar, disponibilizar nosso tempo e nos dedicar, não podemos largá-lo… mas ele está ali). E entende a relação dela com a Emily enquanto duas mulheres que não soltam as mãos. Bibiana possui 35 anos, é funcionária pública, moradora de Porto Alegre e participa de coletivos e iniciativas LGBTs dentro do próprio Tribunal do Trabalho, entre comitês de equidade de raça, gênero e pessoas com deficiência, trabalho que desempenha com muito orgulho. Emily possui 29 anos, é redatora e trabalha com publicidade, além disso, também atua enquanto artista burlesca produzindo um sarau - o Sarau Pelado. O intuito do evento é que as pessoas se sintam à vontade para despir-se e estar nu, numa forma de aproximar cada pessoa com o próprio corpo, o ‘despir-se’ não é só de roupas, mas dos preconceitos que carregamos, e através de uma literatura mais íntima e de uma arte acolhedora poder deixar as pessoas à vontade para serem quem são. Elas acreditam que a cidade precisa da cultura para existir e que o acesso à cultura é algo básico e primordial, porém, mais que isso, falamos sobre o momento crítico em que estamos vivendo e quando pergunto sobre como elas enxergam à cidade e o que gostariam de mudar a primeira coisa que surge na resposta, sem titubear, é a vontade de que todas pessoas tenham acesso à moradia e alimentação. Parece ser algo simples, mas comentamos sobre a população em situação de rua em Porto Alegre ter crescido em números gritantes e a forma que a cidade muda aos poucos, a desigualdade cresce e nos sentimos paradas em meio à isso tudo, então elas comentam iniciativas que tentam ter em meio à pandemia para ajudar da forma que podem, ou seja, a conclusão é: no momento não tem como essa não ser a questão de direito e de mudança prioritária: acabar com a fome e ter moradia digna. As duas se conheceram através de um aplicativo de relacionamentos um tanto quanto famoso por aqui (né, Tinder?), no ano de 2019. Foi num encontro sem nenhuma pretensão que o verdadeiro “match!” aconteceu: o papo foi bom, elas se divertiram e curtiram bastante. Até que, no meio da noite, começou uma chuva muito forte - fazendo-as tomar aquele banho! - e por estarem perto da casa da Emily, ela chamou a Bibiana para entrar... a partir daí tudo fluiu. No começo da pandemia elas chegaram a morar juntas um tempo, porém sentiram necessidade de estarem cada uma em suas casas. Não existiu um motivo exato na volta, foi uma movimentação e uma decisão tranquila, muito mais sobre o espaço delas do que sobre a relação em si. E, quando perguntado sobre momentos difíceis que passaram juntas, elas pensam e chegam à conclusão que nenhum desentendimento pessoal foi (e tem sido) maior que viver (e sobreviver) a pandemia uma ao lado da outra. A pandemia ensinou muito sobre lidar com as nossas emoções e com os nossos sentimentos - para além de todos os problemas e incertezas que ela nos trouxe - então elas explicam que a Emily é a pessoa que quer lidar com os problemas na hora, quer resolver logo, enquanto a Bibiana prefere esperar e absorver tudo para depois conversar sobre as coisas. O desafio, entre elas, é estabelecer esse equilíbrio. Se apoiar entre as chateações diárias que os problemas externos nos trazem (a pandemia, a política, as incertezas) e tentar conversar sobre os internos (a relação em si). No mais, vivem dias relativamente tranquilos, entre beber, fumar na varanda do apartamento da Bibiana e passear nos fins de tarde na pracinha do bairro. ♥ Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! < Bibiana Emily

  • Clara e Mayara | Documentadas

    Foi através de um aplicativo de relacionamentos, em 2016, que a Mayara e a Maria Clara se conheceram. Elas conversaram um pouco, trocaram algumas ideias... e um tempo depois, a Clara estava numa roda de amigas, conversando, na rua, quando viu uma moça passando e identificou as tatuagens e o jeito parecido com “aquela que havia dado match no Tinder”. Ela conta que Mayara veio lhe encarando, mas que ambas não tinham certeza se eram mesmo quem imaginavam, então trocaram mensagens para se certificar, do tipo “eu passei por você agora há pouco?" e interpretaram aquele encontro como um sinal, para se encontrarem mesmo, com data e hora marcada, em breve. No fim de novembro de 2016 foi quando começaram a se relacionar e vivenciar momentos de altos e baixos, idas e vindas. Em setembro de 2017, quase um ano depois, foi quando realmente entenderam o que tinham enquanto um namoro. Esse entendimento e essas “idas e vindas” levaram tempo por conta de processos bastante internos e hoje, olhando para trás, percebem que o relacionamento mudou muito desde o início. Parte desse processo vinha de uma movimentação mais defensiva da May, que aos poucos foi compreendendo que elas estavam juntas para se ajudar. Nesse primeiro ano, a May sofreu um episódio de homofobia bem doloroso. Ela estava sozinha, num lugar até então seguro e foi agredida por pessoas que chegaram de fora da sua casa. Esse movimento de passar por violências muito graves que jamais imaginaria trouxe muito sofrimento e também um sentimento de querer encontrar a Clara por a entender como um apoio e alguém com quem poderia contar. Enquanto a Clara, por sua vez, respeitou e acolheu de forma essencial, deixando com que mesmo entre muitas dores, a May pudesse se sentir em segurança ali. Assim, com o passar do tempo e dessas turbulências, elas foram amadurecendo o sentimento. Outras coisas que envolviam a relação também foram amadurecendo naturalmente, como ciúmes, relações com familiares (que passaram a compreender e apoiá-las) e o próprio respeitar espaços de cada uma foi fundamental para que a relação pudesse ter maior conexão e intimidade. ​ Tanto a Mayara, quanto a Maria Clara, possuem 28 anos. Mayara é de Rio Claro, mas foi morar em Campinas há 9 anos para ser publicitária - profissão que desenvolve em uma agência - trabalha com atendimento ao cliente também, além de alguns trabalhos com redação, que é o que ela mais gosta. A Clara é boleira, faz bolos por encomenda, tanto caseiros, quanto para festas (e são muuuuuuito gostosos!). Além disso, a Clara também faz alguns trabalhos temporários em atendimento e suporte ao cliente. Ah, outra informação sobre elas que não poderia faltar, né? Elas são opostos complementares nos signos: áries e libra - e isso sempre esteve presente nas conversas, desde que se conheceram. No momento que nos encontramos conversamos bastante sobre a pandemia, elas contam que a adaptação foi difícil, tanto no trabalho, quanto na relação, na vida, nas amizades, no dia a dia. O trabalho envolvia vendas na presencialidade e tiveram que trazer os clientes para o meio online, sendo um desafio imenso, sentindo desconfortos pelas videochamadas, desconhecimento de tecnologias, foi uma adaptação bem grande. Elas entenderam que trazer o conforto para a situação é o maior desafio em seus trabalhos, tentam descontrair e fazer os clientes se sentirem tranquilos, mas ligar uma câmera não é fácil (e possível) para todo mundo. Além disso, foi difícil parar de fazer o que mais gostavam, como sair com o Paçoca (o cachorrinho mais educado e querido desse mundo!), ir à praia e sair um pouco do mesmo espaço dentro de casa para conseguir se movimentar, então perceberam ansiedades aumentando, momentos de maiores cobranças e imediatismos. A forma de tentarem se ajudar e deixar tudo mais leve foi reinventando os espaços em casa, a May se mudou para dividir o lar com a mãe da Clara e a Clara e a partir disso elas passaram o tempo livre maratonando séries, compartilhando refeições e investindo nos instrumentos musicais. Elas têm se permitido sair para andar de bicicleta, brincar com o Paçoca, visitar a família e ir até a casa no sítio. ​ Elas sempre se enxergaram dispostas a viver o amor e a estarem juntas e isso é o que mais se destaca para a Mayara. Ela diz que ambas sempre estão percebendo uma à outra de maneira inteira, com suas qualidades e defeitos. Quando enfrentam momentos em que as coisas se tornam um pouco mais sensíveis, entendem que é preciso encontrar força conversando e buscando uma na outra, porque o amor está também nessa persistência, nessa vontade de estar juntas e nesse encaixe que ele possibilita. A Clara percebe que o amor é desejar e entender o que queremos para o outro (a pessoa com quem nos relacionamos) e para a gente (a nossa relação) - e não só, para que isso se espelhe/se reflita nos outros também, nas nossas relações com as pessoas que estão ao nosso redor, visto que o amor não precisa envolver apenas o romântico e o sexual. Ela acredita que amor envolve companheirismo, incentivo, uma parceria mesmo. Isso faz com que as coisas permaneçam fortes e saudáveis ao longo dos anos, trazendo essa preocupação em relação ao bem estar… e, principalmente entre as mulheres, no que envolve afeto, porque acredita que o companheirismo e a escuta são nossas principais características. Tivemos várias conversas sobre como vimos as relações humanas hoje, além do relacionamento delas, mas como as pessoas se relacionam hoje em dia e, alguns dias depois, recebi uma mensagem falando como foi importante a participação no projeto porque fez com que elas olhassem para o relacionamento delas com maior respeito pela história que construíram juntas. Fiquei feliz pelo o que o Documentadas provoca na gente, esse autoconhecimento, mas também pelo reconhecimento que merecemos ter porque nos amarmos, enfrentarmos tantos preconceitos e termos uma história que resiste e que se permite conhecer, estar aberta e aprender com seus erros, é de fato, ter coragem. Obrigada por compartilharem a história e aproveitem o amor de vocês, meninas ♥ Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! < Mayara Maria Clara

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  • Thaysmara e Letícia | Documentadas

    A Thaysmara tem 22 anos, é natural de Fortaleza, capital do Ceará e trabalha na empresa que fundou junto com a Letícia, a Trevo. Lá, elas são artesãs, produzem diversos acessórios - e mais que isso, são empreendedoras, fazem artes gráficas, engajam com o público nas redes e enviam para todo o Brasil (vou deixar o Instagram aqui, então pra seguir é só clicar!). A Letícia tem 25 anos, é formada em Educação Física e no momento em que eu fotografei e conheci elas ela estava trabalhando em escala de ensino híbrido, ou seja, entre a escola e o home office. Letícia mora em Maracanaú, uma cidade que está localizada na região metropolitana de Fortaleza e se desloca diariamente até a capital. Conversando sobre esse método de trabalho híbrido e sobre tudo o que a educação brasileira enfrentou durante o período que vivemos - de pandemia - ela conta que se sente trabalhando muito mais que antes, principalmente, por estar atenta ao Whatsapp o tempo todo. “Temos que responder em qualquer horário, porque é o horário que o aluno está estudando. E se não responder, talvez ele não faça mais. Se eu responder só no dia seguinte vou perder o tempo, aí ele vai perder o interesse, pode estar ocupado, não vai voltar na dúvida que tinha antes… e eu vou perder meu propósito. Eu quero que ele aprenda”. Antes da pandemia, a Thays trabalhava com confeitaria junto com a madrinha dela, mas com a fundação da Trevo e os pedidos acontecendo, acabaram focando apenas em uma empresa. E a Letícia estava trabalhando enquanto auxiliar de treinadora no time de basquete que jogou por muitos anos - inclusive, é um dos seus hobbies: praticar diversos esportes como vôlei, futebol e, claro, basquete. ​ No final de 2018, um pouquinho antes do natal, elas se conheceram. Foi por conta de um velho conhecido (Digo isso pelo tanto de vezes que ele já apareceu no site do Documentadas): o Tinder. Elas deram “match” e conversaram pelo Whatsapp, viram que moravam relativamente perto e comentaram de se encontrar. O encontro só aconteceu mesmo cerca de duas semanas depois. Se encontraram em um bar (o que estava marcado para às 16h, virou 21h por conta de um atraso da Thays) e o encontro foi um pouco desajustado pela soma de fatos de que a Thays estava bastante tímida e a Letícia falando a maior parte do tempo para que tivessem assuntos. Depois do bar elas se beijaram, ali por perto e no final, acabou que não teve desajuste nenhum! Foi tudo bem positivo. Elas se viram nos dias seguintes do primeiro encontro e, mesmo que a Thays não fosse assumida para a família, ela chamou a Letícia para ir na casa dela (enquanto uma “amiga”). Ainda em dezembro, começaram a namorar. Mais especificamente, no dia 22. Porém, aconteceu algo bastante inesperado nessa história: Um dia depois do pedido de namoro elas saíram com alguns amigos para comemorar e foram em um restaurante. Na volta para a casa, estavam de moto e sofreram um acidente. A moto derrapou e elas caíram, se machucaram levemente (no sentido de ralaram o corpo, mas não tiveram fraturas) e estavam conscientes para ligar para os amigos. A Letícia chorou bastante, sentiu vergonha e achou que era ali mesmo o fim do namoro mais rápido que ela já teve, até que a Thays soltou a frase: “Agora a gente só termina quando a cicatriz sair”. E, bom, a cicatriz tá ali… E elas estão juntas. Não preciso falar mais nada, né? Porém, neste natal, para ninguém desconfiar e ver os machucados, tiveram que passar usando roupas de mangas compridas. ​ Foi no começo do ano de 2019 que, ao vê-las saindo juntas o tempo todo, os familiares começaram a desconfiar que não seria apenas uma amizade. O padrinho da Thaysmara chamou-a para conversar e ela acabou contando. Não foi nenhum pouco fácil se abrir para a família, mas aos poucos, tudo foi acontecendo e ela passou a voltar a morar com a avó nesse meio tempo, também somando no processo do começo de relacionamento das duas. Hoje em dia, elas passam muito tempo na casa da Letícia, porque a mãe dela é muito tranquila (Inclusive, foi a mãe quem ‘tirou ela do armário’!) e gostam bastante de passar a semana toda juntas por lá. A Letícia conta que existiram muitos momentos difíceis nesses anos de relacionamento, mesmo que elas sejam pessoas super tranquilas e estão sempre rindo por aí. São nos atritos que elas entendem que lidam de forma diferente: ela prefere conversar na hora para resolver, já a Thays tem que ter um momento para pensar sobre o que está acontecendo. No fim das contas, sempre se entendem. A Thays completa que cada vez menos as discussões acontecem, num sentido de ‘briga’, porque sempre tentam prezar por um relacionamento mais equilibrado e tranquilo, já que as duas possuem personalidades assim. Elas entendem que não é um cabo de guerra, então quando elas 'cedem', não estão perdendo, mas estão cedendo porque uma tá precisando um pouquinho mais de atenção, de tempo, de cuidado que a outra. E que a briga é diferente da conversa, é aí que encontram bastante do amor que sentem, porque confiam para falar bobagem e dar risada, como também para ter assuntos sérios e confidenciar inseguranças que sentem. mar água de coco e ver o pôr do sol. A Letícia diz que amor, para ela, é um sentimento que não deve nos remeter a dor. E que quando você se sente amada, você vai sentir isso da forma que você é - e pelo jeito que você é. Já a Thays pensa no amor e lembra logo da infância. Do cheiro da comida e do carinho da avó. Ela diz que desde criança gosta muito de observar o céu… então pensa por um tempo e conclui: é isso que ela sente sobre o amor. Quando falamos sobre mulheres, ambas dizem se sentir muito mais seguras falando com uma mulher sobre qualquer coisa. Não que seja realmente uma relação mais fácil, porém você se sente num ambiente acolhedor, porque há mais empatia. A Letícia lembra da mãe, da avó e da tia… fala sobre as mulheres que participaram da sua criação. E a Thaysmara conta a diferença que sentiu quando se relacionou com uma mulher, principalmente, na conversa em si - foi o espaço em que ela conseguiu se abrir de forma tranquila, sem o medo do pré-julgamento. Por fim, mas não menos importante, perguntei para as duas o que elas gostariam de ver acontecendo em Fortaleza e elas citaram mudanças na questão de infraestrutura e do transporte público. A Letícia conta que não conseguia ter dois empregos por conta da mobilidade não dar conta de levar as pessoas em um tempo útil atravessando alguns cantos da cidade e que, agora, tendo a moto, entende que é muito perigoso pelo risco que as estradas representam com a quantidade de buracos nas vias e pouca qualidade no trânsito. A Thays complementa que, além do que enfrentamos no cotidiano quando tentamos sair de casa, ela queria ver mais lazer nas comunidades e conseguir mais cursos voltados para a arte, pois todas as vezes que tentou se inscrever, enfrentou dificuldades - e que esses cursos realmente nos profissionalizem enquanto artistas - para que o mercado de trabalho também se prepare para nos receber. ​ https://www.instagram.com/trevoacs/ entregam em todo o BR Por mais que a história da Jéssica e da Natasha só tenha virado um registro no Documentadas depois de 6 meses de projeto no ar, ela chegou aqui lá no começo, antes mesmo de nos conhecermos, logo na segunda vez em que coloquei o corpo na rua e me dediquei a fotografar um casal: Quando a Rebecca e a Priscila, duas mulheres que já apareceram por aqui, me contaram empolgadas que havia uma história que eu precisava conhecer. Eu ouvi um “É tipo aquelas histórias de mulheres que tão juntas há muito tempo! Que a vida deu várias voltas. Elas se reencontraram e agora ela se mudou para Porto Alegre e se casou nesse reencontro! É a minha prima! Vou te passar o contato dela!” e bem que pensei “É possível! Eu vou passar por Porto Alegre em breve.” Quando encontrei a Natasha e a Jéssica em Porto Alegre e conheci toda a grandiosidade da história entendi que as mulheres realmente fazem tudo - e que a vida sempre dá uma forcinha quando quer nos juntar, né? ​ A Natasha e a Jéssica se conheceram há muitos anos atrás, por conta de uma amiga em comum, quando eram adolescentes. A Jéssica é natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e a Natasha é natural do Rio de Janeiro, a capital. Ambas conversavam pela internet e participavam de comunidades no Orkut sobre gostos em comum, entre eles, uma série chamada Buffy. O que tinha de mais especial que unia a série é que elas já gostavam muito, até que em certo momento a série virou uma febre e aconteceu o surgimento de um casal LGBT, sendo uma referência muito grande para diversas adolescentes daquela época. Foi por conta desse casal, da série e das comunidades no Orkut e dos grupos no MSN que a Jéssica e a Natasha realmente se aproximaram, mas a Jéssica tinha uma visão de que a Natasha era meio “doidinha”... ela chegava das festas de madrugada e ficava online, era muito agitada… enquanto a Jéssica era mais tímida e mais quieta. A Jéssica se envolveu com uma amiga em comum da Natasha, um tempo depois elas terminaram e, como ela conversava muito com a Natasha, surgiu o convite de conhecer o Rio de Janeiro. Elas eram super jovens, tinham 18 anos e ela decidiu ir passar as férias por lá. Assim que se encontraram no aeroporto entenderam que havia algo diferente e, no fim das férias, já estavam namorando. Naquela época, sem a existência dos sinais de wi-fi ou internet móvel, o que restavam eram as contas de telefone - por sinal, caríssimas. Então acabaram assumindo o relacionamento à distância quando a Jéssica voltou até Porto Alegre e se encontravam cerca de três em três meses, dependendo das circunstâncias. Até 2009 o namoro aconteceu nessa distância, quando os pais da Natasha se mudaram para o interior fluminense e a Jéssica decidiu morar no Rio de Janeiro. Foi uma realidade bem diferente. Elas dividiram o apartamento, porém entendem que eram muito jovens, tinham 19/20 anos, eram bastante imaturas, trabalhavam como estagiárias, queriam ser independentes mas na verdade ganhavam pouco e os pais eram quem bancavam as contas da casa. Elas também construíam uma relação com bastante ciúme, então criavam desgastes e atritos que acabavam gerando desconfiança, era muito difícil suportar. Foi quando a Jéssica começou a se sentir sem liberdade dentro do relacionamento e entendeu que era o momento do término e voltou a morar em Porto Alegre. ​ Hoje em dia, a Jéssica e a Natasha estão com 33 anos. Jéssica trabalha como administradora e logística na parte de planejamento de produção em uma empresa de laticínios e Natasha é formada em gestão financeira, mas atua na área de planejamento e controle orçamentário. Elas brincam que não são o tipo de casal que gosta de ficar em casa dormindo, mas aquele que ama viajar. Que cria roteiros, que quer comprar um carro e andar pelo mundo! Elas gostam de se movimentar, de conhecer lugares, desbravar a alimentação local, conhecer as culturas e viver cada lugar, cada ambiente e cada espaço como uma experiência única. Em um momento da conversa elas me contaram sobre se permitirem sonhar e sobre uma situação que viveram juntas quando eram mais novas… e que esse sonho não precisava ser um sonho grandioso, mas se permitir pensar no futuro, mesmo. A situação era um show da Ana Carolina que foram quando moravam juntas no Rio e que estavam naquela primeira fase do namoro, sendo bem jovens e se conhecendo… Contam que viram vários casais de mulheres mais velhas, elegantes, bem sucedidas e se perguntaram “Será que um dia vamos ser assim?” e que hoje em dia são. Além de se reconhecerem e de reconhecerem o quanto conquistaram juntas, falam sobre ter sido a primeira vez que viram mulheres lésbicas bem sucedidas, lésbicas mais velhas se amando. “Foi muito marcante porque era muito longe de nós essa realidade”. ​ Depois do término, quando a Jéssica já estava em Porto Alegre, elas mantiveram contato e até tentaram voltar e seguir o relacionamento à distância. Durou alguns meses, mas acabaram terminando de vez, em comum acordo. Este foi o terceiro e último término (o primeiro foi lá no começo, por iniciativa da Natasha)... e dessa vez, como última, parecia ser definitivo. Ficaram 5 anos separadas. Viveram a vida, seguiram amigas, tiveram outro relacionamento, ou melhor, casamentos (!) e tal. Até que conversaram em 2016. A Natasha estava solteira e elas mantinham amizade e se falavam raramente nesses 5 anos, por mais que nunca tivessem se visto e não havia maldade, de verdade, era apenas um querer-bem. E num dia, no Rio de Janeiro, ao se arrumar para sair com a prima (a Rebeca!) a Natasha conversando sobre ex namoradas comentou que a única namorada que seria capaz de se ver voltando a ter um relacionamento seria a Jéssica, mas que isso jamais aconteceria, até porque a Jéssica estava “casadíssima”, vivendo outra vida, sendo feliz “lá no sul”. Não sei se por coincidência ou que nome vocês querem dar a isso, mas literalmente no dia seguinte a Natasha descobriu que a Jéssica terminou o relacionamento - quem contou foi a própria Jéssica, em uma mensagem toda sem jeito. Elas voltaram a conversar e a Jéssica tinha uma viagem marcada, mas cancelou e decidiu fazer uma ida até o Rio e São Paulo para não perder as férias. Preciso contar o resto? São Paulo que lute, né? Ela ficou foi pelo Rio mesmo, com a Natasha… mas nos últimos dias de férias aqui, decidiu: “Não quero voltar a morar no Rio. Dessa vez, se for para ficarmos juntas, você vai para Porto Alegre comigo”. E a Natasha? Aceitou na hora. A Jéssica disse que nem acreditou no que ouviu, nem esperava um “Sim” tão rápido! ​ A mudança, de fato, aconteceu. E não só a mudança, mas o casamento! Que foi exatamente na mesma data, 10 anos depois, do dia em que começaram a namorar - lá em 2007. A vida é cíclica. ♥ No dia do casamento, elas se juntaram aos amigos e fizeram um churrasco. Inclusive, também neste dia a Natasha recebeu a notícia de que havia passado em uma entrevista de emprego lá em Porto Alegre. Foi tudo acontecendo em conjunto e elas foram se adaptando à cidade e ao novo momento da vida. Hoje em dia, se enxergam muito diferente do que há tantos anos atrás, mas em geral entendem que o amor só ficou tão forte porque sempre foi muito moldado com respeito e admiração - e claro, a confiança e o apoio foram chegando como um bônus e crescendo na base também. Elas brincam, no fim, sobre já terem ouvido colegas de trabalho falarem sobre não aguentarem mais os maridos dentro de casa em seus casamentos e acrescentam como amar mulher é algo maravilhoso: são mais de dez anos e nem passa pela cabeça um dia em que se torne insuportável viver um amor tão bom. ♥ Por mais que a Yasmin e a Ignez se conhecessem desde 2019, elas foram ter o primeiro encontro e sair de verdade só em 2020, mais especificamente, um fim de semana antes da pandemia ser oficializada no Brasil - e em Fortaleza, cidade onde elas moram. Elas contam que estavam juntas quando saíram as primeiras notícias na TV sobre o primeiro caso de COVID-19 no Ceará e que no dia seguinte viraram 3 casos e que no dia seguinte dos 3 casos foi anunciada a “quarentena”. E aí? Como que duas pessoas que moram com os pais começam a construir um relacionamento (e a se conhecer) num contexto inicial de pandemia? Hoje, mais de um ano depois juntas, elas contam quanta coisa foi possível fazer mesmo estando dentro de casa: descobriram hobbies, cozinham juntas, jogam videogame, estudam muito, escutam música, se reinventam. A família da Yasmin desde o começo soube da Ignez e sempre foi uma convivência tranquila… enquanto a Ignez, nesse meio-tempo, se abriu e resolveu contar para os pais que estava namorando - isto, inclusive, é um processo recente, mas que está dando certo! Ela conta que há um ou dois anos atrás jamais se imaginaria dizendo que a família sabia e apoiava o namoro dela com outra mulher… e que hoje isso acontece naturalmente. Reforça: “Não que seja fácil, mas de estar acontecendo me deixa mais tranquila. Eu contei num segundo de coragem, sabe?”. ​ Yasmin tem 24 anos e estuda Arquitetura na Universidade de Fortaleza. Ela e o seu irmão sonham em montar uma empresa de engenharia e, além do trabalho, adora cantar, tocar violão, pintar aquarela... É uma pessoa que adora ser criativa, montar coisas e deixar o corpo se expressar. Ignez tem 25 anos, é formada em Direito e quando nos encontramos estava com foco total estudando para a OAB. Ela adora ouvir música, conhecer lugares novos e viajar. Inclusive, mesmo na pandemia, elas têm conseguido viajar de carro até o interior para ficar na casa de parentes e isso acaba garantindo uma experiência muito legal para as duas, é algo que adoram fazer. Mesmo com as dificuldades que, não só a pandemia, mas a vida em si nos coloca, tanto a Ignez quanto a Yasmin se mostraram ser pessoas que conversam muito e que se ouvem muito também. Nos momentos mais complicados, elas tendem a ficar juntas e resolver as coisas juntas. A Ignez diz “Às vezes só de estarmos quietinhas, no mesmo ambiente, já ajuda”. Ou seja, não precisa ser uma questão de resolver tudo o tempo todo, mas de gerar apoio e acolhimento. Elas acreditam que o diálogo consegue resolver qualquer coisa e possuem um acordo de que não vão dormir brigadas, então caso aconteça algum desentendimento, tentam resolver de alguma forma ou ao menos respeitam o espaço, mas não ficam desentendidas uma com a outra. ​ Mesmo que as duas tivessem vários amigos em comum, elas nunca tinham se esbarrado por aí. Mas a Ignez já tinha visto a Yasmin pelas redes sociais. E então, lá em setembro de 2019, rolou uma festa chamada “Tertúlia” em Fortaleza e a Yasmin apareceu por lá. Quando ela chegou e a Ignez viu, ficou até um pouco nervosa. Elas deram um oi, mas a Ignez percebeu a Yasmin saindo com outra menina da festa e desistiu. Uns dias depois, resolveu segui-la no Instagram e a Yasmin seguiu de volta. Meses se passaram, ela até tentou interagir pelas redes, mas não rolou. Quando o ano virou e chegou 2020, era fevereiro e elas estavam na festa de uma amiga em comum, então a Ignez viu a Yasmin chegando e até comentou com uma amiga: “Nossa, sabe aquela menina lá da festa Tertúlia? Ela tá aqui!”. Nessa festa, elas conversaram a noite toda, ficaram na borda da piscina tomando drink, dançaram forró juntinhas e se divertiram muito. E aí a Yasmin chegou nessa amiga em comum e disse que achava que ia rolar algo com a Ignez… até a amiga soltar a fatídica frase: “Não, amiga!!! Ela namora! Ela só é assim mesmo. Ela é simpática!”. O mundo da Yasmin caiu naquele momento. Ela ficou sem entender nada. Como assim?? Namora?? Um amigo dela já sabia da história do “relacionamento” da Ignez - que não era um namoro super longo e oficial, era um rolo que ela tinha com uma menina - e disse para a Yasmin “Vocês vão ficar hoje.”, mas ela estava decidida que não, por conta do namoro e tentou evitar isso a noite toda. O amigo ainda completou: “Ela “namora”, mas já-já esse relacionamento aí acaba”. ​ Ele acabou estando certo. Na hora de ir embora elas conseguiram uma carona para irem juntas e ficaram bastante próximas, foram até um local onde pediram o uber para a casa e lá aconteceu um beijo. Elas conversaram no dia seguinte sobre o que tinha acontecido, entenderam que tinha sido errado e que não era certo continuar e uns dias depois a Ignez realmente terminou o relacionamento. No carnaval, em seguida, elas se encontraram, mas pouco se falaram. Trocaram algumas mensagens pelo Whatsapp um tempo depois e a Yasmin soltou uns flertes, só para cutucar, mas depois falava “Ei, você não pode flertar de volta, porque você namora!”. Pois foi aí que a Ignez contou que não namorava mais e que poderia, sim, corresponder ao flerte. Foi nessa semana que elas decidiram sair juntas, que tiveram o primeiro encontro oficial e que em seguida a pandemia começou. No dia das namoradas, em junho, a Yasmin pediu a Ignez em namoro (mas foi praticamente uma corrida! Porque a Ignez também estava preparada para fazer o pedido). ♥ Para elas, o amor é uma construção. Seja ele entre um casal, entre a família ou amigos. É sempre construir e lutar para que seja bom, leve (que precisa ser leve) e que amar é você olhar para alguém e sentir que o que foi construído é genuíno, que veio de dentro da alma. Amar é, também, uma conexão de muita intensidade, principalmente entre duas mulheres - são corpos que desenvolvem uma força inexplicável, é revolução, uma luta constante contra quem quer que seja, contra tantas violências, e a favor do amor, com resistência. Quando pergunto como elas se sentem morando em Fortaleza e como enxergam a cidade, Yasmin comenta que gosta muito de lá e que sente muita falta de sair e curtir a cidade em si, mas que se tivesse o poder de mudar algo socialmente e culturalmente falando, seria que as pessoas respeitassem mais a história da cidade e trocassem mais o respeito entre si como um todo. Ela entende que se nos fosse ensinado a conhecer e respeitar a história da cidade e a história das pessoas que estiveram lá antes de nós estarmos, viríamos tudo com outro olhar e cuidaríamos mais dos espaços. A Ignez concorda com a educação sobre o nosso povo e completa que, nos dias de hoje, ela sente muita falta da segurança. Sente que o policiamento está sempre presente nos bairros nobres, mas que nas periferias e nos locais menos frequentados pela elite (como espaços centrais ou mais boêmios da juventude), é muito comum não se sentir segura. Gostaria que esses espaços e que a segurança em si fosse repensada - para que chegasse em todos. Fora da galeria ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! ☺ vem construir esse projeto com a gente! < . Thaysmara Letícia

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    tem alguma proposta de trabalho? quer solicitar algum orçamento? estamos aqui pra te ajudar! qual o nome da mulher que você quer contratar ou solicitar orçamento? Enviar Tudo certo! Vamos colocar ela em contato direto com você! Aguarde nosso retorno por e-mail ou whatsapp. Um beijo!

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    vem doar com a gente <3 Você receberá nosso número do pix direto no seu e-mail! Se liga na caixa de spam, hein?! Enviar Prontíssimo!

  • Quero participar! | Documentadas

    QUERO PARTICIPAR! COMO FAÇO PARA ME INSCREVER? É muito mais fácil que você imagina! ​ ​ ​ Você e sua companheira gostariam de ser fotografadas e participar do projeto? Preencha os campos a seguir informando a cidade que vocês moram (ou que gostariam de ser fotografadas), o nome de vocês, a melhor forma de contato, o e-mail e em breve nos falaremos diretamente! ​ ​ ​ É importante ressaltar três coisinhas: ​ 1. Só documentamos e registramos casais. Entendemos a importância de cada mulher enquanto um ser único nesse mundão! Mas nosso objetivo é registrar o amor entre mulheres.* ​ 2. Nossa residência oficial fica no Rio de Janeiro, mas com a demanda de pedidos em outros estados, há várias possibilidades de viagens voltadas à fotografar casais! Não desanima! Pelo contrário, você têm casais de amigas que topariam participar também? chama elas e se inscrevam juntas! Assim, quanto mais pedidos, mais chance de irmos até você. :D ​ 3. As fotografias não são cobradas. Aceitamos uma colaboração voluntária pelo trabalho, mas não existe uma cobrança pelas fotos.** ​ Sua participação é muuuuito importante para nós. ​ ​ * caso você queira muuuuuito ser fotografada de forma individual, pode adquirir nossos serviços pedindo um orçamento de ensaio fotográfico. manda mensagem pra gente através da aba 'contato', ok? até logo! ​ ** a colaboração serve para cobrir os gastos para que o projeto se mantenha vivo :) postamos nossa prestação de contas diretamente no Instagram! fique de olho por lá <3 Preencha seus dados aqui: Por qual plataforma você prefere que eu entre em contato? E-mail Instagram Whatsapp Enviar Prontinho!! Obrigada pelo envio. Você receberá uma confirmação por e-mail, tá? lembra de olhar no lixo eletrônico :p ​ Logo logo te mando um oi! <3

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    chega pra cá, abre teu coração fala o que você quiser, tá? fica à vontade ​ adiciona teu @ do instagram, whatsapp ou e-mail, meu amô! > Sucessooo!! As meninas já já vão receber sua mensagem! Obrigada!

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    é lindo esse projeto, né?! ​ quero colaborar! sabia que você pode colaborar com a existência dele mandando um pix pra gente? ​ precisamos da sua ajuda para fazer todas essas documentações acontecerem!

  • Julia e Ana Carolina | Documentadas

    Para a Júlia, falar sobre amor no meio da conversa a fez lembrar de uma fala do Manoel de Barros, que diz que a poesia em si não existe e que o amor em si não existe, o que existe é sempre uma construção em torno do que acreditamos. E hoje, ela acredita que essa relação de carinho, de afeto (e também, de amor, claro) que sente junto à Ana Carolina, existe por puro sentir, por vir do coração diariamente e por acreditar e confiar em quem elas são quando estão juntas. Sendo quando estão em casa assistindo filme, comendo pipoca, fazendo carinho, ou quando estão reunidas com os amigos jogando cartas e rindo de bobeiras. A Ana também fala sobre a construção delas porque para essa construção acontecer foi preciso muita vontade de estarem juntas. E talvez seja assim que ela ache uma forma de dizer o que pensa sobre o amor: é um jeito de alguém falar que gosta muito de outro alguém - quando independente do que acontecer ou de como for a relação, você querer estar com a pessoa. Depois de conversarmos, a Ana retoma o que falávamos anteriormente e diz que o amor é também abrir mão de algumas coisas. Para elas o amor entre mulheres é o maior ato de resistência que existe no mundo. ​ Júlia e Ana têm 25 anos, ambas são formadas em psicologia, atuantes na área e moram em Niterói, cidade metropolitana do Rio de Janeiro. Como hobbies, adoram jogar cartas, tomar cervejas, comer e sair com os amigos. Inclusive, foi no jogo de cartas (Magic!) que as duas fizeram a amizade se consolidar. Elas se conheceram por conta da UFF, a Universidade Federal Fluminense, estudando juntas a faculdade de Psicologia. O jogo surgiu no meio porque a Júlia soube que a Ana jogava e perguntou se ela podia ensiná-la. Para a Jú é só um jogo, mas a Ana adora, faz diversos amigos e produz até conteúdo na internet! Ela levou a Jú em umas lojas, apresentou os amigos e a Jú, que estava fazendo isso para jogar com o namorado, acabou começando a frequentar vários espaços de jogos diferentes. Elas, com cada vez mais amigos em comum, estavam sempre juntas - e não só na faculdade. A Ana era bastante sacaneada por ter aquela “coisa” (Foi difícil achar um nome para isso aqui, gente! Mas muitas vão se identificar!) de se interessar por mulheres que até então se identificam enquanto heterossexuais… E os amigos viviam brincando dizendo: “Ana, salva a Júlia, traz ela para o lado bissexual dessa vida!!”, mas ela não dava bola para a brincadeira e na época ambas namoravam. ​ Com o passar do tempo e a aproximação aumentando, elas começaram a fazer estágios juntas na faculdade e, foi num trabalho em dupla, que a maior aproximação de fato aconteceu - por conta dos exercícios corporais. Foram experimentos que trouxeram estudos sensacionais para a vida delas, academicamente falando, e que também somaram muito enquanto relação e confiança que elas tinham na amizade. Porém, depois do experimento, era nítido que elas tinham mais carinho entre uma e a outra… Existia uma relação de amizade com bastante afeto. Ambas já tinham terminado seus relacionamentos, se aproximavam cada vez mais e um dia uma das amigas delas comentou sobre um sonho que teve em que as duas estavam juntas enquanto um casal. Elas levaram na brincadeira e depois desse momento começou uma piada interna entre elas e também entre os amigos sobre o possível casal, até que, em um evento do curso, elas se beijaram. A expectativa de que elas poderiam ‘ficar’ já existia, mas ainda era uma sensação estranha para as duas. Brincaram com isso durante tanto tempo e ao mesmo tempo tinham tanto carinho que chegaram a se ver um pouco confusas sobre o que realmente estava acontecendo. E, por um momento, a Ana que “estava decidida a não se envolver novamente e dar um tempo nas relações” já estava totalmente envolvida - enquanto nem sequer terminava de falar essa frase em voz alta. O problema era que, dois dias depois, ela estava embarcando para a Europa com os pais em uma viagem (que duraria um mês) - e a Júlia estava indo para Inhotim com os colegas da faculdade. ​ No mês de viagem, elas se falaram todos os dias. A Ana brinca que estava totalmente entregue, enquanto a Jú dizia que aquele dia em que se beijaram tinha sido apenas “uma experiência”. Mas, assim que ela voltou de viagem, se encontraram no dia seguinte e ela trouxe de presente para a Jú um colar que comprou na Espanha e tinha um fio de ouro, desenhado à mão, com um valor sentimental muito intenso, como o carinho delas. Cerca de um mês depois da volta da Ana e delas estarem ‘juntas’, a mãe da Jú acabou descobrindo e foi um momento bastante delicado, então a Ana a pediu em namoro. Não foi no sentido de pressioná-la, mas ao contrário, para mostrar que não era um sentimento ‘de brincadeira’. Mexer em algo tão delicado como a nossa base familiar envolve muita coragem e precisamos estar dispostas e elas queriam dar as mãos e enfrentar isso juntas. Até hoje, não é nenhum pouco fácil, mas seguem uma luta (literalmente) diária. Pensando em momentos difíceis como esse (e também nos outros, enquanto um casal), a Ana conta que ela é uma pessoa mais explosiva e a Júlia tende a ficar mais quietinha quando está triste, então temos momentos distintos quando a situação em si acontece - e está no ápice - porém, com o tempo e a convivência, a Júlia têm aprendido a acolher muito mais e a Ana têm aprendido a ser mais calma também, então uma está tentando puxar a outra para um equilíbrio. A Júlia explica que quando está chateada com algo tende a ficar mais introspectiva, mas mesmo assim elas se comunicam de alguma forma. E entende que esse é o maior aprendizado de todo o relacionamento, porque quando elas se perguntam: “Queremos passar por isso?” sempre chegam à conclusão de que, sim, querem, porque reconhecem o quanto crescem e o quanto constroem muitas coisas incríveis juntas. ​ Por fim, quando pergunto como elas se sentem vivendo em Niterói, a Júlia conta que gostaria de mudar a realidade dos animais de rua. É algo que realmente mexe muito com ela e que se pudesse e tivesse condições, a primeira coisa que faria seria construir santuário para os bichinhos e medidas protetivas de direitos aos animais e ao meio ambiente. Já a Ana, iria tentar instituir uma política de coletivização na educação, para que as pessoas desenvolvessem maior empatia e convívio social, assim como aprendemos disciplinas como matemática, português, geografia… porém pensando em estruturas sociais e sendo mais coletivos. E, para finalizar, a Jú fez um pedido para utilizar um espacinho aqui e elas comemorarem o aniversário de namoro que completaram no último mês ♥ (surpresa, Anaaa!) (pode chorar, essas duas são boiolas demais!) "Você é o meu presente e nessa data, desse ano, cheio de incertezas e medos por conta dessa pandemia que nunca acaba, você é o meu porto seguro e minha certeza. Hoje, mais uma vez, repito pro mundo e deixo registrado, definitivamente, o quanto te amo. Felicidade para nós, que venham mais anos. ❤" Por mais que a história da Jéssica e da Natasha só tenha virado um registro no Documentadas depois de 6 meses de projeto no ar, ela chegou aqui lá no começo, antes mesmo de nos conhecermos, logo na segunda vez em que coloquei o corpo na rua e me dediquei a fotografar um casal: Quando a Rebecca e a Priscila, duas mulheres que já apareceram por aqui, me contaram empolgadas que havia uma história que eu precisava conhecer. Eu ouvi um “É tipo aquelas histórias de mulheres que tão juntas há muito tempo! Que a vida deu várias voltas. Elas se reencontraram e agora ela se mudou para Porto Alegre e se casou nesse reencontro! É a minha prima! Vou te passar o contato dela!” e bem que pensei “É possível! Eu vou passar por Porto Alegre em breve.” Quando encontrei a Natasha e a Jéssica em Porto Alegre e conheci toda a grandiosidade da história entendi que as mulheres realmente fazem tudo - e que a vida sempre dá uma forcinha quando quer nos juntar, né? ​ A Natasha e a Jéssica se conheceram há muitos anos atrás, por conta de uma amiga em comum, quando eram adolescentes. A Jéssica é natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e a Natasha é natural do Rio de Janeiro, a capital. Ambas conversavam pela internet e participavam de comunidades no Orkut sobre gostos em comum, entre eles, uma série chamada Buffy. O que tinha de mais especial que unia a série é que elas já gostavam muito, até que em certo momento a série virou uma febre e aconteceu o surgimento de um casal LGBT, sendo uma referência muito grande para diversas adolescentes daquela época. Foi por conta desse casal, da série e das comunidades no Orkut e dos grupos no MSN que a Jéssica e a Natasha realmente se aproximaram, mas a Jéssica tinha uma visão de que a Natasha era meio “doidinha”... ela chegava das festas de madrugada e ficava online, era muito agitada… enquanto a Jéssica era mais tímida e mais quieta. A Jéssica se envolveu com uma amiga em comum da Natasha, um tempo depois elas terminaram e, como ela conversava muito com a Natasha, surgiu o convite de conhecer o Rio de Janeiro. Elas eram super jovens, tinham 18 anos e ela decidiu ir passar as férias por lá. Assim que se encontraram no aeroporto entenderam que havia algo diferente e, no fim das férias, já estavam namorando. Naquela época, sem a existência dos sinais de wi-fi ou internet móvel, o que restavam eram as contas de telefone - por sinal, caríssimas. Então acabaram assumindo o relacionamento à distância quando a Jéssica voltou até Porto Alegre e se encontravam cerca de três em três meses, dependendo das circunstâncias. Até 2009 o namoro aconteceu nessa distância, quando os pais da Natasha se mudaram para o interior fluminense e a Jéssica decidiu morar no Rio de Janeiro. Foi uma realidade bem diferente. Elas dividiram o apartamento, porém entendem que eram muito jovens, tinham 19/20 anos, eram bastante imaturas, trabalhavam como estagiárias, queriam ser independentes mas na verdade ganhavam pouco e os pais eram quem bancavam as contas da casa. Elas também construíam uma relação com bastante ciúme, então criavam desgastes e atritos que acabavam gerando desconfiança, era muito difícil suportar. Foi quando a Jéssica começou a se sentir sem liberdade dentro do relacionamento e entendeu que era o momento do término e voltou a morar em Porto Alegre. ​ Hoje em dia, a Jéssica e a Natasha estão com 33 anos. Jéssica trabalha como administradora e logística na parte de planejamento de produção em uma empresa de laticínios e Natasha é formada em gestão financeira, mas atua na área de planejamento e controle orçamentário. Elas brincam que não são o tipo de casal que gosta de ficar em casa dormindo, mas aquele que ama viajar. Que cria roteiros, que quer comprar um carro e andar pelo mundo! Elas gostam de se movimentar, de conhecer lugares, desbravar a alimentação local, conhecer as culturas e viver cada lugar, cada ambiente e cada espaço como uma experiência única. Em um momento da conversa elas me contaram sobre se permitirem sonhar e sobre uma situação que viveram juntas quando eram mais novas… e que esse sonho não precisava ser um sonho grandioso, mas se permitir pensar no futuro, mesmo. A situação era um show da Ana Carolina que foram quando moravam juntas no Rio e que estavam naquela primeira fase do namoro, sendo bem jovens e se conhecendo… Contam que viram vários casais de mulheres mais velhas, elegantes, bem sucedidas e se perguntaram “Será que um dia vamos ser assim?” e que hoje em dia são. Além de se reconhecerem e de reconhecerem o quanto conquistaram juntas, falam sobre ter sido a primeira vez que viram mulheres lésbicas bem sucedidas, lésbicas mais velhas se amando. “Foi muito marcante porque era muito longe de nós essa realidade”. ​ Depois do término, quando a Jéssica já estava em Porto Alegre, elas mantiveram contato e até tentaram voltar e seguir o relacionamento à distância. Durou alguns meses, mas acabaram terminando de vez, em comum acordo. Este foi o terceiro e último término (o primeiro foi lá no começo, por iniciativa da Natasha)... e dessa vez, como última, parecia ser definitivo. Ficaram 5 anos separadas. Viveram a vida, seguiram amigas, tiveram outro relacionamento, ou melhor, casamentos (!) e tal. Até que conversaram em 2016. A Natasha estava solteira e elas mantinham amizade e se falavam raramente nesses 5 anos, por mais que nunca tivessem se visto e não havia maldade, de verdade, era apenas um querer-bem. E num dia, no Rio de Janeiro, ao se arrumar para sair com a prima (a Rebeca!) a Natasha conversando sobre ex namoradas comentou que a única namorada que seria capaz de se ver voltando a ter um relacionamento seria a Jéssica, mas que isso jamais aconteceria, até porque a Jéssica estava “casadíssima”, vivendo outra vida, sendo feliz “lá no sul”. Não sei se por coincidência ou que nome vocês querem dar a isso, mas literalmente no dia seguinte a Natasha descobriu que a Jéssica terminou o relacionamento - quem contou foi a própria Jéssica, em uma mensagem toda sem jeito. Elas voltaram a conversar e a Jéssica tinha uma viagem marcada, mas cancelou e decidiu fazer uma ida até o Rio e São Paulo para não perder as férias. Preciso contar o resto? São Paulo que lute, né? Ela ficou foi pelo Rio mesmo, com a Natasha… mas nos últimos dias de férias aqui, decidiu: “Não quero voltar a morar no Rio. Dessa vez, se for para ficarmos juntas, você vai para Porto Alegre comigo”. E a Natasha? Aceitou na hora. A Jéssica disse que nem acreditou no que ouviu, nem esperava um “Sim” tão rápido! ​ A mudança, de fato, aconteceu. E não só a mudança, mas o casamento! Que foi exatamente na mesma data, 10 anos depois, do dia em que começaram a namorar - lá em 2007. A vida é cíclica. ♥ No dia do casamento, elas se juntaram aos amigos e fizeram um churrasco. Inclusive, também neste dia a Natasha recebeu a notícia de que havia passado em uma entrevista de emprego lá em Porto Alegre. Foi tudo acontecendo em conjunto e elas foram se adaptando à cidade e ao novo momento da vida. Hoje em dia, se enxergam muito diferente do que há tantos anos atrás, mas em geral entendem que o amor só ficou tão forte porque sempre foi muito moldado com respeito e admiração - e claro, a confiança e o apoio foram chegando como um bônus e crescendo na base também. Elas brincam, no fim, sobre já terem ouvido colegas de trabalho falarem sobre não aguentarem mais os maridos dentro de casa em seus casamentos e acrescentam como amar mulher é algo maravilhoso: são mais de dez anos e nem passa pela cabeça um dia em que se torne insuportável viver um amor tão bom. ♥ Por mais que a Yasmin e a Ignez se conhecessem desde 2019, elas foram ter o primeiro encontro e sair de verdade só em 2020, mais especificamente, um fim de semana antes da pandemia ser oficializada no Brasil - e em Fortaleza, cidade onde elas moram. Elas contam que estavam juntas quando saíram as primeiras notícias na TV sobre o primeiro caso de COVID-19 no Ceará e que no dia seguinte viraram 3 casos e que no dia seguinte dos 3 casos foi anunciada a “quarentena”. E aí? Como que duas pessoas que moram com os pais começam a construir um relacionamento (e a se conhecer) num contexto inicial de pandemia? Hoje, mais de um ano depois juntas, elas contam quanta coisa foi possível fazer mesmo estando dentro de casa: descobriram hobbies, cozinham juntas, jogam videogame, estudam muito, escutam música, se reinventam. A família da Yasmin desde o começo soube da Ignez e sempre foi uma convivência tranquila… enquanto a Ignez, nesse meio-tempo, se abriu e resolveu contar para os pais que estava namorando - isto, inclusive, é um processo recente, mas que está dando certo! Ela conta que há um ou dois anos atrás jamais se imaginaria dizendo que a família sabia e apoiava o namoro dela com outra mulher… e que hoje isso acontece naturalmente. Reforça: “Não que seja fácil, mas de estar acontecendo me deixa mais tranquila. Eu contei num segundo de coragem, sabe?”. ​ Yasmin tem 24 anos e estuda Arquitetura na Universidade de Fortaleza. Ela e o seu irmão sonham em montar uma empresa de engenharia e, além do trabalho, adora cantar, tocar violão, pintar aquarela... É uma pessoa que adora ser criativa, montar coisas e deixar o corpo se expressar. Ignez tem 25 anos, é formada em Direito e quando nos encontramos estava com foco total estudando para a OAB. Ela adora ouvir música, conhecer lugares novos e viajar. Inclusive, mesmo na pandemia, elas têm conseguido viajar de carro até o interior para ficar na casa de parentes e isso acaba garantindo uma experiência muito legal para as duas, é algo que adoram fazer. Mesmo com as dificuldades que, não só a pandemia, mas a vida em si nos coloca, tanto a Ignez quanto a Yasmin se mostraram ser pessoas que conversam muito e que se ouvem muito também. Nos momentos mais complicados, elas tendem a ficar juntas e resolver as coisas juntas. A Ignez diz “Às vezes só de estarmos quietinhas, no mesmo ambiente, já ajuda”. Ou seja, não precisa ser uma questão de resolver tudo o tempo todo, mas de gerar apoio e acolhimento. Elas acreditam que o diálogo consegue resolver qualquer coisa e possuem um acordo de que não vão dormir brigadas, então caso aconteça algum desentendimento, tentam resolver de alguma forma ou ao menos respeitam o espaço, mas não ficam desentendidas uma com a outra. ​ Mesmo que as duas tivessem vários amigos em comum, elas nunca tinham se esbarrado por aí. Mas a Ignez já tinha visto a Yasmin pelas redes sociais. E então, lá em setembro de 2019, rolou uma festa chamada “Tertúlia” em Fortaleza e a Yasmin apareceu por lá. Quando ela chegou e a Ignez viu, ficou até um pouco nervosa. Elas deram um oi, mas a Ignez percebeu a Yasmin saindo com outra menina da festa e desistiu. Uns dias depois, resolveu segui-la no Instagram e a Yasmin seguiu de volta. Meses se passaram, ela até tentou interagir pelas redes, mas não rolou. Quando o ano virou e chegou 2020, era fevereiro e elas estavam na festa de uma amiga em comum, então a Ignez viu a Yasmin chegando e até comentou com uma amiga: “Nossa, sabe aquela menina lá da festa Tertúlia? Ela tá aqui!”. Nessa festa, elas conversaram a noite toda, ficaram na borda da piscina tomando drink, dançaram forró juntinhas e se divertiram muito. E aí a Yasmin chegou nessa amiga em comum e disse que achava que ia rolar algo com a Ignez… até a amiga soltar a fatídica frase: “Não, amiga!!! Ela namora! Ela só é assim mesmo. Ela é simpática!”. O mundo da Yasmin caiu naquele momento. Ela ficou sem entender nada. Como assim?? Namora?? Um amigo dela já sabia da história do “relacionamento” da Ignez - que não era um namoro super longo e oficial, era um rolo que ela tinha com uma menina - e disse para a Yasmin “Vocês vão ficar hoje.”, mas ela estava decidida que não, por conta do namoro e tentou evitar isso a noite toda. O amigo ainda completou: “Ela “namora”, mas já-já esse relacionamento aí acaba”. ​ Ele acabou estando certo. Na hora de ir embora elas conseguiram uma carona para irem juntas e ficaram bastante próximas, foram até um local onde pediram o uber para a casa e lá aconteceu um beijo. Elas conversaram no dia seguinte sobre o que tinha acontecido, entenderam que tinha sido errado e que não era certo continuar e uns dias depois a Ignez realmente terminou o relacionamento. No carnaval, em seguida, elas se encontraram, mas pouco se falaram. Trocaram algumas mensagens pelo Whatsapp um tempo depois e a Yasmin soltou uns flertes, só para cutucar, mas depois falava “Ei, você não pode flertar de volta, porque você namora!”. Pois foi aí que a Ignez contou que não namorava mais e que poderia, sim, corresponder ao flerte. Foi nessa semana que elas decidiram sair juntas, que tiveram o primeiro encontro oficial e que em seguida a pandemia começou. No dia das namoradas, em junho, a Yasmin pediu a Ignez em namoro (mas foi praticamente uma corrida! Porque a Ignez também estava preparada para fazer o pedido). ♥ Para elas, o amor é uma construção. Seja ele entre um casal, entre a família ou amigos. É sempre construir e lutar para que seja bom, leve (que precisa ser leve) e que amar é você olhar para alguém e sentir que o que foi construído é genuíno, que veio de dentro da alma. Amar é, também, uma conexão de muita intensidade, principalmente entre duas mulheres - são corpos que desenvolvem uma força inexplicável, é revolução, uma luta constante contra quem quer que seja, contra tantas violências, e a favor do amor, com resistência. Quando pergunto como elas se sentem morando em Fortaleza e como enxergam a cidade, Yasmin comenta que gosta muito de lá e que sente muita falta de sair e curtir a cidade em si, mas que se tivesse o poder de mudar algo socialmente e culturalmente falando, seria que as pessoas respeitassem mais a história da cidade e trocassem mais o respeito entre si como um todo. Ela entende que se nos fosse ensinado a conhecer e respeitar a história da cidade e a história das pessoas que estiveram lá antes de nós estarmos, viríamos tudo com outro olhar e cuidaríamos mais dos espaços. A Ignez concorda com a educação sobre o nosso povo e completa que, nos dias de hoje, ela sente muita falta da segurança. Sente que o policiamento está sempre presente nos bairros nobres, mas que nas periferias e nos locais menos frequentados pela elite (como espaços centrais ou mais boêmios da juventude), é muito comum não se sentir segura. Gostaria que esses espaços e que a segurança em si fosse repensada - para que chegasse em todos. Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! < Julia Ana Carolina

  • Natasha e Jéssica | Documentadas

    Por mais que a história da Jéssica e da Natasha só tenha virado um registro no Documentadas depois de 6 meses de projeto no ar, ela chegou aqui lá no começo, antes mesmo de nos conhecermos, logo na segunda vez em que coloquei o corpo na rua e me dediquei a fotografar um casal: Quando a Rebecca e a Priscila, duas mulheres que já apareceram por aqui, me contaram empolgadas que havia uma história que eu precisava conhecer. Eu ouvi um “É tipo aquelas histórias de mulheres que tão juntas há muito tempo! Que a vida deu várias voltas. Elas se reencontraram e agora ela se mudou para Porto Alegre e se casou nesse reencontro! É a minha prima! Vou te passar o contato dela!” e bem que pensei “É possível! Eu vou passar por Porto Alegre em breve.” Quando encontrei a Natasha e a Jéssica em Porto Alegre e conheci toda a grandiosidade da história entendi que as mulheres realmente fazem tudo - e que a vida sempre dá uma forcinha quando quer nos juntar, né? ​ A Natasha e a Jéssica se conheceram há muitos anos atrás, por conta de uma amiga em comum, quando eram adolescentes. A Jéssica é natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e a Natasha é natural do Rio de Janeiro, a capital. Ambas conversavam pela internet e participavam de comunidades no Orkut sobre gostos em comum, entre eles, uma série chamada Buffy. O que tinha de mais especial que unia a série é que elas já gostavam muito, até que em certo momento a série virou uma febre e aconteceu o surgimento de um casal LGBT, sendo uma referência muito grande para diversas adolescentes daquela época. Foi por conta desse casal, da série e das comunidades no Orkut e dos grupos no MSN que a Jéssica e a Natasha realmente se aproximaram, mas a Jéssica tinha uma visão de que a Natasha era meio “doidinha”... ela chegava das festas de madrugada e ficava online, era muito agitada… enquanto a Jéssica era mais tímida e mais quieta. A Jéssica se envolveu com uma amiga em comum da Natasha, um tempo depois elas terminaram e, como ela conversava muito com a Natasha, surgiu o convite de conhecer o Rio de Janeiro. Elas eram super jovens, tinham 18 anos e ela decidiu ir passar as férias por lá. Assim que se encontraram no aeroporto entenderam que havia algo diferente e, no fim das férias, já estavam namorando. Naquela época, sem a existência dos sinais de wi-fi ou internet móvel, o que restavam eram as contas de telefone - por sinal, caríssimas. Então acabaram assumindo o relacionamento à distância quando a Jéssica voltou até Porto Alegre e se encontravam cerca de três em três meses, dependendo das circunstâncias. Até 2009 o namoro aconteceu nessa distância, quando os pais da Natasha se mudaram para o interior fluminense e a Jéssica decidiu morar no Rio de Janeiro. Foi uma realidade bem diferente. Elas dividiram o apartamento, porém entendem que eram muito jovens, tinham 19/20 anos, eram bastante imaturas, trabalhavam como estagiárias, queriam ser independentes mas na verdade ganhavam pouco e os pais eram quem bancavam as contas da casa. Elas também construíam uma relação com bastante ciúme, então criavam desgastes e atritos que acabavam gerando desconfiança, era muito difícil suportar. Foi quando a Jéssica começou a se sentir sem liberdade dentro do relacionamento e entendeu que era o momento do término e voltou a morar em Porto Alegre. ​ Hoje em dia, a Jéssica e a Natasha estão com 33 anos. Jéssica trabalha como administradora e logística na parte de planejamento de produção em uma empresa de laticínios e Natasha é formada em gestão financeira, mas atua na área de planejamento e controle orçamentário. Elas brincam que não são o tipo de casal que gosta de ficar em casa dormindo, mas aquele que ama viajar. Que cria roteiros, que quer comprar um carro e andar pelo mundo! Elas gostam de se movimentar, de conhecer lugares, desbravar a alimentação local, conhecer as culturas e viver cada lugar, cada ambiente e cada espaço como uma experiência única. Em um momento da conversa elas me contaram sobre se permitirem sonhar e sobre uma situação que viveram juntas quando eram mais novas… e que esse sonho não precisava ser um sonho grandioso, mas se permitir pensar no futuro, mesmo. A situação era um show da Ana Carolina que foram quando moravam juntas no Rio e que estavam naquela primeira fase do namoro, sendo bem jovens e se conhecendo… Contam que viram vários casais de mulheres mais velhas, elegantes, bem sucedidas e se perguntaram “Será que um dia vamos ser assim?” e que hoje em dia são. Além de se reconhecerem e de reconhecerem o quanto conquistaram juntas, falam sobre ter sido a primeira vez que viram mulheres lésbicas bem sucedidas, lésbicas mais velhas se amando. “Foi muito marcante porque era muito longe de nós essa realidade”. ​ Depois do término, quando a Jéssica já estava em Porto Alegre, elas mantiveram contato e até tentaram voltar e seguir o relacionamento à distância. Durou alguns meses, mas acabaram terminando de vez, em comum acordo. Este foi o terceiro e último término (o primeiro foi lá no começo, por iniciativa da Natasha)... e dessa vez, como última, parecia ser definitivo. Ficaram 5 anos separadas. Viveram a vida, seguiram amigas, tiveram outro relacionamento, ou melhor, casamentos (!) e tal. Até que conversaram em 2016. A Natasha estava solteira e elas mantinham amizade e se falavam raramente nesses 5 anos, por mais que nunca tivessem se visto e não havia maldade, de verdade, era apenas um querer-bem. E num dia, no Rio de Janeiro, ao se arrumar para sair com a prima (a Rebeca!) a Natasha conversando sobre ex namoradas comentou que a única namorada que seria capaz de se ver voltando a ter um relacionamento seria a Jéssica, mas que isso jamais aconteceria, até porque a Jéssica estava “casadíssima”, vivendo outra vida, sendo feliz “lá no sul”. Não sei se por coincidência ou que nome vocês querem dar a isso, mas literalmente no dia seguinte a Natasha descobriu que a Jéssica terminou o relacionamento - quem contou foi a própria Jéssica, em uma mensagem toda sem jeito. Elas voltaram a conversar e a Jéssica tinha uma viagem marcada, mas cancelou e decidiu fazer uma ida até o Rio e São Paulo para não perder as férias. Preciso contar o resto? São Paulo que lute, né? Ela ficou foi pelo Rio mesmo, com a Natasha… mas nos últimos dias de férias aqui, decidiu: “Não quero voltar a morar no Rio. Dessa vez, se for para ficarmos juntas, você vai para Porto Alegre comigo”. E a Natasha? Aceitou na hora. A Jéssica disse que nem acreditou no que ouviu, nem esperava um “Sim” tão rápido! ​ A mudança, de fato, aconteceu. E não só a mudança, mas o casamento! Que foi exatamente na mesma data, 10 anos depois, do dia em que começaram a namorar - lá em 2007. A vida é cíclica. ♥ No dia do casamento, elas se juntaram aos amigos e fizeram um churrasco. Inclusive, também neste dia a Natasha recebeu a notícia de que havia passado em uma entrevista de emprego lá em Porto Alegre. Foi tudo acontecendo em conjunto e elas foram se adaptando à cidade e ao novo momento da vida. Hoje em dia, se enxergam muito diferente do que há tantos anos atrás, mas em geral entendem que o amor só ficou tão forte porque sempre foi muito moldado com respeito e admiração - e claro, a confiança e o apoio foram chegando como um bônus e crescendo na base também. Elas brincam, no fim, sobre já terem ouvido colegas de trabalho falarem sobre não aguentarem mais os maridos dentro de casa em seus casamentos e acrescentam como amar mulher é algo maravilhoso: são mais de dez anos e nem passa pela cabeça um dia em que se torne insuportável viver um amor tão bom. ♥ Por mais que a Yasmin e a Ignez se conhecessem desde 2019, elas foram ter o primeiro encontro e sair de verdade só em 2020, mais especificamente, um fim de semana antes da pandemia ser oficializada no Brasil - e em Fortaleza, cidade onde elas moram. Elas contam que estavam juntas quando saíram as primeiras notícias na TV sobre o primeiro caso de COVID-19 no Ceará e que no dia seguinte viraram 3 casos e que no dia seguinte dos 3 casos foi anunciada a “quarentena”. E aí? Como que duas pessoas que moram com os pais começam a construir um relacionamento (e a se conhecer) num contexto inicial de pandemia? Hoje, mais de um ano depois juntas, elas contam quanta coisa foi possível fazer mesmo estando dentro de casa: descobriram hobbies, cozinham juntas, jogam videogame, estudam muito, escutam música, se reinventam. A família da Yasmin desde o começo soube da Ignez e sempre foi uma convivência tranquila… enquanto a Ignez, nesse meio-tempo, se abriu e resolveu contar para os pais que estava namorando - isto, inclusive, é um processo recente, mas que está dando certo! Ela conta que há um ou dois anos atrás jamais se imaginaria dizendo que a família sabia e apoiava o namoro dela com outra mulher… e que hoje isso acontece naturalmente. Reforça: “Não que seja fácil, mas de estar acontecendo me deixa mais tranquila. Eu contei num segundo de coragem, sabe?”. ​ Yasmin tem 24 anos e estuda Arquitetura na Universidade de Fortaleza. Ela e o seu irmão sonham em montar uma empresa de engenharia e, além do trabalho, adora cantar, tocar violão, pintar aquarela... É uma pessoa que adora ser criativa, montar coisas e deixar o corpo se expressar. Ignez tem 25 anos, é formada em Direito e quando nos encontramos estava com foco total estudando para a OAB. Ela adora ouvir música, conhecer lugares novos e viajar. Inclusive, mesmo na pandemia, elas têm conseguido viajar de carro até o interior para ficar na casa de parentes e isso acaba garantindo uma experiência muito legal para as duas, é algo que adoram fazer. Mesmo com as dificuldades que, não só a pandemia, mas a vida em si nos coloca, tanto a Ignez quanto a Yasmin se mostraram ser pessoas que conversam muito e que se ouvem muito também. Nos momentos mais complicados, elas tendem a ficar juntas e resolver as coisas juntas. A Ignez diz “Às vezes só de estarmos quietinhas, no mesmo ambiente, já ajuda”. Ou seja, não precisa ser uma questão de resolver tudo o tempo todo, mas de gerar apoio e acolhimento. Elas acreditam que o diálogo consegue resolver qualquer coisa e possuem um acordo de que não vão dormir brigadas, então caso aconteça algum desentendimento, tentam resolver de alguma forma ou ao menos respeitam o espaço, mas não ficam desentendidas uma com a outra. ​ Mesmo que as duas tivessem vários amigos em comum, elas nunca tinham se esbarrado por aí. Mas a Ignez já tinha visto a Yasmin pelas redes sociais. E então, lá em setembro de 2019, rolou uma festa chamada “Tertúlia” em Fortaleza e a Yasmin apareceu por lá. Quando ela chegou e a Ignez viu, ficou até um pouco nervosa. Elas deram um oi, mas a Ignez percebeu a Yasmin saindo com outra menina da festa e desistiu. Uns dias depois, resolveu segui-la no Instagram e a Yasmin seguiu de volta. Meses se passaram, ela até tentou interagir pelas redes, mas não rolou. Quando o ano virou e chegou 2020, era fevereiro e elas estavam na festa de uma amiga em comum, então a Ignez viu a Yasmin chegando e até comentou com uma amiga: “Nossa, sabe aquela menina lá da festa Tertúlia? Ela tá aqui!”. Nessa festa, elas conversaram a noite toda, ficaram na borda da piscina tomando drink, dançaram forró juntinhas e se divertiram muito. E aí a Yasmin chegou nessa amiga em comum e disse que achava que ia rolar algo com a Ignez… até a amiga soltar a fatídica frase: “Não, amiga!!! Ela namora! Ela só é assim mesmo. Ela é simpática!”. O mundo da Yasmin caiu naquele momento. Ela ficou sem entender nada. Como assim?? Namora?? Um amigo dela já sabia da história do “relacionamento” da Ignez - que não era um namoro super longo e oficial, era um rolo que ela tinha com uma menina - e disse para a Yasmin “Vocês vão ficar hoje.”, mas ela estava decidida que não, por conta do namoro e tentou evitar isso a noite toda. O amigo ainda completou: “Ela “namora”, mas já-já esse relacionamento aí acaba”. ​ Ele acabou estando certo. Na hora de ir embora elas conseguiram uma carona para irem juntas e ficaram bastante próximas, foram até um local onde pediram o uber para a casa e lá aconteceu um beijo. Elas conversaram no dia seguinte sobre o que tinha acontecido, entenderam que tinha sido errado e que não era certo continuar e uns dias depois a Ignez realmente terminou o relacionamento. No carnaval, em seguida, elas se encontraram, mas pouco se falaram. Trocaram algumas mensagens pelo Whatsapp um tempo depois e a Yasmin soltou uns flertes, só para cutucar, mas depois falava “Ei, você não pode flertar de volta, porque você namora!”. Pois foi aí que a Ignez contou que não namorava mais e que poderia, sim, corresponder ao flerte. Foi nessa semana que elas decidiram sair juntas, que tiveram o primeiro encontro oficial e que em seguida a pandemia começou. No dia das namoradas, em junho, a Yasmin pediu a Ignez em namoro (mas foi praticamente uma corrida! Porque a Ignez também estava preparada para fazer o pedido). ♥ Para elas, o amor é uma construção. Seja ele entre um casal, entre a família ou amigos. É sempre construir e lutar para que seja bom, leve (que precisa ser leve) e que amar é você olhar para alguém e sentir que o que foi construído é genuíno, que veio de dentro da alma. Amar é, também, uma conexão de muita intensidade, principalmente entre duas mulheres - são corpos que desenvolvem uma força inexplicável, é revolução, uma luta constante contra quem quer que seja, contra tantas violências, e a favor do amor, com resistência. Quando pergunto como elas se sentem morando em Fortaleza e como enxergam a cidade, Yasmin comenta que gosta muito de lá e que sente muita falta de sair e curtir a cidade em si, mas que se tivesse o poder de mudar algo socialmente e culturalmente falando, seria que as pessoas respeitassem mais a história da cidade e trocassem mais o respeito entre si como um todo. Ela entende que se nos fosse ensinado a conhecer e respeitar a história da cidade e a história das pessoas que estiveram lá antes de nós estarmos, viríamos tudo com outro olhar e cuidaríamos mais dos espaços. A Ignez concorda com a educação sobre o nosso povo e completa que, nos dias de hoje, ela sente muita falta da segurança. Sente que o policiamento está sempre presente nos bairros nobres, mas que nas periferias e nos locais menos frequentados pela elite (como espaços centrais ou mais boêmios da juventude), é muito comum não se sentir segura. Gostaria que esses espaços e que a segurança em si fosse repensada - para que chegasse em todos. Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! < Natasha Jéssica

  • Rafaella e Gizelle | Documentadas

    A Rafaela e Gizelly foram o primeiro casal que tive contato em Fortaleza (e, se não me engano, o primeiro casal que agendei quando decidi que iria levar o Documentadas para lá). Elas são muito receptivas e me levaram para conhecer o grande Mercado Central, almoçar em um lugar super querido, fazer turismo de dentro do carro (A pandemia, né?) nos bairros mais centrais e me contaram várias histórias sobre a cidade. ♥ muito obrigada, gente. Saudade de vocês. E no lugar que o Documentadas estiver, sempre terá um espacinho aberto para recebe-las! Importante ressaltar também que dentre as histórias de perrengue que este projeto é campeão em documentar, temos uma das melhores: uma blitz policial no meio da tour que nos rendeu uma .... pausa para o choro.... multa de uns + de 2 salários mínimos para o carrinho das bichinhas por estar com a licença atrasada (Mas agora já está em dia, viu? Se dividir a gasolina atravessa o Brasil todo kkkk digo...). Bom, vamos lá. A Rafa tem 24 anos, é auxiliar de cartório e estudante de Letras na Universidade Estadual do Ceará. Ela é natural de Fortaleza - CE e morava bem pertinho da casa da avó da Gizelly, que tem 26 anos e é Engenheira Civil, também formada na Universidade Estadual do Ceará. Por mais que a Rafa e Gi tivessem proximidades físicas e frequentassem espaços em comum, elas foram se conhecer mesmo através de um aplicativo de relacionamentos: o Tinder, no ano de 2019. Era pré-carnaval, elas estavam conversando há um tempo e marcaram de se encontrar em um cortejo. A Rafa mobilizou todos os amigos e foi para lá com aquela esperança de encontrar a Gi, que por sua vez deixou o celular no modo Não Pertube (desativando as notificações) e esqueceu completamente de que a Rafa iria ligar para encontrá-la. Quando ela se deu conta, já era tarde demais (literalmente!): ela já estava indo para um bar, o cortejo já tinha acabado, a Rafa já tinha ficado triste, desistido, chutado o balde, beijado várias pessoas, decidido que ia dormir na casa de amigos (e até já tinha mandado mensagem anteriormente chamando a Gi para ir também, mas como ela sumiu, não adiantava mais) e dessa vez foi a Rafa quem não respondeu mais. No dia seguinte, com o nascer do sol também vem ela, né? A ressaca. E então a Rafa repensou e viu que não precisava ser assim. Decidiu falar com a Gi. Elas conversaram e combinaram de se encontrar, mas dessa vez com horário e local pré-agendado, direitinho. Falando assim, vocês pensam que era um encontro em um restaurante, mas não, elas se encontraram na parada de ônibus. Pois é, eu também ri. A Rafa entrou no carro da Gi, que ficou estacionado... e ela ficou toda encolhidinha, em suas palavras: "Porque estava frio o ar condicionado" e elas começaram a rir de nervosas e de tímidas. Para completar, ainda surgiu um assunto um tanto quanto mórbido que se transformou numa crise de riso das duas e nisso a Rafa chamou a Gi para ir fazer a carteirinha de estudante dela, logo em seguida, saindo do carro. Elas foram e, desde esse dia, estão juntas. O amor é aleatório. ♥ Hoje em dia, no tempo livre, o que a Rafa e a Gizelly mais gostam de fazer juntas é praticar esportes, assistir besteiras, passar um tempo "morgando" (ficar sem fazer nada, falando da vida) e principalmente curtir a própria companhia - elas contam que reservam às sextas para sair, comer coisas gostosas, cozinhar juntas ou tomar cafés em lugares legais. No momento, a Rafa está trabalhando de casa, enquanto a Gi tem a própria empresa de Engenharia Civil, em sociedade com uma colega. Por bastante tempo ela trabalhou para empresas, nas quais chegou a se sentir mal remunerada e/ou de alguma forma explorada, foi aí que surgiu a ideia de montar algo próprio, com duas colegas da área (e hoje em dia é ela e uma amiga). A empresa é formada pelas engenheiras e foca em reformas de banheiros, infiltrações de telhados, intervenções em casas, apartamentos e áreas comerciais. Possuem equipes e encarregados para fazer os serviços, mas o mais legal nisso tudo é que: a empresa é somente com mulheres no comando e prioriza o trabalho para clientes mulheres. 3 O começo do namoro da Gi e da Rafa foi marcado pelo medo que existia dos amigos da Gi não gostarem da Rafa (Atualização: hoje em dia eles se dão melhor com a Rafa do que com a própria Gi, risos) e também porque no ano seguinte a pandemia chegou e com ela a Gizelly chegou a ir para Sobral (interior do Ceará) trabalhar, durante um tempo. Elas oficializaram o namoro no dia 07 de março de 2019 e em 2020, lá em Sobral, a Gi resolveu pedir a Rafa em casamento. Tudo estava super organizado com a melhor amiga da Rafa. O pedido foi no Arco de Sobral, um ponto turístico e enquanto a Gi ia enrolando ela, a amiga organizava tudo. Primeiro, ela sabia que o casamento era um sonho da Rafa, então fez uma cena de dizer que não via sentido e/ou futuro no casamento... que não queria isso. A Rafa ficou triste, chorou e empurrou ela querendo ir embora. Depois da cena, uma pessoa entregou uma rosa para a Rafa - a primeira pessoa foi um senhor numa bicicleta (e a Gi fingiu ciúme), depois outras pessoas chegaram - foram 5 rosas ao total, até que chegaram duas meninas crianças e entregaram as alianças e a Gi fez o pedido. Depois de toda a atuação digna de novela e filme com Oscar, com muitos choros e muita emoção real no pedido, elas tiveram um dia incrível com jantar surpresa, casa livre, velas e rosas. A família super apoiou. No começo de outubro do ano seguinte o casamento aconteceu, já na pandemia do Covid-19. O evento aconteceu na garagem de casa, com as pessoas da família e alguns amigos e ninguém foi contaminado ou teve sintomas antes ou depois dos dias que envolveram o evento. 4 No início da pandemia, em 2020, a Rafa perdeu o emprego e elas passaram bastante tempo sem se ver por conta de, tanto elas quanto suas famílias, serem pessoas consideradas grupo de risco (asmáticas e diabéticas). Com a mãe da Gi, por já ter tido cancêr de mama e o pai por ter pressão alta, somados à avó ser idosa, o cuidado é minucioso. Elas voltaram a se encontrar apenas em julho e em seguida a Gi foi chamada para trabalhar em Sobral, no interior. Foram meses que ela passou lá, só teve retorno de fato no mês de novembro. Foram meses de um relacionamento à distância e a Gi sentiu dificuldades em se adaptar também ao trabalho. Quando ela voltou, elas organizaram tudo e o casamento aconteceu. A Rafa hoje em dia mora com a Gi e a família dela, numa casa em Fortaleza. No começo a mãe da Rafa ficou um pouco mexida com a situação, mas hoje em dia la entende que faz parte da vida adulta e do crescimento da filha. O pai, por outro lado, não vê a orientação sexual dela de boa forma, o que a deixa triste pois sabe que ele e a Gi, enquanto companheira dela, se dariam muito bem! De toda forma, entendendo isso enquanto uma dificuldade e uma dor, elas seguem se fortalecendo e sendo apoio dentro da relação. Inclusive, nos momentos de dificuldades, a Rafaela conta que a Gizelly a acalma e ensina a agir com cuidado. No mais, elas tentam sempre entender que tudo tem seu tempo e que as dificuldades que passam, principalmente financeiras, que não são para sempre. Para tudo conseguem dar um jeito, ainda mais se estão juntas. ♥ 5 Por fim, a Gi comenta que sempre foi mais fechada e com poucos amigos, que mantém um contato mais distante com as pessoas - tirando com a Rafa, que é um contato diário. Então ela faz uma leitura do amor enquanto uma estabilidade e enquanto segurança. Para a Rafa, o amor se mostra quando ela acorda e vê ao lado dela a pessoa que ela ama, que ela cuida, que está do lado dela para tudo. Ela diz que sente o amor neste momento em específico, principalmente, porque a Gi acorda cedo para trabalhar e sempre liga o computador e arruma as coisas para que a Rafa acorde com tudo confortável. Ela acha isso muito querido, se sente muito confortável, encontra nesse cotidiano e nessas pequenas atitudes muitos pedacinhos de amor. Quando andamos por Fortaleza, elas me ensinaram muitas coisas. Mostraram diversas questões culturais, contaram histórias e quando fiz perguntas durante a nossa conversa sobre a cidade e a forma que elas enxergam o local em que elas moram, elas não pensam em outra cidade no Brasil que gostariam de estar além de lá. Ao mesmo tempo que entendem diversas melhorias que precisam ser feitas lá, no Estado do Ceará e no Brasil em si, comentam que não tiveram vivências de preconceito na cidade, mas que a situação econômica está ruim, que os custos de vida estão elevados e que a mobilidade deixa muito a desejar e que isso também fala sobre a gente, né? Elas sonham em poder se estabilizar, seja no Brasil ou fora dele, e entendem que Fortaleza é um lugar muito incrível para se estar. Desejam viver, além de sobreviver. Fora da galeria < ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☺ vem construir esse projeto com a gente! ☼ entre em contato com elas por aqui! Rafaella Gizelle

  • Carla e Yasmin | Documentadas

    A Carla e a Yasmin são duas mulheres apaixonadas - pela arte, pela vida, pelas pessoas e pelo relacionamento que elas construíram desde o momento em que começaram a namorar. Carla tem 25 anos e é natural do Rio de Janeiro. É publicitária, comunicadora e poetisa. Ama escrever poesia e de todas as suas paixões, acredita que essa é a maior. Durante a pandemia ela também desenvolveu desenhos e pinturas enquanto arte-terapia, algo muito intuitivo e que hoje em dia acompanha sua rotina. Pinta em aquarela, misturando texto e desenhos. Yasmin tem 22 anos e é natural de Niterói. É astróloga e professora de yoga, além disso, também está na faculdade fazendo graduação em filosofia. Ela tem vários hobbies, adora mexer com a terra, planta tudo no quintal de casa, cuida dos jardins e adora usar o que planta para cozinhar. Além disso, se vê enquanto alguém que vive a arte em detalhes e brinca: “Coloca em letras grifais: VIVE A ARTE” - porque gosta muito de desenhar coisas abstratas, pontilhismos, ouvir músicas, tocar violão e estudar sobre o mundo. O que mais gostam de fazer quando estão juntas é curtir a companhia uma da outra, estando sozinhas em algum lugar. Amam viajar, conhecer lugares novos, ir à praia ou ficar em casa desenhando. Gostam de tomar açaí geladinho, fazer lanchinhos veganos e descobrir novos restaurantes (também veganos). Uma coisa, em especial, que fazem e que adoram, é a poesia livre! A ideia é que alguém comece escrevendo uma linha, depois a outra escreva logo em seguida e assim sigam, intercalando... formando uma poesia. ​ Para Carla, a maior referência de pessoa que ajudou na construção sobre quem ela se tornou, é a sua mãe. Ela diz que entende a mãe enquanto uma força de pulsão para tudo o que precisa ser feito, de maneira geral: incentivo e inspiração. Vê a mãe enquanto uma mulher muito corajosa, forte e criativa. Ela também é artista, mas de formas de expressão diferentes (na área do bordado e da costura). Ela cita as formas de expressar específicas da mãe sobre as encomendas que recebe das clientes e o quanto aprende com isso. Para Yasmin, sua inspiração são seus avós. Mais que uma inspiração pessoal e/ou familiar, eles remetem principalmente a uma referência cultural - por conta de ensinar ela a ser livre, darem introdução à liberdade de ser. Eles sempre cantavam e tocavam juntos e na literatura a avó é grande entusiasta dos autores brasileiros. Além dos avós, se pudesse citar alguém entre famosos, seria Maria Bethânia, que inclusive foi uma das pessoas responsáveis por ela e a Carla terem se conhecido. A Carla e a Yasmin observam muito o mundo desde criança e tiveram famílias que instigaram e incentivaram diversos pontos culturais dentro de casa. Quando falamos sobre a cidade e a sociedade, elas trouxeram diversas visões. A Carla, por morar bastante longe do centro, comenta o quanto ainda falta nos ver nos espaços públicos nas periferias, sem medo de pegar na mão da companheira dentro do ônibus, do metrô ou do BRT (Sistema de transporte em massa). E o quanto quer ver as mulheres ocupando espaços de trabalho em níveis altos, com projetos informativos e educativos vencendo violências. Yasmin complementa o ponto sobre a educação vencendo quebrando muitas barreiras - para ela, é quando o educativo se move que as leis de igualdade e incentivo também fazem sentido, mas não só nas escolas. Educação para que as mulheres se entendam enquanto mulheres em sociedade, saibam seus direitos e lutem juntas. ​ As duas se conheceram em meio a pandemia de Covid-19, ou melhor, na verdade elas já se conheciam e seguiam no Instagram, mas não tinham contato algum. Foi durante a pandemia que Carla declamou um poema autoral no instagram e Yasmin respondeu elogiando. Elas trocaram mensagens a partir dali, foi quando Yasmin disse à Carla que sua poesia lembrou muito Maria Bethânia e chegou até a enviar uma música de Bethânia para ela. Toda a conversa era realmente sem tom de flerte, era uma troca de conteúdos artísticos de muito valor para as duas e estavam aproveitando bastante porque interessava trocar e dialogar sobre arte (e sobre quem admiravam). Passou um tempo, continuavam trocando mensagens até que decidiram “se encontrar virtualmente” (por chamada de vídeo). Não tinha nenhum clima de terem um encontro ou algo do tipo, era realmente um café da tarde no domingo para baterem um papo e falarem da vida, algo que estava acontecendo bastante no começo da pandemia. A conversa aconteceu e, por mais que o dia tenha sido um pouco caótico para a Carla, o papo foi ótimo e elas se deram muito bem. Foi depois da conversa que, pela primeira vez, surgiu um sentimento de: “Acho que quero encontrar ela pessoalmente”. Se encontraram em Botafogo, num dia de ventinho carioca, um tempo depois do encontro virtual. A Yasmin estava interessada também, mas tinha acabado de sair de um relacionamento e sentia um certo receio de se envolver novamente, estava mais ‘fechada’. Entretanto, à medida que foram conversando e os ideais foram batendo, isso já estava se amolecendo. Elas contam que uma amiga em comum participou do encontro por um tempo, mas que lá, ainda no primeiro dia, se beijaram. Depois elas foram para um outro espaço e hoje em dia, elas brincam que a partir desse momento que saíram do café (espaço 1) e foram para o restaurante (espaço 2) já estavam namorando, porque já se viam enquanto um casal. Hoje em dia, mais de um ano depois, elas possuem um relacionamento de muito diálogo e expressão. Definem-se (ao menos, nesse momento do relacionamento) como “compreensão”: Se entendem e sempre conversam. Yasmin fala que desde o início do relacionamento elas já conversavam muito sobre como queriam coisas sólidas, porém, sem peso, então criaram a base da relação na espontaneidade, liberdade e construção. E completa dizendo que, considerando todas as dificuldades de uma pandemia que envolve incertezas, ansiedades, momentos de luto, e inúmeras instabilidades, respeitam ainda mais essa liberdade, o tempo e o espaço uma da outra. ​ Yasmin cita Vinicius de Moraes para falar de amor: “A vida é a arte do encontro embora haja muito desencontro na vida”. E diz que o amor é a capacidade de você se encontrar, se perder, misturar, se fundir e separar, tudo dentro de uma coisa só! O amor não é só os detalhes, ele é o cenário e o espaço para as coisas acontecerem. É uma entidade viva, embora tentamos colocá-la em caixas... Para depois descobrir que na verdade ele é tão fluido como o ar, nós não vemos. Ela finaliza o pensamento sobre o amor dizendo que muitas vezes ele é o motivo e a razão das coisas acontecerem. Concluímos que o amor nas relações humanas é o que faz abrir mão um pouco do “meu” pelo “nós”. E que o amor entre mulheres, foi por tanto tempo (E ainda é!) abnegado - mesmo que, em contrapartida, ele seja o amor em sua maior expansão: um amor que tem potência máxima de gerar coisas. Amar uma mulher é estar disposta. Carla conta a história de um livro que ela leu, da Letrux, como forma de dizer o que representa o amor pra ela. Fala de um menino de 5 anos que entra no mar pela primeira vez: o amor é tudo isso que existe em um menino de 5 anos entrando no mar pela primeira vez... Ele vai sentir o coração pulsando e vai ficar maravilhado, mas também vai odiar - porque vai arder os olhos, ele pode se afogar, vai ficar confuso mas pode também aprender a nadar e descobrir a imensidão de possibilidades (e aí descobrir a liberdade). Isso é o amor. Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! < Yasmin Carla

  • Yasmin e Ignez | Documentadas

    Por mais que a Yasmin e a Ignez se conhecessem desde 2019, elas foram ter o primeiro encontro e sair de verdade só em 2020, mais especificamente, um fim de semana antes da pandemia ser oficializada no Brasil - e em Fortaleza, cidade onde elas moram. Elas contam que estavam juntas quando saíram as primeiras notícias na TV sobre o primeiro caso de COVID-19 no Ceará e que no dia seguinte viraram 3 casos e que no dia seguinte dos 3 casos foi anunciada a “quarentena”. E aí? Como que duas pessoas que moram com os pais começam a construir um relacionamento (e a se conhecer) num contexto inicial de pandemia? Hoje, mais de um ano depois juntas, elas contam quanta coisa foi possível fazer mesmo estando dentro de casa: descobriram hobbies, cozinham juntas, jogam videogame, estudam muito, escutam música, se reinventam. A família da Yasmin desde o começo soube da Ignez e sempre foi uma convivência tranquila… enquanto a Ignez, nesse meio-tempo, se abriu e resolveu contar para os pais que estava namorando - isto, inclusive, é um processo recente, mas que está dando certo! Ela conta que há um ou dois anos atrás jamais se imaginaria dizendo que a família sabia e apoiava o namoro dela com outra mulher… e que hoje isso acontece naturalmente. Reforça: “Não que seja fácil, mas de estar acontecendo me deixa mais tranquila. Eu contei num segundo de coragem, sabe?”. ​ Yasmin tem 24 anos e estuda Arquitetura na Universidade de Fortaleza. Ela e o seu irmão sonham em montar uma empresa de engenharia e, além do trabalho, adora cantar, tocar violão, pintar aquarela... É uma pessoa que adora ser criativa, montar coisas e deixar o corpo se expressar. Ignez tem 25 anos, é formada em Direito e quando nos encontramos estava com foco total estudando para a OAB. Ela adora ouvir música, conhecer lugares novos e viajar. Inclusive, mesmo na pandemia, elas têm conseguido viajar de carro até o interior para ficar na casa de parentes e isso acaba garantindo uma experiência muito legal para as duas, é algo que adoram fazer. Mesmo com as dificuldades que, não só a pandemia, mas a vida em si nos coloca, tanto a Ignez quanto a Yasmin se mostraram ser pessoas que conversam muito e que se ouvem muito também. Nos momentos mais complicados, elas tendem a ficar juntas e resolver as coisas juntas. A Ignez diz “Às vezes só de estarmos quietinhas, no mesmo ambiente, já ajuda”. Ou seja, não precisa ser uma questão de resolver tudo o tempo todo, mas de gerar apoio e acolhimento. Elas acreditam que o diálogo consegue resolver qualquer coisa e possuem um acordo de que não vão dormir brigadas, então caso aconteça algum desentendimento, tentam resolver de alguma forma ou ao menos respeitam o espaço, mas não ficam desentendidas uma com a outra. ​ Mesmo que as duas tivessem vários amigos em comum, elas nunca tinham se esbarrado por aí. Mas a Ignez já tinha visto a Yasmin pelas redes sociais. E então, lá em setembro de 2019, rolou uma festa chamada “Tertúlia” em Fortaleza e a Yasmin apareceu por lá. Quando ela chegou e a Ignez viu, ficou até um pouco nervosa. Elas deram um oi, mas a Ignez percebeu a Yasmin saindo com outra menina da festa e desistiu. Uns dias depois, resolveu segui-la no Instagram e a Yasmin seguiu de volta. Meses se passaram, ela até tentou interagir pelas redes, mas não rolou. Quando o ano virou e chegou 2020, era fevereiro e elas estavam na festa de uma amiga em comum, então a Ignez viu a Yasmin chegando e até comentou com uma amiga: “Nossa, sabe aquela menina lá da festa Tertúlia? Ela tá aqui!”. Nessa festa, elas conversaram a noite toda, ficaram na borda da piscina tomando drink, dançaram forró juntinhas e se divertiram muito. E aí a Yasmin chegou nessa amiga em comum e disse que achava que ia rolar algo com a Ignez… até a amiga soltar a fatídica frase: “Não, amiga!!! Ela namora! Ela só é assim mesmo. Ela é simpática!”. O mundo da Yasmin caiu naquele momento. Ela ficou sem entender nada. Como assim?? Namora?? Um amigo dela já sabia da história do “relacionamento” da Ignez - que não era um namoro super longo e oficial, era um rolo que ela tinha com uma menina - e disse para a Yasmin “Vocês vão ficar hoje.”, mas ela estava decidida que não, por conta do namoro e tentou evitar isso a noite toda. O amigo ainda completou: “Ela “namora”, mas já-já esse relacionamento aí acaba”. ​ Ele acabou estando certo. Na hora de ir embora elas conseguiram uma carona para irem juntas e ficaram bastante próximas, foram até um local onde pediram o uber para a casa e lá aconteceu um beijo. Elas conversaram no dia seguinte sobre o que tinha acontecido, entenderam que tinha sido errado e que não era certo continuar e uns dias depois a Ignez realmente terminou o relacionamento. No carnaval, em seguida, elas se encontraram, mas pouco se falaram. Trocaram algumas mensagens pelo Whatsapp um tempo depois e a Yasmin soltou uns flertes, só para cutucar, mas depois falava “Ei, você não pode flertar de volta, porque você namora!”. Pois foi aí que a Ignez contou que não namorava mais e que poderia, sim, corresponder ao flerte. Foi nessa semana que elas decidiram sair juntas, que tiveram o primeiro encontro oficial e que em seguida a pandemia começou. No dia das namoradas, em junho, a Yasmin pediu a Ignez em namoro (mas foi praticamente uma corrida! Porque a Ignez também estava preparada para fazer o pedido). ♥ Para elas, o amor é uma construção. Seja ele entre um casal, entre a família ou amigos. É sempre construir e lutar para que seja bom, leve (que precisa ser leve) e que amar é você olhar para alguém e sentir que o que foi construído é genuíno, que veio de dentro da alma. Amar é, também, uma conexão de muita intensidade, principalmente entre duas mulheres - são corpos que desenvolvem uma força inexplicável, é revolução, uma luta constante contra quem quer que seja, contra tantas violências, e a favor do amor, com resistência. Quando pergunto como elas se sentem morando em Fortaleza e como enxergam a cidade, Yasmin comenta que gosta muito de lá e que sente muita falta de sair e curtir a cidade em si, mas que se tivesse o poder de mudar algo socialmente e culturalmente falando, seria que as pessoas respeitassem mais a história da cidade e trocassem mais o respeito entre si como um todo. Ela entende que se nos fosse ensinado a conhecer e respeitar a história da cidade e a história das pessoas que estiveram lá antes de nós estarmos, viríamos tudo com outro olhar e cuidaríamos mais dos espaços. A Ignez concorda com a educação sobre o nosso povo e completa que, nos dias de hoje, ela sente muita falta da segurança. Sente que o policiamento está sempre presente nos bairros nobres, mas que nas periferias e nos locais menos frequentados pela elite (como espaços centrais ou mais boêmios da juventude), é muito comum não se sentir segura. Gostaria que esses espaços e que a segurança em si fosse repensada - para que chegasse em todos. Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! < Yasmin Ignez

  • Natielli e Emanueli | Documentadas

    A Nati e a Emanueli são duas mulheres com muita bagagem. Nos mostram que a idade, algumas vezes, não quer dizer tanto assim. Que a vida dá seu jeito de nos fazer viver muito em pouco tempo...E são duas mulheres que, desde sempre, entenderam o mundo através de muita força, de muita correria diária e de muita batalha. Natieli tem 22 anos e trabalha como vigilante em um ponto turístico/mercantil de Porto Alegre. No tempo livre adora jogar futebol, andar de bicicleta e curtir o tempo com a Ayla, a filha dela e da Manu (também conhecida como: criança mais desconfiada & linda possível!!). Já a Emanueli, tem 19 anos, é natural de Lagoa Vermelha, cidade no interior do Rio Grande do Sul com pouquíssimos habitantes, mas mora em Porto Alegre com a família há bastante tempo. Ela faz bastante coisa e adora ser uma pessoa que aprende tudo/explora tudo. Hoje em dia trabalha como manicure, no salão que a mãe dela construiu em casa, mas tem cursos enquanto astróloga e taróloga. Ela adora ver vídeos sobre a maternidade entre mulheres (foi assim que chegou até o Documentadas, inclusive) e dialoga bastante sobre. É muito legal ver as trocas que ela faz com a Ayla e o sentimento de família e de apoio que elas construíram juntas. ♥ A Nati e a Manu se conheceram através de uma amiga em comum, lá em 2019. Foi num show da Iza, que a Manu foi com essa amiga, num espaço aberto em Porto Alegre, que a amiga delas resolveu ligar para a Nati e convidá-la para o evento. Até então a Manu não sabia quem era e quando a Nati chegou, com um jeitão mais fechado e na dela, a Manu logo pensou: “Que guria bem antipática!! Mal educada”. A amiga resolveu dar uma de cupido e juntar as duas, mas, além da pré-antipatia, a Natielli já estava ficando com outra pessoa (Pode entrar, o famoso: Rebuceteio!) e a Emanueli também já tinha outra pretendente… No fim, não rolou. Acabou que o tempo passou, o show acabou e outro dia a Nati mandou mensagem para a Manu. Ia rolar uma festa de aniversário na casa dessa ‘amiga’ e chamaram ela… Lá, elas se beijaram. Com uma certa frequência começaram a se encontrar nos lugares e aos poucos o sentimento surgiu. Foi em outro show que elas se encontraram e entenderam o que sentiam enquanto a paixão. A Nati disse que não queria que a Manu fosse embora e, então, no dia seguinte elas se viram na casa dela (Detalhe: a Nati foi CAMINHANDO até a casa da Manu e era uma distância muito longa!! Ela não contou que não ia de carro ou de ônibus e só avisou quando estava chegando lá, como se estivesse no carro… e a Nati nem percebeu que a menina tinha caminhado quilômetros. Já diria a Sandy, né minha gente: “Olha o que o amor me faz...”). Um mês depois do encontro em casa (e da caminhada) a Natielli fez o pedido de namoro ♥. ​ O processo da vinda da Ayla ao mundo foi muito cuidadoso e delicado e, antes de tudo, sei o quanto isso é importante para a Nati e para a Emanueli. Então queria agradecer a elas terem me concedido permissão para falar aqui, de forma não necessariamente romantizada e sim como parte verdadeiramente documental, sobre o processo da maternidade de duas mulheres e o que representou isso para as duas - em sua melhor forma de ressignificar. ♥ obrigada e admiração por vocês três. No decorrer do ano de 2019 e logo no começo da relação das duas, a Nati sofreu uma situação de abuso. Foi um grande desespero e elas estavam sem saber o que fazer. A reação da Emanueli foi acolher e tentar ajudar como soube na hora, mesmo sendo algo muito difícil e traumático. Elas ressaltam que, nos momentos em que mulheres estão fragilizadas, geralmente o que podemos fazer é tentar estar por perto e segurarmos uma nas mãos da outra. Diante toda a gravidade da situação, elas conversaram muito, tentaram se acalmar e buscar as providências corretas judicialmente. Nesse meio-tempo, a família da Emanueli recebeu a Nati em casa e elas se tornaram uma família só. Foi acontecendo uma movimentação natural da mãe, da avó e da própria Manu em torno do acolhimento e de entenderem o momento de fragilidade. Foi então que veio um sentimento das duas pensarem que elas não possuem condição para uma fertilização em clínicas e que gostariam muito de serem mães, de gerar, educar, criar e amar. E foi aí que a Nati perguntou: “você quer ter esse filho comigo?”. A Manu aceitou. E, meses depois, a Ayla veio ao mundo. Hoje em dia, a Ayla é a maior alegria em casa e, mesmo entendendo que o momento tenha sido de muito trauma e muita dor, é com terapia que elas procuram construir e literalmente dar outro significado para isto. Procuramos, também, alertar outras mulheres para que estejam sempre em apoio, uma das outras, que nunca soltem as mãos e que fortaleçam seus laços. A forma que o amor encontrou a vida dessas mulheres mostra que o amor entre mulheres consegue mover muita coisa no mundo. ​ Quando a Manu e a Nati se casaram foi algo não-oficial, mas muito importante para elas. Fizeram um documento, em casa mesmo, com chocolates e comemoraram juntas. Sentem que estar juntas é o resumo de tudo. Ali, tudo é 8 ou 80. Decidem as coisas, conversam sobre o que pensam e se entendem porque o diálogo é aberto. Elas zoam muito também, a conversa (quase) não dava para ser levada à sério, porque metade do tempo era risada de uma atiçando a outra, falando bobagem e fazendo piada. Para Emanueli, o amor, acima de tudo, é a parceria que elas construíram juntas no relacionamento. Essa parceria entende a individualidade, respeita os momentos, os espaços, mas não larga as mãos quando precisa. Está sempre ali. A Nati completa que o amor para ela é muito forte, capaz de superar distâncias e dificuldades. Elas acreditam que o amor entre mulheres é diferente porque ele sabe apoiar nas horas boas e ruins. E que a maternidade delas mostra como é isso na prática - por mais que não tenha sido nenhum pouco fácil (e que diariamente não seja fácil). São mulheres periféricas, são mães de uma criança negra, mães negras, parte de uma maternidade que não estava nos planos… E falam o quanto isso implica em tantas mudanças repentinas na nossa forma de pensar e de enxergar o mundo. E o quanto, também, implica na forma que queremos o mundo diferente para a Ayla viver. Elas, em especial, querem um mundo mais emancipado, em que as pessoas tenham mais condições e que os nossos direitos sejam respeitados, assim como desde cedo ensinam a Ayla a respeitar cada detalhe de cada pessoa: que a Ayla respeite cada ser como ele é. ♥ ​ Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! < Natielli Emanueli

  • Camila e Samantha | Documentadas

    Quando lancei o Documentadas uma mulher lá de Campinas entrou em contato comigo dizendo que queria que eu fosse para lá registrar ela e a namorada e eu respondi aquilo que todas encontram aqui no site quando se inscrevem: se arranjarmos mais casais que topem participar, maior a chance de eu ir (pela possibilidade de organizarmos vakinhas, pela demanda, organização, etc). Passaram três meses e, por mais que a Camila vez em quando aparecia inbox dizendo "não esqueci de vocês, tá?" eu pensava "tá! hahaha vamos organizar!" e achava que de fato iríamos organizar, porém não naquela hora… ATÉ QUE ela surgiu dizendo que tinha organizado 10 casais que topariam participar, com horário, agenda, local, doação garantida e tudo o que tinha direito. Fiquei chocada, pensando: será que ela realmente existe??? E aí ela me contou o motivo: eu quero que o Documentadas venha para Campinas porque preciso do Documentadas registrando o pedido de casamento que vou fazer para a Samantha! Tá explicado, né? O casamento de duas mulheres é capaz de mover o que for, inclusive levar o Documentadas até Campinas. Depois que confirmamos a ida e que comprei as passagens, comecei a participar ativamente da preparação do pedido de noivado das duas - que até então seria uma surpresa para a Samantha. Precisávamos manter a seriedade e o segredo para que ela não desconfiasse de nada (e eu não poderia deixar escapar nenhum detalhe pelo perfil do .doc), então deixei para divulgar só quando já estivesse lá. ​ Fiquei hospedada na casa dela, tomando todos os cuidados, detalhadamente, perante à pandemia. E diferente dos outros casais com quem tenho contato e converso, fiz uma imersão na vida dessas duas ♥ - foram três dias vivendo a realidade delas, ouvindo suas histórias, vivendo a rotina e trocando conhecimento. Ao chegar lá, minha mala virou a mala do noivado, enquanto a Sá trabalhava fomos em lojas de decoração, compramos confetes, comidas, acessórios de festas... e a ansiedade da Camila virou a minha - então fiquei a responsável por organizar como seria o momento - e bloquear a Samantha no perfil do Documentadas no Instagram (fingindo que eu estava sem internet!) para que ela não visse as publicações em que eu contava para o público da página que o pedido de casamento seria feito durante as fotografias do .doc (e que eu iria transmiti-lo ao vivo). Bom, aconteceu! Deu tudo certo. Fomos para uma chácara, junto com a Clara e a Mayara, que também estarão com suas histórias aqui no Documentadas e que auxiliaram em toda a surpresa. A Cami estava tão, tão, tão ansiosa que quase colocou tudo a ser descoberto várias vezes? Sim. Eu fingi que estava irritada para a Samantha não desconfiar de tanta ansiedade 'à toa' no ar? Também! [O que a gente não faz... né?] E ela realmente não esperava, foi lindo. Vocês podem conferir as fotos do momento aqui ♥ ​ Camila tem 35 anos, atualmente trabalha como barbeira e tem um espaço em que atende os clientes lá em Campinas, mas conta que já trabalhou com quase tudo nessa vida: já trabalhou em navio, já foi babá, já foi garçonete, é longa a lista! Morou muitos anos na Europa, em alguns lugares diferentes, foi lá que se entendeu enquanto uma mulher lésbica e decidiu voltar para o Brasil um pouco antes da pandemia pela necessidade de se ver um pouco mais próxima da família e cuidar da saúde mental. Foi aqui que ela conheceu a Samantha, que tem 27 anos, é bancária mas também não perde a oportunidade de fazer um freelance no fim de semana e ganhar uma renda extra! Falando em renda, juntas elas lançaram o Laricas.com, uma marca de comida, vendem salgados de festas, salgados maiores e alguns doces também. A mãe e a avó da Sá participam do empreendimento, ajudando nas vendas e na produção. Quem começou tendo a ideia, na verdade, foi a mãe; As duas toparam, a avó que é super conhecida no bairro por ter várias amizades e organizar bingos decidiu ajudar nas vendas e na divulgação e então todas começaram a vender juntas. A Cami costuma fazer as entregas e elas vendem pelo próprio Instagram (no Instagram no .doc, você chega até elas e por lá pode encomendar, se morar em Campinas ♥ garantimos: é bom demais!). As duas nasceram no mesmo bairro, cresceram na mesma região e descobriram muitas coisas em comum, mas só foram se conhecer mesmo há 2 anos e meio atrás, através de um aplicativo de relacionamento para mulheres, o Wapa. Conversaram pouco por lá, cerca de uma semana e a Cami lembra que tinha algo no perfil da Sá sobre ela gostar de queijo, então decidiu que iria mandar uma foto de uma tatuagem que ela tem que é um queijinho e pensou "ah, vai que rola, né???". E rolou. De lá, ela comentou sobre uma festa que iria acontecer, com música eletrônica em uma parte da cidade, era uma festa cheia de drags, um público bastante ‘underground’... E a Samantha contou que estaria fazendo um freelancer nessa festa! Foi então que elas marcaram rapidamente de se encontrar. ​ A Cami estava enfrentando um momento muito sério e difícil na depressão, não se sentia bem e inclusive, ir para a festa, foi bem delicado. Não queria estar lá, não estava legal e até pediu para que a mãe a levasse porque não poderia ir dirigindo e também não tinha dinheiro para o Uber ou o táxi. Quando ela chegou, encontrou uns amigos e comprou uma cerveja para impressionar, porque o dinheiro era limitadíssimo, mas o charme ela não abriu mão e quando foi fumar na rua a Sá passou por trás dela e encostou a mão nas suas costas, dando um 'oi', mostrando que a viu... e ela brinca 'Aí garanti minha carona para ir embora'. No dia da festa ela realmente garantiu a carona para ir embora, a Sá deixou ela em casa e perguntou o que ela ia fazer durante a semana, se elas podiam se ver... E bom, ela estava totalmente trancada num quarto escuro em depressão, claro que não tinha nada agendado para fazer durante a semana. Topou o encontro. Esse encontro virou outro, e outro, e outro. 28 dias depois elas começaram a namorar, no dia dxs namoradxs de 2019. As famílias admiram muito o relacionamento das duas e elas entendem que é pelo tanto que se ajudam. A Sá chegou naquele quarto escuro, literalmente, trazendo luz. Ela chegava e abria as janelas, falava "nossa, tá muito escuro aqui!" e saía abrindo tudo. Mudava as coisas de lugar, fazia ser diferente. E a Cami se permitia mudar. Da mesma forma que a Cami, nesses 2 anos, vêm trazendo diversas novas perspectivas para a Sá - trouxe a terapia, um novo olhar sobre o trabalho, a vida dela, a forma que ela vê os outros... tudo é muito mais saudável. Desde o primeiro momento em que eu estive com elas percebi o quanto as realidades delas são diferentes, a Cami vem de uma família onde o pai é provedor, enquanto a Samantha é uma casa que só tem mulheres fortes e independentes. O tempo todo a Cami lembra o quanto conviver na casa da Samantha muda o olhar dela sobre as coisas e o quanto aprende sobre a sociedade. A mãe da Cami, por sua vez, considera tanto ambas famílias uma coisa só que sempre fala: ‘’A Samantha é gente da gente’’. ​ Juntas, a Samantha e a Camila adotaram duas cachorras, a Cacau e a Tulipa (Tuli, para os íntimos). Elas amam a rotina com as "crianças": cuidar delas, assistem vídeos de adestramento, sonham em trabalhar com animais, ter alguma creche de cães ou um hotel... em casa tem as duas cachorras, o cachorro da avó e um papagaio também da avó, todos encantadores (Principalmente a vó! Que é um amor e joga bingo como ninguém!). Elas adoram, no fim da tarde, ir na Pedreira do Garcia com as cachorras brincar, correr e se divertir. Além disso, costumam comemorar coisas dentro da própria rotina. Comemorar de um jeito único. Desde aniversários de namoro, aniversários das cachorras, datas que elas adotaram, momentos que elas consideram especiais... Comemoram o crescimento, a conquista, o sonho em conjunto. A Cami completa "Tem outra coisa que a gente faz, a gente ri muito. Tipo, toda a noite junto, é engraçado. A Sa riu tanto ontem que disse ’Mor, eu não tô enxergando’’. Eu amo fazer ela rir." ​ Por fim, elas sonham com um dia em que vão fazer esse casamento acontecer de fato e ter filhos, para além das "crianças" caninas. Querem que seus filhos vivam num mundo diferente do que vivemos. A Cami demorou 27 anos para se assumir lésbica, para se permitir esse entendimento também e não quer mais ver as pessoas passando pelo mesmo que passou, não quer ver as pessoas dentro desse armário. Deseja que as pessoas vivam com respeito e dignidade. Ela quer permitir a educação de forma livre, como não foi permitida à ela, porque acredita que assim seria o mundo ideal: livre. E que isso seja ensinado na escola, que ao redor dos filhos delas o contato com o mundo seja plural e diverso. A Sá conta que quer espelhar a realidade dela para o mundo: com mulheres fortes, guerreiras e independentes, que não abaixam a cabeça e não se diminuem. Ela sempre teve um círculo LGBT muito presente, desde pela melhor amiga da mãe ser solteira com um filho gay, até a avó que também tem amigas lésbicas... E sobre como tudo sempre foi visto com a naturalidade que é. Ela quer isso para o mundo, até porque, o amor, em si, é simples. E o que nós, LGBTs, fazemos é: amar. Ambas falam do amor e do respeito como base de tudo, desde a família (a Cami relembra em alguns momentos que todos os dias quando era criança a mãe dela acordava ela falando o quanto ela era muito linda. E que isso é uma coisa que ela carrega como referência de afeto, para si e para os outros), até os amigos ou um desconhecido por quem sentiu empatia. Elas falam também da importância do amor próprio e do autoconhecimento. Você aprende a se respeitar também, entender o seu limite. O amor próprio vem com muito custo, é uma jornada bastante longa, mas que vale a pena porque respinga nos outros amores de um jeito positivo. Para finalizar, deixo um trecho em que a Camila fala sobre amor que me marcou bastante perante o diagnóstico dela de ansiedade, o que ela sente sobre o amor e a forma que ela entende o amor entre mulheres: "A Sá me trouxe um amor diferente, que é um amor calmo. Sei que não vai ser só calmo, mas a gente vai enfrentar. Teve uma coisa que ela me falou e me marcou muito, é que eu sempre fiquei muito na defensiva e ela olhou pra mim e falou e disse ‘’A gente tá no mesmo time’’. Aí eu posso puxar essa deixa pra falar sobre o amor entre mulheres: por mais que a gente tenha caminhado juntas, dessa vez é de igual, é entender de uma forma que eu nunca antes fui entendida." Fora da galeria ☺ vem construir esse projeto com a gente! ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! < Camila Samantha