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Espaço de Pesquisas

Oi! Este é um espaço do qual você pode pesquisar e encontrar histórias de mulheres que participaram do nosso projeto por todo o Brasil! Legal, né? 

Pra usar, basta digitar no espaço de pesquisa alguma palavra-chave, por exemplo: alguma profissão, alguma cidade, algum tema... 

 

É o nosso verdadeiro banco de dados - o primeiro, da história das mulheres que se relacionam afetivamente

com mulheres - e precisa ser valorizado! ♥

41 itens encontrados para ""

  • Qual é a desse lambe aí? | Documentadas

    E esse lambe aí? Acreditando na potência do Documentadas para além das redes sociais e do mundo online, decidimos colocar o projeto na rua conversando com os espaços das cidades por onde passamos. Foi através das técnicas arte urbana como lambe-lambe e stickers que começamos a espalhar uma frase famosa por aqui: “Toda mulher merece amar outra mulher”, além de uma tiragem inicial de 300 fotografias de casais que já participaram do projeto, com intervenções gráficas escritas por cima e o @documentadas, identificando nosso Instagram/site. Estar na rua nos abriu a possibilidade de troca com públicos antes inalcançáveis. Passamos entre universidades, boêmias e comunidades. Se as mulheres amam outras mulheres em múltiplos espaços, acreditamos que nossa arte também deva ocupar múltiplos espaços. Tal fato foi - e está - sendo possível pela impressão/colagem por valores acessíveis (afinal, o projeto é independente) e também por permitirmos ouvir a linguagem das ruas. Seguimos monitorando os espaços colados através da localização nas redes sociais, vendo postagens com fotos que as pessoas tiram deles e quais são as reações positivas/negativas ao ver essa manifestação. POR QUE NOSSOS LAMBES NÃO DURAM NAS RUAS? Nossos lambes são arrancados, vandalizados, riscados… Isso fala sobre muitas pessoas ainda serem lesbofóbicas e terem ódio ao saber que duas mulheres podem - e merecem - se amar em público, infelizmente. Porém, em nenhum momento um lambe riscado é arrancado para que outro seja colado em cima, pelo contrário: é importante deixar ali para que o preconceito também fique escancarado perante uma manifestação de afeto les-bi. Não deixaremos de colar nossos cartazes e adesivos. O Documentadas é uma forma de combate ao preconceito, enquanto houver cartaz, cola, pincel e adesivo, estaremos colocando nossa arte na rua e ouvindo o que a rua tem a nos dizer. QUER COLABORAR COM O DOC PARA QUE ELE TENHA MAIS LAMBES POR AÍ OU NOS CHAMAR PARA UMA EXPOSIÇÃO EM ALGUM LOCAL? ENTRA EM CONTATO PELO SITE OU NO E-MAIL: FERNANDA@DOCUMENTADAS.COM

  • Luana e Bruna | Documentadas

    Antes mesmo de se reencontrarem, a mãe da Luana já sabia da existência da Bruna, por ela ficar sorrindo pela casa olhando para o celular enquanto conversavam. Além disso, contaram para os colegas de trabalho que estavam apaixonadas e nem eles acreditaram, afinal, alegaram que “elas sempre estavam apaixonadas por alguém”. Até que aconteceu o reencontro, foi num piquenique no aterro, local em que fizemos as fotos. Compraram um vinho no mercado, uns biscoitos e na hora de sair do estabelecimento encontraram a personal trainer - cujo estava presente antes, no momento que elas se conheceram. Ficaram cheias de vergonha. Chegaram no piquenique, beberam, se empolgaram, beberam mais. Guardam a garrafa de vinho, dizendo que iriam usar no dia do casamento (e até já reutilizaram no pedido de namoro, um mês depois). Por mais intenso que tenha sido, também foi um desafio começar a namorar alguém de uma forma rápida porque ainda estavam se conhecendo. Ambas moram sozinhas, a família da Luana adora a Bruna e isso tudo ajuda bastante, mas não descartam o fato de que são duas pessoas se acostumando com a ideia de terem uma relação amorosa novamente e isso não foi fácil, precisou passar por uma construção. ​ Luana, no momento da documentação, estava com 23 anos. Ela nasceu em Nova Friburgo, interior do Rio de Janeiro e se mudou para a capital para cursar a faculdade. Morou inicialmente com a avó, até se mudar e hoje em dia morar sozinha. É apaixonada por marketing, se formou em publicidade. Trabalha como analista de negócios. Adora samba, pagode e a vida boêmia que o Rio proporciona. Gosta de aproveitar o tempo com as pessoas que ama e por isso, também, vai bastante para a sua cidade natal visitar a família e passar o tempo com a mãe. Além disso, adora esportes: musculação, futebol, handebol. Gosta da rotina agitada. Bruna, no momento da documentação, estava com 26 anos. Nasceu em Minas Gerais, mas ainda bebê a família se mudou para o Rio de Janeiro. Estudava direito e precisou parar o curso por conta do tempo limitado e conseguir se dedicar aos estudos de inglês. Trabalha na área do direito, na pós venda de locação de imóveis. Seu grande hobbie é a dança, desde os 9 anos se dedica à dança de salão e é a música que a deixa feliz sempre - desde o forró, o samba, até as trends de tiktok. Conta que sua festa de 15 anos foi uma grande festa de dança. Além disso, é uma pessoa que curte a estabilidade, a rotina, a não-acumulação de afazeres… gosta da organização. ​ Bruna estava há 6 meses solteira, saindo muito, curtindo… Na época, início de 2023, fazia futevôlei, mas por conta de confusão nos horários precisou mudar e resolveu entrar na academia. Foi julho quando, no terceiro dia de nova rotina, decidiu procurar amizades e esbarrou com a Luana. De início, achou que Luana fosse atleta. Primeiro porque ela treinava com personal acompanhando tudo… segundo, porque o treino era muito pesado. Cita: “uma série de dez repetições, num intervalo de dez segundos… eu ainda falei ‘tá fodida’ (risos)”. Nem teve a opção de revezar o aparelho. E ainda contou… no fim, disse que ela não tinha feito a repetição corretamente, fez nove ao invés de dez. Depois disso, Luana falou para a personal que Bruna estava dando em cima dela, a personal duvidou. Elas entraram em discussão, então Luana disse que se a Bruna olhasse para ela novamente, iria tomar iniciativa, até porque nunca tinha a visto na academia e poderia nunca mais ver, era uma oportunidade única. Quando ela olhou, a iniciativa aconteceu e foi falar. Chegou e perguntou: Se ela fizesse 10 repetições dessa vez, será que Bruna daria o número de telefone dela? Bruna riu e topou. Luana disse que então ela faria até 20. Seguiram os treinos, trocaram os contatos, mas Luana acabou indo para Nova Friburgo visitar sua família no dia seguinte e elas não se encontraram em seguida, só na outra semana, mas passaram os dias em que estava lá conversando. Viram diversas coisas em comum, como amigos, gostos… o papo fluiu. Brincaram que iriam casar por tudo o que tinham dado certo, que já estavam apaixonadas uma pela voz da outra, e tudo foi fluindo até o reencontro acontecer. ​ Luana é uma pessoa muito emocional, enquanto Bruna é muito racional, então tentam encontrar o equilíbrio. Bruna explica que é a pessoa que faz uma linha e diz: “Isso aqui vai funcionar com isso? Não. Então ponto”. Enquanto Luana é a pessoa que insiste até mesmo no que não funciona e faz acontecer, de um jeito ou de outro. Luana, em contraponto, diz que por mais que Bruna seja racional, existe um momento em que ela cede para o emocional. Que as coisas vão se balançando. E que também é preciso entender os limites. Elas tentam ao máximo conversar e entendem que as conversas difíceis precisam existir para compreender os pontos críticos uma da outra, os gatilhos que existem e o que se faz para despertá-los. Até já criaram um grupo no Whatsapp para “reclamar”, ou seja, estimular as conversas que são difíceis, sobre o que é bom manter e o que não gostariam de manter dentro da relação. E prezam por sempre conversar, brincar, até mesmo trazer as coisas em tom debochado, mas nunca brigar sendo rude ou gritando. Bruna acredita que sua linguagem de amor está em atos de serviço, preparando comida, pensando no cuidado, no dia da Luana… enquanto Luana faz muitos presentes, gosta de mimar, de fazer as coisas com zelo. Ambas prezam por deixar as coisas confortáveis principalmente quando os dias não estão bons, porque a rotina nem sempre é fácil e querem estar em conforto nos dias bons e ruins. Por isso, enxergam a relação com muito companheirismo. ↓ rolar para baixo ↓ Luana Bruna

  • Mari e Fabi | Documentadas

    No encontro de almas que resume a relação da Fabi e da Mari elas contam sobre como é a experiência de viverem um cotidiano completamente novo. Fabíola vivia um casamento antes de conhecer a Mari e, este, era nos moldes mais tradicionais possível. Ela se sentia vivendo numa bolha, dificilmente saía de casa e via a cidade acontecendo, não costumava conhecer pessoas novas… Mari, por mais que fosse uma mulher solteira e tivesse maior vivência, também não estava saindo há muito tempo, sua rotina era trabalho > casa. Agora, todo final de semana saem juntas, descobrem festas, festivais de música, conhecem pessoas, fazem amigos e/ou desfrutam da qualidade de saírem só as duas, sendo suas próprias companhias. Fazem coisas que nunca se imaginaram fazendo antes e comemoram: são muitas descobertas. Foi em Caraíva que o Mari pediu Fabi em casamento, num lugar que ela sempre sonhou em estar. Mari vivia trabalhando, ganhando dinheiro e guardando. Depois que conheceu a Fabi começaram a se movimentar e agora sente que trabalha para conseguir viver tudo o que desejam. Refletem que em “situações normais” nunca teriam se conhecido, justamente por estarem em suas bolhas e pouco saírem de casa. Além disso, sempre frequentaram lugares opostos. Hoje em dia, Fabi apresentou os pagodes pra Mari, que já adora frequentar as “tardezinhas”, enquanto Mari leva Fabi nas festas de pop-rock. E acreditam que o encontro é para além de compartilhar gostos, conseguem enxergar o quanto se ajudam no empoderamento dos corpos, da autoestima, de se olhar de forma diferente, de se valorizarem e de entenderem as importâncias que possuem uma na vida da outra. Se sentem amadas de verdade. ​ Foi em um dia completamente aleatório, no começo de 2021, que Fabíola estava em casa e decidiu baixar um aplicativo de relacionamentos para conhecer uma mulher. Estava ela e o marido sentados no sofá, cada um em um canto, cada um olhando para a tela, em seus mundos e apareceu uma publicidade para ela. Era um aplicativo específico de mulheres para mulheres. Ela baixou. Nunca tinha se interessado por uma mulher, nem relacionado, nem pensado em beijar. Nada. Baixou nem que fosse para fazer amizade. Neste aplicativo conheceu uma menina, o papo desenrolou e saiu com ela. Teve até um primeiro beijo. Mas era uma mulher que estava numa situação semelhante, se via enquanto heterossexual, tinha filhos, família e não tinha como nada acontecer ali. Resolveu desinstalar o aplicativo. Achou outro aplicativo, também voltado para mulheres, e resolveu tentar. Fabíola reside em Campo Grande, bairro da zona oeste carioca conhecido por ser extenso, populoso e bastante distante da região central. Tentou não colocar um raio de distância muito grande e, mesmo não estando tão próximo, a Mari apareceu. ​ Fabi sempre criou uma percepção de que sua presença naquele aplicativo era uma aventura. Não falava sobre isso no casamento, até porque não havia mais diálogo. Ela realmente buscava uma fuga e sentia que ali existia. Quando começou a conversar com a Mari, deixou explícito sua vontade de ter algo casual e extraconjugal e a Mari não aprovou muito a ideia, mas já estavam conversando e tinham marcado o primeiro encontro, seguiram em frente. Mari perguntou se a Fabi sabia de algum bar LGBT+ para elas se encontrarem e era óbvio que a resposta seria negativa, então foi atrás de algum lugar em Campo Grande. Conseguiu um bar, foi até lá e se encontraram. Antes de chegar, estavam ansiosas, com as mãos suando, tímidas. Conversaram e quando o primeiro beijo aconteceu foi um misto de “lascou!” com “meu deus, o que foi isso?”. Fabíola conta que o encontro foi numa sexta à noite… e diz: “Como você é casada, sai numa sexta à noite, num casamento em crise e volta de madrugada? O que você fala?”. A ideia não se sustentou. No segundo encontro marcado, ela chegou dizendo: “Vou me separar”. ​ Decidiram enfrentar juntas a separação e tudo o que viria com isso. Parecia que se conheciam e que estavam se relacionando há muito mais tempo, pela naturalidade que lidavam e pela forma que se apoiavam, mas a verdade é que não foi nenhum pouco fácil. A Fabi foi criada na igreja católica, sempre gostou disso, sempre fez questão de fazer parte, tanto que conheceu o ex companheiro nessas circunstâncias, se casou na igreja e teve um relacionamento longo, nos moldes que ela acreditava, se dedicando e acreditando. Então se questionava muito sobre como acabar com algo que você depositou tanto e por tanto tempo se sentiu bem? Entende que essa foi a decisão mais difícil que já precisou tomar. Sempre sentiu muito carinho por tudo o que foi construído e pelo o que viveu. Mas parte do entendimento para que essa decisão fosse tomada era a própria compreensão de que não cabia mais naquele espaço. Precisava seguir novos rumos para ser feliz. Para a Mari, também era muito difícil porque existia o medo constante, a sensação de acordar todos os dias e pensar “e se ela desistir de tudo e voltar para o casamento?” - e essa pressão existia, era real, isso poderia ter acontecido. Tudo foi seguindo seu fluxo muito rápido. A família da Fabi estava passando por uma questão bastante delicada por conta da mãe dela estar vivenciando um problema de saúde difícil e ela tentou ao máximo evitar falar sobre o divórcio para não trazer mais problemas, mas não teve como, era nítido que ela não estava bem no casamento e precisavam conversar sobre. Para isso, teve o apoio incondicional da irmã, até a poeira baixar. ​ É importante considerar que no começo da relação a Fabi ainda morava com o ex companheiro, então tudo se torna ainda mais delicado, tanto pela pressão que existia para que o casamento não terminasse, quanto por considerar que também não foi um momento fácil para ele. Fabi conta que a mãe dela percebia que o casamento não ia bem porque todo domingo ela passava o dia na casa da mãe, sempre arranjava uma maneira de sair de casa dizendo que “não tinha o que fazer”. Não era algo que empolgava os momentos com o companheiro e a mãe percebia aos poucos. O medo maior ao contar sobre o divórcio para a mãe era principalmente contar sobre a nova relação, porque sua mãe sofreu um abuso quando era mais nova e foi uma mulher quem abusou, então ela criou uma aversão aos relacionamentos por duas mulheres. Quando contou, a mãe teve uma reação muito diferente do esperado, a abraçou e disse que sempre ia amar, não iria deixar de aceitar e respeitar. Na prática, a convivência foi aos poucos, mas no último natal, por exemplo, a família da Mari e da Fabi se reuniram em uma única festa. A mãe da Mari, em compensação, achava que essa história era o maior golpe. Que a Fabi nunca iria se divorciar (afinal, muitas histórias são assim mesmo!). Mas depois viu que deu tudo certo e apoiou. Hoje em dia segue enquanto fã do casal. ​ Mariana, no momento da documentação, estava com 37 anos. Ela é natural do Rio de Janeiro, moradora de Vargem Pequena, subúrbio carioca. Trabalha enquanto gerente de hotel em Copacabana e é formada em Línguas Estrangeiras Aplicadas à Relações Internacionais. Fabiola, no momento da documentação, estava com 32 anos. Também é natural do Rio de Janeiro, moradora de Campo Grande, zona oeste da cidade. Trabalha com administração e marketing digital direcionado para empresas. Neste ano, pretendem morar juntas, quem sabe em algum lugar mais acessível, perto do trabalho e da região boêmia que elas tanto amam. Além disso, já possuem a lista de próximos festivais musicais que pretendem ir, se divertir e se redescobrir - quando nos encontramos haviam acabado de voltar do Festival de Verão de Salvador e completam “a gente já voltou pensando qual será o próximo”. ↓ rolar para baixo ↓ Mariana Fabiola

  • Quero participar! | Documentadas

    QUERO PARTICIPAR! COMO FAÇO PARA ME INSCREVER? É muito mais fácil que você imagina! Você e sua companheira gostariam de ser fotografadas e participar do projeto? Preencha os campos a seguir informando a cidade que vocês moram (ou que gostariam de ser fotografadas), o nome de vocês, a melhor forma de contato, o e-mail e em breve nos falaremos diretamente! É importante ressaltar três coisinhas: 1. Só documentamos e registramos casais. Entendemos a importância de cada mulher enquanto um ser único nesse mundão! Mas nosso objetivo é registrar o amor entre mulheres.* 2. Nossa residência oficial fica no Rio de Janeiro, mas com a demanda de pedidos em outros estados, há várias possibilidades de viagens voltadas à fotografar casais! Não desanima! Pelo contrário, você têm casais de amigas que topariam participar também? chama elas e se inscrevam juntas! Assim, quanto mais pedidos, mais chance de irmos até você. ♥ 3. Para entender os valores da participação no projeto (são várias opções que você pode escolher), explicamos aqui: R$ 100 - Valor mínimo que inclui os gastos com o transporte até o local escolhido, as fotos editadas incluídas (com a logo do doc ♥) e a pós produção do projeto (transcrição de áudio, produção textual, etc). R$ 150 - Valor que cobre todos os gastos da sua participação no projeto e que ajuda outro casal que não possui condições financeiras de participar, a fazer parte também! - também inclui, claro, todas as fotos editadas (com a logo do doc ♥) e toda a pós produção do projeto! R$ 200 - Valor para impulsionar o documentadas a seguir existindo! Esse valor garante suas fotos editadas (com a logo do doc ♥), a sua participação no projeto e nos ajuda a chegar em mais casais, garantindo valores para que o projeto se mantenha com as contas pagas** e siga vivo. R$ 300 - Valor de ensaio fotográfico, além da documentação! Essa é para quem quer as fotos para toda a vida, além da documentação que o projeto propõe. Por isso, entregaremos as fotos em alta resolução, editadas e sua participação no projeto segue garantida. Caso você e sua companheira não possuam o valor mínimo para participar do projeto, não tem problema! Faça a sua inscrição e chama o Documentadas para conversar, ok? Todo mês temos algumas vagas gratuitas abertas para que todas possam participar do projeto! Sua participação é muuuuito importante para nós. * caso você queira muuuuuito ser fotografada de forma individual, pode adquirir nossos serviços pedindo um orçamento de ensaio fotográfico. manda mensagem pra gente através da aba 'contato', ok? até logo! ** a colaboração serve para cobrir os gastos para que o projeto se mantenha vivo :) postamos nossa prestação de contas diretamente no Instagram! fique de olho por lá <3 Preencha seus dados aqui: Confirma que você e sua companheira são maiores de 18 anos? Sim, somos maiores de 18 anos de idade. Você leu o texto ali em cima, sobre a sua importância no projeto e os valores das participações? Sim, li tudinho! Enviar Prontinho!! Obrigada pelo envio. Você receberá uma confirmação por e-mail, tá? lembra de olhar no lixo eletrônico :p ​ Logo logo te mando um oi pelo Instagram ou Whatsapp! <3

  • Quem faz o doc? | Documentadas

    QUEM FAZ O DOCUMENTADAS ACONTECER? O Documentadas é o primeiro banco de registros sobre o amor entre mulheres. Suas histórias são acolhidas através da escuta e da fotografia - essas, feitas por mim, a Fernanda. Idealizei o projeto em 2020 e desenvolvo ele desde então. Sou fotógrafa, fotojornalista, artista e entusiasta a mudar as visões das pessoas sobre o mundo. O .doc, hoje, representa um banco de dados online, disponível para todas e quaisquer pessoas interessadas na proposta de conhecer mulheres que amam ou amaram outras mulheres na historiografia. Acredito que o Documentadas não é feito apenas por mim, mas por diversas pessoas que, ao longo dos meses, se dedicaram a doar um valor simbólico para que ele seguisse acontecendo e chegando em cada vez mais casais. Sem essas doações, o projeto jamais seguiria existindo. Portanto, reafirmo: o Documentadas é nosso. Um projeto vivo que segue em transformação. Com essas doações o projeto já chegou em mais de 310 mulheres e 10 estados brasileiros. São as colaboradoras e os colaboradores: Adriana Bueno Valente Alana Laiz Alana Palma Pereira Alessandra Orgando Alessandro dos Santos Alice Cordeiro Alice Sbeghen Tavares Aline Vargas Escobar Allana Fraga Gonçalves Botelho Alyce Carolyne Porto Leal Amanda Fleming Batista Amanda Garcez Amanda Moura Ana Carolina Araujo Soares Ana Carolina Costa da Silva Pinheiro Ana Carolina Cotta Ana Carolina de Lima Ana Carolina de Souza Santos Ana Cecília Resemini Esteves Ana Clara Bento Ruas Ana Clara Piccolo Ana Clara Tavares Ana Flávia Pereira Ana Júlia Cardoso Daer Ana Milene Ana Parreiras Ana Paula Boso Ana Paula Costa Roncálio Ândria Seelig Ane Salazar de Aguiar Anelise Seren Angela Lacerda Anne de Araújo Baliza Anne Mathias Antônia Magno Aria Maria Mendes de Carvalho Augusto Pellizzaro Barbara Fadini Bárbara Fernandes Vieira Dias Beatriz Costa Nogueira Bianca de Souza Rodrigues Francisco Bianca dos Santos Zrycki Bianca Hamad Choma Bibiana Nodari Borges Brenda Eduarda Bruna Dantas Bruna Lourenco Reis Bruna Miranda do Amaral Camila Fernanda da Silva Camila Lobo Camila Monteiro de Oliveira Camila Nishimoto Camila Pereira Silva Camila Petro Camila Santiago Camilla Borges da Costa e Mello Caren Laurindo Carla Correa Carla Murielli Vieira Crispim Carolina Pasin Carolina Peres Caroline Barbosa Rodrigues Caroline Brum Caroline Corrêa Cecilia Couto Cecília Vieira de Paiva Cindy Lima Clara Campos Martins Clara Silva Claudio Daniel Tenório de Barros Cleiciane da Silva Figueiredo Cleiciane Figueiredo Cleicy Guião Cristiane Becker Damares Mendes Rosa Dandara Gonçalves Daniela Maldonado Daniele Silva Caitano Débora Queiroz Denize Dagostim Denyse Filgueiras de Alencar Diego Tomasi Dom Bittencourt Edilene Maria da Silva Elins Daiane Valenca Elis Lua Elisa Tenchini Elisabete Pereira Lopes Ellen Melo Santos Emanuelly Alves dos Santos Emily Blanco Fagundes Estela Caroline Freitas Evelyn Pereira Fabi de Aragão Fabiana Aparecida Peres Felicia Miranda Fernanda B Cardoso Fernanda Carrard Belome Fernanda Cristina Fiore Lessa Fernanda Frota Correia Fernanda Gomes Bergami Fernanda Lopes Fernanda Marques dos Santos Fernanda Uchida Francini Rodrigues da Silva Fredy Alencar Peres Colombini Gabriel Py Gabriela Biazini Talamonte Gabriela Fleck Gabriela Mancini Mainardes Gabriela Montenegro Gabrielle Schmidt Barbosa Gabrielle Secco Sampaio Geovana Maria de Lima Gomes Gilian Rodrigues Ventura Gisele Basquiroto Giulia Baptista Gizelle Cruz Glauciene Nunes Gloria La Falce Glória Lafalce Graciliene Nunes Guacira Fraga dos Santos Hailla Sianny Krulicoski Souza Sena Heloisa Silva Neves Henrique Standt Iana Aguiar Iana Oliveira da Silva Iasmim de Oliveira Isabela Arantes Costa Isabela Cananéa Isabela Damasceno Isabela Pereira Silveira Isabella Acerbi Isabella Bueno Isabella Milena Nascimento da Cunha Isabelle Rocha Nobre Isabelle Rosa Furtado Pereira Izadora Emanuelle Maizonetti Jady Marques Jamyle Rocha Silva Janaina Calu Janaina Dutra Janaina Monteiro Jéssica Bett Jéssica Brandelero Jéssica de Almeida Fernandes Jéssica Dornellas Jéssica Gladzik Jessica Rosa Trindade Jessica Soares Garcia Jéssica Spricigo Joana Cardoso Jose Schwengber Joyce Marinho Jucineia Beatriz Julia Alves Pinheiro Julia Barros Julia Caetano Julia Câmara Julia de Castro Barbosa Julia Marques Tomaz Julia Oliveira Silveira Júlia Rodrigues Júlia Silveira Barbosa Juliana Figueiredo Juliana Poncioni Juliana Scotti Juliane Gomes Kamilla Siciliano Vargas Kamylla Cristina Santos Karine Veras Karoline Camargo Rocha Karoline Camargo Rodrigues Katia Alves de Melo Laira Rocha Tenca Laís Tiburcio Lara Beatriz Nascimento Larissa Sayuri Laura Luiza Rodrigues Nogueira Laura Serpa Palomero Layssa Belfort Letícia Alves Morais Santos Letícia Moreira das Neves Letícia Ribeiro Caetano Letícia Rocha Lia Tostes Liane Mendes Lilian Dina Linnesh Rossy Lorena Vidal Louise dos Santos Martins Louise Valiengo Luana Corrêa Tourino Luana de Lima Marques Luana Moreira Luana Ramalho Martins Luana Riboura Luciana de Sousa Santos Luciana Isabelle Luciana Patrício Luisa Rabelo Cruz Luiza Chaim Luiza Eduarda dos Santos Luíza Vieira Luiza Vieira Moura Maiara Scheila Freitas Santos Maíra de Oliveira Sampaio Maíra Godoy de Carvalho Manuela Almeida Seidel Manuela Teteo Natal Maria Clara Pimentel ATÉ AGORA, 317 PESSOAS JÁ COLABORARAM Maria de Fátima Piccolo Maria Gabriela Medina Maria Gabriela Schwengber Maria Geyze Andrade Barbosa Monteiro Maria Vitoria Candiotto Mariah de Faria Barbosa Mariana Coutinho Mariana Ferreira Dias Mariana Gomes Mariana Gomes dos Santos Mariana Matias de Sousa Mariana Souza Pão Mariane Mendes Lima Marianna Novaes Martins Marília Alves Marina da Silva Maristela Valdivino dos Santos Maurício Oliveira Mayara de Souza Santos da Silva Melissa de Miranda Mérope Messias Miguel Angel Milena Abdala Milena dos Santos Ferreira Milena Pitombo Monique Barbosa Costa Monique Silva de Figueiredo Moreira Natali Alves Lima Natalia Correa Montagner Natalia da Silva Brunelli Natalia Kleinsorgen Natasha Torres G Morgado Nathalia Nascimento Nathalia Silva Nascimento Neuza Ferreira Rodrigues Paloma Gomes da Silva Paula C Vital Mattos Paula Silveira Petra Herdy Pollyana Carvalhaes Ribeiro Priscila Ribeiro Priscilla Bitinia de Araujo Amorim Rafael da Silva Pereira Rafaela de Carvalho Marques Raquel Dantas Rayanne Cristina Nunes Moraes Rayssa Padilha Rebeca Fortunato Santos Ferreira Rebecca Pedroso Monteiro Rebecca S Morgado Bianchini Rejane Rodrigues Renata Canini Renata Del Vecchio Gessullo Renata Martho Renata Santos Lima Maiato Renata Silveira Vidal Reybilis Ismaryen Blanco Espin Roberta Teodoro de Oliveira Barbosa Sabrina Alves de Santana Samantha Moretti Sâmela Amorim Aquino Santiago Figueroa Sarah Nadyne de Codes Oliveira Sharon Werblowsky Simone Ambrósio Sofia Amarante Sofia Conchester Sophia Chueke Stephanie Estrella Taciane Duarte Dias Taina Fernanda Moraes Taina Oliveira Talita Marques Talyta Mendonça Tamiris Ciríaco Társila Elbert Tayami Fonseca Franca Tayana Costa Tercianne de Melo Ferreira Thabatta Alexandra Possamai Thais Agda Rodrigues da Cruz Primo Thais Cristine V Souza Thaissa Mezzari Thatiely Laisse de Queiroz Silva Thayanne Ernesto Thaysmara de S. Araújo Triscya Tamara Lima de Souza Ramos Ursula Inara Mayca Vanessa Pirineti Vania da Silva Victoria Bandeira Moreira Victoria Catharina Dedavid Ferreira Victoria Maciel Farias Victoria Mendonça Vitória Maria de Oliveira Vivian Franco Viviane Lafene Viviane Lima Viviane Otelinger Viviane Rangel Wanessa Gomes Wanessa Oliveira Weila Oliveira Noronha Yasmin da Cunha Martins Yasmin de Freitas Dias FAÇA PARTE DESSA HISTÓRIA. DOE ATRAVÉS DO NOSSO PIX: FERNANDA@DOCUMENTADAS.COM Fernanda Piccolo Huggentobler - Idealizadora

  • Maju e Alícia | Documentadas

    A história da Maju e da Alícia fala muito sobre aquele período que vivemos quando estamos descobrindo quem somos, ainda entre a pré-adolescência e a adolescência, elas se conheceram e vivem até hoje juntas, enfrentando muitos desafios (que outros adolescentes nem sonham em viver) e, principalmente, se fortalecendo juntas. Maju hoje em dia tem 17 anos e está se formando no terceiro ano do Ensino Médio, Alícia tem 16 e está no primeiro ano. Mas tudo começou bem antes, quando Alícia tinha cerca de 12 anos de idade e estava numa praça em Rio das Ostras, matando o tempo, com uma amiga. Nessa praça, diversos meninos andavam de skate, entre eles tinha uma menina, a Maju. No primeiro momento, Alícia não entendeu se a Maju era menino ou menina, perguntou para a amiga (que a conhecia, mas que também não sabia dizer o que ‘era’ a Maju) e isso automaticamente despertou uma curiosidade enorme na Alícia, que fazia de tudo para observá-la. Quando a Maju entendeu que estava sendo observada, quis chamar atenção. Caiu logo de bunda no chão. Mas levantou, se reergueu e foi lá falar com as meninas. Se apresentou para a Alícia e disse: vem cá, deixa eu te mostrar uma pessoa muito linda aqui de Rio das Ostras - e então entrou no Instagram dela mesma, curtiu todas as suas fotos (pelo perfil da Alícia) e depois saiu, andando de skate de novo. Nesse dia, a Maju levou uma bronca da mãe dela por ter faltado à fisioterapia, mas a resposta em desculpa que ela deu, foi: eu conheci a menina mais bonita da cidade. ​ A Maju é natural de Goiás, mas está no Rio de Janeiro - mais especificamente em Rio das Ostras - há mais de 9 anos. Já a Alícia, é do Rio de Janeiro, capital, mora em Rio das Ostras mas intercala com alguns períodos no Rio, visitando familiares. Depois que elas tiveram o primeiro encontro na praça, a Alícia passou seis meses morando no Rio de Janeiro. Nesse período ficou olhando o Instagram da Maju, mas não interagiram nenhuma vez. Quando ela voltou para Rio das Ostras, começou a namorar um menino (esse que, a pediu em namoro na frente da escola toda, fazendo um vídeo que viralizou o Brasil - um namoro super arranjado com o auxílio da mãe) e duas semanas depois ela e a Maju se encontraram no aniversário de uma amiga em comum. Nesse primeiro encontro, a Maju tentou ficar com ela, mas não tinha como, ainda mais ela estando num namoro tão recente… então ela desviou de todas as formas. Depois disso, começou-se uma amizade, então elas saíram muitas vezes. A Maju dava em cima dela sempre, isso era um fato, mas era quase uma brincadeira também porque elas sabiam que enquanto estivesse namorando não ia rolar. O namorado da Alícia, enquanto isso, morria de ciúmes. E em casa, a Alícia não parava de falar na Maju, deixando a mãe dela muito desconfiada, dizendo: “Tu não vai se apaixonar por ela não, hein, Alícia??!!”. ​ O tempo passou e o relacionamento da Alícia foi ficando muito difícil. Ela estava se sentindo numa relação completamente invasiva, tóxica, e todas as vezes que tentava terminar o namorado não a deixava. Ele simplesmente dizia que não permitia. Numa noite, foram num aniversário e ela já tinha tentado terminar três vezes, a situação estava péssima, um amigo dele passou mal e ele foi embora. Alícia ficou no aniversário, a Maju estava também e num momento determinado da noite elas decidiram dar um basta, chutar o balde: se beijaram. Porém, como era escondido, numa confusão a Maju fingiu que passava mal, a Alícia fingiu que ajudava, elas desligaram a luz da festa toda sem querer e aí virou confusão de verdade. Depois delas se beijarem, a Alícia viu a Maju dando em cima de outra menina e então ficou muito triste. No fim da festa, já com o dia amanhecendo, o namorado (ou quase ex?) fez questão de buscar a Alícia e ela não quis ir embora com ele, então ele gritou e brigou com ela. Quem deu suporte, novamente, foi a Maju. ​ Depois dessa situação eles terminaram, afinal, não tinha como manter esse relacionamento. A Alícia passou um tempo breve no Rio de Janeiro e quando voltou para Rio das Ostras voltou a se encontrar com a Maju. Nesses encontros, ela entendeu que gostava de verdade da Maju, e isso, naquela época, era mais um problema do que algo bom. Ambas não sabiam como lidar com a situação, sabiam que a Maju não buscava relacionamentos, mas também já estavam muito envolvidas. Sentiam que precisavam encarar a situação. Decidiram seguir se encontrando, mesmo sem ninguém saber. Com o tempo, os amigos que sabiam, não torciam para que elas ficassem juntas: não confiavam que elas seriam fiéis uma a outra, ou melhor, incentivaram que não fossem - e assim não haveria relação saudável que se sustentasse. ​ No período em que poucos apostavam no relacionamento delas, um pedido de namoro chegou a acontecer. Namoraram, mas entre situações caóticas, sentiam que não se acertavam. A mãe da Alícia descobriu, fez um escândalo na porta da escola, a agrediu. Tudo ficava muito difícil para que elas se encontrassem e nisso, a pandemia de Covid-19 começou. Elas chegaram a ficar um tempo distantes por conta da quarentena, mas não tanto tempo, como nas grandes cidades, pois lá os encontros foram voltando a acontecer aos poucos. A Alícia, junto com a família dela, abriu uma hamburgueria, e esse local virou um ponto de encontro... porém, todas as intrigas externas foram o bastante para que o namoro não seguisse em frente. Elas terminaram, ainda, em 2020. Foram cerca de 9 meses distantes. Nesses meses, por completa influência familiar, Alícia se relacionou com um menino extremamente abusivo, agressivo, que forçava presença. Ela chegou a pesar menos de 40kg. Ele, sabendo que no fundo ela ainda gostava da Maju, ameaçava bater na Maju quando a encontrava na rua. ​ Alícia fez de tudo para sair desse relacionamento e quando conseguiu, conversou com a Maju. Elas se acertaram, mas não enquanto um casal, apenas voltaram a conversar. Nisso, a Maju encontrou a mãe da Alícia, tomou coragem e decidiu pedir permissão: para num futuro, se tudo desse certo, elas voltarem a se relacionar. Ela respondeu que se a Alícia estivesse feliz, ela estaria feliz também - porque ela percebia que o jeito que a Alícia olha para a Maju é diferente - e no fim elas se abraçaram. Elas voltaram a se envolver e a Maju pensou em a pedir em namoro novamente e dessa vez com tudo o que o brega permite: balões, chocolates, etc. Aconteceu! Porém, infelizmente, ainda passaram por muitas situações horríveis envolvendo o ex. Ele invadia a casa da Alícia, quebrava as coisas e obrigava ela a manter a relação com ele. Foi numa atitude extrema da mãe dela em expulsar ele de lá para que finalmente isso acabar. Porém, esses conflitos já tinham afetado demais a relação da Alícia com a Maju, era difícil que as confusões não as envolvessem. ​ A Alícia seguia pensando na Maju e no relacionamento delas, enquanto a Maju, mais uma vez, se afastara. No natal, elas voltaram a se falar, por conta de uma coincidência. E assim, voltaram de verdade. Conversaram, se encontraram, conversaram também com suas famílias, decidiram que, se era para estarem juntas, dessa vez, era para ser de um jeito diferente - e com apoio de todos, com maior confiança, diferente de todas as outras tentativas. Hoje, acreditam que deu certo. No último ano passaram diversos perrengues que as fizeram crescer e se fortalecer enquanto um casal, juntas, e também enquanto uma família. Alícia e Maju deram apoio às suas mães, chegando a morar com a mãe da Alícia, todas num apartamento, num momento difícil. Alícia também morou com a mãe da Maju. E todas se dão muito bem, valorizam o relacionamento das filhas. ​ Nesse último ano de estudo, finalmente estão na mesma escola. Os planos são, assim que concluírem, se mudarem para o Rio e estudarem Belas Artes. Hoje entendem que a confiança e a comunicação mudou muito e que isso é o principal para que o relacionamento delas funcione. Antes, tudo se quebrava, principalmente com 'picuinhas' ou comentários alheios, hoje, não há nada entre elas que não possa ser conversado. A intimidade que elas criaram juntas não há como ser quebrada e também faz com que elas não se julguem. Acreditam que, pelo tanto que já passaram uma ao lado da outra, o que viram entre seus momentos mais frágeis faz com que também possuam muita liberdade para serem quem são, sem medo. Antes, pensavam muito sobre serem perfeitas, buscavam perfeição, hoje aceitam seus corpos e a si como são. Isso também faz com que a confiança na relação mude, a segurança, a base no amor. Quando entendemos a recapitulação de tantas coisas que viveram sendo tão novas, estando juntas, elas entendem que esse amor é o que importa. A forma que se amam e que se apoiam é o mais importante nesse processo. E se surpreendem, o quanto isso é maneiro. Visualizar a linha do tempo e entenderem que seguem aqui - recapitulam o quanto pensaram em desistir porque era muito difícil se relacionar, mas que hoje é muito legal ver o quão bonito é o que criaram. E, então, sonham com novos passos: a mudança, um casamento, uma adoção. ↓ rolar para baixo ↓ ♥ manda uma mensagem de apoio aqui ☼ entre em contato com elas por aqui! ☺ vem construir esse projeto com a gente! < Alícia Maria Júlia

  • Vanessa e Bruna | Documentadas

    O primeiro beijo que a Vanessa deu em uma mulher foi com a Bruna, quando ainda eram pré-adolescentes, descobrindo seu corpo e todos esses novos sentimentos. Eram vizinhas num bairro afastado do centro, em Criciúma - Santa Catarina. Com o tempo, Vanessa sabia que estava se apaixonando por Bruna, sempre admirou ela e eram bastante amigas, participavam muito da vida da outra, mas não chegaram a viver um romance. Hoje em dia, completando oito anos juntas, contam que são mais de vinte anos de amizade. Entendem que Vanessa tinha uma vida na igreja, enquanto Bruna era muito mais independente, os cenários eram outros, não estavam preparadas para ter um relacionamento amoroso, mas adoravam ser amigas e existia uma mútua admiração muito grande. Contam, rindo, que todos os relacionamentos da Bruna duravam dois anos. Quando começaram, a mãe da Bruna olhou para a Vanessa e falou: “Ih, dois anos, hein?! Dois anos!”. Depois desse tempo, a mãe retornou: “Tu me quebrou, hein?! Durou mais de dois anos!”. Sempre mantiveram a conversa e acreditam que isso é o que faz a relação ser tão forte. Vanessa entende que Bruna é a pessoa que acredita nela. Pegou pela mão e atravessou tudo o que foi preciso ao seu lado. No começo terminaram dez vezes (como é citado no decorrer desse texto) e ela poderia ter desistido em alguma dessas vezes, ou poderia ter desistido nos tantos preconceitos que enfrentaram. Considera, inclusive, que ela já tinha passado por isso, já vivia sua vida, era independente, mas voltou atrás, deu as mãos e começou novamente o caminho. Admiram, juntas, essa construção, a relação e tudo o que foi vivido (com momentos difíceis mas também com muitas risadas e coisas boas misturadas). Vanessa repete inúmeras vezes a admiração pela Bruna, o quanto ela é uma pessoa disposta a ajudar e finaliza com o quanto essa ajuda fez ela evoluir sendo um ser humano melhor. Juntas, elas não chegam nem perto de enxergar a relação enquanto algo descartável, se doam o máximo que podem, criaram algo fortalecido, sólido, unido. ​ Vanessa, no momento da documentação, estava com 32 anos. É arquiteta e trabalha com reformas residenciais/prediais de forma autônoma (tá procurando uma arquiteta?! chama ela!). É natural de Criciúma, Santa Catarina. Adora praticar esportes, se movimentar, conhecer pessoas, viajar e tocar bateria. Bruna, no momento da documentação, estava com 31 anos. Trabalha enquanto personal organizer e como consultora/organizadora financeira. É natural de Porto Alegre, mas mora em Criciúma desde a infância. Comenta que não é tão sociável quanto a Vanessa, gosta mesmo de ficar em casa com o Potter, o golden, filho-pet delas, curtindo o lar e cuidando da casa. A história delas começou aproximadamente em 2003, eram vizinhas de bairro. Por incrível que pareça, era o contrário: Vanessa não era sociável, gostava de ficar no quarto assistindo clipes da MTV, com uma vassoura fingindo ser a guitarra, se imaginando numa banda de rock, enquanto as crianças brincavam na rua. Foi um dia depois da festa de aniversário de um ano do seu irmão que ela conheceu a Bruna, que adorava bebês/crianças e frequentava sua casa para vê-lo. Mesmo sendo muito jovens, Vanessa conta que já sabia que a Bruna era lésbica, rolava uma identificação, enquanto a irmã da Bruna comentava com ela em casa: “Aquela nossa vizinha ali é ‘também’”. Bruna conta que quando beijou a primeira menina, foi para a mãe da Vanessa que ela contou, já que vivia lá. Ela reagiu dizendo que a amava muito, mas que não queria mais ela frequentando sua casa. Vanessa também sofreu um pouco quando assumiu sua sexualidade, mas tudo foi mudando com conversas e hoje em dia elas têm uma relação familiar muito legal. O mesmo com a Bruna, que voltou a frequentar a casa, até mesmo naquela época - quando a Vanessa começou a namorar uma menina escondida, foi para a Bruna que a mãe foi tirar dúvidas, inclusive. Hoje, a relação da mãe com as duas é muito boa. Depois do primeiro beijo e de seguirem amigas, a amizade continuou pela adolescência e a vida adulta. Em vários momentos elas conversavam e entendiam que tinham sentimento uma pela outra. Foram vários desencontros. Houveram outros namoros, nos términos conversavam. Em 2016, Vanessa passou por um término e estava muito desesperançosa sobre as relações, conversou com a Bruna e nesse momento Bruna resolveu colocar um ponto final (ou, o contrário): Você decide > ou ficamos juntas agora ou não ficamos mais. ​ Mesmo com tantos anos de amizade, o primeiro ano de relacionamento foi o mais difícil. A Bruna vivia de forma independente, assumida, era organizada com suas demandas e finanças, enquanto Vanessa vivia o contrário. Em um ano passaram por dez términos, praticamente todos os meses terminaram. Explicam que não havia medo ou arrependimento de terem estragado a amizade, de qualquer forma entendiam que queriam estar juntas, mas era uma realidade nova cheia de desafios, não queriam mentir para a família. Depois de passar por isso, conseguiram engatar, enfrentar o preconceito familiar - foram quatro anos “amolecendo” - nas palavras delas - o preconceito. Agora, verbalizando a história, é muito mais fácil olhar tudo o que já passou. Antes de morarem juntas no lar onde estão, Bruna passou por dois assaltos em suas casas, um deles no começo da pandemia, e acreditam que os bandidos focaram em assaltar a casa por serem duas mulheres vivendo nela. Foram experiências traumatizantes e a Vanessa foi essencial em fazer companhia e ajudar nesse processo, foi quando elas decidiram morar juntas em um apartamento. Nesse processo, chegaram a morar com a mãe da Bruna, na casa da adolescência onde tudo começou, no bairro que se conheceram, até encontrarem o apartamento onde estão hoje. Todo o processo, mesmo que ainda caótico no contexto de pandemia, foi essencial para enfrentarem a família da Vanessa e serem reconhecidas também enquanto família, dividirem seu próprio lar. Faz apenas dois anos que estão no apartamento. É muito interessante entender o trajeto, pensar o quanto foi uma saga chegar até aqui e talvez por isso gostem tanto dessa casa, valorizam ela. É, literalmente, o lar. É o lugar. Brincam que o interfone toca e demoram para atender porque querem ficar igual um bichinho na toca. ​ Potter, o cachorro simpático que nos acompanhou o tempo todo durante a conversa - a não ser uns breves segundos de pausa para fofocar na janela - surgiu através do sonho da Bruna, que era ter um golden. Ela falava muito sobre isso, por mais que não pensasse em nada para além disso, sobre todo o trabalho e o espaço que precisaria administrar, queria ter. Um dia estavam no mercado (ela, Vanessa e um amigo), ela recebeu o salário, passou numa vitrine e viu um golden. Vanessa falou: “Compra”. Assim, chegou o Potter. Ela e Vanessa estavam completando um ano juntas. No momento da documentação, Potter estava enfrentando um câncer, então elas estão em um momento de muita luta, cuidado e amor. Conversamos muito sobre como eles (os animais em geral, o Potter e elas enquanto família) merecem o melhor até o último segundo, porque no fim, este é o verdadeiro sentido. Por mais que o câncer nos traga o sentimento do luto previamente e não paramos para pensar sobre isso em vida, antes de sabermos sobre uma doença que pode ser terminal, a vida (e a morte) nos servem o tempo todo para lembrar que temos uns aos outros e a oportunidade de compartilhar coisas boas, amor e afeto. [O .doc deseja que o Potter tenha muito carinho, petiscos e brincadeiras e que elas tenham todo o amor. ♥] Bruna explica que sente algumas dificuldades nas demonstrações de amor e/ou no entendimento do amor em si. Ela sente que ama a Vanessa, que ama o sobrinho dela… mas sente muito medo da perda e que isso se entrelaça com o medo de amar: se eu te amo, em algum momento irei te perder, então prefiro não amar para não perder. Está em processo de entendimento sobre tudo isso. Parte desse entendimento, é perceber que ela demonstra seu amor nos atos de serviço, se doa para quem ama. Vanessa sente o amor na confiança. Para ela, é fácil confiar, fazer amizades. Nasceu em um lar com muito amor, que demonstrou muito e entende que essas relações refletem na cultura dela hoje. Demonstra amor na presença, na escuta… e também no quanto se doa. ​ Quando conversamos sobre a cidade em que elas vivem e sobre a cultura de Criciúma, elas comentam sobre a falta de inclusão que existe. Não se sentem representadas na grande maioria dos espaços. Vanessa explica que na arquitetura (sua profissão) se fala muito sobre a ocupação dos espaços - e deseja isso para a cidade. Ocupar os espaços com corpos como os nossos, corpos que demonstram diversidade e vida. Hoje em dia, elas sentem medo de andar de mãos dadas, medo das reações que as pessoas podem ter. Tentam frequentar as capitais quando querem opções de divertimento e lazer “alternativos”. Entendem que Criciúma não é uma cidade pequena, que ali tem muita coisa acontecendo, mas que a mentalidade ainda está muito pequena e que o pensamento em maioria é: “Incomodados que se mudem” - e isso não está certo. Por fim, Bruna sempre quis ser mãe. Foi por conta do irmão, ainda neném, que elas se conheceram, Bruna ama crianças e querem investir na fertilização. Hoje em dia criaram um grupo de amigas, onde um casal tem um bebê, e há uma rede de apoio muito legal. Ficam felizes em acompanhar essa evolução, ver o crescimento de todas, observar os processos e as vivências. E desejam crescer juntas. ↓ rolar para baixo ↓ Bruna Vanessa

  • Documentadas

    Olá; ​ AQUI REGISTRAMOS O AMOR ENTRE MULHERES ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA. Portfólio Para conhecer nossas histórias, clique aqui > sobre 02 sobre nós Olá, me chamo Fernanda e registro de forma documental o amor entre mulheres por todo o Brasil. O documentadas começou através de diversos estudos e da percepção de que as mulheres são pouquíssimo registradas em toda a sua história, principalmente tratando-se de mulheres que se relacionam afetivamente com outras mulheres. Para dar um basta e contar nossa própria história, percorro o país registrando casais e através desse site criamos conexões e laços de fortalecimento. Para conhecer quem faz o documentadas, clique aqui > Banco de images QUER PARTICIPAR DO PROJETO? vem por aqui! :P Mariana Musicista Leia mais Mari, além de ser uma pessoa extremamente doce, é uma musicista e compositora incrível! Ela tem um canal com a Vivi e juntas compõem histórias no Canta Minha História! Iasmim Advogada Iasmin, além de uma mulher super sorridente e alto astral, é também uma grande advogada. Natural de Duque de Caxias, baixada fluminense, hoje trabalha em um escritório no centro do Rio de Janeiro. Leia mais Carla Professora Carla, além de ser grande amante das artes e do teatro, também é professora e pedagoga em escolas públicas de Rio das Ostras e Macaé. Leia mais gerando renda para a comunidade Acreditamos que - além de que contar histórias de mulheres - podemos conecta-las. Falarmos sobre seus trabalhos, compartilharmos situações, momentos e, enfim, gerarmos renda. O mercado de trabalho segue difícil e podemos nos apoiar contratando trabalhos de mulheres da comunidade LGBT. ​ Sendo assim, no nosso espaço de 'busca' você consegue pesquisar pela palavra-chave (o serviço que você precisa), ver qual profissional está à disposição, ler sua história e nos mandar uma mensagem. Nosso papel será te conectar diretamente com a profissional desejada! gerando renda para o projeto Manter o projeto não é tarefa fácil! Fazer viagens, pegar metrôs, ônibus, barcas... disponibilizar tempo e conseguir manter as contas pagas é um grande desafio. E como queremos documentar o maior número de casais possíveis, disponibilizamos o nosso PIX e aceitamos qualquer valor como quantia de doação! Você pode nos ajudar clicando aqui e fazendo a doação (qualquer valor!) de forma voluntária direto pelo aplicativo do seu banco! ​ ​ Colabore com a documentação histórica do amor entre mulheres! Contato

  • Ane e Thelassyn | Documentadas

    Foi na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro onde Ane e Thelassyn se conheceram (e onde fizemos as fotos para o Documentadas), no polo de Nova Iguaçu, na baixada fluminense. Em 2018, quando Ane cursava história e Thethe cursava pedagogia, frequentavam muito os centros acadêmicos dos seus cursos e possuíam diversos amigos em comum. Contam o quanto gostavam de se envolver em tudo o que podiam na faculdade, inclusive na causa animal: no campus há diversos cachorros e gatos abandonados e então participavam dos coletivos que cuidavam dos bichinhos. Ane morava numa república e estava hospedando uma cachorrinha que tinha sido atropelada e precisava de cuidados, até que Thelassyn foi doar um remédio que estava faltando e se encontraram pela primeira vez. Ane achou Thethe linda demais, ficou encantada. Por mais que Thethe brinca que não tenha acontecido nada demais, só entregou o remédio e foi embora, depois disso se encontravam de vez em quando e Ane sempre ficava nervosa. Até que um dia, durante uma manifestação política por conta do Museu Nacional ter pego fogo, se encontraram e interagiram no centro do Rio de Janeiro, conversaram e foram juntas até o ponto de ônibus, onde deram um selinho. Uns dias depois aconteceria uma festa na faculdade e Ane convidou a Thethe, elas se arrumaram juntas, lá na república em que ela morava. Depois, na festa, quando Ane finalmente achou que elas iriam se beijar, Thethe chegou até ela e disse: “Minha amiga quer ficar com você!”. Ela não entendeu nada, respondeu que na verdade queria era ficar com a Thethe, não com a amiga. E enfim o beijo aconteceu. ​ Depois da festa e do primeiro beijo, passaram o fim de semana conversando. Até que a semana começou e decidiram se encontrar na faculdade e, depois da aula, assistir um filme na casa da Ane. Na faculdade ficaram novamente - no local em que fizemos as fotos, inclusive - e depois foram para a república, na casa da Ane. No dia seguinte, quando acordaram, a Ane convidou Thelassyn para almoçar e assim tudo foi acontecendo… passou o dia, a noite, o dia seguinte… e foi ficando. Ela ia para a casa, pegava roupas, visitava e voltava para dormir com a Ane. Depois de 15 dias, já tinha ganho até uma gaveta no guarda-roupa. Num dia, na faculdade, estava acontecendo um evento no hall de entrada, então Ane pegou o microfone e pediu Thethe em namoro - mesmo que elas já estivessem com a gaveta compartilhada no guarda-roupa. Naquela época, contam que quando não estavam juntas na república, os amigos que dividiam casa até estranhavam. Foi então que, depois de dois meses, decidiram se mudar para uma “casa de verdade”. Querendo ou não, era muito ruim na república: muita gente, uma cama de solteiro, sem ventilador.. passavam muito perrengue. Conseguiram um apartamento próximo da faculdade, dividindo com uma amiga. A mudança aconteceu sem rede de apoio, começo de namoro, sem móveis, sem programação. Ganharam alguns eletrodomésticos, mas lembram que no primeiro dia não tinham nem vassoura, prato, copos… A vida no bandejão da faculdade salvou tudo. Passaram um ano morando neste apartamento. Foram comprando móveis usados, trabalhando muito… Até que conseguiram se mudar para uma casa só delas. Neste novo lar, adotaram duas cachorrinhas, fizeram suas primeiras viagens… Ao total, até hoje, já se mudaram mais de 6 vezes. Entendem que por mais que tenha existido muito perrengue, hoje em dia estão no lar que mais amam e que mais desejaram viver. ​ No momento da documentação, Thelassyn estava com 28 anos, terminando as faculdades de pedagogia e enfermagem. Por mais que sejam áreas bastante diferentes, conta que deseja trabalhar com o que tiver mais demanda de trabalho primeiro, mas que se for com educação, sua prioridade é escolas públicas. Infelizmente na rede particular sofreu um caso de lesbofobia, sendo demitida depois de descobrirem o relacionamento. Ane, no momento da documentação, estava com 25 anos. Ela é natural de Campo Grande, no Rio de Janeiro e se mudou para Nova Iguaçu para fazer faculdade em 2016. Hoje em dia, cursa mestrado, também na UFFRJ, no campus de Seropédica. Lidar com as adversidades no cotidiano não é fácil, principalmente por serem pessoas bastante diferentes - Ane, por exemplo, sente que precisa de mais tempo para processar as coisas, enquanto Thethe é mais ansiosa e deseja resolver os problemas logo. É preciso cuidado para não desequilibrar ou se atropelar. Explicam que o que faz elas continuarem juntas é a vontade de continuar juntas. Parece simples, mas é o que define a grande determinação de passar por cima de todos os perrengues que já passaram em nome do amor que sentem. Explicam que o mais difícil é não ter uma rede de apoio presente, acabam sendo o apoio uma da outra e, como resultado, o impulso também para o amor que acreditam. No começo, foram muito criticadas. As pessoas falavam que o relacionamento não iria durar, tiveram que se afastar da família por não terem apoio (com exceção da avó e da irmã da The, que são boas aliadas)... foi muito difícil enfrentar tudo. Hoje, ficam felizes em relembrar o que viveram desde o início e ver como superaram e passaram por cima desses comentários mostrando o amor que vivem e o que estão disposta a viver, principalmente agora, que estão noivas. Sonham com o casamento, que pretendem realizar em breve, e se permitem planejar uma vida juntas. ​ No Instagram, é através do perfil @morandocomela que relatam o dia a dia que vivem. Foi da vontade natural de registrar os detalhes do cotidiano, quase como uma documentação, que surgiu. Não numa linha influencer, mas de mostrar as conquistas, as fotos, gravar o que acontece, as cenas com as cachorras... No começo, Ane pouco aparecia, ficava envergonhada… hoje em dia adora. Thelassyn acredita que amar uma mulher é resistir sempre. Entende que o mundo ao nosso redor ainda é muito hetero, feito por pessoas héteros e para pessoas héteros. Quando se ama outra mulher e se mostra isso, se demonstra muita coragem. Ane faz o recorte racial quando fala sobre o amor que vivem, afinal, são um casal interracial e estudam sobre o amor também enquanto política - escolher quem você ama fala sobre quem você é e sobre o próprio racismo. Conversam muito sobre práticas, falas e sobre a Ane não ser uma “wikipédia preta”. Thethe está sempre disposta a quebrar os preconceitos que são culturalmente colocados em nós e assim encontram diversas formas de viverem um amor honesto. Entendem que a homofobia está em vários cantos, desde quando saem de casa de mãos dadas e os vizinhos olham diferente, até não serem convidadas para as festas de família - “As pessoas tentam fingir que não é, mas sabemos que é”. Tentam ressignificar todo dia, trazer amor para a relação delas a fim de lidar com as coisas ruins do mundo: não gritar, brigar o mínimo possível, buscar se entender e se respeitar ao máximo. Ressignificar com amor em vários espaços. Thethe fala sobre ver muito o amor no dia a dia, com as cachorras, em casa, na varanda com a chuva caindo. Ressaltam que sempre que chovia, nas outras casas que moravam, era um tormento porque alagava tudo e hoje em dia ter a casa com varanda fez a chuva virar uma alegria… Quando chove correm para observar juntas, é um momento só delas. ↓ rolar para baixo ↓ Thelassyn Ane

  • Página de erro 404 | Documentadas

    404 error vish maria. como você veio parar aqui?! nem eu, que sou o site, sabia que essa página existia. acho que isso é um erro. ​ vem cá, vamos lá para o início. o lugar que você queria chegar é outro, né? pesquise aqui o lugar que você deseja

  • Banco de Images | Documentadas

    Débora e Paula amor de comentário. Bruna e Vanessa amor de transformação. Fernanda e Ana amor de tentativas. Gabi e Gabriela amor de coragem. Jéssica e Priscila amor de diferença. Melina e Karyne amor de frio na barriga. Mariana e Fabiola amor de redescoberta. Luana e Bruna amor de emoção e razão. Ane e Thelassyn amor de persistência. Nayara e Jamyle amor de geek. Tami e Fran amor de casa nova. Gabi e Pamela amor de ajuste. Tay e Beatriz amor de elevação. Alice e Fernanda amor de apoio. Julia e Duda amor de muito. Luciana e Viviane amor de recomeços. Kelly e Amanda amor de tempos. Anne e Lari amor de paz. Júlia e Vitória amor de moda. Paula e Mari amor de cor. Luma e Stefany amor de árvore. Anne e Talita amor de oportunidade. Tamiris e Ágata amor de tempo. Camila e Rafaela amor de etapas. Joyce e Gabi amor de persistência. Gabi e Raffa amor de ficar à vontade. Laura e Camila amor de presente. Babi e Maria amor de companhia. Vivi e Darlene amor de não viver sem. Jaque e Tainá amor de novo olhar. Thacia e Ju amor de cuidado. Anik e Isabelle amor de desaguar. Raquel e Dandara amor de mudanças. Aline e Isabela amor de novidades. Luiza e Milena amor de paciência. Marcela e Jana amor de liberdade. Mariana e Viviane amor de manhã na praça. Clara e Laura amor de cuidado. Aline e Nathalia amor de paródia. Iana e Amanda amor de salvador. Yaskara e Jade amor de conversas. Daniella e Flávia amor de futuro. Isadora e Isabelle amor de equação. Luanna e Laira amor de cicloativismo. Ellen e Bianca amor de confraternização. Lorrayne e Joyce amor de casa. Mari e Jéssica amor de cura. Elis e Vandréa amor de ancestralidade. Carol e Sofia amor de hobbie. Letícia e Giovanna amor de persistência. Ane e Ari amor de companhia. Lorrayne e Mari amor de bilhete. Sarah e Rosa amor de novidade. Jamile e Raquel amor de leitura. Raquel e Rachel amor de pedidos. Aline e Aya amor de maternidade. Cassia e Kercya amor de marinar. Gabriela e Mariana amor de mãos dadas. Luiza e Maria Pérola amor de nebulosas. Lara e Ana amor de âncora. Sharon e Vivian amor de natureza. Yasmin e Juliana amor de diálogo. Isa e Camila amor de fã. Mari e Rey amor de outros lugares. Manu e Alyce amor de abraço. Cecilia e Jady amor de riso esvoaçante. Clara e Rayanne amor de jeito. Maria Clara e Antônia amor de cinema. Priscilla e Raphaela amor de conexões. Mari e Vivi amor de música. Júlia e Milena amor de reencontro. Talita e Louise amor de história. Juliana e Tercianne amor de teatro. Ju e Nicoli amor de vida toda. Luana e Maiara amor de domingo no parque. Tânia e Clarissa amor de trajetória. Ju e Marci amor de tempo. Rennata e Vanessa amor de impacto. Bruna e Flávia amor de suporte. Bibi e Emily amor de mãos dadas. Clara e Mayara amor de doce. Carol e Joyce amor de propósito. Thaysmara e Leticia amor de pôr do sol Júlia e Ana Carolina amor de cuidado ao detalhe. Natasha e Jéssica amor de ciclos. Rafa e Gizelly amor de acordar juntas. Carla e Yasmin amor de expressão. Yasmin e Ignez amor de encontro. Nathi e Emanu amor de força. Camila e Samantha amor de evento. Lu e Joana amor de flor. Nath e Carla amor de parque. Karol e Beatriz amor de webnamoro. Clara e Mariana amor de sétima arte. Jamyle e Rebeca amor de festa. Dani e Aline amor de oposto complementar. Camilla e Karol amor de calma e maresia. Bia e Marina amor de conversa. Maria Vitória e Fernanda amor de carro. Manô e Bruna amor de vivência. Denise e Julia amor de cerveja&cinema. Maíra e Duda amor de tatuagem. Marina e Luiza amor de cumplicidade. Juliana e Tayna amor de mil histórias. Bruna e Fran amor de resistência. Marcia e Pethra amor de pé na porta. Mari e Nonô amor de escola. Joana e Ana Clara amor à primeira vista. Priscila e Rebecca amor de mar. Bruna e Sophia amor de carnaval. Renata e Marcela amor de arte. Clara e Karine amor de parceria. Bela e Maitê amor de risadas. Victoria e Gabi amor de praia. Brenda e Jhéssica amor de destinos. Carol e Gabi amor de militância. Beatriz e Tamara amor de esporte. Paula e Luiza amor de plantas e pássaros. Luana e Gabrielle amor de família. Mariana e Thalassa amor de plantinhas. Carol e Beanca amor de acompanhamento. Rita e Denize amor de 10 reais. Amanda e Thaís amor de lagoa. Ju e Yasmin amor de compaixão. Wan e Lívia amor de lugares. Vanessa e Denise amor de pretitude. Mari e Marie amor de estrada. Marcela e Karina amor de refúgio. Ana e Paula amor de almoço no domingo. Thaty e Lari amor de descrição. Melissa e Sofia amor de sítio. Carol e Marlise amor de construção. Fabi e Dani amor de brilho. Isa e Carina amor de versões. Taynah e Estrella amor de ano novo. Glauci e Alice amor de casa. Maiara e Vitória amor de sol e lua. Joyce e Malu amor de renovar. Gabi e Dani amor de gatos. Marcia e Kamylla amor de faculdade. Luiza e Mariah amor de produção artística. Drika e Jana amor de dia após dia. Thay e Louise amor de samba. Jeniffer e Renata amor de aventura. Ana Clara e Evelyn amor de nascer do sol. Bruna e La Salle amor de confirmação. Mariana e Bárbara amor de interior. Maíra e Kelly amor de estar em casa. Janelle e Gyanny amor de fé. Lia e Thalita amor de lar. Alessandra e Roberta amor de diversão. Iasmin e Natalia amor de tatuagem. Bruna e Mari amor de arte na rua. Carla e Cynthia amor de diferença. Inara e Nina amor de recomeço. Hinde e Renata amor de intercâmbio. Thay e Cami amor de afeto. Luana e Marília amor de corpo.

  • Psicólogas disponíveis | Documentadas

    nossas profissionais disponíveis Ana Carolina Psicóloga Psicóloga pela Universidade Federal Fluminense - mestrado em Psicologia Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. CRP 05/58463 Leia mais Talyta Psicóloga Psicóloga - graduada pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) - estudos em psicanálise. CRP 06/169049 Leia mais Dani Psicóloga Psicologia Social, Psicanálise e Educação - Universidade de São Paulo - CRP 06/137811 Leia mais Jamyle Psicóloga Psicóloga - Mestrado em lesbianidades a partir de uma perspectiva interseccional, pela Universidade Federal do Ceará. CRP 11/18191 Leia mais Camila Psicanalista Psicanalista. Membro provisório do Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre/RS (CEPdePA) e Advogada Especialista em Direito Público Leia mais Raquel Psicóloga Psicóloga formada pela Faculdade de Pato Branco/FADEP Pós-graduação em Gênero e Sexualidade. CRP 12/23076 Leia mais Ana Clara Ruas Psicóloga Psicologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói. CRP 05/66226 Leia mais Thays Waichel Psicóloga Psicológa graduada pela Universidade Luterana do Brasil - Canoas/RS Ênfase em Orientação Psicanalítica. CRP 07/37003 Leia mais Ana Flávia Psicanalista Pedagoga pela Universidade Federal do Paraná e psicanalista pela Associação Livre Centro de Estudos em Psicanálise Leia mais Jade Psicóloga Psicóloga pela Universidade Federal Fluminense - mestrado em Psicologia Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. CRP 05/58463 Leia mais Viviane Psicóloga Psicóloga graduada pela PUCRS, especialista em Clínica Psicanalítica (UFRGS) e mestranda em Psicologia Social na UFRGS. CRP: 07/23395 Leia mais Júlia Psicóloga Psicóloga - Mestrado na Universidade Federal Fluminense em Psicologia - CRP 05/60076 Leia mais Kíssila Psicóloga Psicóloga formada pela UFF e pós-graduanda em Fenomenologia Decolonial e Clínica Ampliada pelo NUCAFE. CRP 05/69513 Leia mais Larissa Psicóloga Psicóloga formada pela Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo. CRP 06/161422 Leia mais Paula Martins Psicóloga Psicóloga, formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e pós graduanda em Psicopedagogia. CRP 05/63682 Leia mais Caroline Afonso Psicóloga Psicóloga - formada pela Universidade Luterana do Brasil Canoas/RS. CRP 07/38059 Leia mais para fazer cadastro, basta ler sobre as psicólogas disponíveis, preencher o formulário em cada "Ler Mais" e aguardar o nosso contato! caso tenha alguma dúvida, nos mande um alô por aqui :)

  • Gerando Renda | Documentadas

    gerando renda para o projeto Manter o projeto não é tarefa fácil! Fazer viagens, pegar metrôs, ônibus, barcas... disponibilizar tempo e conseguir manter as contas pagas é um grande desafio. E como queremos documentar o maior número de casais possíveis, disponibilizamos o nosso PIX e aceitamos qualquer valor como quantia de doação! Qualquer valor MESMO. Tem 2 reais e pode aplicar no projeto? é super válido! De quantias pequenas a quantias maiores, se cada uma e cada um de nós ajudar um pouquinho, conquistamos o Brasil todo! Colabore com a documentação histórica do amor entre mulheres! Para doar é muito fácil! - Entre no aplicativo do seu banco e clique em PIX > transferir PIX. - Escolha o tipo de chave: o nosso é e-mail :) - Digite o nosso e-mail, você pode copiar aqui: fernanda@documentadas.com - Digite o valor desejado da doação :D - Aparecerá o nome da idealizadora do projeto: Fernanda Piccolo Huggentobler. Então é só conferir e confirmar! Prontinho, a partir de agora você estará ajudando a documentar o amor entre mulheres no Brasil todo! Ah! Uma coisa importante. Quer saber como funciona os nossos gastos e ver como a sua doação está sendo utilizada? dá uma olhada nos nossos destaques do Instagram, lá tem um chamado: Prestação de Contas ♥ quer conferir a prestação de contas no Instagram? clica aqui! gerando renda para a comunidade LGBT Acreditamos que - além de que contar histórias de mulheres - podemos conecta-las. Falarmos sobre seus trabalhos, compartilharmos situações, momentos e, enfim, gerarmos renda. O mercado de trabalho segue difícil e podemos nos apoiar contratando trabalhos de mulheres da comunidade LGBT, certo? certo! Tá precisando de uma arquiteta? de uma chefe de cozinha para um evento do qual você tá promovendo? ou quem sabe quer fazer uma tatuagem nova e queria escolher uma tatuadora inspiradora? aqui temos! No nosso espaço de 'busca', clicando AQUI você consegue pesquisar pela palavra-chave (o serviço que você precisa), ver qual profissional está à disposição, ler sua história e entrar em contato com ela. O contato pode ser feito clicando no botão aqui na tela indicando a profissional que você leu, conheceu a história e deseja contratar/solicitar um orçamento. Nosso papel será te conectar diretamente com ela! Bora fortalecer a profissional que você admira! quer conhecer o serviço de alguma profissional? clica aqui!

  • Apoio Psicológico | Documentadas

    ​saúde mental e apoio psicológico para mulheres de todo o Brasil Considerando a importância da representatividade para a construção da identidade de pessoas LGBTs e compreendendo as condições atuais do nosso país e do mundo, criamos no Documentadas uma rede de apoio psicológico. Através da psicoterapia ou da análise, uma profissional acompanhará, ouvindo e proporcionando um espaço de acolhimento para as vivências, sofrimentos e inquietações das mulheres que passam pelo projeto. Nesse primeiro momento, para atender mulheres que amam mulheres e que acompanham o projeto, criamos uma rede de psicólogas e psicanalistas que estão com vagas sociais para atendimentos individuais e online. Apostamos neste espaço porque sabemos o quão difícil é encontrar um ambiente seguro para ser escutada com atenção e cuidado. como funciona? Somos em dezoito profissionais - entre psicólogas e psicanalistas - e temos vagas à preços sociais, cada qual com a sua disponibilidade. Entendemos a importância de abrir essas vagas à valores mais baixos exatamente pela condição financeira particular de cada mulher e econômica que o país enfrenta. Estamos com o propósito de atender mulheres que precisam e que não encontram disponibilidade de atendimento de forma acessível nos meios particulares pagos. ​ Toda mulher poderá se registrar na nossa plataforma acessando a área de login ao final dessa página. Assim, poderá fazer um cadastro dentro da nossa plataforma, consultando o perfil de cada profissional e a disponibilidade de horário/vaga que melhor se adapta à sua rotina. ​ Todos os valores são iguais, o que difere na hora da escolha é a profissional identificada através do breve currículo e da sua disponibilidade. Assim que o prévio agendamento for realizado, o contato entre ambas será feito e a psicóloga mandará uma mensagem. ​ ​ Para ler maiores informações sobre a nossa Política de Privacidade e os Termos de Uso de plataforma, clique aqui ♥ nosso grupo de psicólogas e psicanalistas apoiadoras Jamyle Psicóloga - Mestrado em lesbianidades a partir de uma perspectiva interseccional, pela Universidade Federal do Ceará. CRP 11/18191 Júlia Psicóloga - Mestrado na Universidade Federal Fluminense em Psicologia. - CRP 05/60076 Talyta Psicóloga - graduada pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) - estudos em psicanálise. CRP 06/169049 Kíssila Psicóloga formada pela UFF e pós-graduanda em Fenomenologia Decolonial e Clínica Ampliada pelo NUCAFE. CRP 05/69513 Camila Psicanalista. Membro provisório do Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre/RS (CEPdePA) e Advogada Especialista em Direito Público Dani Psicologia Social, Psicanálise e Educação - Universidade de São Paulo. CRP 06/137811 Ana Carolina Cotta Psicóloga pela Universidade Federal Fluminense - mestrado em Psicologia Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. CRP 05/58463 Viviane Psicóloga graduada pela PUCRS, especialista em Clínica Psicanalítica (UFRGS) e mestranda em Psicologia Social na UFRGS. CRP: 07/23395 Paula Psicóloga, formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e pós graduanda em Psicopedagogia. CRP 05/63682 Raquel Psicóloga formada pela Faculdade de Pato Branco/FADEP e pós-graduada em Gênero e Sexualidade CRP 12/23076 Thays Waichel Psicológa graduada pela Universidade Luterana do Brasil - Canoas/RS. Ênfase em Orientação Psicanalítica. CRP 07/37003 Larissa Psicóloga formada pela Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo. CRP 06/161422 Jade Psicóloga formada pela Uniritter - RS. CRP 07/34186 Ana Clara Ruas Psicóloga pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói. CRP 05/66226 Ana Gabardo Pedagoga pela Universidade Federal do Paraná e psicanalista pela Associação Livre Centro de Estudos em Psicanálise Caroline Afonso Psicóloga formada em psicologia pela Universidade Luterana do Brasil Canoas/RS. CRP 07/38059 quer ter acesso à terapia/análise ou entrar em contato com a profissional? clica aqui

  • Oi, eu sou o doc! | Documentadas

    chega pra cá, vai ser um prazer te conhecer! O Documentadas é um banco de documentação sobre mulheres que amam outras mulheres, com o intuito de registrar historicamente o amor entre lésbicas, bissexuais e pansexuais (cis e/ou transsexuais), construindo uma literatura que até então era inexistente sobre essa população. Completando dois anos em março de 2023, o projeto já documentou mais de 300 mulheres em 10 estados brasileiros. Para além de contar as histórias de casais brasileiros, o .doc acredita em 4 vias para atingir mudanças reais na nossa sociedade brasileira: Gerar empregabilidade, divulgando as profissões e trabalhados exercidos pelas mulheres que participam do projeto; Gerar conexão com encontros presenciais e online; Espalhar artes pelas ruas falando sobre o amor entre mulheres combatendo o preconceito em espaços públicos; Gerar atendimento psicológico através da plataforma, contando com 17 profissionais oferecendo serviços de apoio psicológico e psicanalítico online por valores populares (atualmente, mais de 200 mulheres já passaram pelos nossos atendimentos). > para além da documentação > Acreditamos que a igualdade de gênero pode ser alcançada por meio do combate ao machismo e através da equidade de oportunidades de fala/escuta. Além disso, entendemos que criar um banco de dados de fácil acesso, para a divulgação de ofícios exercidos por mulheres que amam outras mulheres possibilita, assim, oportunidades de contratação dos serviços prestados pelas mesmas, uma vez que os ambientes de trabalho tendem a ser espaços de conflito e preconceito quando não oferecem diálogos e reeducação social. Visibilizar as histórias de mulheres de diferentes corpos, raças e classes sociais exerce um papel fundamental para o reconhecimento dessas populações vivas. o .doc já passou por dez estados brasileiros, contando histórias de mais de 300 mulheres. QUER COLABORAR COM O DOC PARA QUE ELE TENHA MAIS LAMBES POR AÍ OU NOS CHAMAR PARA UMA EXPOSIÇÃO EM ALGUM LOCAL? ENTRA EM CONTATO PELO SITE OU NO E-MAIL: FERNANDA@DOCUMENTADAS.COM o .doc para além do .doc Entendemos também que a representatividade é algo extremamente importante para construção da subjetividade, tendo como intuito divulgar histórias que inspirem e motivem outras mulheres a se reconhecerem e valorizarem suas próprias histórias e histórias de amor, quando a coerção social, imposta pela heteronormatividade, diz o contrário. ainda podemos ser podcast livros exposições produtos curtas referência em saúde mental LGBT+ cartilhas inclusivas e muito mais! empregabilidade, psicologia, conexão, arte urbana viu a gente pela cidade? Estar na rua nos abriu a possibilidade de troca com públicos antes inalcançáveis. Passamos entre universidades, boêmias e comunidades. Se as mulheres amam outras mulheres em múltiplos espaços, acreditamos que nossa arte também deva ocupar múltiplos espaços Foi através das técnicas arte urbana como lambe-lambe e stickers que começamos a espalhar uma frase famosa por aqui: “Toda mulher merece amar outra mulher”, além de uma tiragem de 800 fotografias de casais que já participaram do projeto, com intervenções gráficas escritas por cima e o @documentadas, identificando nosso Instagram/site. quer contratar o documentadas para uma palestra na sua empresa, propor parcerias, fazer alguma reportagem ou conhecer mais sobre o nosso trabalho? entre em contato aqui pelo site ou mande um e-mail para fernanda@documentadas.com

  • Melina e Karyne | Documentadas

    Melina e Karyne se conheceram há cerca de dois anos, mas só começaram a se relacionar de fato no ano passado. Foi num famoso bar com karaokê em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, que elas se esbarraram. Sem amigos ou conhecidos em comum, Melina viu Karyne cantando e falou para os amigos dela o quanto “era bonita e poderia ser a mulher da minha vida”. Depois que ela saiu do palco, Melina ficou procurando ela pelo bar mas não encontrou, até que na hora de ir embora viu ela numa mesa, com alguns amigos… criou coragem, foi falar com ela e pediu um beijo. O beijo aconteceu e ficaram juntas um tempo, depois trocaram perfis no Instagram (e Karyne estava com seu perfil desativado, acabou passando um que usa para publicar seus desenhos), trocaram algumas conversas e começaram a se encontrar aos poucos. Como havia uma boa comunicação quando saiam juntas, falavam sobre não estarem em um momento que desejavam um relacionamento, não era prioridade para as duas. Se encontrar da maneira que estava rolando, uma vez por mês, quando a Karyne respondia as mensagens que Melina enviada, acabava sendo confortável - e quando saiam se divertiam juntas, iam à cinemas de rua (como o lugar em que fizemos as fotos), espaços culturais e bares. Assim seguiram durante um ano. Hoje em dia, estabelecer essa comunicação franca ainda está nos seus principais objetivos enquanto casal. Entendem que são pessoas culturalmente diferentes, que uma é mais fechada que a outra e que só vão se abrindo aos poucos. É por isso, também, que tratam com muito cuidado os momentos difíceis porque sabem que possuem formas diferentes de lidar. ​ Melina estava com 26 anos no momento da documentação, é natural de Niterói - RJ e é atriz. Atualmente está se formando numa escola de teatro (como curso técnico) e este ano vai iniciar os estudos em teatro na universidade. Independente do estudo acadêmico, faz teatro desde os 8 anos de idade e já deu aulas tanto de teatro, quanto de violão (e adora trabalhar com o que envolve educação e arte) explica que foi educada envolta de muita arte e não se vê longe disso. Quanto aos hobbies, adora jogar vôlei e desenhar. Karyne estava com 24 anos no momento da documentação, é natural de São Gonçalo - RJ e se formou em Publicidade. Hoje em dia, faz uma pós-graduação em comunicação e linguagem visual em semiótica, e por mais que não esteja trabalhando no momento, possui experiência como social media, professora de inglês e comunicadora em agências. Seus hobbies permeiam a arte, o desenho, a pintura e a moda. Adora criar coisas. Inclusive, junto com a Melina, trocam diversos presentes cheios de detalhes e coisas que elas mesmo fizeram. Quando começaram a sair, em março de 2022, o primeiro encontro foi num evento circense no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) no Rio de Janeiro. Por mais que já haviam se beijado no bar, estavam muito nervosas e mal conseguiram chegar perto uma da outra. Karyne explica que Melina foi a primeira menina que ela beijou depois de se assumir, pois passou muito tempo na igreja e foi na pandemia que ela entendeu e se abriu com a família sobre quem era, então ficava bastante nervosa, era tudo bem novo. Todos os primeiros encontros eram marcados pelo nervosismo de ambas e ficavam se cobrando que “não precisava desse nervosismo todo, era só viver o encontro”, mas quando chegava a hora ele falava mais alto. Por conta disso, demoraram um tempo para se beijarem novamente, mas todos os encontros eram muito divertidos e sempre sentiam vontade de se ver mais. ​ No início de 2023 foram ao cinema e tiraram a primeira foto juntas. Karyne, depois desse dia, passou um tempo em São Paulo e elas começaram a interagir mais de forma online, conversar bastante e sentem que foi aí que tudo mudou. Quando ela voltou, saíram novamente, foram em espaços culturais e não pararam de se encontrar por conta da conversa que mantinham o tempo todo online. Entendem que precisavam desse tempo até a relação começar porque realmente não estavam preparadas/e nem queriam se relacionar antes. Depois que começaram a se aproximar mais, fizeram piquenique juntas e já se viam completamente apaixonadas. Num dia foram ao show da cantora Liniker, que aconteceu de forma gratuita na praia e por mais que tenham passado muito perrengue para conseguir voltar para casa, se divertiram e entendem que nesse dia já queriam começar o namoro. Foi no evento, também, que Karyne conheceu a irmã da Melina e muitos dos amigos delas. Além dos amigos, Karyne conheceu toda a família da Melina logo no começo do relacionamento, esteve presente em aniversários e todos adoram ela. Nessa mesma época em que estava introduzindo Karyne na sua vida, Melina fazia provas e apresentação de teatro no curso e Karyne ia assistir. Foi num dia desses, quando chegaram em casa que Karyne pediu Melina em namoro e Melina cantou uma música que fez pra ela. Falaram “eu te amo” juntas. Tanto a Melina, quanto a Karyne, desejam seguir caminhos na relação que não refletem coisas que já viram ou vivenciaram, por exemplo: briga dos pais. Por isso, fazem muita questão de sentar, conversar, escutar, compreender… Karyne não tem a aceitação da família - e já até perdeu as esperanças quanto à isso - porque possuem um pensamento muito conservador e seguem os padrões da igreja, mas entende que isso leva tempo. Para Melina a realidade é outra, por mais que tenha sido muito difícil ter se assumido, os pais possuem uma cabeça mais aberta e, por mais que também frequentem a igreja, acreditam que elas precisam se sentir seguras em casa antes de qualquer outro lugar. Independente da não-aceitação da família da Karyne, ela se assumir e conversar com a família fez também com que se aproximasse de outros familiares que a aceitaram (como a prima que também é casada com uma mulher e a tia que já reivindicou o amor delas como algo natural, sem problema algum) e nesse sentido é muito bom ter apoio. Ela entende que existem coisas que precisou ceder para ser ela mesma, principalmente se as pessoas não respeitam, e está disposta a ser o que ela é, se aproximando de quem a respeita e quer ela bem. ↓ rolar para baixo ↓ Karyne Melina

  • Jéssica e Priscila | Documentadas

    No começo de 2023, Jessica era promoter de uma festa lésbica no Rio de Janeiro e criou um grupo no WhatsApp para informar sobre os descontos e ingressos especiais. Um amigo da Priscila soube do grupo e indicou para ela, que entrou e pouco interagiu, mas sempre visualizava as mensagens da Jessica desejando bom dia, interagindo com as pessoas e, mesmo não sabendo que era o trabalho dela, achou ela muito interessante. Numa interação no grupo, as pessoas mandaram seus perfis no Instagram e a Priscila viu o perfil da Jessica, mas não seguiu. Como nunca tinham interagido, achou que seria estranho seguir, mas vez ou outra entrava lá e via se ela postava alguma coisa com alguém (para entender se estava namorando ou solteira). O final de semana de uma das festas chegou e Priscila foi com os amigos. Viu a Jessica lá, achou ela interessante, mas não relacionou a pessoa que estava vendo com a pessoa que tinha visualizado o Instagram. Comentou com os amigos sobre ter interesse nela e eles incentivaram que ela puxasse um papo, mas mais uma vez ela achou estranho e não foi. Depois disso, viu que Jéssica estava acompanhada. ​ A pessoa que acompanhava Jessica não era sua namorada, mas alguém que ela ficou um dia antes e que não deu certo, não estava legal, ela não estava se sentindo bem e sabia que não continuariam. Entre a Priscila ter interesse, comentar com os amigos e desistir de puxar papo, uma das amigas tomou iniciativa por ela e chamou a Jessica, apontando para Priscila e dizendo “Ela quer falar com você!”. Mas na hora que Jessica chegou, não entendeu nada, ficou uma situação estranha, ela achava que tinha sido chamada por conta do trabalho (afinal, estava trabalhando no evento) e acabou saindo sem entender. Priscila seguiu olhando ela pela festa e percebeu que o clima não estava legal com a acompanhante, achou até que esse desconforto era por causa da situação que havia acabado de acontecer. A amiga decidiu conversar com a Jessica e pedir desculpas pela situação, foi quando comentou que Priscila estava interessada, Jessica notou a Priscila e disse que também estava, mas que no momento estava acompanhada e por mais que não estivesse legal, não queria deixar as coisas piores. Passou o Instagram para a amiga entregar à Priscila. Priscila, quando viu o perfil, percebeu que era a mesma pessoa que ela “stalkeava” e não seguiu novamente. Após a festa, Jessica encontrou o perfil dela, seguiu e começaram a interagir. No começo, elas achavam que não iria acontecer nada para além do primeiro encontro de forma casual. Se veem enquanto mulheres muito diferentes, de culturas muito diferentes… e achavam que não iriam render. Aos poucos, foram gostando uma da outra, passando os finais de semana juntas e estabelecendo uma comunicação diferente. Se apaixonaram. ​ Priscila estava com 29 anos no momento da documentação, é natural de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Estuda para ser comissária de voo e também cursa relações internacionais. É uma mulher muito livre, foi criada numa família muito solta, sem preconceitos e gosta muito disso. Preenche seu tempo livre com seus amigos, bebendo, passeando e deseja ao máximo viajar e conhecer novas culturas. Mesmo sendo brincalhona e risonha, acredita ter uma personalidade muito forte. Jessica estava com 26 anos no momento da documentação, é natural de Belford Roxo, baixada fluminense. É técnica em enfermagem e está terminando a faculdade de biomedicina, então optou por não trabalhar na área de enfermagem e seguir com os estágios e foco na faculdade até a finalização. É uma mulher que gosta muito de estar em família, demonstra seu amor no toque físico e nas palavras o tempo todo. Também adora sair de casa, ir para a praia, cinema, ver os amigos… E sonha em fazer um mochilão, deseja conhecer melhor o estado do Rio de Janeiro e o Brasil. Por mais que suas casas sejam bem distantes fisicamente (São Gonçalo e Belford Roxo), elas passam muito tempo na casa da Priscila, por Jessica fazer estágio em Niterói e ser um caminho próximo. ​ Estar nessa relação significa a primeira vez que elas se sentem tratadas da forma que sempre desejaram - e por mais que considerem isso o mínimo, raramente identificavam tamanho carinho nas outras relações. Fazem questão de trabalhar a comunicação. Priscila explica que é difícil conseguir falar o que sente, compartilhar as coisas, principalmente pela independência da qual ela foi criada. Enquanto Jessica faz questão de demonstrar e compartilhar, desperta justamente o contrário: que podem criar novas linhas de conversa. Jessica sempre instiga Priscila a falar, compartilha o que sente e o que acha. Brincam que às vezes se sentem muito intensas e emocionadas, mas logo a razão vem e colocam o pé no chão entendendo o momento que vivem, entre desempregos e fim da faculdade. Parte desses momentos é refletir também que as coisas levam tempo para se estabelecer, que logo estarão conquistando seus sonhos, suas vontades de dividirem um lar e terem uma melhor vida financeiramente. Estabeleceram quase-que um código para demonstrar que algo não está bem, falam que “tá calor”, e nisso entendem que precisam de espaço, que estão se sentindo um pouco sufocadas. Respeitam esse tempo e desejam a presença uma da outra para passar pelos momentos difíceis, entendem o quanto isso é importante, mas sempre com suas individualidades preservadas. Nesse tempo de relação (pouco menos de um ano) já enfrentaram diversas situações difíceis e perceberam o quanto se fortaleceram juntas. ​ É através das atitudes diárias que elas identificam o amor. Comentam que por mais que palavras sejam importantes, é muito mais fácil você dizer algo e não cumprir. Por isso, se apegam nas demonstrações diárias. Priscila não é tanto do toque quanto Jessica, mas demonstra o amor no cuidado e na presença, tratando bem. O amor que sente existe de uma forma muito natural, não é obrigação, é sobre o que gostaria de viver e como gostaria também de ser tratada, sempre pensa de maneira recíproca. Quando pergunto sobre a realidade delas em suas regiões (São Gonçalo, Belford Roxo) e sobre os locais que estão juntas, como se sentem e o que gostariam de ver mudar, elas respondem explicando a importância de ter mais respeito, educação e consideração nos espaços de convívio. Por serem mulheres (ou no caso da Priscila, mulher negra de religião de matriz africana) o medo do preconceito anda ao lado delas o tempo todo. E nesses momentos entre o medo entra também a coragem, a necessidade de falarmos sobre os nossos amores para que nos olhem com mais respeito, de nos impormos, de não deixarmos o preconceito ser mais alto. ↓ rolar para baixo ↓ Jessica Priscila

  • Luiza e Marina

    A Capitu, cachorrinha delas, chegou num momento em meio a pandemia do qual a Luiza estava se sentindo muito solitária em casa. Como a Marina está passando muito tempo cuidando da saúde e dando apoio à mãe dela, acabaram ficando bastante distantes e tomando muitos cuidados para se ver (sempre fazem testes, são visitas mais curtas…). Então o papel da Capitu foi chacoalhar um pouco e trazer alegria, companhia, cuidado e carinho (coisa que nunca falta!). Hoje em dia elas sonham com um mundo em que a vacina esteja sendo dada na maior parte da população (sonhamos, né?!) e quando pensam em políticas públicas, tocam logo em pautas sobre a inclusão e a cultura. Porto Alegre é uma cidade muito segregada e vem tendo sua cultura sendo diminuída ano após ano - ela virou, simplesmente, artigo de luxo. Sonham em voltar a ver a cidade acontecer de verdade para todas as parcelas da população e querem participar ativamente dessa mudança. A história da Luiza e da Marina te ajudou de alguma forma? Gostaria de mandar uma mensagem para elas? Vem cá que conectamos vocês ♥ ​ Tem alguma proposta de trabalho para elas? Opa! Pode mandar por aqui! ​ Quer contribuir financeiramente com o Documentadas para conseguirmos registrar cada vez mais casais por esse Brasilzão? cá entre nós, é muito fácil! Se liga no PIX, aqui :D Elas se conheceram em 2012, Marina estava na faculdade, fazia estágio e ficava com uma amiga da Luiza. Ambas participavam de um grupo de amigos muito próximos, então elas sempre estiveram nos mesmos eventos, nas mesmas festas, mas sempre se entenderam apenas enquanto amigas. Em 2015 ambas estavam namorando (e a Luiza s-e-m-p-r-e era conselheira amorosa da Marina!), um tempo passou e em 2016 elas foram numa festa e ficaram, mas por brincadeira, não foi nada sério… ou teoricamente não era para ter sido, porque no fim, a Marina se apaixonou. Tentou ir atrás da Luiza, ela não quis. Em outro fim de semana, foram em uma festa voltada ao público lésbico/bissexual de Porto Alegre, a Lez. Foi lá que ela viu a Luiza ficando com outra menina, esperou a menina ir embora e conseguiu o beijo! Quando esse beijo aconteceu, nem preciso explicar o resto, né? estão aí, juntas, há quase 5 anos. Hoje em dia possuem uma relação de muita conexão, compartilham muitas coisas juntas e, por mais que já tiveram momentos turbulentos e de afastamento, estão sempre se apoiando, conversando e se entendendo. Construíram uma relação de cumplicidade. Quando pergunto sobre o amor, dizem que acham que o amor é lindo e difícil ao mesmo tempo. É tentar entender e se entregar. E que, sim, o amor entre mulheres tem muita diferença de relacionamentos héteros tradicionais: é mais intenso, mais forte, as mulheres se permitem mais, enquanto os homens tendem a reprimir alguns sentimentos como o amor (muito por conta da questão da masculinidade frágil), as mulheres dificilmente reprimem algo. E comentam que existe mais amizade também, uma troca muito grande: o casal sabe se colocar uma no lugar da outra. Marina e Luiza moram em um apartamento maravilhoso, aconchegante e iluminado junto com a Capitu, a cachorrinha mais carente desse mundo! O apartamento fica em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul e Marina o identifica como “um abraço”, porque é a sensação que sente ao entrar. Ainda não conseguiram aproveitar 100% dele, pois mudaram em meio à pandemia - tempo que passam bastante distantes por conta de problemas de saúde na família da Marina, mas acreditam que a cada mês que passa, ele fica mais do jeitinho delas. Luiza tem 26 anos, é advogada por formação e trabalha atualmente com licenciamento ambiental. Adora plantar, saber sobre jardinagem e cuidar dos cantinhos da casa. Como inspirações e referências de vida, ela fala do avô (que sempre quis ensinar as coisas para ela, sempre tratou com carinho) e no mundo dos famosos cita o Elliot Page, que trouxe muita referência LGBT quando ela era mais nova. Marina tem 29 anos, é formada em marketing e atua na área de vendas numa empresa de tecnologia. Entre as coisas que gosta de fazer está em primeiro lugar o handebol (esporte que ela pratica há 20 anos!) e mexer com criação/criatividade. Além disso, na empresa, ela também atua em um grupo que debate empregabilidade para pessoas transgêneros e gosta muito de atuar nessa área dentre a pauta LGBT. É uma pessoa muito grudada à família, principalmente à mãe - e a cita como uma grande referência e inspiração, por tudo o que já passaram juntas. Por sua vez, no mundo dos famosos, fala sobre a importância da Ellen DeGeneres e o quanto ela se sente representada por todos os temas que ela traz e por quem ela é. Luiza Marina

  • Natielli e Emanueli

    A Nati e a Emanueli são duas mulheres com muita bagagem. Nos mostram que a idade, algumas vezes, não quer dizer tanto assim. Que a vida dá seu jeito de nos fazer viver muito em pouco tempo...E são duas mulheres que, desde sempre, entenderam o mundo através de muita força, de muita correria diária e de muita batalha. Natieli tem 22 anos e trabalha como vigilante em um ponto turístico/mercantil de Porto Alegre. No tempo livre adora jogar futebol, andar de bicicleta e curtir o tempo com a Ayla, a filha dela e da Manu (também conhecida como: criança mais desconfiada & linda possível!!). Já a Emanueli, tem 19 anos, é natural de Lagoa Vermelha, cidade no interior do Rio Grande do Sul com pouquíssimos habitantes, mas mora em Porto Alegre com a família há bastante tempo. Ela faz bastante coisa e adora ser uma pessoa que aprende tudo/explora tudo. Hoje em dia trabalha como manicure, no salão que a mãe dela construiu em casa, mas tem cursos enquanto astróloga e taróloga. Ela adora ver vídeos sobre a maternidade entre mulheres (foi assim que chegou até o Documentadas, inclusive) e dialoga bastante sobre. É muito legal ver as trocas que ela faz com a Ayla e o sentimento de família e de apoio que elas construíram juntas. ♥ A Nati e a Manu se conheceram através de uma amiga em comum, lá em 2019. Foi num show da Iza, que a Manu foi com essa amiga, num espaço aberto em Porto Alegre, que a amiga delas resolveu ligar para a Nati e convidá-la para o evento. Até então a Manu não sabia quem era e quando a Nati chegou, com um jeitão mais fechado e na dela, a Manu logo pensou: “Que guria bem antipática!! Mal educada”. A amiga resolveu dar uma de cupido e juntar as duas, mas, além da pré-antipatia, a Natielli já estava ficando com outra pessoa (Pode entrar, o famoso: Rebuceteio!) e a Emanueli também já tinha outra pretendente… No fim, não rolou. Acabou que o tempo passou, o show acabou e outro dia a Nati mandou mensagem para a Manu. Ia rolar uma festa de aniversário na casa dessa ‘amiga’ e chamaram ela… Lá, elas se beijaram. Com uma certa frequência começaram a se encontrar nos lugares e aos poucos o sentimento surgiu. Foi em outro show que elas se encontraram e entenderam o que sentiam enquanto a paixão. A Nati disse que não queria que a Manu fosse embora e, então, no dia seguinte elas se viram na casa dela (Detalhe: a Nati foi CAMINHANDO até a casa da Manu e era uma distância muito longa!! Ela não contou que não ia de carro ou de ônibus e só avisou quando estava chegando lá, como se estivesse no carro… e a Nati nem percebeu que a menina tinha caminhado quilômetros. Já diria a Sandy, né minha gente: “Olha o que o amor me faz...”). Um mês depois do encontro em casa (e da caminhada) a Natielli fez o pedido de namoro ♥. ​ O processo da vinda da Ayla ao mundo foi muito cuidadoso e delicado e, antes de tudo, sei o quanto isso é importante para a Nati e para a Emanueli. Então queria agradecer a elas terem me concedido permissão para falar aqui, de forma não necessariamente romantizada e sim como parte verdadeiramente documental, sobre o processo da maternidade de duas mulheres e o que representou isso para as duas - em sua melhor forma de ressignificar. ♥ obrigada e admiração por vocês três. No decorrer do ano de 2019 e logo no começo da relação das duas, a Nati sofreu uma situação de abuso. Foi um grande desespero e elas estavam sem saber o que fazer. A reação da Emanueli foi acolher e tentar ajudar como soube na hora, mesmo sendo algo muito difícil e traumático. Elas ressaltam que, nos momentos em que mulheres estão fragilizadas, geralmente o que podemos fazer é tentar estar por perto e segurarmos uma nas mãos da outra. Diante toda a gravidade da situação, elas conversaram muito, tentaram se acalmar e buscar as providências corretas judicialmente. Nesse meio-tempo, a família da Emanueli recebeu a Nati em casa e elas se tornaram uma família só. Foi acontecendo uma movimentação natural da mãe, da avó e da própria Manu em torno do acolhimento e de entenderem o momento de fragilidade. Foi então que veio um sentimento das duas pensarem que elas não possuem condição para uma fertilização em clínicas e que gostariam muito de serem mães, de gerar, educar, criar e amar. E foi aí que a Nati perguntou: “você quer ter esse filho comigo?”. A Manu aceitou. E, meses depois, a Ayla veio ao mundo. Hoje em dia, a Ayla é a maior alegria em casa e, mesmo entendendo que o momento tenha sido de muito trauma e muita dor, é com terapia que elas procuram construir e literalmente dar outro significado para isto. Procuramos, também, alertar outras mulheres para que estejam sempre em apoio, uma das outras, que nunca soltem as mãos e que fortaleçam seus laços. A forma que o amor encontrou a vida dessas mulheres mostra que o amor entre mulheres consegue mover muita coisa no mundo. ​ Quando a Manu e a Nati se casaram foi algo não-oficial, mas muito importante para elas. Fizeram um documento, em casa mesmo, com chocolates e comemoraram juntas. Sentem que estar juntas é o resumo de tudo. Ali, tudo é 8 ou 80. Decidem as coisas, conversam sobre o que pensam e se entendem porque o diálogo é aberto. Elas zoam muito também, a conversa (quase) não dava para ser levada à sério, porque metade do tempo era risada de uma atiçando a outra, falando bobagem e fazendo piada. Para Emanueli, o amor, acima de tudo, é a parceria que elas construíram juntas no relacionamento. Essa parceria entende a individualidade, respeita os momentos, os espaços, mas não larga as mãos quando precisa. Está sempre ali. A Nati completa que o amor para ela é muito forte, capaz de superar distâncias e dificuldades. Elas acreditam que o amor entre mulheres é diferente porque ele sabe apoiar nas horas boas e ruins. E que a maternidade delas mostra como é isso na prática - por mais que não tenha sido nenhum pouco fácil (e que diariamente não seja fácil). São mulheres periféricas, são mães de uma criança negra, mães negras, parte de uma maternidade que não estava nos planos… E falam o quanto isso implica em tantas mudanças repentinas na nossa forma de pensar e de enxergar o mundo. E o quanto, também, implica na forma que queremos o mundo diferente para a Ayla viver. Elas, em especial, querem um mundo mais emancipado, em que as pessoas tenham mais condições e que os nossos direitos sejam respeitados, assim como desde cedo ensinam a Ayla a respeitar cada detalhe de cada pessoa: que a Ayla respeite cada ser como ele é. ♥ ​ Natielli Emanueli

  • Emily e Bibiana

    Encontrei a Emily e a Bibiana em um fim de tarde próximo à orla do Guaíba, em Porto Alegre, há uns meses atras… foi durante um movimento inicial, em que elas estavam se permitindo sair na rua novamente para ver o pôr do sol (depois de todo o período de isolamento pandêmico) que elas toparam fazer parte do Documentadas. Sentamos na grama, numa área distante de onde a maioria das pessoas circulavam e conversamos por um tempo, nos conhecendo e compartilhando ideias. Ouvi o que elas pensavam sobre o amor, sobre as relações que as mulheres constroem juntas e, claro, sobre a relação que elas construíram em meio à pandemia. A Emily acredita que o amor é algo muito relacionado à aceitação, ou seja, que nem sempre a pessoa amada vai ser o que você espera, ou que os projetos que vocês desejaram vão ser exatamente o que vocês imaginaram, mas que o amor está nesse lugar de aceitar a realidade e de conseguir ser compassivo. O amor fala sobre conseguir ter compaixão pelas coisas, mesmo quando elas não são aquilo que desejamos. E que, até mesmo como um acréscimo, o amor entre mulheres surge enquanto uma vontade muito latente de construir algo, enquanto um projeto de vida, envolvendo casa, respeito, vontades… é literalmente uma construção conjunta. A Biba ouve ela falando tudo e a observa, depois complementa: ela entende o amor enquanto um apoio e um cuidado que está ali (não naturalmente, porque temos que cuidar, disponibilizar nosso tempo e nos dedicar, não podemos largá-lo… mas ele está ali). E entende a relação dela com a Emily enquanto duas mulheres que não soltam as mãos. Bibiana possui 35 anos, é funcionária pública, moradora de Porto Alegre e participa de coletivos e iniciativas LGBTs dentro do próprio Tribunal do Trabalho, entre comitês de equidade de raça, gênero e pessoas com deficiência, trabalho que desempenha com muito orgulho. Emily possui 29 anos, é redatora e trabalha com publicidade, além disso, também atua enquanto artista burlesca produzindo um sarau - o Sarau Pelado. O intuito do evento é que as pessoas se sintam à vontade para despir-se e estar nu, numa forma de aproximar cada pessoa com o próprio corpo, o ‘despir-se’ não é só de roupas, mas dos preconceitos que carregamos, e através de uma literatura mais íntima e de uma arte acolhedora poder deixar as pessoas à vontade para serem quem são. Elas acreditam que a cidade precisa da cultura para existir e que o acesso à cultura é algo básico e primordial, porém, mais que isso, falamos sobre o momento crítico em que estamos vivendo e quando pergunto sobre como elas enxergam à cidade e o que gostariam de mudar a primeira coisa que surge na resposta, sem titubear, é a vontade de que todas pessoas tenham acesso à moradia e alimentação. Parece ser algo simples, mas comentamos sobre a população em situação de rua em Porto Alegre ter crescido em números gritantes e a forma que a cidade muda aos poucos, a desigualdade cresce e nos sentimos paradas em meio à isso tudo, então elas comentam iniciativas que tentam ter em meio à pandemia para ajudar da forma que podem, ou seja, a conclusão é: no momento não tem como essa não ser a questão de direito e de mudança prioritária: acabar com a fome e ter moradia digna. As duas se conheceram através de um aplicativo de relacionamentos um tanto quanto famoso por aqui (né, Tinder?), no ano de 2019. Foi num encontro sem nenhuma pretensão que o verdadeiro “match!” aconteceu: o papo foi bom, elas se divertiram e curtiram bastante. Até que, no meio da noite, começou uma chuva muito forte - fazendo-as tomar aquele banho! - e por estarem perto da casa da Emily, ela chamou a Bibiana para entrar... a partir daí tudo fluiu. No começo da pandemia elas chegaram a morar juntas um tempo, porém sentiram necessidade de estarem cada uma em suas casas. Não existiu um motivo exato na volta, foi uma movimentação e uma decisão tranquila, muito mais sobre o espaço delas do que sobre a relação em si. E, quando perguntado sobre momentos difíceis que passaram juntas, elas pensam e chegam à conclusão que nenhum desentendimento pessoal foi (e tem sido) maior que viver (e sobreviver) a pandemia uma ao lado da outra. A pandemia ensinou muito sobre lidar com as nossas emoções e com os nossos sentimentos - para além de todos os problemas e incertezas que ela nos trouxe - então elas explicam que a Emily é a pessoa que quer lidar com os problemas na hora, quer resolver logo, enquanto a Bibiana prefere esperar e absorver tudo para depois conversar sobre as coisas. O desafio, entre elas, é estabelecer esse equilíbrio. Se apoiar entre as chateações diárias que os problemas externos nos trazem (a pandemia, a política, as incertezas) e tentar conversar sobre os internos (a relação em si). No mais, vivem dias relativamente tranquilos, entre beber, fumar na varanda do apartamento da Bibiana e passear nos fins de tarde na pracinha do bairro. ♥ Bibiana Emily

  • Luana e Maiara

    A Luana e a Maiara são duas mulheres que não se conheceram por tantas lutas e tantos gostos em comum, mas foram descobrindo isso aos poucos entre papos e conversas. Quando elas se conheceram, na verdade, nem imaginavam o quanto poderiam se encaixar: foi num match de Tinder, quando a Maiara passava pelo aeroporto de Porto Alegre, que a Luana apareceu e ela achou a bio dela engraçada, resolveu dar ‘like’. Conversaram e logo ela saiu da capital, foi até a sua cidade, Pelotas, que fica no interior do Rio Grande do Sul. Continuaram conversando por um tempo, mais ou menos um mês, até que a notícia veio: a Maiara tinha voltado com a ex. Luana ficou um pouco triste e até meio irritada, ela confessa. “Poxa, um mês ali, né? Dá esperanças na gente”. Agora ri. Mas não queria que a Maiara saísse da sua vida, então encarou a amizade, afinal, se encaixaram tão bem… O ano era 2019 e a Maiara viajava bastante por conta de alguns trabalhos. Ela era bolsista e falava sobre saúde da população negra, enquanto a Luana também estava trabalhando num projeto do Estado de Implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, então a Maiara viajava o brasil e a Luana o Estado junto com esses projetos… o que não deixava de ser, também, uma forma de aproximar as duas. Elas conversavam, trocavam figurinhas, assuntos em comum, interesses pela mesma área, pesquisas, livros e referências. ​ Foi durante uma viagem que elas conversaram por mensagem e mandaram áudios cantando no karaokê músicas bêbadas, se divertiram, passaram do ponto, choraram… E depois, quando a Luana estava de volta em Porto Alegre, a Maiara fez uma ligação por telefone. Ficaram pensando: O que se fala no celular quando se liga para alguém depois de mandar vários áudios cantando no karaokê?! No fundo, toda essa sensação estranha não era pelo karaokê, mas por não estarem sabendo lidar com o que sentiam uma pela outra enquanto a Maiara ainda estava em um relacionamento… Foi quando conversaram e a Luana disse que era melhor fazerem alguma coisa para mudar isso. A Maiara tomou iniciativa, terminou o relacionamento e elas combinaram de se ver, em Porto Alegre. Deu certo o encontro e todo final de semana, praticamente, eles repetiam. Maiara ia até Porto Alegre, elas se encontravam e passavam um tempo juntas, foi virando algo à distância, porque se viam de tempos em tempos, até que chegou a pandemia e ela se mudou de vez. Claro, existiram muitas conversas sobre os espaços e as individualidades, tanto que preferiram manter duas casas, ao invés de realmente morarem juntas, mas irem para a mesma cidade seria a melhor opção para que a vida se adaptasse (e os trabalhos também) durante o período pandêmico. ​ A Luana tem 29 anos e é terapeuta ocupacional. Maiara tem 32 anos, é formada em Educação física e está se graduando em Psicologia. Elas adoram andar de bicicleta, cozinhar, praticar esportes, tomar chimarrão e ficar em casa deitadinhas conversando sobre várias coisas. Para a Maiara, amar é sempre um ato político. E isso inclui o amor que ela sente pela Luana. Demonstrar o afeto e o amor delas, como elas estavam fazendo enquanto conversávamos, é um ato político. É romper todas as amarras que um dia já foram colocadas. A Luana explica que os lugares que elas ocupam por serem mulheres negras é estar sempre reafirmando quem elas são, principalmente quando (e por) escolheram estar juntas. “São duas mulheres negras se amando. Isto é algo impensável para muita gente.” Além de que, também é algo que não nos é ensinado. Ao homem, se ensina “amar”... no caso, a ter uma esposa. À mulher, não se ensina nada sobre. Nos tornarmos companheira é um ato da nossa natureza. E, duas mulheres negras se amarem, é revolução diária. Quando pensamos na cidade e pensamos em Porto Alegre (ou em Pelotas também, já que é a cidade que a Maiara viveu), elas comentam que gostariam de ver maior pensamento social, para que não matem mais pessoas negras e LGBTs por ser quem são. Para Maiara, pensamento social é também sobre dar voz. Não faz sentido dar voz se não há transformação social como um todo. Precisamos inserir as pessoas nos lugares, fazer a forma coletiva existir de verdade. E que uma história vá servindo de base e sustentação para puxar a outra, para que tenhamos caminhos mais tranquilos daqui para frente. Luana Maiara

  • Natasha e Jéssica

    Por mais que a história da Jéssica e da Natasha só tenha virado um registro no Documentadas depois de 6 meses de projeto no ar, ela chegou aqui lá no começo, antes mesmo de nos conhecermos, logo na segunda vez em que coloquei o corpo na rua e me dediquei a fotografar um casal: Quando a Rebecca e a Priscila, duas mulheres que já apareceram por aqui, me contaram empolgadas que havia uma história que eu precisava conhecer. Eu ouvi um “É tipo aquelas histórias de mulheres que tão juntas há muito tempo! Que a vida deu várias voltas. Elas se reencontraram e agora ela se mudou para Porto Alegre e se casou nesse reencontro! É a minha prima! Vou te passar o contato dela!” e bem que pensei “É possível! Eu vou passar por Porto Alegre em breve.” Quando encontrei a Natasha e a Jéssica em Porto Alegre e conheci toda a grandiosidade da história entendi que as mulheres realmente fazem tudo - e que a vida sempre dá uma forcinha quando quer nos juntar, né? ​ A Natasha e a Jéssica se conheceram há muitos anos atrás, por conta de uma amiga em comum, quando eram adolescentes. A Jéssica é natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e a Natasha é natural do Rio de Janeiro, a capital. Ambas conversavam pela internet e participavam de comunidades no Orkut sobre gostos em comum, entre eles, uma série chamada Buffy. O que tinha de mais especial que unia a série é que elas já gostavam muito, até que em certo momento a série virou uma febre e aconteceu o surgimento de um casal LGBT, sendo uma referência muito grande para diversas adolescentes daquela época. Foi por conta desse casal, da série e das comunidades no Orkut e dos grupos no MSN que a Jéssica e a Natasha realmente se aproximaram, mas a Jéssica tinha uma visão de que a Natasha era meio “doidinha”... ela chegava das festas de madrugada e ficava online, era muito agitada… enquanto a Jéssica era mais tímida e mais quieta. A Jéssica se envolveu com uma amiga em comum da Natasha, um tempo depois elas terminaram e, como ela conversava muito com a Natasha, surgiu o convite de conhecer o Rio de Janeiro. Elas eram super jovens, tinham 18 anos e ela decidiu ir passar as férias por lá. Assim que se encontraram no aeroporto entenderam que havia algo diferente e, no fim das férias, já estavam namorando. Naquela época, sem a existência dos sinais de wi-fi ou internet móvel, o que restavam eram as contas de telefone - por sinal, caríssimas. Então acabaram assumindo o relacionamento à distância quando a Jéssica voltou até Porto Alegre e se encontravam cerca de três em três meses, dependendo das circunstâncias. Até 2009 o namoro aconteceu nessa distância, quando os pais da Natasha se mudaram para o interior fluminense e a Jéssica decidiu morar no Rio de Janeiro. Foi uma realidade bem diferente. Elas dividiram o apartamento, porém entendem que eram muito jovens, tinham 19/20 anos, eram bastante imaturas, trabalhavam como estagiárias, queriam ser independentes mas na verdade ganhavam pouco e os pais eram quem bancavam as contas da casa. Elas também construíam uma relação com bastante ciúme, então criavam desgastes e atritos que acabavam gerando desconfiança, era muito difícil suportar. Foi quando a Jéssica começou a se sentir sem liberdade dentro do relacionamento e entendeu que era o momento do término e voltou a morar em Porto Alegre. ​ Hoje em dia, a Jéssica e a Natasha estão com 33 anos. Jéssica trabalha como administradora e logística na parte de planejamento de produção em uma empresa de laticínios e Natasha é formada em gestão financeira, mas atua na área de planejamento e controle orçamentário. Elas brincam que não são o tipo de casal que gosta de ficar em casa dormindo, mas aquele que ama viajar. Que cria roteiros, que quer comprar um carro e andar pelo mundo! Elas gostam de se movimentar, de conhecer lugares, desbravar a alimentação local, conhecer as culturas e viver cada lugar, cada ambiente e cada espaço como uma experiência única. Em um momento da conversa elas me contaram sobre se permitirem sonhar e sobre uma situação que viveram juntas quando eram mais novas… e que esse sonho não precisava ser um sonho grandioso, mas se permitir pensar no futuro, mesmo. A situação era um show da Ana Carolina que foram quando moravam juntas no Rio e que estavam naquela primeira fase do namoro, sendo bem jovens e se conhecendo… Contam que viram vários casais de mulheres mais velhas, elegantes, bem sucedidas e se perguntaram “Será que um dia vamos ser assim?” e que hoje em dia são. Além de se reconhecerem e de reconhecerem o quanto conquistaram juntas, falam sobre ter sido a primeira vez que viram mulheres lésbicas bem sucedidas, lésbicas mais velhas se amando. “Foi muito marcante porque era muito longe de nós essa realidade”. ​ Depois do término, quando a Jéssica já estava em Porto Alegre, elas mantiveram contato e até tentaram voltar e seguir o relacionamento à distância. Durou alguns meses, mas acabaram terminando de vez, em comum acordo. Este foi o terceiro e último término (o primeiro foi lá no começo, por iniciativa da Natasha)... e dessa vez, como última, parecia ser definitivo. Ficaram 5 anos separadas. Viveram a vida, seguiram amigas, tiveram outro relacionamento, ou melhor, casamentos (!) e tal. Até que conversaram em 2016. A Natasha estava solteira e elas mantinham amizade e se falavam raramente nesses 5 anos, por mais que nunca tivessem se visto e não havia maldade, de verdade, era apenas um querer-bem. E num dia, no Rio de Janeiro, ao se arrumar para sair com a prima (a Rebeca!) a Natasha conversando sobre ex namoradas comentou que a única namorada que seria capaz de se ver voltando a ter um relacionamento seria a Jéssica, mas que isso jamais aconteceria, até porque a Jéssica estava “casadíssima”, vivendo outra vida, sendo feliz “lá no sul”. Não sei se por coincidência ou que nome vocês querem dar a isso, mas literalmente no dia seguinte a Natasha descobriu que a Jéssica terminou o relacionamento - quem contou foi a própria Jéssica, em uma mensagem toda sem jeito. Elas voltaram a conversar e a Jéssica tinha uma viagem marcada, mas cancelou e decidiu fazer uma ida até o Rio e São Paulo para não perder as férias. Preciso contar o resto? São Paulo que lute, né? Ela ficou foi pelo Rio mesmo, com a Natasha… mas nos últimos dias de férias aqui, decidiu: “Não quero voltar a morar no Rio. Dessa vez, se for para ficarmos juntas, você vai para Porto Alegre comigo”. E a Natasha? Aceitou na hora. A Jéssica disse que nem acreditou no que ouviu, nem esperava um “Sim” tão rápido! ​ A mudança, de fato, aconteceu. E não só a mudança, mas o casamento! Que foi exatamente na mesma data, 10 anos depois, do dia em que começaram a namorar - lá em 2007. A vida é cíclica. ♥ No dia do casamento, elas se juntaram aos amigos e fizeram um churrasco. Inclusive, também neste dia a Natasha recebeu a notícia de que havia passado em uma entrevista de emprego lá em Porto Alegre. Foi tudo acontecendo em conjunto e elas foram se adaptando à cidade e ao novo momento da vida. Hoje em dia, se enxergam muito diferente do que há tantos anos atrás, mas em geral entendem que o amor só ficou tão forte porque sempre foi muito moldado com respeito e admiração - e claro, a confiança e o apoio foram chegando como um bônus e crescendo na base também. Elas brincam, no fim, sobre já terem ouvido colegas de trabalho falarem sobre não aguentarem mais os maridos dentro de casa em seus casamentos e acrescentam como amar mulher é algo maravilhoso: são mais de dez anos e nem passa pela cabeça um dia em que se torne insuportável viver um amor tão bom. ♥ Por mais que a Yasmin e a Ignez se conhecessem desde 2019, elas foram ter o primeiro encontro e sair de verdade só em 2020, mais especificamente, um fim de semana antes da pandemia ser oficializada no Brasil - e em Fortaleza, cidade onde elas moram. Elas contam que estavam juntas quando saíram as primeiras notícias na TV sobre o primeiro caso de COVID-19 no Ceará e que no dia seguinte viraram 3 casos e que no dia seguinte dos 3 casos foi anunciada a “quarentena”. E aí? Como que duas pessoas que moram com os pais começam a construir um relacionamento (e a se conhecer) num contexto inicial de pandemia? Hoje, mais de um ano depois juntas, elas contam quanta coisa foi possível fazer mesmo estando dentro de casa: descobriram hobbies, cozinham juntas, jogam videogame, estudam muito, escutam música, se reinventam. A família da Yasmin desde o começo soube da Ignez e sempre foi uma convivência tranquila… enquanto a Ignez, nesse meio-tempo, se abriu e resolveu contar para os pais que estava namorando - isto, inclusive, é um processo recente, mas que está dando certo! Ela conta que há um ou dois anos atrás jamais se imaginaria dizendo que a família sabia e apoiava o namoro dela com outra mulher… e que hoje isso acontece naturalmente. Reforça: “Não que seja fácil, mas de estar acontecendo me deixa mais tranquila. Eu contei num segundo de coragem, sabe?”. ​ Yasmin tem 24 anos e estuda Arquitetura na Universidade de Fortaleza. Ela e o seu irmão sonham em montar uma empresa de engenharia e, além do trabalho, adora cantar, tocar violão, pintar aquarela... É uma pessoa que adora ser criativa, montar coisas e deixar o corpo se expressar. Ignez tem 25 anos, é formada em Direito e quando nos encontramos estava com foco total estudando para a OAB. Ela adora ouvir música, conhecer lugares novos e viajar. Inclusive, mesmo na pandemia, elas têm conseguido viajar de carro até o interior para ficar na casa de parentes e isso acaba garantindo uma experiência muito legal para as duas, é algo que adoram fazer. Mesmo com as dificuldades que, não só a pandemia, mas a vida em si nos coloca, tanto a Ignez quanto a Yasmin se mostraram ser pessoas que conversam muito e que se ouvem muito também. Nos momentos mais complicados, elas tendem a ficar juntas e resolver as coisas juntas. A Ignez diz “Às vezes só de estarmos quietinhas, no mesmo ambiente, já ajuda”. Ou seja, não precisa ser uma questão de resolver tudo o tempo todo, mas de gerar apoio e acolhimento. Elas acreditam que o diálogo consegue resolver qualquer coisa e possuem um acordo de que não vão dormir brigadas, então caso aconteça algum desentendimento, tentam resolver de alguma forma ou ao menos respeitam o espaço, mas não ficam desentendidas uma com a outra. ​ Mesmo que as duas tivessem vários amigos em comum, elas nunca tinham se esbarrado por aí. Mas a Ignez já tinha visto a Yasmin pelas redes sociais. E então, lá em setembro de 2019, rolou uma festa chamada “Tertúlia” em Fortaleza e a Yasmin apareceu por lá. Quando ela chegou e a Ignez viu, ficou até um pouco nervosa. Elas deram um oi, mas a Ignez percebeu a Yasmin saindo com outra menina da festa e desistiu. Uns dias depois, resolveu segui-la no Instagram e a Yasmin seguiu de volta. Meses se passaram, ela até tentou interagir pelas redes, mas não rolou. Quando o ano virou e chegou 2020, era fevereiro e elas estavam na festa de uma amiga em comum, então a Ignez viu a Yasmin chegando e até comentou com uma amiga: “Nossa, sabe aquela menina lá da festa Tertúlia? Ela tá aqui!”. Nessa festa, elas conversaram a noite toda, ficaram na borda da piscina tomando drink, dançaram forró juntinhas e se divertiram muito. E aí a Yasmin chegou nessa amiga em comum e disse que achava que ia rolar algo com a Ignez… até a amiga soltar a fatídica frase: “Não, amiga!!! Ela namora! Ela só é assim mesmo. Ela é simpática!”. O mundo da Yasmin caiu naquele momento. Ela ficou sem entender nada. Como assim?? Namora?? Um amigo dela já sabia da história do “relacionamento” da Ignez - que não era um namoro super longo e oficial, era um rolo que ela tinha com uma menina - e disse para a Yasmin “Vocês vão ficar hoje.”, mas ela estava decidida que não, por conta do namoro e tentou evitar isso a noite toda. O amigo ainda completou: “Ela “namora”, mas já-já esse relacionamento aí acaba”. ​ Ele acabou estando certo. Na hora de ir embora elas conseguiram uma carona para irem juntas e ficaram bastante próximas, foram até um local onde pediram o uber para a casa e lá aconteceu um beijo. Elas conversaram no dia seguinte sobre o que tinha acontecido, entenderam que tinha sido errado e que não era certo continuar e uns dias depois a Ignez realmente terminou o relacionamento. No carnaval, em seguida, elas se encontraram, mas pouco se falaram. Trocaram algumas mensagens pelo Whatsapp um tempo depois e a Yasmin soltou uns flertes, só para cutucar, mas depois falava “Ei, você não pode flertar de volta, porque você namora!”. Pois foi aí que a Ignez contou que não namorava mais e que poderia, sim, corresponder ao flerte. Foi nessa semana que elas decidiram sair juntas, que tiveram o primeiro encontro oficial e que em seguida a pandemia começou. No dia das namoradas, em junho, a Yasmin pediu a Ignez em namoro (mas foi praticamente uma corrida! Porque a Ignez também estava preparada para fazer o pedido). ♥ Para elas, o amor é uma construção. Seja ele entre um casal, entre a família ou amigos. É sempre construir e lutar para que seja bom, leve (que precisa ser leve) e que amar é você olhar para alguém e sentir que o que foi construído é genuíno, que veio de dentro da alma. Amar é, também, uma conexão de muita intensidade, principalmente entre duas mulheres - são corpos que desenvolvem uma força inexplicável, é revolução, uma luta constante contra quem quer que seja, contra tantas violências, e a favor do amor, com resistência. Quando pergunto como elas se sentem morando em Fortaleza e como enxergam a cidade, Yasmin comenta que gosta muito de lá e que sente muita falta de sair e curtir a cidade em si, mas que se tivesse o poder de mudar algo socialmente e culturalmente falando, seria que as pessoas respeitassem mais a história da cidade e trocassem mais o respeito entre si como um todo. Ela entende que se nos fosse ensinado a conhecer e respeitar a história da cidade e a história das pessoas que estiveram lá antes de nós estarmos, viríamos tudo com outro olhar e cuidaríamos mais dos espaços. A Ignez concorda com a educação sobre o nosso povo e completa que, nos dias de hoje, ela sente muita falta da segurança. Sente que o policiamento está sempre presente nos bairros nobres, mas que nas periferias e nos locais menos frequentados pela elite (como espaços centrais ou mais boêmios da juventude), é muito comum não se sentir segura. Gostaria que esses espaços e que a segurança em si fosse repensada - para que chegasse em todos. Jéssica Natasha

  • Juliana e Nicolli

    A Ju e a Nicolli sempre se apoiam muito, principalmente se os problemas são externos - dificuldades financeiras, saúde, família… quando falamos sobre outras coisas, além das nossas vidas, como a sociedade e a cidade (ou os problemas sociais), elas falam sobre o sul e o sudeste ainda serem muito privilegiados (e em geral, as capitais) por podermos andar na rua com as mãos dadas, por não termos tanto medo, por ao menos termos a coragem de darmos as mãos. Reiteram a necessidade do quanto ainda precisamos mudar o preconceito, o medo de sermos mulheres andando nas ruas sozinhas... e o quanto é preciso seguir uma apoiando a outra, seguir com as mãos dadas, não soltar. No fim da conversa percebemos o quanto a palavra coragem ficou em evidência durante todo o papo. Falamos em coragem por todos os momentos que elas passaram e que enfrentaram, por todos os problemas, todas as coisas boas também e tudo o que se é compartilhado. Além do mais, coragem por ser quase como um sinônimo de resistência também, e por reconhecermos o quanto fazemos isso o tempo todo: resistimos. Ambas sempre tiveram a família muito presente, das suas formas diferentes, com suas leituras diferentes, mas sempre estiveram ali. A Ju não é muito ligada em paixões tipo músicas ou filmes, o negócio dela sempre foi os bichos e a família. Ela comenta que a mãe dela é a maior inspiração de vida, por ter criado sozinha os filhos, sempre ter se mantido financeiramente da forma que foi possível, ter enfrentado tudo… e sempre ter ensinado todos à serem independentes e fazerem tudo dentro de suas próprias casas. Já a Nicolli, por mais que tenha como sua paixão maior o Grêmio, entende que um ponto mais difícil do seu relacionamento com a família foi o fato de performar a masculinidade ser visto com certo incômodo. Ela nunca recuou, entendia e respeitava seu corpo, enfrentou isso com coragem - e fala sobre o quanto ter coragem de usar bermuda, de cortar o cabelo curto, se você se sente bem, é fundamental. Hoje ela compreende um pouco mais, mas foi se mantendo firme e tendo uma relação mais independente, foi morando sozinha que as coisas realmente mudaram. Além de tudo, a família entendeu que ela é uma mulher adulta, que a sociedade também tem caminhado para entender mais sobre o amor entre mulheres e a mãe dela confia muito na relação dela com a Ju, então todas lidam de uma forma muito melhor com tudo. “Aos poucos o coração vai acalmando e as coisas vão se encaminhando”, ela completa. Foi por causa da família, inclusive, que a Juliana e a Nicolli se conheceram… ou melhor, elas se conhecem quase que desde sempre! Porque a Ju é uma das melhores amigas de infância da irmã da Nicolli. Ela brinca, inclusive, o quanto a Nicolli era uma criança daquelas insuportáveis - que a gente atura porque é obrigada. Ela ia buscar a Nicolli no colégio, tinha que ajudar a amiga a cuidar enquanto a mãe saía de casa… esteve por perto enquanto ela era menor, até a fase da pré-adolescência. Mesmo elas se conhecendo desde a infância, passaram muitos anos sem se encontrar, porque a irmã da Nicolli se casou, foi morar em outro estado e elas perderam o contato entre si. Depois de mais de 10 anos, aconteceu o divórcio e ela voltou para Porto Alegre querendo reunir algumas amigas (entre elas, a Ju)... e foi aí o momento em que as duas se encontraram novamente, saindo para festas e bares. Logo de início não rolou nada, elas conversaram pouco, ficaram amigas, a Nicolli até se fez de cupido e apresentou uma amiga para a Ju. O momento aconteceu mesmo no fim de uma festa open bar, em janeiro de 2019, em que a irmã da Nicolli foi ficar com um cara e elas queriam ir embora, e aí se olharam, foram naquela ideia de “não tinha nada para fazer”, estavam super bêbadas e resolveram ficar sem compromisso algum. Nos dias seguintes começaram a se relacionar, se beijavam de vez em quando em algumas festas, desenvolveram um sentimento… até que no primeiro dia de carnaval a Nicolli pediu a Ju em namoro, mas com uma condição: ela pediria em namoro desde que, no futuro, fosse a Ju quem fizesse o pedido de casamento! Alguns meses depois, passavam tanto tempo juntas que já praticamente moravam na mesma casa. Até que em novembro chegou o momento mais planejado e esperado: o pedido de casamento. Não sei vocês, mas eu não estava (nunca estou, na verdade) preparada para ver esse vídeo. O pedido rolou na Arena do Grêmio, lugar importantíssimo na vida delas, durante um GreNal (clássico Grêmio X Internacional), ao vivo para mais de 45 mil pessoas, no intervalo do jogo. Foi o primeiro pedido de casamento LGBT na história do Futebol. A família foi junto para apoiar, foi uma suuuuuuuuuper surpresa. Enfim, fica aqui o vídeo. ♥ O pedido ficou conhecido em todo o Brasil e para sempre ficará marcado na história do futebol, dxs LGBTs e nossa, das mulheres. É um gesto a ser muito comemorado e lembrado. O futebol ainda nos é muito negado por ser um espaço de predominância masculina, vermos duas mulheres num gesto de amor e carinho tão bonito, apoiado e aplaudido por tantas pessoas, de forma tão diversa, é único e vitorioso. Quando cheguei no apartamento da Juliana e da Nicolli, que fica em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a Nicolli também estava chegando, logo após fazer uma entrega. Fiquei curiosa para saber o que era e elas começaram a me contar sobre a Home (clica aqui pra conferir!! ), uma empresa que criaram juntas pela necessidade de terem uma renda fixa, após as duas ficarem desempregadas na pandemia. A Ju tem 31 anos e é analista financeira, a Nicolli tem 24 e é cozinheira. A Home é um projeto que envolve criarem um cardápio a cada dois meses e comercializarem enquanto opções de alimentação saudáveis, ricos em sabor, ousados, com bastante diálogo sobre o vegetarianismo e sobre comidas que envolvem qualidade. Começou como um jeito também de praticar diferentes técnicas na cozinha, e hoje, quase um ano depois, já montaram vários cardápios: árabes, massas, pizzas, comidas de botecos, padocas… tudo é super artesanal e se dedicar a isso virou a principal renda da casa. Foi encantador ver a forma que elas se organizam para fazer a empresa - e suas rotinas - acontecer. A Ju conta que foi na pandemia em que oficialmente começaram a morar juntas também e como as coisas têm se fortalecido assim. Claro, nem tudo é fácil. Para todos, ocorrem os momentos difíceis e incertos, trazendo diversas inseguranças e nos fazendo perceber tanto defeitos, quanto qualidades. São novos pensamentos que precisamos lidar, mas elas sentem que também estão aprendendo a conviver com seus espaços, construindo seu lar e alimentando esse sentimento de família que sempre foi tão importante. . Juliana Nicolli

  • Tamires e Agata

    Meu encontro com a Tamires e a Ágata foi há cerca de um ano, mas a documentação está vindo ao ar só agora, por motivos de respeito ao tempo que precisaram para que a participação no Documentadas pudesse acontecer. Nos encontramos em Porto Alegre, na Ponte de Pedra, local que visitaram pela primeira vez juntas logo que a Ágata se mudou para morar com a Tamiris na cidade. Sentem que lá representa um momento da vida, próximo do apartamento que tiveram, um lugar para tomar sol, conversar, ver os cachorros passeando com seus donos e ficar de bobeira. No dia que nos vimos tivemos uma conversa que tocou em assuntos difíceis e delicados, e por isso precisou ser pausada. Tanto Ágata, quanto Tamires, são mulheres diagnosticadas com o espectro autista; por isso (mas não só) respeitar o espaço e o tempo para estarem prontas para contarem suas histórias oferecendo outras formas de conversa/entrevista (como a escrita, entre algumas trocas, que foi optado) acabou sendo a melhor maneira que encontramos. Hoje em dia, Tamiris entende que amor é aceitação radical mas não incondicional. Aceitar radicalmente serve tanto no amor-próprio quanto no amar outras pessoas, sendo família, amigos, romances… Aceitar quem você é de forma humana e aceitar seus erros, assim como aceitar seus acertos e potências. Amar de forma condicional é também entender nossos limites e respeitá-los. Ágata completa que o amor não se explica muito, entende a metáfora do coração quentinho/olho brilhando contextualizando o que sente como amor. ​ No momento das fotos, Ágata e Tamiris estavam com 28 anos. Tamiris tinha acabado de se mudar para morar pela primeira vez sozinha e com isso aprendia diversas coisas novas - e na companhia da Ágata. Como aprender novas formas de limpeza, o que gostavam de fazer juntas e como criar uma rotina dentro de casa, por exemplo. Contam que gostavam de cozinhar, arrumar coisas, estudar, fofocar, ir em parques, explorar lojas, ver séries… Adoram o que nomearam de “Cultura de casal”, como assistir realities como MasterChef, realities de casais da Netflix, entre outros, além de caminhadas longas, idas ao mercado, assistir vídeos no YouTube, ir em cafés e experimentar comidas novas… Falam também sobre como é a vida depois de se entenderem enquanto pessoas autistas. Tudo era muito difícil antes do diagnóstico, eram apenas pessoas estranhas, não tinha muitos amigos e sentiam falta dos círculos sociais. Tamiris, por exemplo, possui uma sensibilidade sensorial alta por ser autista e possuir ansiedade generalizada, então se sente mais segura quando está acompanhada, não gosta muito de sair sozinha, mas tem se proposto a tentar esse exercício, principalmente durante o dia. ​ Como falei no início do texto, essa história vem de um lugar um pouquinho diferente e envolve uma dor muito grande para elas, além de ter uma terceira pessoa que estava no começo e que elas não se sentem confortáveis em citar. Sabendo disso, vamos poupar falar sobre como elas se conheceram, para respeitar esse espaço, beleza?! O que é válido comentar por aqui é que por entender que queriam ser mais que amigas e por tudo o que tinham em comum, decidiram ficar juntas. Na época, moravam em estados diferentes, mas a infância/adolescência da Ágata foi construída a base de muitas mudanças então ela nunca viu isso como algo tão difícil, estava acostumada a viajar por aí. Costumam dizer que a relação se construiu à base de sorte e se mantém à base de comunicação. No começo, foi muito difícil entender como iriam se comunicar, tiveram muitos entraves por não entender a comunicação uma da outra, mas foram sendo honestas até conseguir encaixar um diálogo. Tamiris explica como no começo achavam incrível como tinham coisas em comum, desde serem lésbica menos femininas, até histórias de vida parecidas, descobrirem o autismo já adultas… mas ao longo do tempo - e com a convivência - as diferenças também ficarem evidentes. E aí entra a sorte, a comunicação, a disposição em fazer dar certo… Elas entendem que toda relação é feita de escolhas e também de escolher se vulnerabilizar, e que isso não é nenhum pouco fácil, mas que vale a pena quando acontece de forma honesta. Ágata explica que por ser mais fechada, se expor emocionalmente é um grande desafio que vem se tornando exercício - e cada vez ficando mais simples. Gosta do tempo que foram aprendendo a se comunicar de forma mais honesta sobre os temas difíceis e também ficando mais “fluente” no idioma uma da outra, mesmo que seja uma manutenção constante e fica muito feliz por saber que tem um ambiente seguro para ser quem ela sempre quis. ↓ rolar para baixo ↓ Tamiris Ágata

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