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Marcela e Janaina acreditam que crescem bastante juntas. Jana é de Salvador e trabalha com planejamento de obras na empresa baiana de águas e saneamento, mas seu grande amor é a música, tocando percussão. Marcela, natural de Pernambuco, está em Salvador desde 2013 e trabalha como fisioterapeuta, conta que voltou a ter contato com a música depois da relação com a Jana. Sempre tocou violão, mas por diversos motivos estava afastada. Foi com o incentivo que, além de tocar, fundou no trabalho um projeto de música enquanto auxílio no hospital, e ambas ficam muito felizes em ver o quanto está dando certo.

 

Por mais que admiram o crescimento, explicam que não começaram a relação indo “de cabeça”: construíram aos poucos o que possuem e se enxergam enquanto mulheres livres, dentro de uma relação não-monogâmica, desejam que seus laços não sejam de dependência. 

 

Na sua rotina, adoram programações caseiras - como cozinhar, ver filmes e séries - mas também frequentam diversos bares e festas, como o lugar que nos encontramos, por exemplo, um espaço que adoram ficar e que encontram diversos amigos (Jana ensaia no Pelourinho, moram por perto e o local dialoga com grandiosa diversidade presente). 



 

Foi em abril de 2022 que se conheceram. Jana estava envolvida numa casa de cultura para mulheres em Salvador e durante um evento para mulheres que amam mulheres ela e Marcela se esbarraram pela primeira vez. 

 

Tinham diversas amigas em comum, mas não interagiram muito. Depois disso, em outro evento, Marcela e as amigas foram de novo e criaram uma piada interna sobre a Jana chamando-a de “gostosa tatuada". Acabou que a amiga comentou em voz alta e a Jana ouviu, olhando para trás, vendo todas as pessoas da roda rindo/zoando e a Marcela completamente série e posturada. Jana brinca que aquilo ali arrebatou ela, ficou encantada na Marcela. 

 

Depois disso, foi cada uma para o seu canto. Chegaram a interagir um pouco, ambas possuem tatuagens de sapinhas e brincaram sobre as sapinhas se beijarem enquanto encostaram a pele, mas não interagiram mais que isso. 


 

Se adicionaram nas redes sociais e começaram a conversar, Marcela até lançou uma cantada para a Jana quando ela contou que era planejadora de obras dizendo “vem planejar a minha vida”, mas elas nunca conseguiam se encontrar pessoalmente. 

 

Foi quase um mês depois, por acaso, que se encontraram no pelourinho. Jana tinha acabado um ensaio, Marcela estava por lá e foram no bar (que tiramos as fotos) beber uma cerveja, era feriado do dia 1° de maio e ao contar finalizam com: “Foi aí que começou essa amizade com afeto e amor que temos.”




 

Durante a conversa, falamos muito sobre a questão da não-monogamia e como elas enxergam isso dentro da relação que mantém. Entendem que é um reflexo da vida que tiveram; não querem viver a monogamia que sempre controlou o corpo das mulheres, também entendem que isso é muito sobre conquistar uma independência. 

 

Jana explica que observou muito a vida para chegar no local de questionamento que está. Foi encontrando o lugar que ela ocupa no mundo, entendendo o que a oprimia ou o que tinha bom significado, que entendeu o que é o amor nas trocas com as pessoas. Dentro de todos os entendimentos, problematiza a hierarquização dos afetos e valoriza as mulheres na vida dela, portanto, não quer se sentir pertencente a alguém. 

 

Marcela fala do amor que aprendeu a ter com a família dela. Cresceu de uma forma muito solta, os pais trabalhando e ela sozinha, então pensa muito sobre a monogamia como uma dependência também - e não gosta dessa dependência. Entende que amar é ter coragem (ainda mais amando outra mulher) e que valoriza o que elas vivem como um todo em suas liberdades, desde serem mulheres desfeminilizadas, até a importância de serem reconhecidas (cita que visitaram a família dela no interior de Pernambuco e o quanto isso foi revolucionário para elas).

 

Por fim, elas finalizam nossa conversa com uma fala sobre entender que se relacionar é trazer alguém para a sua família, doando e recebendo, entendendo que aquela pessoa faz parte do que você considera família a partir do momento que ela está contigo.

 Janaina 
 Marcela 
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