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Julia e Yasmin foram documentadas no lugar que se conheceram, a Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. Elas amam o pôr do sol e também contemplam o espaço andando de bicicleta. Foi lá, em 2019, num evento chamado “Noite dos Museus” que elas se viram pela primeira vez, mas já estavam conversando há cerca de um mês por vídeo-chamadas, depois de darem “match” num aplicativo de relacionamentos, o Tinder. 

 

Yasmin conta que deixou o celular com um amigo e com a irmã, então foram eles quem escolheram as pessoas no aplicativo e que, inclusive, deram match com a Júlia. Acabou que a Júlia a chamou e elas começaram a conversa, as chamadas e o encontro no museu. Elas se encontraram ainda na parte da tarde, mas ficaram noite adentro até virar. Não chegaram a se beijar, mas não foi por falta de investidas, só acabou não acontecendo. Dois dias depois se reencontraram, e então, o beijo aconteceu. A partir daí, tudo acelerou: em duas semanas já estavam namorando.

Júlia está com 24 anos, é professora e também já trabalhou com pesquisas. Seu sonho é seguir a carreira acadêmica. No momento da documentação, ela morava com seu cachorro, seu gatinho e ocupava sua rotina nas vídeo aulas. Como hobbie, já escreveu muita poesia, mas no momento está em pausa.

 

Yasmin está com 25 anos, é enfermeira e adora praticar esportes. Já jogou handebol, futsal e vôlei. Adora movimentar o corpo de forma espontânea. 




 

Quando adolescente, Júlia não se sentia pertencente a nada, se achava esquisita e foi quando resolveu pesquisar na internet se ela podia se apaixonar por outra mulher. Acabou se entendendo enquanto uma mulher lésbica, mas não podia se assumir, até que aos 17 anos se assumiu, no final do ensino médio. Ela entende que o amor entre mulheres envolve algo a mais, além da questão política do dia a dia, como uma ligação mais forte que engloba todas as nossas vivências históricas e sociais. A Yasmin conta que também não se sentia pertencente a nada, e que isso muito parte do princípio da falta de representação: ser uma mulher negra e lésbica não faz parte dos espaços - até o próprio termo ‘lésbico’ pouco é referido à mulheres negras. Para ela sempre foi difícil se ver inserida, pois sempre faltou uma representação.

 

Ao falarmos sobre o amor, Júlia diz que ama amar, mas não sabe definir o que pensa sobre o sentimento amor. Conta que, aos quinze anos, perdeu sua mãe para o câncer, e isso a ensinou muito sobre amar e sentir compaixão. Ela entende que estar junto é se entregar de corpo e alma, e que assim, o amor não permite julgamentos, ele simplesmente acontece. Além disso, também não parece ser um sentimento passageiro: o amor não vai embora. Ao escrever algumas poesias, em uma delas dizia que o amor é como um monstrinho no coração: Cada pessoa que se ama é um monstrinho no seu coração e alguns são mais agitados como dançarinos, já existem outros que são tranquilos. 

 

Yasmin completa a fala da Júlia sobre o amor dizendo que, para ela, o encontro delas foi um encontro de almas: uma conexão muito forte desde o início. Elas se entregaram por inteiro e não tiveram medo da intensidade, então muito do que aprendeu sobre o amor foi nessa entrega e nessa construção de relacionamento.  

 Júlia 
 Yasmin 
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