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a palavra está com elas

 

Acho que se pudéssemos dar uma dica para os leitores, ela seria: viva! Viva as fases boas, viva as fases ruins, viva a dúvida, viva o novo, viva o recomeço, viva por viver, mas não viva com medo. Nós da minoria tendemos a abrir mão de muita coisa pelo medo, mas o que é o medo em si? Medo é uma barreira que nós mesmos nos colocamos, na maioria das vezes, que nos impossibilita de VIVER o que queremos, um julgamento de "o que é certo ou errado". PASMEM, NÃO EXISTE CERTO OU ERRADO, EXISTE PONTO DE VISTA, E NO NOSSO PONTO DE VISTA, TEMOS DE SER FELIZES DA MANEIRA QUE ACHARMOS MELHOR. ENTÃO AQUI FICA NOSSA DICA: VIVAM DA SUA MANEIRA!

A história da Juliana e da Nicolli te ajudou de alguma forma?

Gostaria de mandar uma mensagem para elas?

Vem cá que conectamos vocês ♥

 

 

Tem alguma proposta de trabalho para elas? Opa! Pode mandar por aqui! 

A Ju e a Nicolli sempre se apoiam muito, principalmente se os problemas são externos - dificuldades financeiras, saúde, família… quando falamos sobre outras coisas, além das nossas vidas, como a sociedade e a cidade (ou os problemas sociais), elas falam sobre o sul e o sudeste ainda serem muito privilegiados (e em geral, as capitais) por podermos andar na rua com as mãos dadas, por não termos tanto medo, por ao menos termos a coragem de darmos as mãos. Reiteram a necessidade do quanto ainda precisamos mudar o preconceito, o medo de sermos mulheres andando nas ruas sozinhas... e o quanto é preciso seguir uma apoiando a outra, seguir com as mãos dadas, não soltar. 

 

No fim da conversa percebemos o quanto a palavra coragem ficou em evidência durante todo o papo. Falamos em coragem por todos os momentos que elas passaram e que enfrentaram, por todos os problemas, todas as coisas boas também e tudo o que se é compartilhado. Além do mais, coragem por ser quase como um sinônimo de resistência também, e por reconhecermos o quanto fazemos isso o tempo todo: resistimos.

Ambas sempre tiveram a família muito presente, das suas formas diferentes, com suas leituras diferentes, mas sempre estiveram ali. A Ju não é muito ligada em paixões tipo músicas ou filmes, o negócio dela sempre foi os bichos e a família. Ela comenta que a mãe dela é a maior inspiração de vida, por ter criado sozinha os filhos, sempre ter se mantido financeiramente da forma que foi possível, ter enfrentado tudo… e sempre ter ensinado todos à serem independentes e fazerem tudo dentro de suas próprias casas. 

 

Já a Nicolli, por mais que tenha como sua paixão maior o Grêmio, entende que um ponto mais difícil do seu relacionamento com a família foi o fato de performar a masculinidade ser visto com certo incômodo. Ela nunca recuou, entendia e respeitava seu corpo, enfrentou isso com coragem - e fala sobre o quanto ter coragem de usar bermuda, de cortar o cabelo curto, se você se sente bem, é fundamental. Hoje ela compreende um pouco mais, mas foi se mantendo firme e tendo uma relação mais independente, foi morando sozinha que as coisas realmente mudaram. Além de tudo, a família entendeu que ela é uma mulher adulta, que a sociedade também tem caminhado para entender mais sobre o amor entre mulheres e a mãe dela confia muito na relação dela com a Ju, então todas lidam de uma forma muito melhor com tudo. “Aos poucos o coração vai acalmando e as coisas vão se encaminhando”, ela completa. 

 

Foi por causa da família, inclusive, que a Juliana e a Nicolli se conheceram… ou melhor, elas se conhecem quase que desde sempre! Porque a Ju é uma das melhores amigas de infância da irmã da Nicolli. Ela brinca, inclusive, o quanto a Nicolli era uma criança daquelas insuportáveis - que a gente atura porque é obrigada. Ela ia buscar a Nicolli no colégio, tinha que ajudar a amiga a cuidar enquanto a mãe saía de casa… esteve por perto enquanto ela era menor, até a fase da pré-adolescência.

Mesmo elas se conhecendo desde a infância, passaram muitos anos sem se encontrar, porque a irmã da Nicolli se casou, foi morar em outro estado e elas perderam o contato entre si. Depois de mais de 10 anos, aconteceu o divórcio e ela voltou para Porto Alegre querendo reunir algumas amigas (entre elas, a Ju)... e foi aí o momento em que as duas se encontraram novamente, saindo para festas e bares. Logo de início não rolou nada, elas conversaram pouco, ficaram amigas, a Nicolli até se fez de cupido e apresentou uma amiga para a Ju. O momento aconteceu mesmo no fim de uma festa open bar, em janeiro de 2019, em que a irmã da Nicolli foi ficar com um cara e elas queriam ir embora, e aí se olharam, foram naquela ideia de “não tinha nada para fazer”, estavam super bêbadas e resolveram ficar sem compromisso algum. Nos dias seguintes começaram a se relacionar, se beijavam de vez em quando em algumas festas, desenvolveram um sentimento… até que no primeiro dia de carnaval a Nicolli pediu a Ju em namoro, mas com uma condição: ela pediria em namoro desde que, no futuro, fosse a Ju quem fizesse o pedido de casamento!

 

Alguns meses depois, passavam tanto tempo juntas que já praticamente moravam na mesma casa. Até que em novembro chegou o momento mais planejado e esperado: o pedido de casamento. Não sei vocês, mas eu não estava (nunca estou, na verdade) preparada para ver esse vídeo. O pedido rolou na Arena do Grêmio, lugar importantíssimo na vida delas, durante um GreNal (clássico Grêmio X Internacional), ao vivo para mais de 45 mil pessoas, no intervalo do jogo. Foi o primeiro pedido de casamento LGBT na história do Futebol. A família foi junto para apoiar, foi uma suuuuuuuuuper surpresa. Enfim, fica aqui o vídeo. ♥

 

O pedido ficou conhecido em todo o Brasil e para sempre ficará marcado na história do futebol, dxs LGBTs e nossa, das mulheres. É um gesto a ser muito comemorado e lembrado. O futebol ainda nos é muito negado por ser um espaço de predominância masculina, vermos duas mulheres num gesto de amor e carinho tão bonito, apoiado e aplaudido por tantas pessoas, de forma tão diversa, é único e vitorioso.

Quando cheguei no apartamento da Juliana e da Nicolli, que fica em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a Nicolli também estava chegando, logo após fazer uma entrega. Fiquei curiosa para saber o que era e elas começaram a me contar sobre a Home (clica aqui pra conferir!!), uma empresa que criaram juntas pela necessidade de terem uma renda fixa, após as duas ficarem desempregadas na pandemia. A Ju tem 31 anos e é analista financeira, a Nicolli tem 24 e é cozinheira. A Home é um projeto que envolve criarem um cardápio a cada dois meses e comercializarem enquanto opções de alimentação saudáveis, ricos em sabor, ousados, com bastante diálogo sobre o vegetarianismo e sobre comidas que envolvem qualidade. Começou como um jeito também de praticar diferentes técnicas na cozinha, e hoje, quase um ano depois, já montaram vários cardápios: árabes, massas, pizzas, comidas de botecos, padocas… tudo é super artesanal e se dedicar a isso virou a principal renda da casa.

 

Foi encantador ver a forma que elas se organizam para fazer a empresa - e suas rotinas - acontecer. A Ju conta que foi na pandemia em que oficialmente começaram a morar juntas também e como as coisas têm se fortalecido assim. Claro, nem tudo é fácil. Para todos, ocorrem os momentos difíceis e incertos, trazendo diversas inseguranças e nos fazendo perceber tanto defeitos, quanto qualidades. São novos pensamentos que precisamos lidar, mas elas sentem que também estão aprendendo a conviver com seus espaços, construindo seu lar e alimentando esse sentimento de família que sempre foi tão importante.

 Nicolli 
 Juliana