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A Jamy conta que entendeu um pouco mais sobre o amor nesses 4 anos de insistência que a Rebeca teve com ela. Por mais que brincamos bastante com esse assunto, ela realmente se perguntou muito “nossa, por que será que essa menina quer tanto ficar comigo?” e a resposta era porque ela realmente a amava. Foi uma relação de amadurecimento e crescimento que aconteceu e que hoje ela entende que fala muito mais sobre o dia a dia, sobre a rotina e não sobre a romantização toda que existe em torno do amor. 

 

Um dos maiores ensinamentos que o relacionamento delas - e a Rebeca em si - poderia ter trazido para a Jamyle foi esse novo conceito de família. Ela conta que aprendeu a olhar para as pessoas de forma diferente, foi uma nova definição de cuidado com o outro, de casa e de estabelecer uma união.

 

A Rebeca conta que para ela o amor é a junção de todas as coisas boas que ela sente em uma só. Ela adora ser um elo para as pessoas e demonstrar que ama, está sempre pensando em todos, se doando muito e fazendo de tudo pelos seus amigos e familiares… e isso é a forma mais pura que ela encontra de amar: estando presente. Passar isso para a Jamy faz parte também de compartilhar o que sabemos porque essa partilha é valiosa, é parte de nos querermos bem.

 

Por fim, falamos sobre a cidade de Fortaleza e sobre como elas se sentem sendo mulheres periféricas que amam outras mulheres… e elas resumiram tudo em uma única frase: “ninguém nessa vida merece viver com medo”. São mulheres que enfrentam olhares, enfrentam diversos preconceitos diários e mesmo assim tentam seguir de cabeça erguida e estão sempre atentas nos locais que frequentam para que nada de ruim aconteça - nem com elas, nem com ninguém por perto. São, realmente, frutos de um amor revolucionário.

Ao assumir o relacionamento, a Rebeca e a Jamy passaram por uma série de desafios e preconceitos em relação à aceitação dentro de suas casas. Foi quando entenderam que a única forma possível de estarem juntas era alugando um apartamento e formando um novo lar, com seus trabalhos e com uma vida financeira independente, visto que dessa forma teriam maior liberdade para agir sendo quem são. 

 

Quando foram morar juntas, poucas pessoas realmente acreditaram que daria certo. Ouviram críticas por serem mulheres/jovens/estar muito cedo, mas para elas, era algo muito além de uma simples “escolha” - na verdade, era exato o contrário: não parecia ter outra escolha.

 

Hoje em dia, dois anos depois estarem com o apartamento mobiliado, os gatinhos adotados e a casa cada vez mais ganhando um jeitinho delas é motivo para muito orgulho. A sensação é também de que as coisas não são em vão e vale a pena, de uma forma ou de outra, só elas sabem o que elas passam juntas.

 

Os dias de folga em casa são cheios de receitas novas e a Rebeca finaliza o papo falando sobre a casa, narrando o sentimento de paz que é pra ela chegar do trabalho. O que ela sente no momento em que chega, que vê os gatinhos e que pode ficar bem, com a sua companheira, dentro de casa, é o significado de lar.

As duas se conheceram de uma forma bastante comum: em uma festa e por ter um amigo que as apresentou… o que foi totalmente diferente, nessa história, é o que vem depois de se conhecerem: o intervalo entre o primeiro beijo e o início do namoro: 4 anos! (sim, 4 anos de insistência)

 

A festa rolou lá em 2015, em Benfica (bairro boêmio de Fortaleza e bastante conhecido pelo público LGBT). A Rebeca ficou afim da Jamyle, mas ela não quis... pois estava ficando com outra pessoa nessa mesma festa… e aí, tudo bem, né? Acontece, só que aí a Jamy mudou de ideia e voltou atrás, deu um beijão na Rebeca lá mesmo. E pronto! Depois desse dia, se adicionaram nas redes, conversaram e até marcaram de sair e foram ao cinema, mas não chegaram a ficar e nem nada. Por mais que a Rebeca quisesse e tivesse sentimentos pela Jamy, ela ainda estava se curando de um ex-amor e não conseguia se envolver com ninguém novamente. Então ela respeitou e entendeu que seria uma amizade…

 

Mas preciso mesmo explicar?? Era claro que em todas as festas que elas estavam juntas, na hora que o álcool batia, elas ficavam. A Rebeca conta, gargalhando, que sóbria a Jamy fugia dela como o cão foge da cruz. E assim, foram, ao menos, uns 3 anos.

 

Até que Rebeca começou outro relacionamento e foi aí que Jamyle entendeu que gostava realmente dela, que sentia falta e que queria estar com ela. Foi então que a Rebeca fez um cruzeiro e deixou as duas meninas para trás: a Jamy e a outra, não queria mais viver essa confusão e ficou em alto mar incomunicável. Quando voltou, em março de 2018, elas se encontraram numa festa… e foi a partir desse momento em que finalmente começaram a namorar!

A Rebeca e a Jamyle são duas mulheres que constroem um relacionamento incrível e moram juntas há 2 anos, num bairro periférico dentro de Fortaleza, no Ceará.

 

Por mais que tenham uma rotina de trabalho intenso dentro de empresas privadas, - ambas com atendimento (na área de call center e SAC) - a Rebeca e a Jamy possuem diversos hobbies e trabalhos extras que preenchem a rotina e também trazem divertimento. Quando pergunto sobre como têm sido conciliar a vida com seus milhões de afazeres e com a pandemia em si, elas comentam o quanto não é fácil, e que existem momentos de maior desânimo ou cansaço, mas fazem o exercício de olhar ao redor e perceber o quanto crescem juntas e o quanto o cantinho delas é montado dia após dia com muito carinho, com a presença dos gatinhos, como a forma que a casa e a vida delas têm ficado mais aconchegante nesses últimos anos e como tudo se molda com o tempo.

 

Jamyle tem 22 anos, estuda biologia e além do trabalho ela deseja fazer um curso de barista futuramente. Nos hobbies, é amante dos livros e também já fez teatro.

 

Rebeca tem 23 anos e além do trabalho também atua enquanto DJ. Começou aprendendo com um amigo e se destacou na área, já viajou o estado do Ceará todo tocando em muitas festas e, hoje em dia, além dela estudar para concursos públicos, passa o tempo livre na cozinha aprendendo confeitaria. Como hobby, adora fazer muay thai.

 Jamyle 
 Rebeca