A Clara morava com os pais dela e por mais que ela se inspire muito na mãe dela e tenha uma referência familiar muito forte, já sentia que era o momento de sair de casa há um tempo… enquanto a Ray estava morando com os amigos na época e também já procurava um apartamento para se mudar. Aos poucos elas perceberam que seria melhor se procurassem um lugar juntas e conseguiram um apartamento que coubesse nos seus planos. O Anakin, gato filhote das duas, veio depois de tudo estar arrumadinho, já em 2021, e está sendo a alegria diária da casa (ele inclusive foi um presente surpresa da Clara para a Ray, que chorou e tudo!). ♥

 

Hoje em dia a rotina delas é de trabalho e de muito companheirismo. Elas adoram se reunir com os amigos e fazem muitas coisas juntas, mas o programa principal de casal é assistir filmes. A Clara está se abrindo ao mundo dos super-heróis com a Ray, que está ensinando cada detalhe. Elas estão maratonando, aprendendo, desbravando… e têm sido algo muito especial para ambas. A Clara, por fim, comenta que aprendeu a ver o amor (e a relação delas) como um guarda-chuva que tem várias fitinhas segurando outros sentimentos, outras emoções e outras sensações. É um guardião de tudo. E a Ray transmite que se entende muito mais completa hoje em dia, com um propósito diferente e muito melhor. 

 


 

A história da Clara e da Rayanne te ajudou de alguma forma? Gostaria de mandar uma mensagem para elas? Vem cá que conectamos vocês ♥

Tem alguma proposta de trabalho para elas? Opa! Pode mandar por aqui! 

 

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Quando a amiga voltou ao hospital ela foi direto ao ponto, chegou no meio do corredor e perguntou para a Rayanne “vem cá, você é lésbica, né?!” e a Rayanne, num susto, disse “sim? mas por quê?!” e ela explicou “ah, porque tem uma amiga minha que está muito afim de você. Ela é apaixonada por você!”. A Ray já imaginava que era a Clara, mas se fez de desentendida e passou o número dela para a amiga, que levou até a Clara, que por sua vez disse que jamais mandaria mensagem assim, desse jeito, tão direto. Ela ficou contente por ao menos saber o nome, decidiu pesquisar nas redes sociais e adicioná-la no Instagram para puxar um assunto por lá. Esperou o horário do almoço, seguiu, e em menos de 30 minutos depois a Rayanne já tinha mandado uma mensagem para ela. 

 

No começo a Clara não sabia muito qual assunto puxar ou como guiar a conversa, então pediu ajuda novamente à amiga. Depois elas foram se entendendo, desenvolvendo e decidiram marcar o primeiro encontro. Saíram de bicicleta e andaram por uma parte da cidade até aquele local em que nos encontramos (simmmm!!! o local da trilha!!!). Como tudo foi no começo da pandemia, não havia muitas coisas abertas, então preferiram um lugar sem aglomerações (humanas, né gente, até porque lá só tem cobra……. brincadeira!!), elas pedalaram, não subiram na trilha, apenas na parte asfaltada, beberam umas cervejas e foram até a casa da Ray depois. 

 

E hoje em dia elas moram juntas. É isso. No segundo date se mudaram e adotaram um gato. Vocês queriam o clássico? temos o clássico. Hahahaha é brincadeira também. Mas não muito.

 

Elas realmente adotaram um gato e moram juntas, mas foi um pouco diferente.

A vida da Clara e da Rayanne se encontrou durante a pandemia, lá nos primeiros meses, em 2020. Ambas moram em Niterói e gostam muito da cidade, reconhecem o quanto se sentem muito mais seguras morando lá e o quanto a cidade tem crescido por um caminho bom. Acreditam que ainda falta muita política de assistência social e cultura voltada aos LGBTs, assim como a educação para quebrar o preconceito das próprias pessoas que moram lá, e que isso precisa ser debatido e investido diariamente. 

 

A Rayanne tem 26 anos, é natural do Rio de Janeiro e trabalha enquanto técnica em eletrônica num hospital. Adora tocar instrumentos, como guitarra, violão e gaita e cursa análise de sistemas. 

 

A Clara tem 22 anos, é de Niterói e trabalha enquanto auxiliar administrativa, também no hospital. Ela adora jardinagem e toca piano, além de cantar. Atualmente cursa psicologia. 

 

Por trabalharem no hospital, foi lá que elas se conheceram. A Clara começou a trabalhar lá um pouco depois do início da pandemia, sendo mensageira. Ela caminhava muito pelo hospital, passando pelos setores e sempre acabavam se esbarrando no corredor. Uma vez ela ficou perdida e a Ray ajudou, então acabou chamando atenção e ela teve certo interesse, até que um dia ela estava conversando com uma amiga e quando a Rayanne passou atrás delas, ela aproveitou a oportunidade para comentar com essa amiga que se envolvia com mulheres e que queria muito saber qual era o nome “daquela menina”. Como a Ray estava com um crachá provisório que não possuía nome e a amiga também não sabia, ela se comprometeu em ajudar, mas na semana seguinte pegou folga, então a Clara ficou numa espera que durou dias. 

Seria impossível começar a contar a história da Clara e da Rayanne sem contar a nossa breve aventura e a curta existência do Documentrilhas (primeira e única edição, por motivos óbvios = perrengue). Quando entrei em contato com as meninas, já sabendo que elas moravam em Niterói, perguntei se tinham algum lugar que fosse especial para elas e que gostariam de fazer as fotos e a Clara me mandou a foto um lugar com mato, um sofá (sim, um sofá) e uma vista incrível para a Baía de Guanabara. Eu perguntei como poderíamos chegar lá e ela me explicou que era de fácil acesso, no estacionamento de um hotel, em Niterói. Pensei: estacionamento de hotel, ok. Tem mato, mas deve ser mais para “o canto” do estacionamento. 

 

Tempos depois, agendamos, e chegou o dia do encontro. Elas me encontrariam nas barcas de Niterói e iríamos juntas até o hotel. Obviamente deu errado. O que seria um estacionamento virou uma trilha de mato fechado, e ainda se fosse só um mato... mas era logo um barranco, com sol das 14h, areia escorregadia, íngreme, possibilidade de cobras, mulheres perdidas e tudo o que uma aventura pode ter. Achamos a saída e pensamos: não vai rolar fazer fotos aqui, que tal irmos para uma praça comum, como pessoas comuns? ok, chamaremos um uber. 

 

Eis que chegou ela, a uba. Num carro em velocidade considerável, a última palavra foi Clara que deu: “não é um uber, é uma uba!” e eu repeti silenciosamente “ah, uma uba...” até que as três focaram na capa do celular que aparecia através do painel do carro: um arco-íris LGBT. As três, paradas, no meio da rua. Um carro, meio golzinho rebaixado, som altíssimo, faz um curva estilo drift (gente, a gente jura hahahaha!) e com os vidros abaixados ela faz um sinal de jóia com a mão, enquanto no som MUITO ALTO, toca, naquela voz famosa entre absolutamente QUALQUER sapatão: “Queeeeem de nós doooooissss” e ela (a uba) com o sinal de ‘jóia’ no polegar, a máscara no queixo (e ajeitando rapidamente com a mão), diz “e ai, beleza?! entra ai!”. O som rapidamente silenciou e nós três, também silenciosas e sem entender nada quem-era-aquela-mulher-de-carro-tunadou-uber-ouvindo-ana-carolina entramos rapidinho no carro, as três no banco de trás, até que percebemos que a música só parava porque a ré estava acionada, então a cada manobra era um “vai dizer que éimpossívelo amor acontecer….”. até que não só a música cantou como o CD todo da bichinha até a praça que iríamos fotografar, no volume máximo, enquanto estávamos com todos os vidros abertos vivendo aquele momento. Jamais imaginávamos que um carro rebaixado daqueles era capaz de suportar o peso de 4 caminhões de grande porte como nós. 


 

AGORA SIM, VOU COMEÇAR A HISTÓRIA. 

ESSA FOI A BREVE EXISTÊNCIA DO DOCUMENTRILHAS.

 Clara 
 Rayanne