A história da Bruna e da Fran te ajudou de alguma forma? Gostaria de mandar uma mensagem para elas? Vem cá que conectamos vocês ♥

 

 

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a palavra está com elas

Desejamos que esse veículo criado com tanto carinho pela Fê possa possibilitar encontros e identificações. Somos duas mulheres que se amam e desejam que as Zami’s e sapatas da vida possam amam pluriversalmente. Se precisarem podem nos encontrar no @pretadireta e @quedebatee. Um grande beijo cheio de axé! 

Bruna produz conteúdo na internet, é um hobbie muito grande. Fala sobre a negritude, a saúde (por ser técnica de enfermagem), sobre a diversidade e a inclusão. Ela se inspira sempre na avó, porque foi a mulher que fez tudo por ela e que ensinou a nunca desistir. Quando pergunto sobre como foi enfrentar a pandemia na linha de frente, ela diz que foi um dos maiores desafios que já viveu - “enquanto todos estavam em casa, eu estava saindo para trabalhar”. E fala, também, sobre como para as duas é difícil viver esse período (e o governo Bolsonaro). Por outro lado, entendem e se fortalecem na importância que tem a profissão delas para a sociedade e tentam conscientizar o máximo de pessoas falando sobre a importância de nos cuidarmos em tempos tão incertos. 

 

A Fran gosta muito de se envolver em grupos de pesquisa e também faz yoga. Ela e a Bruna se conheceram pelo Facebook, e a Bruna, na maior cara de pau (calma, amiga, não fica com vergonha!!), mandava um textinho “tipo copia e cola” xavecando as meninas. A Fran deu bola e elas trocaram uma ideia, que segundo a Bruna, “foi muito culta e eu não entendi nada direito”. E vocês acreditam que um tempo depois a Bruna achou ela no Instagram, não se ligou que era a mesma pessoa e mandou o texto novamente??? A Fran realmente não entendeu nada, mas seguiu o papo. No dia em que elas tiveram o primeiro encontro, era aniversário dela! E a Bruna levou chocolates, foram numa loja, depois na Casa de Cultura Mário Quintana e comeram um xis. Na hora de ir embora, a Fran tomou a iniciativa do beijo. Deu certo.      

Quando pergunto como elas se sentem morando em Porto Alegre, elas dizem que amam estar na Cidade Baixa (o bairro boêmio), mesmo que agora, na pandemia, circulem pouco. Falando em circular, até mesmo antes da pandemia, isso já era uma questão complicada pelo medo de andarem por aí e sofrerem violência - assaltos, violência urbana e também hostilidades por serem mulheres andando na rua de mãos dadas. Já sofreram assédios e passaram por momentos difíceis na rua e isso faz com que elas estejam sempre em alerta (se uma sai mais feminina, a outra não está tanto… dependendo do horário ou da rua tentam não dar as mãos…) e comentam que se pudessem mudariam a educação das pessoas, o jeito que nos olham e que os homens invadem nossos corpos. 

 

Em uma hora, brincamos sobre a vontade de viver numa cidade sem os homens agindo dessa forma, mas logo chegamos na conclusão de que isso seria muito pior: não queremos que eles sumam de vista, sendo machistas só que em outro espaço, mas sim que deixem de ser. Que se reeduquem, que nos respeitem. Se simplesmente tiramos eles da nossa bolha, eles nunca vão aprender. 

 

Mas ainda sobre a Cidade Baixa, quando pergunto o que mais gostam de fazer juntas, vem logo um sorriso no rosto das duas: preparar coisinhas para comer e beber, subir no terraço e ficar lá, conversando, ouvindo música e rindo sobre a vida. Nesse momento entendi que é onde elas percebem que formaram um lar. ♥

A Bruna tem 22 anos, é técnica de enfermagem e desde 2017 namora a Fran, que tem 24 anos e é assistente social. Ano passado, diante do começo da pandemia, decidiram morar juntas. Alugaram um apê, adotaram uma cachorrinha (que é absurdamente feliz!) e se sentem em construção (e desconstrução!) o tempo todo: no lar, no relacionamento, na prática e na ideologia.

Quando pergunto sobre o amor, elas respondem logo que amar envolve respeitar. Com a relação, elas têm entendido que não são pessoas perfeitas e nem vivem uma vida perfeita, e que o amor precisa dar conta disso, ser sincero, não exigir algo que não existe. Elas estão sempre repensando sobre a parceria que constroem e que não querem ultra romantizar o fato de serem duas mulheres negras, retintas, que se relacionam. Vivem isso na prática. Bruna falou que, no geral, para mulheres negras é difícil romantizar e ter seus corpos romantizados porque as coisas nunca foram bonitas, tudo o que se foi conquistado envolveu muita luta. Suas ancestrais sempre tiveram as coisas sendo negadas, suas mães, avós, bisavós… sempre foram tratadas apenas como amas de leite. E para entender o amor e as relações, agora, elas precisam se olhar, olhar para o relacionamento, se amar enquanto indivíduo e "amar a outra mulher que é como você". O amor, é também, trazer a pessoa para perto, entender onde se erra e onde se acerta em conjunto porque na prática a vida consegue ir e vir além do coletivo (e do que estudamos sobre as relações humanas na teoria). Elas buscam sempre entender de onde vêm os sentimentos, saber como deixar a comunicação mais aberta e se apoiar sem invadir o espaço de cada uma.

 

Só se prontificar a entender a dor de outra mulher, às vezes, não é o bastante. São diversos tipos de dores diferentes que podemos sentir e precisamos de tempo para processar. A Bruna e a Fran são mulheres que frequentemente pensam na ressignificação das coisas. Quando passam por alguma dificuldade, tentam compartilhar ao máximo para gerar apoio, mas também respeitam o que pode ser algo profundo e interno e dão o espaço necessário para cada uma se reorganizar espiritualmente. No fim do dia sempre tentam, de alguma forma, compartilhar como foi, o que têm pensado… dividir felicidades e angústias. 

 Bruna 
 Fran