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Espaço de Pesquisas

Oi! Este é um espaço do qual você pode pesquisar e encontrar histórias de mulheres que participaram do nosso projeto por todo o Brasil! Legal, né? 

Pra usar, basta digitar no espaço de pesquisa alguma palavra-chave, por exemplo: alguma profissão, alguma cidade, algum tema... 

 

É o nosso verdadeiro banco de dados - o primeiro, da história das mulheres que se relacionam afetivamente

com mulheres - e precisa ser valorizado! ♥

294 resultados encontrados com uma busca vazia

  • Mundana e Mel | Documentadas

    Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Melina nasceu em Fortaleza, mas cresceu dividindo a vida entre o Ceará e a Serra Gaúcha. Desde os 10 anos de idade passava alguns meses do ano no Rio Grande do Sul com a família, até que, depois dos 20, decidiu se mudar de vez. Primeiro foi para a Serra e, em 2023, chegou em Porto Alegre. Gosta de arte e de criação em diferentes formas: já experimentou vários instrumentos musicais, mas foi na guitarra que o amor permaneceu. Também gosta de fotografia e começou recentemente a cursar Psicologia. Atualmente, constroi uma carreira como streamer de jogos. Mundana é natural da região metropolitana de Porto Alegre. Saiu de casa aos 16 anos, depois que a família não aceitou sua sexualidade. Conta que viveu uma infância marcada por negligências e que a situação piorou quando se apaixonou por uma mulher. Na tentativa de afastá-la desse relacionamento, a família chegou a levá-la para o interior de Santa Catarina, acreditando que deixá-la longe do contato com a cidade poderia “corrigi-la”. Mas ela encontrava caminhos para escapar até Florianópolis e viver a vida queer que desejava. Foi na noite, nas festas underground, nas galerias de arte e nos movimentos artísticos que encontrou pertencimento. Quando voltou sozinha para Porto Alegre, ainda adolescente, começou a construir sua própria vida dentro desse universo criativo. Hoje trabalha como drag queen, atriz e criadora de conteúdo, tanto para si quanto para marcas. Moda, maquiagem e estética fazem parte do seu cotidiano e também como um grande hobbie: ela adora maquiar a Mel, brinca que a transforma em uma grande Barbie pessoal. Também cultiva hobbies onde pode simplesmente existir sem cobrança: faz cerâmica fria, colagens, cria objetos para casa e mergulhou no design de interiores decorando o novo lar - talvez esse até seja seu novo maio passatempo: imaginar e construir espaços. No começo de 2026, Mel e Mundana se conheceram através de um aplicativo. Antes mesmo do primeiro encontro, começaram a conversar sobre o que estavam buscando ali. Mundana comentou que era monogâmica e romântica incurável (algo que hoje, segundo ela, parece quase fora de moda nos aplicativos). Mel sentiu um alívio imediato ao ouvir isso, porque também procurava o mesmo tipo de conexão. As duas estavam desacreditadas dos relacionamentos, mas ainda abertas à possibilidade de encontrar alguém que valesse a pena. O primeiro date foi simples: saíram para beber cerveja e conversar. Mas chegaram ansiosas e emocionalmente distantes. 2025 foi um ano muito duro para elas. Mundana havia saído de um relacionamento longo e conturbado, e Mel também havia tido um término recente. Nenhuma das duas se sentia exatamente pronta para se apaixonar. Mesmo assim, alguma coisa aconteceu logo que se encontraram. Mel descreve a sensação como algo quase químico, imediato. Mundana percebeu outra coisa: o silêncio entre elas não era desconfortável. Elas conseguiam simplesmente existir juntas, em paz. No dia seguinte ao encontro, Mundana viajou para Florianópolis para passar o carnaval. Tentou aproveitar a solteirice, sair, curtir a festa, mas não conseguia parar de pensar em Mel. Enquanto se arrumava para os blocos, fazia chamadas de vídeo, mostrava looks, pedia opinião sobre maquiagem. Mel, do outro lado, também tentava se conter para não parecer emocionada cedo demais. Mesmo tentando “não queimar a largada”, as duas seguiram conversando o tempo inteiro. Quando Mundana voltou de Floripa, Mel foi buscá-la na rodoviária levando seus chocolates favoritos de presente. Mundana conta como aquilo marcou e ela achou extremamente fofo, e foi um dia especial porque de lá, não se desgrudaram mais. Os encontros passaram a ser diários, dormiam uma na casa da outra, a relação cresceu de forma natural, como se encontrassem um descanso uma na outra. Depois do carnaval, elas praticamente passaram a viver uma na casa da outra. Mel dormia no apartamento de Mundana quase todos os dias, Mel buscava ela no trabalho e a rotina começou a se construir sem que precisassem planejar muito. Em determinado momento, Mundana começou a ajudar Mel a procurar um apartamento, pois ela precisava se mudar e seria ótimo se morassem mais próximas. Foram visitar alguns lugares juntas, encontraram alguns apartamentos, mas todos pareciam muito grandes. Aos poucos, perceberam que a conversa tinha mudado de direção: estavam começando a desejar morarem juntas. Mel já tinha pensado nisso, embora tentasse se convencer de que estava sendo “emocionada demais”, querendo dividir uma casa com alguém que conhecia havia menos de um mês. Mundana, inclusive, tinha estabelecido limites para si mesma depois das experiências anteriores. Queria ir devagar, não repetir padrões impulsivos. Mas, entre elas, tudo parecia acontecer de forma muito natural. Aos poucos, foram percebendo que a confiança que sentiam uma na outra não vinha de impulso, mas de uma sensação muito concreta de segurança. Além do desejo de estarem juntas, havia também a vida prática acontecendo. Cada uma tinha seu apartamento, cada uma tinha um gato, e manter duas casas enquanto passavam todo o tempo juntas começou a ficar cansativo. Um dia, tentando preparar um jantar, perceberam que metade dos ingredientes estava em uma casa e metade na outra. Precisaram atravessar a cidade várias vezes buscando coisas esquecidas e, no meio do estresse, entenderam que talvez aquilo tudo já fosse, de certa forma, uma vida compartilhada. Mundana conta que foi percebendo algo novo dentro daquela relação: pela primeira vez amar parecia fácil. Mesmo nos relacionamentos bons que teve antes, sempre existia a sensação de estar forçando alguma coisa, indo rápido demais ou sendo intensa demais. Com Mel, isso não acontecia. Claro que existia medo, principalmente porque ambas vinham de relações longas e difíceis, mas o amor não parecia pesado. Pelo contrário: parecia simples. Conforme conversavam sobre o futuro, descobriram que queriam as mesmas coisas. Viajar, morar fora do Brasil por um tempo, construir uma vida criativa, trabalhar na mesma área, compartilhar uma casa bonita cheia de referências estéticas, arte e conforto. Aos poucos, tudo foi se encaixando de um jeito tão natural que nenhuma das duas precisou decidir exatamente quando deixou de ser um começo e virou um lar. Mundana conta sobre um vídeo que gravou descolorindo a sobrancelha da Mel e, ao editar depois, perceberam a expressão impossível de esconder: a “cara de apaixonada” dela todo o momento no vídeo. Neste dia, ainda que fosse no começo da relação, Mel deixou escapar falando que estava realmente apaixonada. Ao perceber que disse tão naturalmente, sem pensar, as duas riram um pouco tímidas pela exposição - ainda era cedo demais para nomear aquilo em voz alta, mas o sentimento já estava ali, atravessando os pequenos gestos, os silêncios e a forma como se olhavam. Mesmo apaixonada, Mundana ainda carregava muitos medos. No começo da nossa conversa ela disse que nunca viu o amor como algo fácil de lidar. E, depois de relações difíceis, ela sentia necessidade de observar quem Mel era no cotidiano, principalmente na maneira como tratava outras pessoas. Prestava atenção em como ela falava com desconhecidos na rua, como conduzia o fim do relacionamento anterior e como lidava com alguém com quem já não existia amor romântico, mas ainda existia cuidado. Foi aí que começou a confiar de verdade. Via em Mel uma gentileza muito rara, quase excessiva às vezes, uma forma genuína de tratar as pessoas com respeito. Pela primeira vez, ela sentia que talvez pudesse se entregar sem medo de ver tudo desmoronando depois - e isso a tranquilizou. As conversas entre as duas passaram então a ser muito honestas. Existia amor, mas também existia realidade: diferenças financeiras, traumas antigos, medo de abandono e a necessidade de construir segurança concreta, formas de lidar com o próprio corpo... Mundana precisava saber que, se um dia acabasse, não perderia tudo de novo. Precisava sentir que não seria deixada desamparada. E, aos poucos, foi entendendo que o amor que Mel oferecia não funcionava na lógica da condição. Não era um amor que dependia de desempenho, perfeição ou obediência. Era presença, apoio e acolhimento. No momento da documentação, a mudança para o novo lar havia acontecido há apenas duas semanas, então pergunto sobre como elas estão se sentindo neste começo de lar. Elas entendem que a casa fala de algo que já existia antes mesmo das paredes. Existe uma sensação muito forte de pertencimento ali. Elas contam que fizeram um esforço consciente para transformar rapidamente o apartamento em lar: escolher móveis, pensar decoração, reformar, reorganizar espaços e deixar tudo com a cara das duas. Estão em processo de adaptação das gatas… O que antes parecia um apartamento qualquer agora parece extensão delas. E talvez por isso exista tanta naturalidade na forma como ocupam aquele espaço. Mel fala sobre finalmente se sentir segura dentro de uma casa, segura dentro da convivência e segura ao lado de alguém. Ainda estão se conhecendo enquanto aprendem simultaneamente como é dividir uma rotina, uma cama, um silêncio, uma cozinha e um cotidiano inteiro. Mas, ao contrário do medo que normalmente acompanha mudanças rápidas, elas falam sobre conforto. Nenhuma das duas repensa a decisão de morar juntas. Pelo contrário: existe uma sensação constante de que aquilo fazia sentido desde o começo. E mesmo quando aparecem pequenas questões naturais da convivência, elas percebem que conseguem atravessar tudo sem violência. Sem gritos, sem humilhações, sem disputa de ego. Elas conversam, se escutam e dão espaço quando necessário. Existe uma tentativa muito consciente de acolher a outra antes de tentar vencer uma discussão. As duas também falam sobre como a neurodivergência atravessa o relacionamento de forma muito importante. Mel é autista, e Mundana é bipolar. Ao invés de transformarem isso em rótulos ou acusações, constroem compreensão. Aprendem uma sobre os limites da outra, levam as questões para a terapia, ajustam rotinas e criam espaços de acolhimento quando uma percebe que a outra está desregulada. Existe um esforço constante para não transformar conflito em violência. Quando precisam de espaço, respeitam. Por fim, elas ressaltam como o relacionamento criou um espaço de aprendizado mútuo sobre os próprios corpos, limites e necessidades. Mel é uma mulher trans, Mundana é uma mulher cis, e existe algo muito bonito na maneira como descrevem o processo de descobrirem o próprio corpo: explicar coisas aparentemente óbvias sobre si mesma para a outra, descobrir novas formas de cuidado, entender sensibilidades e perceber que algumas inseguranças deixam de existir quando são olhadas com carinho. Nenhuma delas parece interessada em moldar a outra. Existe uma curiosidade amorosa, uma disposição constante para compreender e uma vontade muito sincera de ver a outra crescer. O amor entre elas aparece menos como idealização e mais como presença. ↓ rolar para baixo ↓ Mundana Melina

  • Rafaela e Helena | Documentadas

    Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Desde o primeiro encontro, Lucia Helena e Rafaela sentiram uma conexão natural. Nenhuma das duas esperava iniciar um relacionamento tão cedo, mas a conversa fluiu de imediato e, poucos dias depois, já estavam marcando de se ver. Nena, como é chamada, havia saído recentemente de um casamento longo, enquanto Rafaela retornava ao Recife após uma experiência no Rio de Janeiro que não durou como esperava. Mesmo assim, decidiram se abrir para algo novo. Lucia Helena, estava com 37 anos no momento da documentação. É natural do Recife, trabalha enquanto motorista de aplicativo e é estudante de educação física. Adora acordar cedo e aproveitar o dia. Seu divertimento é praticar esportes, como jogar bola e andar de bicicleta. Rafaela estava com 23 anos no momento da documentação. Mora na cidade de Paulista, região metropolitana de Recife. Vivia um momento de recomeço na cidade e não planejava nada sério, mas percebeu que ao lado de Nena tudo se encaixava sem esforço. O relacionamento evoluiu rapidamente, mas sem pressa, no tempo certo das duas. O primeiro encontro aconteceu na Páscoa, de forma despretensiosa. Nena, muito ligada à sobrinha, saiu para comprar um chocolate de presente e aproveitou para passar perto da casa de Rafa, sugerindo um encontro rápido. Rafa deu algumas desculpas, alegando estar ocupada, mas Nena insistiu um pouco, dizendo que estava de carro e iria até ela. O que seria só um encontro no carro se alongou em uma conversa, até que, entre piadinhas, se beijaram pela primeira vez. Dias depois, Rafa comentava com uma amiga que não iria namorar ninguém, que “nem tão cedo iria ceder para o namoro”... até que o celular tocou com uma notificação em tom diferente, porque geralmente nem notificava… e ela tinha colocado especialmente para ver as mensagens da Nena… quando a amiga percebeu, ela disse “Tu não vai namorar não, né? E essa notificação aí que já mudou?”. Na semana seguinte, marcaram outro encontro, dessa vez para tomar um açaí. Desde então, não se desgrudaram mais. Entre conversas, descobertas e afinidades, perceberam o quanto se encaixavam. Hoje, Rafa passa mais tempo na casa de Nena, no Recife, do que na própria casa em Paulista. Rafa e Nena veem o relacionamento como algo genuinamente diferente do que já viveram. Desde o desejo constante de estarem juntas, após experiências anteriores (em outras relações) que viveram à distância, até a liberdade de viver esse amor de forma aberta. Pela primeira vez, não precisam se esconder ou restringir nada - família e amigos sabem, apoiam e participam. Postam fotos sem receio, falam sobre o que sentem, vivem a relação sem medo. Para elas, isso é essencial: poder mostrar um amor que é bonito de se viver. O apoio mútuo se manifesta em tudo, desde as pequenas rotinas, como sair para pedalar juntas ou assistir aos jogos dos times (que são rivais), até os desafios mais profundos da vida, como os estudos, o trabalho e as dificuldades familiares que acontecem paralelas à vida. Mesmo nos momentos difíceis, sabem que podem contar uma com a outra, seja para cuidar da cachorrinha ou para enfrentar os obstáculos da vida. O relacionamento se sustenta na parceria e no companheirismo diário. Quando pensam sobre o amor, lembram das vezes em que enfrentaram momentos de ansiedade juntas. O suporte mútuo foi essencial, tanto para acalmar quanto para ajudar a concretizar aquilo que parecia inatingível - e que era causador da ansiedade. Para elas, amar é aceitar, acolher e estar presente. É uma sensação de: eu te aceito como você é e estou aqui contigo. E ficam muito felizes, também, por verem esse amor reconhecido entre as pessoas ao redor, de tanto se apoiarem os amigos e familiares reconhecem: “Teu semblante ficou melhor depois que tu conheceu essa menina” ou “Agora tu tá indo pra frente e as tuas coisas estão progredindo”. Rafa e Nena contam o quanto o relacioamento delas é diferente em vários pontos: desde conviverem próximas, desejarem estarem muito juntas e terem tido experiências à distância antes, até o contato muito aberto que possuem com a família e que antes isso não era possível - a irmã e a sobrinha, o pai e a mãe, todos já sabem e não precisam se esconder ou restringir. Postam fotos livremente, falam sobre o seu amor. Não se sentem privadas de mostrar uma relação que é tão bonita de viver. Sentem a importância do apoio - desde numa rotina muito simples em acordar e sair para pedalar, vão juntas, até assistir jogos de futebol dos times rivais juntas.. até as coisas mais profundas da vida como os estudos, os desafios de trabalho, questões familiares que acontecem paralelas à vida, os cuidados com a cachorrinha de estimação… entendem a importância de contar com a pessoa que você se relaciona. Quando pensam sobre a relação e sobre o amor, citam momentos de ansiedade que passaram juntas e que uma apoiou muito a outra, tanto para estabilizar quanto para realizar o que estava causando a ansiedade. Nesses momentos, o amor está muito veiculado à verdade, ao suporte, à uma parceria que serve como familia e acolhimento. É uma sensação de: eu te aceito como você é e estou aqui contigo. E ficam muito felizes, também, por verem esse amor reconhecido entre as pessoas ao redor, de tanto se apoiarem os amigos e familiares reconhecem: “teu semblante ficou melhor depois que tu conheceu essa menina” ou “Agora tu tá indo pra frente e as tuas coisas estão progredindo”. ↓ rolar para baixo ↓ Rafaela Helena

  • Oi, eu sou o doc! | Documentadas

    Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Vem participar você também! chega pra cá, vai ser um prazer te conhecer! O Documentadas é um banco de documentação sobre mulheres que amam outras mulheres, com o intuito de registrar historicamente o amor entre lésbicas, bissexuais e pansexuais (cis e/ou transsexuais), construindo uma literatura que até então era inexistente sobre essa população. Completando quatro anos em março de 2025, o projeto já documentou mais de 460 mulheres em 15 estados brasileiros. Para além de contar as histórias de casais brasileiros, o .doc acredita em 4 vias para atingir mudanças reais na nossa sociedade brasileira: gerar empregabilidade, divulgando as profissões e trabalhados exercidos pelas mulheres que participam do projeto; Gerar conexão com encontros presenciais e online; Espalhar artes pelas ruas falando sobre o amor entre mulheres combatendo o preconceito em espaços públicos; Gerar atendimento psicológico através da plataforma, contando com 25 profissionais oferecendo serviços de apoio psicológico e psicanalítico online por valores populares (atualmente, mais de 200 mulheres já passaram pelos nossos atendimentos). > para além da documentação > Acreditamos que a igualdade de gênero pode ser alcançada por meio do combate ao machismo e através da equidade de oportunidades de fala/escuta. Além disso, entendemos que criar um banco de dados de fácil acesso, para a divulgação de ofícios exercidos por mulheres que amam outras mulheres possibilita, assim, oportunidades de contratação dos serviços prestados pelas mesmas, uma vez que os ambientes de trabalho tendem a ser espaços de conflito e preconceito quando não oferecem diálogos e reeducação social. Visibilizar as histórias de mulheres de diferentes corpos, raças e classes sociais exerce um papel fundamental para o reconhecimento dessas populações vivas. o .doc já passou por 15 estados brasileiros, contando histórias de mais de 460 mulheres. QUER COLABORAR COM O DOC PARA QUE ELE TENHA MAIS LAMBES POR AÍ OU NOS CHAMAR PARA UMA EXPOSIÇÃO EM ALGUM LOCAL? ENTRA EM CONTATO PELO SITE OU NO E-MAIL: FERNANDA@DOCUMENTADAS.COM o .doc para além do .doc Entendemos também que a representatividade é algo extremamente importante para construção da subjetividade, tendo como intuito divulgar histórias que inspirem e motivem outras mulheres a se reconhecerem e valorizarem suas próprias histórias e histórias de amor, quando a coerção social, imposta pela heteronormatividade, diz o contrário. ainda podemos ser podcast cursos ou palestras exposições produtos curtas referência em saúde mental LGBT+ cartilhas inclusivas e muito mais! empregabilidade, psicologia, conexão, arte urbana viu a gente pela cidade? Estar na rua nos abriu a possibilidade de troca com públicos antes inalcançáveis. Passamos entre universidades, boêmias e comunidades. Se as mulheres amam outras mulheres em múltiplos espaços, acreditamos que nossa arte também deva ocupar múltiplos espaços. Foi através das técnicas arte urbana como lambe-lambe e stickers que começamos a espalhar uma frase famosa por aqui: “Toda mulher merece amar outra mulher”, além de uma tiragem de 1500 fotografias de casais que já participaram do projeto, com intervenções gráficas escritas por cima e o @documentadas, identificando nosso Instagram/site. quer contratar o documentadas para uma palestra na sua empresa, propor parcerias, fazer alguma reportagem ou conhecer mais sobre o nosso trabalho? entre em contato aqui pelo site ou mande um e-mail para fernanda@documentadas.com

  • Jamile e Raquel

    Jamile e Raquel moram no mesmo condomínio, ainda que em apartamentos distintos, em Brasília. Jamile é super brincalhona, está sempre rindo, é extrovertida, faz palhaçadas e isso quebra bastante a seriedade da Raquel, fazendo ela rir o tempo todo. Jamile sente muito frio, Raquel se permite viver nas cobertas por puro agrado. Juntas, elas adoram jogar The Sims, ler livros, brincar com os filhos da Raquel e ficar com os bichos que ambas adotaram - elas amam animais, principalmente os cães e gatos. Raquel já trabalhou em uma ONG de cuidados e é uma grande defensora da adoção, foi assim que influenciou Jamile a adotar suas gatinhas (juntando as gatas de ambas, são: Leci, Selene, Aurora, Íris e Bebete). Elas acreditam que animais são peças muito importantes no auxílio ao combate à depressão e ansiedade, e com as gatas, tudo passou a ter outro sentido dentro de casa. Por mais que morem em Brasília, nem a Jamile, nem a Raquel nasceram lá. Raquel é antropóloga, finalizou o mestrado recentemente e está se preparando para o doutorado. Já foi doula e é mãe de dois filhos. Ela tem 30 anos e sua família é de Minas Gerais, parte de Belo Vale e outra parte de Belo Horizonte, local onde ela nasceu. Jamile é jornalista e nos conta o quanto ser jornalista exige da vida - exige do que ela é - mesmo sendo apaixonada pela profissão (e, dentro da profissão, pelo jornalismo esportivo). Ela nasceu em Piracicaba, interior de São Paulo e chegou em Brasília com a família aos 16 anos descobrindo uma cidade totalmente diferente das outras que conhecia. Quando elas se conheceram, em 2019, o que sentiam (e o que poderiam sentir) ainda era muito incerto. Foi através de um aplicativo de relacionamentos que se conheceram e marcaram um encontro e, neste dia, a Jamile estava se sentindo um pouco triste, não queria ir. Foi num aniversário antes e uma amiga a incentivou, disse que poderia ser uma pessoa legal, era uma oportunidade. Por estar no aniversário antes, já estava com pessoas, bebendo e conversando, então quando ela chegou trouxe consigo uma animação que descontraiu o primeiro momento sem conhecer a Raquel. Elas se deram bem, ficaram e começaram a se relacionar a partir daí. Mesmo que um relacionamento vá se construindo de forma natural no começo, elas contam como foi lidar com a ansiedade e a depressão e entender os limites de cada uma. Para a Jamile, por exemplo, entender que não seria uma carga, um peso a mais ou algo do tipo na vida da Raquel. E, também, a Raquel explica sobre esse momento de assumir um namoro, que a fez refletir em várias coisas entendendo que era uma mãe solo, que precisava diariamente dar conta de muitas coisas na vida e do que isso iria demandar, se estava realmente preparada e sentiu medo de não conseguir estar cem por cento na relação. Ambas tinham seus medos, mas conseguiram equilibrar tudo aos poucos, mostrar uma para a outra o que sentiam e conversar sobre isso. Entender seus limites, colocá-los de forma amorosa e visualizar as diferenças com amor também. Segundo a Raquel: “Olhar e dizer: te aceito e tô aqui.” Morar tão próximas facilitou diversas coisas, ainda mais no momento mais intenso da pandemia de Covid-19, em 2020 e 2021. Os filhos da Raquel ficaram um ano sem escola, todos estavam dentro de casa e ter a Jamile por perto era muito importante. Elas também têm o apoio da família (Raquel, inclusive, ama a família da Jamile e eles se dão muito bem), mas para a Jamile viver o processo de “saída do armário” foi um processo prévio bastante intenso. Hoje em dia, para além da família, Jamile conta sobre como as pessoas questionam ela sobre ela assumir e maternar os filhos da Raquel. Ela explica que nunca se colocou neste lugar e que não quer ter filhos, também não gostaria de se ver o tempo todo nesse questionamento. Ambas valorizam a independência, o tempo sozinhas ou juntas e sabem que, se assim desejarem, vão ter uma relação saudável com as crianças. Essa relação já existe, inclusive - elas adoram a Jamile, o quanto ela brinca com eles, eles visitam as gatinhas dela… Tudo é uma questão de naturalidade sobre o relacionamento que as duas possuem, enquanto mulheres que se amam, e que as crianças acolhem também. Elas falam o quanto falta conhecer mais mulheres que têm filhos ou que estão em situações como as que elas vivem, ser uma mãe solo e namorar outra mulher. Jamile explica que sempre viveu uma heterossexualidade compulsória e ter essa noção a fez mudar muitas coisas, inclusive o entendimento sobre a forma de se relacionar com alguém. Ela nem conseguia imaginar uma relação saudável como a que tem hoje ou de que alguma pessoa a conheceria como a Raquel conhece e escolheria ficar, não iria embora na primeira oportunidade, que segue ali e ama de verdade. Já viveu muitas relações “de vidro”, como ela mesma colocou: são relações que na hora do conflito, se ela não ceder, a pessoa pode pegar, jogar no chão e quebrar toda a relação. Com a Raquel, aprendeu que as relações podem ser “de borracha", serem maleáveis, se caírem no chão, juntam, limpam e cuidam, com conversa e afeto, tentando entender a dor. Raquel completa a fala da Jamile, explicando que o ato de gostar de alguém era sempre algo envolvendo interpretar um papel. Ficar comprovando algo, ser o que a pessoa queria, pois se não fosse, teria medo dela ir embora… e que agora não é mais assim. Elas estão juntas porque ambas querem, independente de qualquer papel. Estão conectadas e são gratas à isso. Jamile Raquel

  • Sue e Sil

    Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Sue estava com 64 no momento da documentação e nasceu em Salvador. Quando seus pais se separaram, mudou-se para Maceió com a mãe, que trabalhava na Petrobras. Em seguida, viveu no Rio de Janeiro sua maior infância até os 25 anos, formando-se com forte influência carioca. Em 1998, retornou à Maceió para atuar no Teatro Deodoro, onde conheceu Silvana. Hoje, compartilham a vida e o trabalho, dirigindo juntas uma produtora cultural. Silvana estava com 58 anos no momento da documentação, nasceu em Maruim, Sergipe, e chegou em Maceió no ano de 1982. Jornalista, radialista e produtora cultural, sempre esteve ligada ao meio artístico. Criou o primeiro caderno de cultura do principal jornal da cidade e, posteriormente, trabalhou no Teatro Deodoro. Como frequentadora assídua das artes cênicas, encontrou lá uma verdadeira realização profissional. A relação entre elas começou pela admiração no trabalho. Durante as trocas na rotina do Teatro Deodoro, Sue já nutria sentimentos por Silvana. Juntas, fizeram uma verdadeira revolução artística na cidade, reabrindo um teatro centenário que ficou 11 anos fechado e que nem era mais considerado. Sem a facilidade da internet, num mundo de comunicações por fax, enfrentaram desafios para recolocar o espaço no circuito cultural nacional. Entre projetos, parcerias e grandes aprendizados, construíram um vínculo que ultrapassou o trabalho, tornando-se um amor sólido, baseado no respeito, na arte e na construção de um legado cultural alagoano. Sue conta que a relação sempre esteve entrelaçada ao trabalho, especialmente no início, quando chegou de Salvador após uma outra relação turbulenta que havia acabado. Trouxe consigo uma bagagem cultural fresca da Bahia e do Rio de Janeiro, que se refletiu no que estavam construindo no Teatro Deodoro. Juntas, ela e Sil levantaram diversos espetáculos e recolocaram o teatro no mapa cultural do Brasil, elevando o profissionalismo artístico em Alagoas - tudo isso sob a liderança de duas mulheres lésbicas, importante ressaltar. Ambas sempre se entenderam como lésbicas e viveram essa identidade de forma natural dentro dos meios culturais que frequentavam. Nos anos 70, 80 e 90, Sue no Rio e Sil em Sergipe encontraram espaços onde a sexualidade não era um tabu. No entanto, conversam muito e sentem que hoje as coisas estão dentro de muitas “gavetas” Estas “gavetas” estão aí para realmente trazer liberdade, identidade, autonomia e auto afirmação do que cada um é, mas muitas vezes acabam dividindo mais, se tornando uma separação. “E eu não gosto de separação. Eu gosto de tudo misturado. Não gosto de ambientes que são só isso ou só aquilo. Gosto de gente.” Por conta do trabalho, Sue e Sil abriram mão de viver uma rotina mais romântica. Como passam a maior parte do tempo juntas, lidando com demandas intensas e muitas pessoas (ainda mais agora, com o escritório dentro de casa), aprenderam a valorizar os momentos de tranquilidade a sós. Para elas, esses instantes de calma são essenciais para manter o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Elas reconhecem o impacto do que fizeram: duas mulheres liderando espetáculos em Alagoas era algo inédito. Foi assim que se encontraram, criando projetos culturais transformadores, como o “Teatro é o Maior Barato”, que democratizou o acesso ao teatro com ingressos a R$ 1,99, e espetáculos que circulavam pelo estado. Além de movimentar a cena artística, construíram uma relação de pertencimento com o público, que passou a ver o teatro como um espaço acessível e vibrante. Sil sempre teve paixão pelo jornalismo e adorava sair pelo estado imaginando matérias, transformando a busca por pautas em uma brincadeira. Como o mercado era novo, havia muito a explorar: tudo era cultura. Até os anos 90, Alagoas sequer tinha uma coluna dedicada ao tema nos jornais, sendo reduzido a notas esporádicas indicando filmes ou menções na coluna social. Criar um espaço fixo para a cultura se tornou um vício, um compromisso de dar voz e visibilidade à produção artística local. A relação começou de forma intensa, marcada por um gesto simbólico: Sue morava em um lugar muito quente, sem estrutura porque havia recém se mudado, e Sil apareceu com um ar-condicionado de presente. “A gente já tinha começado a namorar, ela chegou lá em casa, um forno! No outro dia, chega com o ar-condicionado… e depois ela.” Foram se envolvendo e percebendo que compartilhavam o mesmo ritmo e gostos. Hoje, olham para trás e se surpreendem: “25 anos de relação! É muito tempo! Mas, ao mesmo tempo, a gente vai se descobrindo e redescobrindo.” Atualmente, moram ao lado da família de Sil, para estarem próximas da mãe idosa, em uma vila acolhedora e repleta de gatos. Recentemente passaram por uma grande reforma em casa, o que exigiu ainda mais energia e paciência. Refletem sobre as inúmeras crises que enfrentaram - principalmente financeiras, pela instabilidade do trabalho em um país que não valoriza a cultura - e reconhecem que nem todo casal suportaria esses desafios. Mas atravessar tudo isso juntas fortaleceu ainda mais o amor. Entre noites que se olham antes de dormir e percebem o cansaço e momentos de conexão, sabem exatamente como lidar uma com a outra, guiadas por maturidade e intimidade construídas ao longo desses 25 anos. Sue sente que Sil trouxe um chão para sua vida, mesmo quando ela mesma diz se sentir insegura. “A Sil trouxe para mim, apesar dela dizer que não lida, que enlouquece, que fica insegura, mas ela trouxe para mim, para a minha vida, uma segurança em um lastro, um chão, que é tão importante. Eu nem sei se estaria nesse plano ainda. Porque eu era muito desligada, muito apaixonada por tudo, entrava de cabeça em tudo, de tudo, de trabalho. E a Sil, sem impor nada. Ela veio, foi amor mesmo, com o amor dela. E ela me acolheu de uma forma que eu cresci. Me tornei uma pessoa muito melhor. Para mim mesma.” ↓ rolar para baixo ↓ Sil Sue

  • Carol e Andressa

    Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Carol estava com 26 anos no momento da documentação. É natural de Campo Mourão, no interior do Paraná. Já passou pelos estudos enquanto gastronomia e psicologia, mas se encontrou mesmo na perfuração corporal, antes da pandemia de Covid-19 começar. Faz cerca de 5 anos que está morando em Maceió. Ama cozinhar, passar o tempo com o Treva, gatinho que trouxeram do Paraná (e que é mascote do estúdio) e a Mel, que adotaram já morando no nordeste. Adora ir à praia e conhecer lugares novos. Andressa estava com 33 anos no momento da documentação. Também é natural de Campo Mourão. Formada em publicidade e propaganda, trabalhou oito anos na área, mas sentia que sua vida era só ficar no computador, foi quando decidiu ir para Maringá, cidade próxima de onde nasceu, e começou a trabalhar com tatuagens, junto com um amigo que trabalhava como tatuador. Juntos, abriram um estúdio na sua cidade natal, em 2017. Nessa época, Carol e Andressa se conheceram através dele, o famoso - e temido por muitas - rebuceteio: se conheciam por conta das suas ex. Andressa soube que a Carol estava solteira porque falavam que ela era muito legal e muito bonita. Elas se conheceram, se deram bem, começaram a se envolver e nem perceberam de fato quando já estavam namorando. Tudo aconteceu. Pouco antes da pandemia de Covid-19, Carol e Andressa já dividiam a vida e os negócios. Andressa tocava o estúdio de tatuagem durante o dia, enquanto Carol botava a gastronomia em prática à noite, servindo pizzas em pedaços no bar. A rotina era intensa, mas funcionava. Maceió sempre esteve no radar da família de Carol, especialmente do pai, que sonhava em se aposentar e se mudar para lá. Quando visitaram a cidade juntas, começaram a pesquisar mais a fundo: o turismo, custo de vida, oportunidades. Até que decidiram mergulhar nesse sonho antes mesmo dos pais dela. Venderam tudo e partiram para Alagoas, no meio da pandemia. Chegar em uma cidade nova como tatuadora foi desafiador, mas a determinação era maior. Foram conquistando clientes aos poucos, mas o maior choque foi cultural. Mesmo dentro do Brasil, perceberam o quanto cada região tem suas particularidades. No fim, a mudança foi também um processo de renovação - queriam se descobrir em um novo ambiente, explorar novas versões de si mesmas, sobretudo descobrir sua melhor versão. O sucesso do estúdio em Maceió não foi “do nada”, bem pelo contrário: meses de muito trabalho e, nas palavras delas “veio da vontade de evoluir como pessoas”. Não começaram com tudo pronto, foram construindo aos poucos. Chegaram na cidade dispostas a qualquer ‘freela’, depois buscaram estúdios para trabalhar - Andressa tatuando, Carol com as perfurações. Guardaram dinheiro para investir no antigo estúdio no Paraná, mas acabaram apostando tudo em um novo começo no Nordeste. Pensaram em desistir várias vezes. Mas sempre que uma ficava triste, a outra lembrava: “Já viemos até aqui, já vendemos tudo. Vamos continuar.” Quando as coisas começaram a reabrir no pós-pandemia, entenderam que era o momento certo para abrir o próprio espaço. Alugaram um local pequeno perto da praia, com uma maca, um autoclave e poucas ferramentas. No começo, atendiam muitos turistas que passavam e faziam tatuagens por impulso ou porque queriam uma lembrança de Alagoas. Com o tempo, foram se conectando com a cultura local e decidiram criar um estúdio feminino. Muita gente duvidou, dizia que não durariam nem dois meses, até porque o mercado da tatuagem é cheio de machismo. Mas no momento da documentação, o estúdio já completava três anos, agora em um espaço maior, mais estruturado. E mais importante é que vai além da tatuagem e perfuração: oferece cursos, eventos, troca de experiências e, acima de tudo, acolhimento. O começo foi difícil. O primeiro estúdio, perto da praia, trouxe desafios pesados: alagamentos com as chuvas, roubos na vizinhança, insegurança constante. Choraram, duvidaram se conseguiriam sustentar o espaço. Até que decidiram que não podiam mais conviver com o medo. Foi quando encontraram o novo local, onde trabalham e moram. E quando querem um respiro, alugam um cantinho em praias mais afastadas ou vão para o terreno do pai da Carol (o mesmo onde ele sonha morar quando se aposentar). O estúdio não cresceu só pelo esforço delas, mas porque outras pessoas apostaram nesse espaço. Formaram uma rede de apoio: tatuadoras, cervejarias, clientes que acreditaram no propósito de um estúdio feito para mulheres, fazem muita questão de agradecer. E é bonito como o amor delas transborda no que construíram. Quem chega já chama de “O estúdio das meninas” - e quando são chamadas assim, se sentem representadas. Foi um amor erguido com maturidade, conversas, carinhos, em agradecimento quando fazem refeições juntas... A vida é absurdamente corrida e demanda muito diariamente, mas reconhecem que nas pausas diárias, compartilhadas com os bichinhos também, existe essa dose de amor. ↓ rolar para baixo ↓ Andressa Carol

  • Jéssica e Priscila | Documentadas

    Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. No começo de 2023, Jessica era promoter de uma festa lésbica no Rio de Janeiro e criou um grupo no WhatsApp para informar sobre os descontos e ingressos especiais. Um amigo da Priscila soube do grupo e indicou para ela, que entrou e pouco interagiu, mas sempre visualizava as mensagens da Jessica desejando bom dia, interagindo com as pessoas e, mesmo não sabendo que era o trabalho dela, achou ela muito interessante. Numa interação no grupo, as pessoas mandaram seus perfis no Instagram e a Priscila viu o perfil da Jessica, mas não seguiu. Como nunca tinham interagido, achou que seria estranho seguir, mas vez ou outra entrava lá e via se ela postava alguma coisa com alguém (para entender se estava namorando ou solteira). O final de semana de uma das festas chegou e Priscila foi com os amigos. Viu a Jessica lá, achou ela interessante, mas não relacionou a pessoa que estava vendo com a pessoa que tinha visualizado o Instagram. Comentou com os amigos sobre ter interesse nela e eles incentivaram que ela puxasse um papo, mas mais uma vez ela achou estranho e não foi. Depois disso, viu que Jéssica estava acompanhada. A pessoa que acompanhava Jessica não era sua namorada, mas alguém que ela ficou um dia antes e que não deu certo, não estava legal, ela não estava se sentindo bem e sabia que não continuariam. Entre a Priscila ter interesse, comentar com os amigos e desistir de puxar papo, uma das amigas tomou iniciativa por ela e chamou a Jessica, apontando para Priscila e dizendo “Ela quer falar com você!”. Mas na hora que Jessica chegou, não entendeu nada, ficou uma situação estranha, ela achava que tinha sido chamada por conta do trabalho (afinal, estava trabalhando no evento) e acabou saindo sem entender. Priscila seguiu olhando ela pela festa e percebeu que o clima não estava legal com a acompanhante, achou até que esse desconforto era por causa da situação que havia acabado de acontecer. A amiga decidiu conversar com a Jessica e pedir desculpas pela situação, foi quando comentou que Priscila estava interessada, Jessica notou a Priscila e disse que também estava, mas que no momento estava acompanhada e por mais que não estivesse legal, não queria deixar as coisas piores. Passou o Instagram para a amiga entregar à Priscila. Priscila, quando viu o perfil, percebeu que era a mesma pessoa que ela “stalkeava” e não seguiu novamente. Após a festa, Jessica encontrou o perfil dela, seguiu e começaram a interagir. No começo, elas achavam que não iria acontecer nada para além do primeiro encontro de forma casual. Se veem enquanto mulheres muito diferentes, de culturas muito diferentes… e achavam que não iriam render. Aos poucos, foram gostando uma da outra, passando os finais de semana juntas e estabelecendo uma comunicação diferente. Se apaixonaram. Priscila estava com 29 anos no momento da documentação, é natural de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Estuda para ser comissária de voo e também cursa relações internacionais. É uma mulher muito livre, foi criada numa família muito solta, sem preconceitos e gosta muito disso. Preenche seu tempo livre com seus amigos, bebendo, passeando e deseja ao máximo viajar e conhecer novas culturas. Mesmo sendo brincalhona e risonha, acredita ter uma personalidade muito forte. Jessica estava com 26 anos no momento da documentação, é natural de Belford Roxo, baixada fluminense. É técnica em enfermagem e está terminando a faculdade de biomedicina, então optou por não trabalhar na área de enfermagem e seguir com os estágios e foco na faculdade até a finalização. É uma mulher que gosta muito de estar em família, demonstra seu amor no toque físico e nas palavras o tempo todo. Também adora sair de casa, ir para a praia, cinema, ver os amigos… E sonha em fazer um mochilão, deseja conhecer melhor o estado do Rio de Janeiro e o Brasil. Por mais que suas casas sejam bem distantes fisicamente (São Gonçalo e Belford Roxo), elas passam muito tempo na casa da Priscila, por Jessica fazer estágio em Niterói e ser um caminho próximo. Estar nessa relação significa a primeira vez que elas se sentem tratadas da forma que sempre desejaram - e por mais que considerem isso o mínimo, raramente identificavam tamanho carinho nas outras relações. Fazem questão de trabalhar a comunicação. Priscila explica que é difícil conseguir falar o que sente, compartilhar as coisas, principalmente pela independência da qual ela foi criada. Enquanto Jessica faz questão de demonstrar e compartilhar, desperta justamente o contrário: que podem criar novas linhas de conversa. Jessica sempre instiga Priscila a falar, compartilha o que sente e o que acha. Brincam que às vezes se sentem muito intensas e emocionadas, mas logo a razão vem e colocam o pé no chão entendendo o momento que vivem, entre desempregos e fim da faculdade. Parte desses momentos é refletir também que as coisas levam tempo para se estabelecer, que logo estarão conquistando seus sonhos, suas vontades de dividirem um lar e terem uma melhor vida financeiramente. Estabeleceram quase-que um código para demonstrar que algo não está bem, falam que “tá calor”, e nisso entendem que precisam de espaço, que estão se sentindo um pouco sufocadas. Respeitam esse tempo e desejam a presença uma da outra para passar pelos momentos difíceis, entendem o quanto isso é importante, mas sempre com suas individualidades preservadas. Nesse tempo de relação (pouco menos de um ano) já enfrentaram diversas situações difíceis e perceberam o quanto se fortaleceram juntas. É através das atitudes diárias que elas identificam o amor. Comentam que por mais que palavras sejam importantes, é muito mais fácil você dizer algo e não cumprir. Por isso, se apegam nas demonstrações diárias. Priscila não é tanto do toque quanto Jessica, mas demonstra o amor no cuidado e na presença, tratando bem. O amor que sente existe de uma forma muito natural, não é obrigação, é sobre o que gostaria de viver e como gostaria também de ser tratada, sempre pensa de maneira recíproca. Quando pergunto sobre a realidade delas em suas regiões (São Gonçalo, Belford Roxo) e sobre os locais que estão juntas, como se sentem e o que gostariam de ver mudar, elas respondem explicando a importância de ter mais respeito, educação e consideração nos espaços de convívio. Por serem mulheres (ou no caso da Priscila, mulher negra de religião de matriz africana) o medo do preconceito anda ao lado delas o tempo todo. E nesses momentos entre o medo entra também a coragem, a necessidade de falarmos sobre os nossos amores para que nos olhem com mais respeito, de nos impormos, de não deixarmos o preconceito ser mais alto. ↓ rolar para baixo ↓ Jessica Priscila

  • Emilly e Thuane | Documentadas

    Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Tabata Thuane no momento da documentação estava com 33 anos, é natural de Paulista, na região metropolitana de Recife. É formada em design de interiores, mas acabou seguindo os passos da família de músicos e se dedicou à música e à cultura. Estudou violão no conservatório, além de canto e percussão, e hoje se apresenta em restaurantes e hoteis do Recife, além de construir uma forte atuação na cena cultural das cidades de Olinda e Recife entre dança, percussão e carnaval. Uma de suas maiores conexões com a tradição vem do pastoril, dança natalina de origem portuguesa que aprendeu com a avó e transformou em um bloco que percorre as ruas no Natal. Lá, também ensina percussão, e foi nesse caminho que se aprofundou no frevo, na ciranda e no maracatu. Hoje, divide o palco e a dança com Emelly, tocando juntas no pastoril e em diversos blocos desde ciranda, maracatu, coco e xaxado, onde Thuane cuida da harmonia e Emelly assume a percussão. Emelly estava com 22 anos no momento da documentação. Nasceu em Olinda, mas hoje mora em Paulista com Thuane e Otto, o filho delas. Estudante de pedagogia, trabalha na área e tem uma paixão especial por atuar com crianças neurotípicas. Paralelamente, dedica-se à cultura popular, tocando percussão nos blocos e eventos onde se apresentam. Além disso, adora maquiar, pintar o rosto, ler e escrever, mas reconhece que, no momento, toda a atenção e energia estão voltadas para Otto e para a construção de uma maternidade cuidadosa e afetuosa ao lado de Thuane. A música e a cultura popular são o elo que fortalece a relação das duas, mas entendem que o que vivem hoje vai além dos palcos e blocos. Enxergam a família que construíram como um reflexo da tradição e do amor que carregam, tanto na dança e no som, quanto na dedicação diária à criação de Otto. Encontraram na música um ponto de encontro, mas é no dia a dia que constroem, com cumplicidade, os laços mais importantes. Em 2019, Thuane entrou para o grupo percussivo Tambores de Saia, em Olinda, um coletivo de samba reggae formado apenas por mulheres. Incentivada pela namorada do pai, mergulhou na experiência e logo se encantou com a força do grupo. No fim daquele ano, conheceu Emelly tocando lá. Fizeram amizade rapidamente, descobriram amigos em comum e começaram a se aproximar. No início de 2020, ficaram pela primeira vez. Durante o carnaval, ainda estavam se conhecendo, mas então veio a pandemia de Covid-19. Emelly, recém-completados 18 anos, e Thuane, morando em lugares diferentes, decidiram se isolar juntas. Emelly ainda vivia com a família, enquanto Thuane morava com o pai, que sempre foi muito tranquilo e a recebeu em casa. Desde então, a relação seguiu crescendo e hoje as duas moram juntas num lar só delas - agora com Otto, que chegou transformando tudo. Elas contam que foi desafiador iniciar um relacionamento no meio do caos, com a sensação de que o mundo estava acabando. Entre elas, não houve grandes conflitos - sempre conversaram muito e se entendem bem. Mas o período trouxe desafios familiares: a irmã de Thuane também se mudou para a casa com os filhos pequenos, tornando a rotina intensa. A pandemia trouxe dificuldades, eram desafios novos para todas as pessoas e elas, enquanto trabalhadoras da cultura, estavam totalmente sem renda, precisaram inventar outras formas de conseguir financeiramente se estruturar. A prefeitura até fez algumas apresentações online na época festiva do São João e assim elas conseguiram algum retorno, mas nada se comparava à vida presencialmente, o que ajudou mesmo a segurar as pontas foi a família. Hoje, comentam ao olhar para trás, que a sensação é como se já possuíssem uma relação de muitos e muitos anos, pela maturidade que precisaram construir tão rápido para passar por todos aqueles momentos (e pelos que viriam em seguida). Com a chegada das vacinas e uma leve estabilização da pandemia, Emelly e Thuane começaram a reorganizar a vida. Para garantir uma renda, passaram a personalizar kits de festa e entregá-los para quem comemorava em casa. O trabalho deu certo e, pouco depois, conseguiram finalmente conquistar o próprio lar, mudando-se para um espaço só delas. Aos poucos passaram a refletir sobre a maternidade, um sonho antigo que haviam deixado de lado por conta de frustrações por relacionamentos anteriores. A adoção sempre foi a primeira opção, pois nenhuma das duas pensava em gerar. No entanto, quando entenderam que seriam boas mães, começaram a pensar de fato na adoção e em todas as outras alternativas. Além do pensamento, partiram para a ação: foram estudar qual o processo e, tão importante quanto, o custo de cada processo. Foi assim que chegaram à opção da inseminação caseira. Queriam ser mães ainda jovens, mas também precisavam conciliar os estudos e outras responsabilidades. Pesquisando no YouTube sobre inseminação e o processo via SUS, entenderam o valor e o quanto isso demorava, assim como o processo de adoção. Diferente da inseminação, entre as pesquisas, encontraram grupos de doadores. Estudaram os critérios com cuidado, até que localizaram um doador e tiveram o primeiro contato. Para encontrar o doador, contaram com o apoio de uma rede de amigas e marcaram o encontro na casa de uma delas. Não queriam passar por esse momento sozinhas, então se cercaram de mulheres que as acolheram e tornaram tudo mais leve. O doador foi até lá, elas até prepararam alguns doces para ele como presente, e depois passaram a noite na casa da amiga, garantindo que tudo acontecesse de forma segura e tranquila. Ainda incrédulas com a situação, deram risada juntas, sem imaginar que daria certo de primeira. Mas, para a surpresa e felicidade delas, a gravidez vingou e Otto chegou ao mundo. Queriam um nome simples, mas composto, e escolheram Otto José. Embora já estivessem juntas há um tempo, fizeram questão de celebrar o casamento com uma festa como mereciam. Cada detalhe foi feito com as próprias mãos e com a ajuda da família: serraram troncos da rua para a decoração, a irmã preparou o buffet, a prima fez o bolo… tudo foi construído em conjunto. No mesmo dia, fizeram o chá revelação. A família inteira estava certa de que seria uma menina (ou até gêmeos!). Quando descobriram que era um menino, se olharam sem entender e até brincaram: "Emelly, sorri, senão vão achar que não gostamos!". Hoje, Otto é uma criança curiosa e esperta, sempre explorando o mundo ao seu redor. Como não tem contato com telas, elas percebem que ele está sempre em busca de algo novo, o que torna cada descoberta mais especial. Desde experimentar comidas diferentes até interagir com as pessoas… ele se mostra um bebê livre e sociável. E, com duas mães ligadas à música e à cultura, não poderia ser diferente: Otto já ama tambores, batucadas e tudo o que envolve ritmo e som. Emelly e Thuane enxergam o amor na forma como Otto expressa carinho no dia a dia. Apesar de ser agitado, é um menino extremamente afetuoso, que as enche de beijos, pega no rosto e faz carinho nelas. Vivem uma relação de parceria genuína, na qual tudo é dividido de maneira natural e equilibrada. Observam que, em muitas relações heterossexuais, a carga recai quase toda sobre a mulher, e quando o marido participa, muitas vezes é por obrigação. Com elas, tudo acontece por escolha e desejo. Brincam que estão sempre fofocando, rindo e se entendendo, sem precisar dizer muito. Para elas, nunca é apenas Emelly ou apenas Thuane - são sempre três: Emelly, Thuane e Otto. Por onde passam, são reconhecidas assim, como uma família. Sentem que, após o nascimento do Otto, algumas amizades se afastaram e a rotina mudou, pois não frequentam mais os mesmos espaços de antes. Ainda assim, quando são convidadas para algo, a inclusão é sempre dos três, e isso reafirma o significado de família para elas. Gostam de ser vistas como essa unidade, onde o amor e a presença são inquestionáveis. Desejam que Otto cresça como uma criança livre, que possa viver com autenticidade e alegria. Embora saibam que ele enfrentará muitos desafios por ter duas mães, esperam que a base de amor e segurança que constroem todos os dias seja mais forte do que qualquer preconceito. Querem que ele enxergue a própria história com naturalidade, carregando consigo a certeza de que foi muito desejado. ↓ rolar para baixo ↓ Thuane Emilly

  • Keziah e Patricia | Documentadas

    Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Keziah estava com 26 anos no momento da documentação, é natural de Fortaleza e chegou em Pernambuco em 2021. Atualmente trabalha como engenheira de software, sendo desenvolvedora. Adora praticar esportes, escrever (inclusive já escreveu alguns livros independentes de romances sáficos) e cuidar dos seus bichos - gato, cachorro, papagaio, jabuti e calopsita. Sempre foi apaixonada por jogos e isso a fez cursar uma faculdade de desenvolvimento de jogos - que a levou para ciência da computação. Ao contar sobre a sua trajetória, destaca também que passou 16 anos frequentando a igreja, tendo uma família bastante conservadora, o que refletiu por muito tempo numa carga forte de culpa cristã que sentia em ser quem ela é. Atualmente, sente que as coisas mudaram e são mais tranquilas, mas faz parte de um longo processo de reconhecimento, pertencimento, auto acolhimento e maturidade. Pouco tempo antes da documentação, Patrícia e Keziah haviam visitado Fortaleza juntas e, pela primeira vez, Keziah apresentou uma namorada para os seus pais. Sente que foi muito legal esse passo, nem imaginava que isso um dia poderia acontecer. Estão namorando há anos e a família dela já sabia, mas agora que aconteceu o encontro sabem que é um passo considerável na relação. Patrícia estava com 32 anos no momento da documentação. É natural de Recife, trabalha como designer e adora ler - inclusive, foi por conta desse hobbie que conheceu a Keziah, em 2020. Ficou desempregada e começou a ler ainda mais no tempo livre, procurou pessoas que gostavam de ler para fazer amizades no Twitter e em meio às postagens conheceu um livro dela - leu, amou e procurou o perfil para conhecer mais sobre a autora. Enquanto para Patrícia a história começa quando ela lê um livro da Keziah, para a Keziah a história começa enquanto ela estava num relacionamento em meio à pandemia. Não estava sendo um bom relacionamento, não se sentia feliz e paralelo a isso seu livro estava em ascensão, recebia diversos elogios e comentários positivos diariamente. Decidiu que deveria procurar alguém que estivesse disposta a ler um pouco do que escrevia para dar uma opinião sincera: uma ajuda, um auxílio, iluminar os pensamentos… Então fez algo que até então nunca havia feito: postou que estava procurando essa pessoa. A Patrícia era a pessoa ideal para isso porque comentava muito sobre literatura no Twitter. Falava sobre diversos livros, reclamava ou elogiava, interagia em diversos posts… e foi assim que elas começaram a conversar de fato. A intimidade aumentou rapidamente, mas Keziah nunca levou muito a sério a possibilidade de algo, principalmente por morarem em estados diferentes no meio de uma pandemia. Conversavam, compartilhavam coisas da vida, faziam maratona de filmes, mas acreditavam que seria uma amizade e ela ainda tentava entender e processar o término da relação que vivia. Quando entendeu que estava solteira oficialmente, Patrícia começou a flertar de forma mais direta e até apresentou seus amigos de forma online, compartilhando grupos de jogos durante o período pandêmico. E cada vez mais, também, compartilhavam sobre sua escrita da forma que Keziah procurava: alguém para trazer opiniões e ideias criativas. Alguns meses depois de estarem nesse processo, em meio à pandemia, morando em estados diferentes, mas conversando e já desenvolvendo sentimentos, Keziah voltou a morar com os seus pais no interior do Ceará por conta das questões financeiras de estar desempregada e entendeu: agora está ainda mais distante a ideia dessa relação um dia dar certo. Mas, depois de muita conversa, entenderam o quanto se gostavam e queriam tentar se conhecer pessoalmente, seguir aos poucos a relação à distância. Keziah comprou a passagem para Recife de ônibus logo que algumas medidas de lockdown foram “afrouxadas”, numa viagem de 14 horas. Ficou mais de uma semana hospedada em um apartamento que alugaram para poder ficar isoladas e sem colocar a família em risco. O primeiro lugar que visitaram juntas foi o local que fizemos a documentação (o Marco Zero) e, por mais que Keziah nunca tivesse viajado dessa forma, todas as amigas estavam mais felizes que preocupadas, já torcendo pelo casal. Keziah estava decidida a fazer o ENEM novamente para voltar à faculdade e colocar a opção de cursar no Recife, fazendo sua mudança para lá. Deu a notícia para Patrícia com medo dela se assustar, afinal, estavam se conhecendo pessoalmente depois de tanto tempo… E ela respondeu que não estava nenhum pouco assustava porque na cabeça delas, já poderiam até se casar. Ela pensou: “Ufa, bom, na minha também! Então tá tranquilo!”. Conta que depois dessa primeira semana, se apaixonou completamente por Recife e não se arrepende da escolha que fez de morar na cidade, gosta muito de ter escolhido Pernambuco como seu lar. Cerca de um ano depois de se conhecerem pessoalmente, Keziah se mudou de fato para Recife. Diferente dos planos iniciais, não fez o ENEM, mas sim um processo seletivo numa empresa e já chegou na cidade com um trabalho fixo. No começo, alugou um apartamento, mas passava tanto tempo na casa da Patrícia que acabou indo morar lá de vez. A família da Patrícia, por sua vez, não aceitava no início o fato dela se relacionar com outra mulher… mas foi aprendendo a lidar (e adorar) a companhia da Keziah. Um dia, quando a Keziah ainda morava em Fortaleza e contou que gostaria de se mudar, ao se despedir a mãe da Patrícia disse para ela voltar mais vezes, pois adorava a “casa com barulho”. Pois vivem bem e a casa segue com barulho todos os dias. Passaram a entender o amor como uma escolha. Enxergam a paixão que sempre existiu, mas o amor que vivem nessa rotina, dentro de casa com os pais, com os bichos, com a saga por terminar a faculdade, os desafios do trabalho ou vivendo na cidade, são escolhas diárias que firmam compartilhar e ultrapassar juntas. Ficam positivamente surpresas quando enxergam o equilíbrio que lidam com as coisas e a construção que foi feita nesses anos. Ressaltam que é um amor que leva o tempo inteiro: desde uma acordar mais cedo para poder fazer o café para a outra ir na faculdade e não perder o horário considerando todo o trânsito que leva até chegar, todas as formas que consideram suas correrias e dividem os pesos para não ser tão pesado pra uma pessoa só… acreditam que tudo só dá certo por conta disso. “Eu acho que dá certo porque a gente estava sempre, tipo... Tentando se ajudar. Sim. O tempo inteiro.” Quando para pra pensar nesses 4 anos de relação, Keziah conta sobre um diagnóstico de depressão que foi dado há anos atrás e que, na época, o pensamento era que não havia perspectiva de coisas boas. Como se no futuro não houvesse lugar para nada de bom na vida pessoal ou profissional. Mas hoje em dia, de alguma forma, o relacionamento faz tudo parecer muito leve e é muito legal pensar sobre esse merecimento do amor. Hoje em dia também não há mais diagnóstico depressivo. ↓ rolar para baixo ↓ Patricia Keziah

  • Opa, tão nos copiando por aí? | Documentadas

    Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Vem participar você também! • como copiar o doc • que esse projeto é lindo a gente já sabe que todo mundo deseja ter um doczinho pra chamar de seu? é óbvio! mas tem gente ultrapassando os limites para chegar nesse objetivo papo reto: o doc é estudado projetado desenhado... não vamos aceitar cópia barata & cafona por aí. então, decidimos: opa, mas calma. caiu aqui de paraquedas e não tá entendendo nadinha? vem conhecer o doc antes! ♥ agora sim, parte 1: a nossa fonte > os nossos lambes a frase "toda mulher merece amar outra mulher" foi adotada pelo .doc a partir de uma documentação que fizemos na casa de um casal [e fotografamos ela em um objeto] em 2021. na época, postamos algumas vezes e recebemos alguns comentários dizendo que deveríamos fazer um adesivo com ela estampada. e não é que deu certo? foi crescendo, crescendo, e virou a cara do documentadas, sendo usada principalmente nos nossos lambes. até então, não disponibilizávamos esses lambes para colarem por aí, acreditamos que ele é a forma que o doc ocupa as ruas enquanto arte. mas agora você pode obter ele clicando aqui: baixar moldes dos lambes aqui #olha a dica! para colar os lambes direitinho, se liga nisso aqui: - pincel ou rolinho na mão; - superfícies lisas >> e não inventa de colar lambe em local privado sem autorização! por favor! dê preferência à postes e converse com o dono do local antes de sair colando por aí; - cola tipo PVA + água, misturadas em um recipiente, não deixando nem muito denso, nem muito líquido; - chama alguém para te acompanhar, não indicamos fazer a colagem sozinha; - deixa o lambe liso com a cola bem espalhada, assim garante a durabilidade :D espalhar a frase por aí com a nossa fonte e a nossa logo é importante para garantir a identidade e a representatividade do projeto, fazendo com que ele seja reconhecido facilmente e amplamente divulgado - afinal, é assim que chegamos em mais mulheres , né? não edite esse material nem recorte a nossa logo dele. colabore com a arte. parte 3: outros produtos do .doc temos outros produtos de alta qualidade que só a gente faz: quadros, camisetas e postais. esses, você encontra na nossa loja. ó a loja do doc, que linda • para entender melhor • por que a pirataria é mais barata? - material de baixa qualidade; - produção em escala absurdamente maior; - possuem fabricação própria; - não estudam e desenvolvem o material, apenas pegam o que já existe de artistas que produzem; - não possui serviço online de retorno (atendimento) - não enviam para todo o Brasil por que os produtos do .doc custam esse valor? - temos um material de melhor qualidade - não possuímos fabricação própria, inclusive temos gasto de frete buscando na cidade de fabricação; - pagamos uma plataforma de venda; - pagamos taxas bancárias a cada venda; - não temos equipe, tudo é feito por uma pessoa (humana & artista); - pagamos pelos materiais que acompanham a ecobag (panfleto pôster + adesivos brindes) + embalagem + etiquetas; - a ecobag é um produto que garante o projeto a se manter em funcionamento, ainda com margem de lucro pequena; - enviamos para todo o Brasil; - qualquer problema que você tiver com o produto (rasgou, não serviu, foi cobrado errado) estaremos aqui para te atender; vamos ensinar a copiar o doc. //como diria nossa mãe: "quer fazer? faz direito". parte 2: nossas ecobags são elas, as queridinhas da pirataria. para a nossa tristeza: porque a ecobag é o nosso principal produto. que vacilo, né? ainda por cima piratearam ela em comic sans. pô, não dá. pega aqui o molde pra fazer a tua. faz bonito, tá? baixar moldes das ecobags aqui [quer vender com a nossa autorização em alguma feirinha? manda um e-mail para nós através do nosso site ou diretamente para fernanda@documentadas.com ] ah, mas que trabalhão fazer, né? também acho. por isso, nossa ecobag está com 60% de desconto no site depois desse furacão que vivemos. sim, é para zerar o estoque. bora com a gente? vamos encarar a pirataria de frente e fazer a nossa ecobag estar pelo Brasil todo. o que faz do doc uma marca incomparável com a pirataria? somos um projeto artístico, estudado e executado com respeito. além disso, em cada produto adquirido você contribui para que mais mulheres tenham suas histórias registradas por todo o Brasil, num documento inédito e que, até o início do projeto, era inexistente. adquirindo um produto pirata, você só contribui para a desvalorização da arte.

  • Carol e Gabi

    Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. A conexão entre Carol e Gabi foi acontecendo aos poucos, quase por acaso. Frequentavam os mesmos espaços, Carol era amiga da irmã da Gabi e isso fez com que Gabi até fotografasse a Carol em um evento, mas nunca prestaram real atenção uma na outra. O primeiro contato mais direto aconteceu em um evento de fotografia, em 2017. Quando Gabi chegou e reconheceu Carol pela voz, se apresentou de forma animada dizendo que ela era a Gabi, que tinham amigas em comum. Ao contrário do que Gabi na hora esperou, Carol não demonstrou o menor interesse na informação. Ela ficou até um pouco sem jeito, desconcertada, pensou ter sido expansiva demais. Depois do evento e da situação, Carol decidiu seguir Gabi nas redes sociais. No evento em si, não trocaram mais nenhuma palavra. Mas, aos poucos, começaram a interagir online. Em 2018, sem ainda serem exatamente amigas, viajaram juntas para um congresso de fotografia. O motivo foi objetivo: dividir os custos (arrumar um hotel ou apartamento para ficar, dividir os transportes…). Mas essa convivência inesperada mudou a dinâmica entre elas. Gabi, que até então era casada, viveu seu relacionamento até 2019. Conversava muito com seu ex-marido e parceiro de tantos anos, até o momento que entendeu que não cabia mais estar em um relacionamento com um homem. Depois que se separou, viveu um ano de mudanças muito intensas em si. Em 2020, ela e Carol começaram a se relacionar. Aos poucos, foram compartilhando a novidade com os familiares - o maior medo de Gabi sempre foi a reação do filho - e, no dia da conversa, tomada pela emoção, chorava muito enquanto contava… mas ele agiu da melhor forma possível, dizendo: “Você tá chorando por quê, menina? Ah, deita aqui. Que besteira. É importante você ser feliz”. E descreve a sensação de alívio e de acolhimento. Desde então, ela e Carol seguem juntas, mas só em 2021 que de fato Carol começou a frequentar mais a casa de sua família e, em 2022, decidiram morar juntas. Gabi já vivia uma série de mudanças desde 2019, que foi um ano de transformação. Porém, em 2020 com a pandemia de Covid-19 sente que as mudanças deixaram de ser internas para serem externas, todos estavam em mudança (e ainda mais drásticas). Nos primeiros meses da quarentena, ficaram sem se encontrar. Em 2021, Gabi pegou Covid e sentiu muito medo. Ao mesmo tempo, havia os receios do relacionamento: como contar para a mãe, para a irmã? Tudo estava acontecendo ao mesmo tempo e foi necessário se reorganizar em meio às inseguranças. A relação de Carol e Gabi trouxe transformações profundas para ambas. Gabi observa o quanto Carol mudou - antes, ela jamais aceitaria aparecer em frente a uma câmera, e agora, não só topou a documentação da história delas, como se empolgou com a ideia. Isso as fez refletir sobre como, apesar de fotografarem tantas famílias diariamente, pouco documentavam suas próprias vidas assim, contando a história. Dessa vez, entenderam a importância de registrar essa trajetória. O início não foi fácil. A mãe de Gabi se opôs à relação, mas, em 2020, tudo mudou. Com o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica do pai, Gabi já havia vendido o carro após a separação, e Carol esteve presente em todos os momentos, ajudando Gabi e a mãe a levá-lo onde fosse necessário. Esse cuidado foi essencial para transformar a relação entre elas, e hoje, são muito próximas. Para Gabi, isso reflete a essência de Carol: alguém que se doa, cativa e constroi laços verdadeiros. Essas vivências só reforçaram que o amor entre elas é uma escolha diária. A maturidade trouxe essa certeza. Não é apenas o desejo de estar juntas, mas a decisão de construir algo sólido. Gabi sempre foi vista como uma pessoa alegre, mas, por muito tempo, sentia que não tinha sonhos, que não se via no futuro. Até perceber que essa falta de perspectiva vinha de sua própria história e que era possível mudar isso. Hoje, ao lado de Carol, ela se permite sonhar. Planeja. Visualiza o futuro. E percebe o impacto disso em todas as áreas das suas vidas (pessoal e profissional): uma impulsiona a outra a enxergar mais longe. Gabrielle estava com 37 anos no momento da documentação. É natural de Maceió, mãe de um adolescente de 15 anos. Sempre se reconheceu como bissexual, mas entende que parte dessa vivência foi moldada pela heterossexualidade compulsória e pelas expectativas da família tradicional brasileira. Quando seu filho completou 10 anos, tomou a decisão de se assumir e iniciar um novo capítulo ao lado de Carol. Atualmente, trabalha enquanto fotógrafa e artista visual, se destacando por seus trabalhos com retratos; Além disso, é funcionária pública há 17 anos, trabalhando como secretária em uma escola. Seu tempo livre é preenchido com literatura, música e artes, suas grandes paixões. Carolina estava com 37 anos no momento da documentação. Também fotógrafa, nasceu em Maceió, mas passou boa parte da vida no Rio de Janeiro, além de outras cidades antes de retornar à sua terra natal. Seu trabalho transita por diferentes universos (ensaios, shows, casamentos) e sua paixão por música a acompanha dentro e fora da fotografia. Adora assistir a shows ao vivo, sair para beber uma cerveja e explorar a cidade. O relacionamento entre elas trouxe transformações significativas, especialmente para Carol, que sempre teve hábitos muito fixos e gostos bem definidos. Com Gabi, passou a se permitir experimentar mais, explorar novos caminhos e redescobrir o prazer da novidade. Juntas, construíram uma relação baseada na troca, no respeito e no amadurecimento. Se impulsionam a sonhar, a expandir horizontes e a se reinventar todos os dias. ↓ rolar para baixo ↓ Gabi Carol

  • Ariadne e Barbara | Documentadas

    Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Barbara estava com 35 anos no momento da documentação. Natural de Recife, mora na casa em que fizemos a documentação desde que nasceu. É psicóloga, atende casais e trabalha também numa luderia - uma casa com jogos - que começou como um grande hobby e que se tornou um empreendimento com mais dois amigos. Lá é um dos lugares onde ela e Ari se sentem mais felizes, junto com os amigos, descobrindo novos jogos ou jogando os mesmos de sempre que adoram. Bárbara também é apaixonada por sua família e por seus bichos. Ariadne estava com 33 anos no momento da documentação. É formada em publicidade e também em psicologia, atua enquanto psicóloga atendendo na área da gestalt terapia (inclusive atende no documentadas!). É natural do Rio de Janeiro, mas cresceu em Recife e entende que precisou ser adulta muito cedo, saindo de casa e encarando a vida. É apaixonada por jogos, por literatura, crochê, artesanato… está sempre aprendendo algo novo. Em 2018, quando Ari e Barbara se conheceram, Ari estava num relacionamento que já durava cerca de seis anos com um homem e havia uma mudança planejada para São Paulo para morarem juntos. Fez uma entrevista de emprego, conseguiu passar, estava com a data marcada para começar o trabalho. No processo da ida para São Paulo, decidiram abrir a relação, já que estavam longe, e Ari entrou em um aplicativo de relacionamentos. Foi quando viu uma pessoa que estudava com ela na faculdade - a Barbara. Porém, na sala de aula, Ari não interagia com os colegas, ficava no seu canto e não chamava atenção. Quando começaram a conversar no aplicativo, Barbara não lembrava da Ari ser sua colega, e a foto da Ari era meio escura, não mostrava muito seu rosto porque ela não queria se expor… Barbara até sondou com os amigos: “Gente, quem é essa pessoa?!” mas ninguém soube dizer… até que uma amiga em comum a reconheceu. Durante o final de semana elas conversaram e marcaram um encontro na terça-feira, mas segunda iriam se ver na faculdade de qualquer forma e ficaram nervosas porque não sabiam como reagiriam. Brincam que foi a coisa mais vergonhosa que já fizeram, não se cumprimentaram na sala, Ari chegou a sentar próximo da Barbara/do grupo de amigos dela e piorou a situação porque o celular da Bárbara quebrou e ela queria uma forma de comunicar Ari sobre isso, mas ao invés de simplesmente dizer para ela, escrever um bilhete ou qualquer coisa semelhante, ela resolveu falar muito alto “EITA galera!! Meu celular quebrou!!!” jogando o celular no chão. E depois, deu todo um jeito de conseguir o número dela com um amigo, para falar com ela sobre o encontro. Hoje em dia dão muita risada sobre a imaturidade, era realmente só falar, mas faz parte do nervosismo que estavam tendo com a situação. Ari conta que Barbara foi o primeiro encontro dela tendo um relacionamento aberto, e ainda era a menina da sala dela na faculdade… Isso era motivo o bastante para estar ansiosa. Fumou um cigarro antes de chegar, depois se arrependeu por conta do cheiro do cigarro que iria ficar na roupa… Já chegou falando “Eu não fumo!! Isso aqui é de vez em nunca!” antes mesmo da Barbara perguntar. Tiveram um encontro muito bom, Ari contou que estava com a viagem marcada para ir embora, a conversa fluiu por muito tempo, passaram a madrugada e viram o dia amanhecer. Quando se despediram, falaram que se encontrariam na faculdade à noite e combinaram: como se cumprimentar, como agir. Para que não se repetisse o que aconteceu na segunda-feira. Continuaram se encontrando na faculdade, tendo o romance “com prazo de validade”, até que um dia estavam voltando da aula, Ari olhou e disse: “Eu nem vou mais viajar pra São Paulo” numa naturalidade imensa. Ari explica que percebeu o quanto o relacionamento não era um lugar bom, que estava há muito tempo querendo sair e que abrir para conhecer outras pessoas foi quase que uma fuga para que seu ex companheiro arrumasse alguém e conseguisse ficar em São Paulo sendo feliz, assim a barreira física não seria mais um problema. Percebeu que estava apaixonada por Bárbara, que não fazia sentido dar continuidade na mudança e nem que estava preparada para se mudar e mudar toda sua vida. Decidiu primeiro cancelar a mudança, não terminar a relação de imediato, mas cancelar os planos. Ari contou para o ex companheiro que estava se relacionando com Barbara e aos poucos foi ficando evidente o quanto elas estavam juntas, até o momento em que entenderam que seria melhor terminar. Barbara conta que durante esse processo, aconteceram dois momentos importantes: o primeiro foi um dia que elas se embriagaram e se declararam, entenderam que não era uma paixão momentânea e que estavam sentindo algo real, mesmo sendo sinceras porque estavam bêbadas. E a segunda situação foi durante uma cerimônia de Ayahuasca, em que conversaram e que Ari estava incomodada por não terem uma definição sobre o que elas eram. Bárbara foi muito direta: “Você namora e eu estou solteira. Quando você resolver sua vida, a gente namora.” e no dia seguinte Ari terminou sua relação. Entendem que, no fim, o processo foi intenso e rápido. Viveram outras relações longas que exigiam muito menos coragem. E juntas, desde o primeiro dia, fizeram coisas que em outros relacionamentos não conseguiram fazer: andar de mãos dadas com outra mulher na rua, por exemplo, de uma forma muito natural, espontânea, corajosa. Apresentaram suas famílias, ficam felizes por todos se darem tão bem e conviverem juntos, romperam muitas barreiras de forma rápida. Depois de um ano de relação, Ari e Bárbara viveram a pandemia de Covid-19 ainda morando em casas separadas, mas Ari passou um tempo morando sozinha e por conta das dificuldades que a pandemia demandava em mobilidade decidiram passar mais tempo juntas na casa dela ou na casa de Barbara. Decidiram morar juntas por um tempo no fim da pandemia, até que Ari devolveu o apartamento e conversaram sobre alugar um apartamento e formar um lar. Viram que os custos eram bastante altos, então o pai de Barbara ofereceu parte da casa onde ele mora - e lugar que fizemos a documentação - para que elas morassem com os bichos em um lugar espaçoso e confortável. Estão há pouco mais de dois anos morando juntas nesse novo lar e há cerca de um ano e meio abriram a luderia, casa de jogos de tabuleiros que empreendem junto com outros dois amigos. A ideia surgiu porque durante a pandemia começaram a alugar alguns dos seus jogos, entenderam o potencial e a demanda, ainda mais por não haver algo assim em Recife, foi quando abriram o espaço físico junto com um bar. Contando sobre a luderia, elas dão um exemplo de como se dão bem na comunicação e nos planos: numa situação, ficaram muito tempo tentando explicar uma coisa uma para a outra. Ari tentava explicar sua visão e não entendia a visão da Bárbara de jeito algum, enquanto Bárbara passava pelo mesmo, mas elas não desistiram de tentar se comunicar. Foi quando Bárbara disse como era legal ver o quanto elas se esforçaram para ouvir e falar, explicar os pontos, serem didáticas, até desenharam. Acreditam que isso se espelha em toda a relação e na forma que conduzem as coisas. Nunca tiveram brigas pesadas, sempre prezam pelo respeito e pelo carinho, acreditam que o amor está nesse lugar que respeita quem a pessoa é e acompanha o crescimento dela. ↓ rolar para baixo ↓ Barbara Ariadne

  • Susy e Pâmela | Documentadas

    Somos um projeto que conta a história de mulheres que se relacionam com mulheres. Documentadas caminha ao lado do empoderamento da comunidade LGBT. Susy estava com 38 anos no momento da documentação. Nasceu em Imperatriz, interior do Maranhão e também já morou no Pará por um período de trabalho. Sua volta ao Maranhão foi motivada pela saudade da Pâmela, como ela brinca ao contar. Atualmente trabalha enquanto pedagoga em uma escola de educação infantil do bairro e também na Universidade Estadual do Maranhão, onde pesquisa gênero e sexualidades. Além da vida profissional, gosta de dançar, assistir filmes e séries. Pâmela estava com 37 anos no momento da documentação. Também é natural de Imperatriz, mas nunca morou fora da cidade. Enfermeira formada pela Universidade Federal do Maranhão, atua na área há mais de 13 anos e também dá aulas em uma faculdade particular. É apaixonada por leitura, cinema, cozinhar, fazer churrasco e explorar o universo do café, ainda que de forma simples, gosta de aprender um pouco. Afirma ser mais tímida do que Susy, mas se solta quando está em ambientes seguros e acolhedores. Em 2008, na universidade, Susy e Pâmela foram apresentadas por uma amiga em comum. Susy cursava pedagogia à noite e Pâmela enfermagem durante o dia (a amiga, por sua vez, cursava direito - eram áreas diferentes interagindo). Pâmela era envolvida na militância da universidade… Susy era mais na dela e não concordava muito com as greves. Mas algo foi se unindo: na época, Susy participava de uma igreja evangélica junto com a amiga e Pâmela, embora de família católica, também começava a frequentar a mesma religião que elas. Então a aproximação inicial veio desse espaço religioso e das atividades da universidade. A amizade se formou com naturalidade, até que se viram conversando muito mais que o normal - no início era por SMS, aproveitando os 60 minutos de ligação a cada recarga… depois migraram para o MSN usando os computadores disponíveis no laboratório da universidade ou no trabalho do pai da Pâmela... Fato era: estarem juntas ou trocarem mensagens o tempo todo era o que as deixava feliz, com uma intimidade crescendo junto da conexão. O ponto de virada aconteceu quando Susy organizou um aniversário para Pâmela, já que esse não era um costume em sua família. Preparou fotos, vídeos e depoimentos para exibir na igreja. Ao selecionar as imagens, encontrou uma em que Pâmela estava mergulhado no Rio Tocantins (rio que beira a orla de Imperatriz). Ao ver a foto, Susy ficou ‘paralisada’ um tempo, não conseguia parar de olhar e percebeu algo diferente: essa admiração não era a mesma admiração que tinha por outras amigas. Foi ali que entendeu, pela primeira vez, que havia algo além da amizade entre elas. A aproximação entre Susy e Pâmela foi deixando de ser só uma amizade de forma muito sutil: os abraços demorados, os carinhos discretos, tudo havia muito toque na pele. Aos domingos, Pâmela buscava Susy de carro para irem juntas à igreja e naquele momento criavam um espaço de intimidade não-nomeada. Mas o primeiro beijo só foi acontecer de fato no centro acadêmico da universidade, onde Pâmela era responsável por algumas coisas do espaço e lá poderiam se sentir seguras quando estavam sozinhas. Porém, junto do afeto veio também o peso da culpa, alimentado pelo ambiente religioso e pelo preconceito familiar. Ou seja: depois de ficarem juntas no centro acadêmico, entenderam em conjunto que estavam errando e decidiram por confessar o que aconteceu às lideranças da igreja - que orientaram cada vez mais o afastamento. Assim, em 2010, interromperam o contato próximo e se restringiram a uma amizade contida. Durante os próximos quatro anos muitas coisas aconteceram… Susy se mudou para o Pará, elas se formaram e a relação ficou suspensa nesse lugar da amizade - mas que internamente era puro desejo. Mesmo sem assumir o que sentiam, a atração nunca desapareceu: às vezes se encontravam e o toque na pele ainda deixava claro que havia algo ali. Mas, o conflito era intenso, sobretudo para Pâmela que enfrentava muitos comentários homofóbicos dentro de casa. Em 2015, fora do ambiente da igreja, decidiram finalmente dar uma chance ao relacionamento. O namoro começou às escondidas, sem que ninguém da família ou do círculo de amizades soubesse oficialmente. E esse sigilo durou: foram quase cinco anos vivendo o amor em silêncio, entre encontros discretos e afetos guardados pra ser vividos apenas sem ninguém por perto. Alguns amigos desconfiavam, mas não havia perguntas diretas e elas também não se sentiam bem para contar. Foi um período que o amor significou: se proteger. Durante uma viagem a Salvador, no ano novo de 2018 para 2019, Pâmela pediu Susy em casamento. Não havia ainda uma perspectiva clara de como concretizar esse passo, mas o gesto representava a certeza de que queria dividir a vida com ela. De volta à Imperatriz no começo do ano, a decisão de assumir a relação começou a pesar mais para Pâmela, especialmente por causa das questões familiares e da dificuldade em enfrentar a rejeição que sabia que poderia vir. Susy, que já morava sozinha, recebia Pâmela em sua casa aos finais de semana, e nesse período começaram a considerar morar juntas. Pensaram também em alugar ou comprar um apartamento, até que surgiu a ideia de formalizar uma união estável. Mas toda a conversa foi evoluindo: se fariam a união, então que fosse um casamento. Numa única noite, entre um papo corajoso e cerveja, decidiram tudo. No dia 16 de maio de 2019 oficializaram o casamento - e foi com o casamento que se assumiram publicamente. Decidiram que cada uma contaria para a própria família no mesmo dia e horário. Susy levou a mãe até sua casa, enquanto Pâmela saiu mais cedo do trabalho e também contou para sua família. A conversa foi direta: não se tratava de pedir autorização, mas de afirmar a escolha de viver juntas e de reconhecer que a relação já existia havia cinco anos. A decisão era simples, a reação nem tanto. A mãe de Susy não recebeu bem a notícia e desde então nunca aceitou bem a relação. Entretanto, mesmo com o preconceito enraizado das famílias, elas seguiram firmes na decisão e no compromisso assumido. Não foi fácil viver tantos anos um relacionamento escondido de todos, mas agora entendem que vivem o melhor do bem-estar e da maturidade que foi construída nesse tempo todo. Susy conta de um período de fragilidade que passou por uma cirurgia e que Pâmela cuidou dela de uma forma intensa e inesperada. Ainda depois de tantos anos, esse momento foi muito importante e fez a relação ultrapassar o campo do amor romântico, é um espaço de cuidado e entrega. Elas contam também como o amor se tornou referência. O próprio casamento que foi pioneiro em Imperatriz - antes a cidade nunca havia oficializado união entre mulheres no cartório. Hoje elas contam como frequentemente pessoas chegam para reconhecer a relação delas enquanto uma inspiração e como isso é importante porque elas não tiveram referências quando começaram. Susy mesmo citou que parecia impossível que lá, no “último DDD do mapa” (o DDD 99), parecia que essas coisas nunca iriam dar certo. Mas foram prova de que deu (e dá). Hoje em dia a naturalidade faz parte de tudo: seja sair de mãos dadas, trocar gestos de afeto, participar de eventos LGBTs na cidade… fazem questão de viver sendo quem são. O lar, marcado pelos dois gatinhos e por um canto seguro, também é o espaço acolhedor onde fazem questão de viver bem. Não há mais motivos para não ser quem são. ↓ rolar para baixo ↓ Susy Pâmela

  • Página de erro 404 | Documentadas

    404 error vish maria. como você veio parar aqui?! nem eu, que sou o site, sabia que essa página existia. acho que isso é um erro. vem cá, vamos lá para o início. o lugar que você queria chegar é outro, né? pesquise aqui o lugar que você deseja

  • Lilian e Marcela | Documentadas

    O encontro da Lilian e da Marcela com o Documentadas aconteceu poucos dias antes do casamento delas - que não seria nada convencional - um casamento temático de festa junina! Nos encontramos em sua casa (que também é o lugar onde trabalham sendo padeiras) e estavam entre muitos preparos: desde as últimas encomendas da padaria, pois sairiam de férias/e lua de mel logo após a cerimônia, até as preparações do casório porque tudo foi feito entre muitas mãos - comidas, decorações, lembranças… não contrataram buffet ou empresas para isso, contaram com os próprios serviços e de amigos que também trabalham com gastronomia. A festa foi dedicada a reunir pessoas que amam e fazer todas se sentirem bem: que vistam se sentindo bem, comam bem, dancem, brinquem, se divirtam. Todos estavam muito empolgados, inclusive as contratadas, que são apenas mulheres - fizeram questão disso e foram atrás até de banda de forró sapatão, que fez com que a festa ficasse muito mais animada. Conversamos sobre entender a instituição casamento com o recorte de se tratar de duas mulheres e em tudo o que isso envolve. Por mais que existam várias críticas sobre essa instituição e seus conservadorismos, existe também o lado político pela importância de ter um documento que afirma esse amor. É muito importante o evento, a celebração. Reconhecer que os familiares estão viajando de longe para celebrar esse amor que sempre nos foi negado, que toda relação heteronormativa é celebrada e comemorada o tempo todo, mas entre duas mulheres fomos colocadas num espaço de não-celebração, ficamos minguadas, podemos até beijar mas não demonstrar tanto, não abusar da demonstração… Então celebrar um casamento é celebrar MESMO. Celebrar com vontade. Ter quem você ama celebrando com vocês. Celebrar duas mulheres amando. E, para elas, o casamento só faria sentido se fosse vivido assim como será: com todas as pessoas lá, de forma coletiva. Elas construíram essa relação pensando no mundo que acreditam. Se sentem confortáveis, acolhidas. Sentem que a relação é uma grande mesa com comida e todos ao redor, compartilhando. ​ Lilian, no momento da documentação, estava com 30 anos. Nasceu no interior do Espírito Santo, num município chamado Pinheiros, mas cresceu em Vitória, na capital. Ao completar o ensino médio foi para Mariana, em Minas Gerais, cursar história e durante a faculdade descobriu a disciplina de antropologia da alimentação. Quanto mais estudava, mais se interessava e ao finalizar a graduação começou a estudar gastronomia. Ao se mudar para Minas Gerais, não tinha conhecimentos em culinária, mas aprendeu pela necessidade e a primeira receita que fez por vontade própria foi pão de fermentação natural. Começou a ser um hobbie, mas logo se viu pesquisando mais sobre panificação e misturando a panificação com seus outros estudos dentro da gastronomia. Foi então que conheceu uma pesquisadora chamada Neide Rigo, que explica sobre plantas, hortas na cidade, sobre o que plantar > o que comer, e consumindo os conteúdos que essa pesquisadora publicava conheceu um restaurante em São Paulo, o Maní. Viu que estavam com inscrições abertas para trabalhar por um período, se inscreveu e passou, foi assim que sua mudança para São Paulo aconteceu, em 2018. O período de trabalho seria, inicialmente, de 4 meses, mas virou uma contratação e ela se oficializou enquanto padeira. Conta como foi incrível, não conhecia mulheres padeiras - ou melhor, conhecia uma só que acompanhava o trabalho e admirava. Foi uma grande realização profissional. E, para além da padaria, ela segue adorando cozinhar e descobrir receitas, inventar festas temáticas com comidas temáticas para reunir os amigos e familiares, pesquisar sobre culinárias e culturas. Marcela, no momento da documentação, estava com 27 anos. Ela é natural de São Bernardo do Campo, mas cresceu em uma cidade pequena chamada Dracena, no interior de São Paulo, onde viveu até os 17 anos. Cresceu numa família bastante grande e tradicional e passou pelo seu entendimento de gênero e sexualidade bastante cedo, então não se sentia bem no lugar onde morava, decidiu sair da cidade e se mudar para Campinas, também em São Paulo, para cursar faculdade de Artes Cênicas. Lá, durante 4 anos, se sentiu muito feliz e viveu diversas descobertas. Em 2018, precisava de maior independência financeira e procurou uma nova fonte de renda: começou a fazer pão de fermentação natural em casa. Depois disso, procurou trabalho na área, indo em padarias e oferecendo o seu serviço. Conseguiu trabalhar em uma padaria e depois disso se organizou financeiramente para se mudar para São Paulo (capital), até que em 2019 a mudança aconteceu. Logo que chegou na cidade, fez o mesmo que havia feito em Campinas: foi de lugar em lugar oferecendo seu trabalho. O primeiro lugar que ofereceu foi na padaria do Maní e a chamaram para alguns freelancers, então vez ou outra ela ia cobrir alguém, inclusive a Lilian, quando tirou alguns dias de férias. Depois desses freelas, ela foi contratada de fato. ​ Quando começaram a trabalhar juntas, conversavam bastante. Lilian é muito acolhedora, conta que isso vem de família, aprendeu a acolher, conversar, receber bem as pessoas porque sua família é assim. Na época, ela morava em um apartamento dividindo lar com amigos e apresentou essas pessoas para a Marcela, inseriu ela na sua vida e logo viraram amigas. Marcela também foi se abrindo, contou que recém estava solteira, que queria desbravar São Paulo, aproveitar a cidade, não queria namorar. Aos poucos, às vezes se olhavam de um jeito diferente enquanto trabalhavam. Lilian percebia um jeito da Marcela observar… Até que um dia Marcela chegou um presentinho para ela, entregou e disse: “Não significa nada”. Quando Lilian chegou em casa, contou para a amiga e a amiga disse: “Significa!!! Ela te quer!!”. Num dia, saindo juntas, alguns meses depois de terem começado a trabalhar, se divertiram, foram em vários lugares até que Lilian perguntou o que estava significando aquilo. Marcela respondeu algo que Lilian até hoje acha muito legal, ela disse que achava que estava apaixonada pela Lilian, não sabia se era romanticamente, mas que adorava passar um tempo com ela, estar ali, adora a amizade e que sentia vontade de beijá-la. Lilian disse que sentia também, e assim elas se beijaram. Desde então elas ficaram juntas, mas Lilian tinha uma mudança de vida planejada: ela iria para a Espanha. Já havia desfeito a casa que compartilhava, vendido suas coisas, pedido demissão da padaria… Sua vida havia se resumido em uma mala. ​ Passaram o final de 2019 juntas e em fevereiro de 2020 Lilian saiu de fato do trabalho, até lá elas estavam apenas vivendo, se divertindo, sabiam que a separação viria em breve. Os planos da Lilian eram visitar seus amigos em Minas Gerais, a família no Espírito Santo e se mudar de vez para a Espanha. Porém, dias antes, chegou a pandemia de Covid-19. Quando isso aconteceu, ela estava hospedada na casa de um amigo, uma kitnet em São Paulo, esse amigo havia acabado de se mudar para cursar medicina na USP e ele orientou: “Estão correndo boatos de que isso aí vai durar uns dois anos no mínimo”. Ele decidiu não ficar em São Paulo e deixou a kitnet com ela. Ela chamou a Marcela e ficaram juntas, mas não tinha nada: trabalho, roupa, perspectiva… os primeiros meses foram de espera, até que a ficha foi caindo porque o restaurante que ela iria estagiar na Espanha fechou, precisou devolver as passagens da viagem e entendeu aos poucos que o sonho acabou. Marcela também foi demitida, precisavam repensar tudo. Em abril decidiram anunciar aos amigos que iriam fazer pão para vender e, logo no primeiro anúncio, foram dois dias de fornadas. Depois, perceberam que trabalharam mais de duas semanas sem parar - e se organizaram melhor. Transformaram a kitnet numa padaria, assim foi seu sustento até novembro, quando se mudaram para um lugar maior. Ressaltam como foi muito importante as pessoas terem comprado de quem faz durante a pandemia. Esse foi o contato humano, foi o que nos uniu mais. Entre o final de 2020 e 2021 moraram em uma casa que possuía mais espaço e lá produziam em maior escala, até que chegaram no lugar que estão agora. Hoje em dia, possuem um espaço separado na casa onde acontece a produção e destinam suas vendas principalmente para pessoas jurídicas, ou seja, outras empresas e restaurantes. Se dão muito bem trabalhando juntas, adoram o que fazem e Marcela acredita muito que o amor entre mulheres está presente nessa torcida que uma tem pela outra, nesse fortalecimento. Vivem uma amizade muito potente dentro desse amor. Lilian concorda: talvez por ser tão poderosa é que muitos temem. São muito matriarcais, cuidam e zelam umas pelas outras. ↓ rolar para baixo ↓ Marcela Lilian

  • Agendamento online | Documentadas

    Nossos serviços Juliana - Consulta 1 h 50 Reais brasileiros R$ 50 Agendar agora Consulta 1 h 45 Reais brasileiros R$ 45 Agendar agora

  • Espaço de pesquisas | Documentadas

    Espaço de Pesquisas Oi! Este é um espaço do qual você pode pesquisar e encontrar histórias de mulheres que participaram do nosso projeto por todo o Brasil! Legal, né? ​ Pra usar, basta digitar no espaço de pesquisa alguma palavra-chave, por exemplo: alguma profissão, alguma cidade, algum tema... É o nosso verdadeiro banco de dados - o primeiro, da história das mulheres que se relacionam afetivamente com mulheres - e precisa ser valorizado! ♥ Todos (61) Outras páginas (59) Serviços (2) 61 itens encontrados para "" Outras páginas (59) Apoio Psicológico | Documentadas ​saúde mental e apoio psicológico para mulheres de todo o Brasil Considerando a importância da representatividade para a construção da identidade de pessoas LGBTs e compreendendo as condições atuais do nosso país e do mundo, criamos no Documentadas uma rede de apoio psicológico. Através da psicoterapia ou da análise, uma profissional acompanhará, ouvindo e proporcionando um espaço de acolhimento para as vivências, sofrimentos e inquietações das mulheres que passam pelo projeto. Nesse primeiro momento, para atender mulheres que amam mulheres e que acompanham o projeto, criamos uma rede de psicólogas e psicanalistas que estão com vagas sociais para atendimentos individuais e online. Apostamos neste espaço porque sabemos o quão difícil é encontrar um ambiente seguro para ser escutada com atenção e cuidado. como funciona? Somos em dezoito profissionais - entre psicólogas e psicanalistas - e temos vagas à preços sociais, cada qual com a sua disponibilidade. Entendemos a importância de abrir essas vagas à valores mais baixos exatamente pela condição financeira particular de cada mulher e econômica que o país enfrenta. Estamos com o propósito de atender mulheres que precisam e que não encontram disponibilidade de atendimento de forma acessível nos meios particulares pagos. ​ Toda mulher poderá se registrar na nossa plataforma acessando a área de login ao final dessa página. Assim, poderá fazer um cadastro dentro da nossa plataforma, consultando o perfil de cada profissional e a disponibilidade de horário/vaga que melhor se adapta à sua rotina. ​ Todos os valores são iguais, o que difere na hora da escolha é a profissional identificada através do breve currículo e da sua disponibilidade. Assim que o prévio agendamento for realizado, o contato entre ambas será feito e a psicóloga mandará uma mensagem. ​ ​ Para ler maiores informações sobre a nossa Política de Privacidade e os Termos de Uso de plataforma, clique aqui ♥ nosso grupo de psicólogas e psicanalistas apoiadoras Viviane Psicóloga graduada pela PUCRS, especialista em Clínica Psicanalítica (UFRGS) e mestranda em Psicologia Social na UFRGS. CRP: 07/23395 Maria Clara Goes ​Psicóloga mestra sobre saúde sexual de mulheres cis lésbicas, pela Universidade Federal da Bahia. Praticante da Psicanálise - CRP 03/27093 Marina Albuquerque Psicóloga graduada pelo Centro Universitário IESB e especialista em Psicologia Humanista. CRP-01/19203. Laís Tiburcio Psicóloga Clínica, Pós-graduanda em Gênero & Sexualidade, formação em Politica Nacional de Saúde LGBT. Estudos em Psicanálise. CRP 05/57276 Ariadne Sitaro Psicóloga Pós Graduanda em Gestalt Terapia e Reprodução Humana Assistida. CRP 02/28387 Júlia Psicóloga - Mestrado na Universidade Federal Fluminense em Psicologia. - CRP 05/60076 Mariana Milan Psicóloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina. CRP 12/26613 Ana Carolina Cotta Psicóloga pela Universidade Federal Fluminense - mestrado em Psicologia Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. CRP 05/58463 Raquel Psicóloga formada pela Faculdade de Pato Branco/FADEP e pós-graduada em Gênero e Sexualidade CRP 12/23076 Camila Psicanalista. Membro provisório do Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre/RS (CEPdePA) e Advogada Especialista em Direito Público Maria Freire Psicanalista pela Escola Letra Freudiana. Doutorado em filosofia. Deyse Van Der Ham Psicóloga - Especialista em Políticas Públicas e Assistência Social pela PUCRS. CRP 07/24426 Marina Nobre. Psicóloga formada pela Universidade de Fortaleza. CRP 11/15307 Caroline Afonso Psicóloga formada em psicologia pela Universidade Luterana do Brasil Canoas/RS. CRP 07/38059 Gabriela Nunes Psicóloga formada pela UNISINOS e pós-graduanda em Psicologia Clínica pela PUCRS. ​ CRP 07/41102 Talyta Psicóloga - graduada pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) - estudos em psicanálise. CRP 06/169049 Paula Psicóloga, formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e pós graduanda em Psicopedagogia. CRP 05/63682 Thays Waichel Psicológa graduada pela Universidade Luterana do Brasil - Canoas/RS. Ênfase em Orientação Psicanalítica. CRP 07/37003 Jamyle Psicóloga - Mestrado em lesbianidades a partir de uma perspectiva interseccional, pela Universidade Federal do Ceará. CRP 11/18191 Ana Gabardo Pedagoga pela Universidade Federal do Paraná e psicanalista pela Associação Livre Centro de Estudos em Psicanálise Dani Psicologia Social, Psicanálise e Educação - Universidade de São Paulo. CRP 06/137811 Larissa Psicóloga formada pela Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo. CRP 06/161422 Kíssila Psicóloga formada pela UFF e pós-graduanda em Fenomenologia Decolonial e Clínica Ampliada pelo NUCAFE. CRP 05/69513 Jade Psicóloga formada pela Uniritter - RS. CRP 07/34186 Ana Clara Ruas Psicóloga pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói. CRP 05/66226 quer ter acesso à terapia/análise ou entrar em contato com a profissional? clica aqui Documentadas Olá; ​ AQUI REGISTRAMOS O AMOR ENTRE MULHERES ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA. Portfólio Para conhecer nossas histórias, clique aqui > sobre 02 sobre nós Olá, me chamo Fernanda e registro de forma documental o amor entre mulheres por todo o Brasil. O documentadas começou através de diversos estudos e da percepção de que as mulheres são pouquíssimo registradas em toda a sua história, principalmente tratando-se de mulheres que se relacionam afetivamente com outras mulheres. Para dar um basta e contar nossa própria história, percorro o país registrando casais e através desse site criamos conexões e laços de fortalecimento. Para conhecer quem faz o documentadas, clique aqui > Banco de images QUER PARTICIPAR DO PROJETO? vem por aqui! :P Mariana Musicista Leia mais Mari, além de ser uma pessoa extremamente doce, é uma musicista e compositora incrível! Ela tem um canal com a Vivi e juntas compõem histórias no Canta Minha História! Iasmim Advogada Iasmin, além de uma mulher super sorridente e alto astral, é também uma grande advogada. Natural de Duque de Caxias, baixada fluminense, hoje trabalha em um escritório no centro do Rio de Janeiro. Leia mais Carla Professora Carla, além de ser grande amante das artes e do teatro, também é professora e pedagoga em escolas públicas de Rio das Ostras e Macaé. Leia mais gerando renda para a comunidade Acreditamos que - além de que contar histórias de mulheres - podemos conecta-las. Falarmos sobre seus trabalhos, compartilharmos situações, momentos e, enfim, gerarmos renda. O mercado de trabalho segue difícil e podemos nos apoiar contratando trabalhos de mulheres da comunidade LGBT. ​ Sendo assim, no nosso espaço de 'busca' você consegue pesquisar pela palavra-chave (o serviço que você precisa), ver qual profissional está à disposição, ler sua história e nos mandar uma mensagem. Nosso papel será te conectar diretamente com a profissional desejada! gerando renda para o projeto Manter o projeto não é tarefa fácil! Fazer viagens, pegar metrôs, ônibus, barcas... disponibilizar tempo e conseguir manter as contas pagas é um grande desafio. E como queremos documentar o maior número de casais possíveis, disponibilizamos o nosso PIX e aceitamos qualquer valor como quantia de doação! Você pode nos ajudar clicando aqui e fazendo a doação (qualquer valor!) de forma voluntária direto pelo aplicativo do seu banco! ​ ​ Colabore com a documentação histórica do amor entre mulheres! nossa loja tá no ar! chega pra cá ♥ Contato Natália e Bruna | Documentadas Bruna diz que ficou até surpresa quando a Natália contou o desejo de inscrever elas no Documentadas, brincou dizendo “Quem te viu, quem te vê, hein?!” porque no começo da relação, principalmente na primeira viagem que fizeram juntas, Natália tinha bastante receio até de pegar nas mãos em público… E agora quer mostrar ao mundo que o amor que vivem é lindo. Entendemos que esse medo é legítimo, assim como essa vontade de afirmação. Bruna completa: a história de amor delas também é a história de descoberta da Natália. Para Nat, o amor precisa ser por completo, ou seja, as pessoas merecem ser amadas como são. Se uma pessoa só te ama se você for heterossexual, ela não está te amando. Existe uma busca na perfeição do que criamos em cima dos outros, mas a verdade é que precisamos aceitar quem eles se tornam, quais profissões escolhem, a forma que entendem o amor, com quem se sentem bem ao relacionar, como vão compartilhar a vida… Isso tudo também é amar. Ela explica que a Bruna traz liberdade, foi um combo: a Bruna + a gatinha dela + o lar é o jeito que elas são felizes. Tudo fica nítido, é estampado a forma que se sentem confortáveis juntas. Não existe um julgamento dentro de casa. Quando uma relação existe e se fortifica é porque ali está o amor, assim enxerga Bruna. O amor a gente encontra na rotina, na construção das pequenas coisas, crescendo, cuidando, estando ali diariamente para se ajudar. Com a Natália foi a primeira vez que ela sentiu de forma plena o equilíbrio: ela pode se doar e vai receber de volta, é acolhedor. ​ Natália, no momento da documentação, estava com 34 anos. Nasceu em Barra do Piraí, interior do Rio de Janeiro, mas foi ainda criança para Niterói e seguiu sua vida na cidade. É formada em jornalismo e fez transição de carreira recentemente, está estudando nutrição. Adora ver filmes, séries, ler e estudar o vegetarianismo e o veganismo. Atualmente, mora no Rio de Janeiro, junto à Bruna, e estão desbravando a cidade, conhecendo novos teatros, parques e outros lugares. No dia seguinte à nossa documentação elas iriam participar da primeira corrida juntas, pois estão focando em atividades físicas no momento. Bruna, no momento da documentação, estava com 36 anos. É natural do Rio de Janeiro, da zona oeste da cidade. Trabalha enquanto enfermeira e atua no ambiente corporativo, cuidando da saúde no trabalho. Além disso, faz trabalhos de marketing digital, adora a área do design e também está estudando tarot, que sempre foi um hobbie. No dia a dia, gosta de praticar exercícios dinâmicos (esportes em geral) e também curte dirigir, se sente calma quando dirige. ​ Entre o réveillon de 2022 para 2023, durante a festa da virada de ano, Bruna e Natália se conheceram. Inicialmente não era nessa festa que Natália iria, ela e a amiga haviam comprado ingresso para outra, mas foi cancelada, então deram a opção de reembolso ou de transferência para uma festa que aconteceria na Barra da Tijuca. Elas, saindo de Niterói, acharam bem ruim a opção de ir para a Barra, mas com o valor do reembolso não conseguiriam comprar outra festa então toparam. Bruna, diferente delas, tinha macado com os amigos para ir na festa da Barra mesmo, sabia que era uma festa com um público muito hétero, que só iria ela e um amigo gay, mas topou ir porque queria se divertir. Logo que chegou, Bruna olhou para Natália. Elas não possuíam amigos em comum, estavam apenas próximas e trocaram olhares. Natália estava apenas com a amiga e percebeu os olhares, mas até então se entendia enquanto uma mulher héterossexual e achou estranho, até engraçado isso acontecendo… A festa seguiu e os olhares também. Bruna então comentou com o amigo sobre elas trocarem olhares e quando ele percebeu, disse que estava sim e a incentivou a ir falar com ela. Quando ela ia tomar iniciativa, um homem chegou até à Nat, e quando ela se livrou dele, Bruna não estava mais lá. Depois da meia noite se reencontraram porque o amigo da Bruna fez amizade com um grupo de meninos gays que a amiga da Natália também havia feito amizade, e assim elas se percebem neste grupo. Dançaram juntas, Bruna chegou rápido na Natália e ela indagou: “Que isso, não vai nem perguntar meu nome?” - então elas falaram os nomes e se beijaram. Natália já tinha ficado com uma menina antes, quando era adolescente, mas seus relacionamentos sempre haviam sido com homens. A festa foi acontecendo e elas não tiveram muitas interações, se encontraram novamente 6h da manhã quando tomaram café e a Bruna foi solicita ajudando a Nat a levar café da manhã para a amiga. Foi quando Nat perguntou como a Bruna se identificava e ela respondeu “Enquanto mulher lésbica, e você?” e ela disse que era bissexual. Ela não pensou muito, isso chegou muito naturalmente e pontual. No dia seguinte conversaram bastante e assistiram à posse do Lula juntas, de forma online. ​ Na semana seguinte ao réveillon tiveram um encontro, se divertiram bastante e passaram a se encontrar com frequência. Ainda em janeiro viajaram juntas e na semana seguinte, dia 4 de fevereiro, começaram a namorar. Quando Bruna soube que Natália não havia ficado com mulheres antes, resolveu ir com mais calma, mas não adiantou, o namoro já estava encaminhado. Foram muitos meses no início da relação indo da zona oeste até Niterói, um caminho bastante longo, para se encontrar - ou melhor, a Bruna indo e voltando buscando a Natália para passar o final de semana na casa dela. Existia um receio muito grande de contar para a família da Nat, então tudo foi acontecendo aos poucos. Somente no começo de 2024, mais de um ano depois de se conhecerem, Nat se abriu para seus familiares. Desde então, não possui mais contato com a sua mãe. Por mais que os outros familiares ainda conversem e acompanhem (ainda que não queiram saber sobre o relacionamento) ela sente muito sobre, é muito triste ficar longe de uma das pessoas que mais ama. Entendem que eles terão seu próprio tempo para processar, assimilar e superar o preconceito, mas que nesse tempo elas não podem deixar de viver o amor mais bonito que já sentiram. Para Natália, o amor que vive com a Bruna é o sentimento mais bonito que já presenciou, que já viu acontecer… é respeitoso, é companheiro e não existe opinião que vá tirá-lo do caminho. Entende também que isso não apaga o que tanto ela, quanto a Bruna, já viveram em outros momentos da vida, em outras relações (que também já foram boas) ou em outras formas de viver, que isso tudo faz parte da construção de serem quem são, e que se esforçam muito para serem as melhores pessoas possíveis, mas que em nenhum momento sucumbirão à um pensamento preconceituoso. Então respeitam o tempo, por mais que doa muito, mas se permitem viver. Pela parte da família da Bruna, recebem muito suporte da mãe, que as trata com muito carinho e afeto. ↓ rolar para baixo ↓ Natália Bruna Ver todos Serviços (2) Juliana - Consulta Consulta Ver todos

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