A Rapha e a Pri estão sempre fazendo tudo juntas, e quando pergunto sobre hobbies separadamente, a Rapha conta que não vê a hora de comprar um long para voltar a andar por aí, enquanto a Pri diz que ama dançar, é uma das coisas que mais curte fazer desde sempre. 

 

Por fim, elas me contam um detalhe muito específico sobre o relacionamento delas. Ao decorrer do tempo que estão juntas, foram descobrindo que já estiveram nos mesmos lugares muitas vezes, durante anos, e que também possuem muitos amigos e amigas (em geral, muito próximas), em comum. Inclusive, que já ouviram uma sobre a outra, várias vezes, mas que nunca souberam que era ela a pessoa em que tanto ouvia falar. Essas pessoas em comum não fazem parte da mesma ‘’bolha social’’, são primos, amigos de lugares, regiões, espaços diferentes… Enfim, momentos bem distintos e aleatórios em que já estiveram juntas e tinham tudo para ter se conhecido há anos atrás, ou melhor, sabiam que em algum momento, de qualquer forma, teriam que se conhecer.


 

A história da Priscilla e da Rapha te ajudou de alguma forma?

Gostaria de mandar uma mensagem para elas? Vem cá que conectamos vocês ♥

 

 

Tem alguma proposta de trabalho para elas? Opa! Pode mandar por aqui! 

 

 

Quer contribuir financeiramente com o Documentadas para conseguirmos registrar cada vez mais casais por esse Brasilzão? cá entre nós, é muito fácil! Se liga no PIX, aqui :D

Sobre a casa, elas chegaram a alugar o espaço ideal, se mudaram e infelizmente as coisas deram errado. A estrutura do local deixou muito a desejar, não era como prometido. Os móveis mofaram, elas perderam muita coisa. Tiveram que devolver e voltar para o apartamento que a Rapha morava. Foi tudo muito conturbado, ficaram sem ter onde morar um tempo. Foram quatro mudanças em um mês. Por mais difícil que tenha sido esse momento, serviu muito para que elas se fortalecessem também, porque pelo fato de terem perdido colchão, móveis e outras coisas, precisaram se restabelecer. Foi um momento delicado, cada centavo passou a valer muito, e se apoiaram o tempo todo também.   

 

A Pri falou sobre o relacionamento delas e sobre esse amor realmente significar resistência, não ser só uma palavra bonita usada na internet. E sobre como a pandemia, vindo com muita dor, de forma geral também nos ensina a olhar mais para o lado, a amar mais. A Rapha completa a fala dela falando sobre acolhimento, sobre ajuda, sobre as coisas mais pesadas acontecerem para nos ensinarem a pegar junto, a dar valor a quem está do nosso lado, porque isso também é sobre amor. É sobre saber dar muito valor ao que se tem agora, não ficar num discurso clichê de só agradecer, mas de reconhecer a importância de cada coisa que temos porque batalhamos muito para ter. E não amar o próximo só até onde nos convém, amar o próximo sendo ele quem for. Amar o próximo sendo preto, sendo sapatão, sendo a amiga que tá passando perrengue, sendo a vizinha que precisa de ajuda… é esse o sentido e o objetivo.

Mais de um ano depois elas estavam no Tinder e deram match! Não se reconheceram de cara porque a foto da Rapha aparecia mais a cara do gato, que a cara dela. Não tinha bio, era da Ilha, a Pri pensou: se nada der certo, vou ter uma amiga que mora perto! Elas conversaram, viram que tinham uma amiga em comum e a Rapha disse “bem que eu acho que já saímos juntas uma vez!”. 

 

O primeiro encontro foi no apartamento em que nos encontramos, que é o lugar que elas moram hoje em dia. Foi no dia 4 de janeiro, comecinho do ano. A Pri estava começando a descobrir que tinha intolerância à lactose, estava doentinha, por isso acharam melhor ficar em casa. Foi um encontro quietinho. Mas, você quer sapatão emocionada? aqui temos. Dia 11, sim, de janeiro, a Rapha pediu ela em namoro. Mais emoção? Em março, sim, do mesmo ano, o pedido de casamento chegou. 

 

Só que em março também começou a pandemia e elas passaram um bom tempo sem se encontrar. Entenderam que a melhor opção seria passar algumas semanas juntas com a Pri indo para a casa da Rapha e depois algumas semanas a Pri ficando em casa com a mãe dela. Por mais que o pedido de casamento tivesse sido aceito, ela só ia morar junto depois de casar,  porque ela não queria se acomodar. Ela quer tudo certinho: a festa, o vestido, o bolo. Querem adaptar todos os bichos em uma casa e em uma vida confortável. E aí sim, será um casamento. Não vai morar junto para “um dia, quem sabe, fazer uma festa…”, quer a festa, depois a casa. 

 

E então ela organizou toda a festa, está tudo prontinho e assim que a vacina permitir, terá casório!

O maior sonho da Rapha atualmente é montar o seu próprio negócio, trabalhar na Cozinha Parucker, montar a marca, fazer algo legal e bonito. Ela cuida de tudo com muito carinho, trabalha e cozinha na casa da mãe dela por conta do espaço e para evitar o contato do alimento com os animais em casa e investe em estar sempre aprendendo o máximo que pode. Ela conta que chegou a passar na PUC, há uns anos atrás, em publicidade. Fez um semestre, não se sentiu feliz. Não se sentia segura no caminho, sofreu assaltos, assédios, entendeu que não era o que ela queria fazer para a vida. É muito difícil porque com a condição social que temos faz com que precisamos nos esforçar em níveis muito maiores e nos submeter a coisas muito mais difíceis para alcançar nossos objetivos. E colocar a vida dela em risco daquele jeito não era mais uma opção. Ela comenta sobre o governo, sobre a corrupção, sobre as diferenças morando na Ilha perante a não ser tão violento, mesmo tendo tráfico e favelas, mas que mesmo assim entendia que não estava valendo a pena.

 

Foi nessa época que ela começou a trabalhar em um Freeshop no aeroporto Galeão, lugar onde a Pri também trabalhou, e por isso se conheceram. Ou melhor, por isso não se conheceram, porque a Pri trabalhou lá três meses, não se adaptou, achou tudo muito doido, pegou gripe suína em pleno 2018, não curtiu, pediu demissão. E a Rapha entrou no lugar dela. Ela saiu, mas manteve as amizades, que contaram: “entrou uma menina muito legal aqui que você precisa conhecer, a Rapha!”, enquanto falavam para a Rapha que ela tinha que conhecer a menina que trabalhava lá antes dela. Na época, a Rapha namorava e a Pri conseguiu um emprego no shopping. Em um fim de semana chamaram a Pri para beber depois do trabalho, ela topou, conheceu a Rapha rapidamente e ficou no bar com o pessoal, mas praticamente não conversaram. 

A Priscilla e a Raphaela são duas mulheres muito incríveis. Conheci as duas no apartamento delas, na Ilha do Governador. Com um lugar cheio de gatinhos e uma cachorra medrosa e dócil, elas me receberam em um domingo de manhã. 

 

A Rapha tem 24 anos, quer começar a formação em gastronomia e a Pri tem 29 anos e é designer de moda. Ambas nasceram e sempre moraram na Ilha, um bairro na zona norte do Rio de Janeiro. Quando a Rapha começou a gastronomia, ela decidiu fazer umas trufas e colocar para vender, a Pri levava para o trabalho e vendia por lá também. Deu super certo, todos elogiavam e em datas comemorativas elas lançavam cardápios com doces maiores. Até que no começo da pandemia ambas perderam seus empregos. A Rapha chegou a pegar um trabalho em um bar, fazendo freelancer e a Pri em um petshop, mas estava muito difícil sustentar a casa e as contas dessa forma, foi quando elas decidiram criar a Cozinha Parucker (segue aqui! tem entrega por toda a Ilha!), uma empresa em que a Rapha monta cardápios e vende seus doces e salgados. Ela sabe fazer comidas muito diversas e por lá focam em empadões e doces ♥ é tudo muito lindo!

 

A Pri faz uma pós em marketing e curte muito ajudar a Rapha nessa área. Adora produzir conteúdo, criar lettering nas sacolas, criar mídias digitais… ela também gosta de investir enquanto digital influencer no seu perfil pessoal. Adora dar dicas de maquiagem, fotografia e falar sobre assuntos voltados à própria Ilha do Governador.