A Carla e a Yasmin são duas mulheres apaixonadas - pela arte, pela vida, pelas pessoas e pelo relacionamento que elas construíram desde o momento em que começaram a namorar. 

 

Carla tem 25 anos e é natural do Rio de Janeiro. É publicitária, comunicadora e poetisa. Ama escrever poesia e de todas as suas paixões, acredita que essa é a maior. Durante a pandemia ela também desenvolveu desenhos e pinturas enquanto arte-terapia, algo muito intuitivo e que hoje em dia acompanha sua rotina. Pinta em aquarela, misturando texto e desenhos. 

 

Yasmin tem 22 anos e é natural de Niterói. É astróloga e professora de yoga, além disso, também está na faculdade fazendo graduação em filosofia. Ela tem vários hobbies, adora mexer com a terra, planta tudo no quintal de casa, cuida dos jardins e adora usar o que planta para cozinhar. Além disso, se vê enquanto alguém que vive a arte em detalhes e brinca: “Coloca em letras grifais: VIVE A ARTE” - porque gosta muito de desenhar coisas abstratas, pontilhismos, ouvir músicas, tocar violão e estudar sobre o mundo. 

 

O que mais gostam de fazer quando estão juntas é curtir a companhia uma da outra, estando sozinhas em algum lugar. Amam viajar, conhecer lugares novos, ir à praia ou ficar em casa desenhando. Gostam de tomar açaí geladinho, fazer lanchinhos veganos e descobrir novos restaurantes (também veganos). Uma coisa, em especial, que fazem e que adoram, é a poesia livre! A ideia é que alguém comece escrevendo uma linha, depois a outra escreva logo em seguida e assim sigam, intercalando... formando uma poesia.

Para Carla, a maior referência de pessoa que ajudou na construção sobre quem ela se tornou, é a sua mãe. Ela diz que entende a mãe enquanto uma força de pulsão para tudo o que precisa ser feito, de maneira geral: incentivo e inspiração. Vê a mãe enquanto uma mulher muito corajosa, forte e criativa. Ela também é artista, mas de formas de expressão diferentes (na área do bordado e da costura). Ela cita as formas de expressar específicas da mãe sobre as encomendas que recebe das clientes e o quanto aprende com isso.

 

Para Yasmin, sua inspiração são seus avós. Mais que uma inspiração pessoal e/ou familiar, eles remetem principalmente a uma referência cultural - por conta de ensinar ela a ser livre, darem introdução à liberdade de ser. Eles sempre cantavam e tocavam juntos e na literatura a avó é grande entusiasta dos autores brasileiros. Além dos avós, se pudesse citar alguém entre famosos, seria Maria Bethânia, que inclusive foi uma das pessoas responsáveis por ela e a Carla terem se conhecido.

 

A Carla e a Yasmin observam muito o mundo desde criança e tiveram famílias que instigaram e incentivaram diversos pontos culturais dentro de casa. Quando falamos sobre a cidade e a sociedade, elas trouxeram diversas visões. A Carla, por morar bastante longe do centro, comenta o quanto ainda falta nos ver nos espaços públicos nas periferias, sem medo de pegar na mão da companheira dentro do ônibus, do metrô ou do BRT (Sistema de transporte em massa). E o quanto quer ver as mulheres ocupando espaços de trabalho em níveis altos, com projetos informativos e educativos vencendo violências. 

 

Yasmin complementa o ponto sobre a educação vencendo quebrando muitas barreiras - para ela, é quando o educativo se move que as leis de igualdade e incentivo também fazem sentido, mas não só nas escolas. Educação para que as mulheres se entendam enquanto mulheres em sociedade, saibam seus direitos e lutem juntas. 


As duas se conheceram em meio a pandemia de Covid-19, ou melhor, na verdade elas já se conheciam e seguiam no Instagram, mas não tinham contato algum. Foi durante a pandemia que Carla declamou um poema autoral no instagram e Yasmin respondeu elogiando. Elas trocaram mensagens a partir dali, foi quando Yasmin disse à Carla que sua poesia lembrou muito Maria Bethânia e chegou até a enviar uma música de Bethânia para ela. Toda a conversa era realmente sem tom de flerte, era uma troca de conteúdos artísticos de muito valor para as duas e estavam aproveitando bastante porque interessava trocar e dialogar sobre arte (e sobre quem admiravam).

 

Passou um tempo, continuavam trocando mensagens até que decidiram “se encontrar virtualmente” (por chamada de vídeo). Não tinha nenhum clima de terem um encontro ou algo do tipo, era realmente um café da tarde no domingo para baterem um papo e falarem da vida, algo que estava acontecendo bastante no começo da pandemia. A conversa aconteceu e, por mais que o dia tenha sido um pouco caótico para a Carla, o papo foi ótimo e elas se deram muito bem. Foi depois da conversa que, pela primeira vez, surgiu um sentimento de: “Acho que quero encontrar ela pessoalmente”.

 

Se encontraram em Botafogo, num dia de ventinho carioca, um tempo depois do encontro virtual. A Yasmin estava interessada também, mas tinha acabado de sair de um relacionamento e sentia um certo receio de se envolver novamente, estava mais ‘fechada’. Entretanto, à medida que foram conversando e os ideais foram batendo, isso já estava se amolecendo. Elas contam que uma amiga em comum participou do encontro por um tempo, mas que lá, ainda no primeiro dia, se beijaram. Depois elas foram para um outro espaço e hoje em dia, elas brincam que a partir desse momento que saíram do café (espaço 1) e foram para o restaurante (espaço 2) já estavam namorando, porque já se viam enquanto um casal. 

 

Hoje em dia, mais de um ano depois, elas possuem um relacionamento de muito diálogo e expressão. Definem-se (ao menos, nesse momento do relacionamento) como “compreensão”: Se entendem e sempre conversam. Yasmin fala que desde o início do relacionamento elas já conversavam muito sobre como queriam coisas sólidas, porém, sem peso, então criaram a base da relação na espontaneidade, liberdade e construção. E completa dizendo que, considerando todas as dificuldades de uma pandemia que envolve incertezas, ansiedades, momentos de luto, e inúmeras instabilidades, respeitam ainda mais essa liberdade, o tempo e o espaço uma da outra.


Yasmin cita Vinicius de Moraes para falar de amor: “A vida é a arte do encontro embora haja muito desencontro na vida”. E diz que o amor é a capacidade de você se encontrar, se perder, misturar, se fundir e separar, tudo dentro de uma coisa só! 

 

O amor não é só os detalhes, ele é o cenário e o espaço para as coisas acontecerem. É uma entidade viva, embora tentamos colocá-la em caixas... Para depois descobrir que na verdade ele é tão fluido como o ar, nós não vemos. Ela finaliza o pensamento sobre o amor dizendo que muitas vezes ele é o motivo e a razão das coisas acontecerem.

 

Concluímos que o amor nas relações humanas é o que faz abrir mão um pouco do “meu” pelo “nós”. E que o amor entre mulheres, foi por tanto tempo (E ainda é!) abnegado - mesmo que, em contrapartida, ele seja o amor em sua maior expansão: um amor que tem potência máxima de gerar coisas. Amar uma mulher é estar disposta. 

 

Carla conta a história de um livro que ela leu, da Letrux, como forma de dizer o que representa o amor pra ela. Fala de um menino de 5 anos que entra no mar pela primeira vez: o amor é tudo isso que existe em um menino de 5 anos entrando no mar pela primeira vez... Ele vai sentir o coração pulsando e vai ficar maravilhado, mas também vai odiar - porque vai arder os olhos, ele pode se afogar, vai ficar confuso mas pode também aprender a nadar e descobrir a imensidão de possibilidades (e aí descobrir a liberdade). Isso é o amor.

 Yasmin 
 Carla