A Bruna e a Flávia são duas mulheres que se encontram nessa vida através de um amor muito parceiro (e quase nômade, devido ao tanto que se mudaram nos últimos anos). Nos encontramos no Rio de Janeiro, local em que elas passaram a morar no meio do ano e que estão apaixonadas - pela praia, pela nova casa e pelos novos amigos - mas contam que já passaram por Curitiba, Belo Horizonte e por algumas cidades do interior de São Paulo. 

 

A paixão e a parceria voltam a aparecer nesse segundo parágrafo (e desculpa, mas vai ser bem difícil não soar repetitivo nesse texto porque é muito presente a forma que elas transparecem esses dois pontos) pois logo no começo da conversa a Flávia destaca que, por elas terem se mudado por conta do trabalho da Bruna, a parceria delas é algo que não abrem mão. Estão sempre caminhando juntas, se sentindo dispostas a enfrentar os desafios que encontram. 

 

A Bruna tem 26 anos e é atleta profissional de vôlei. No momento é a levantadora do Fluminense (e já esteve enquanto uma das levantadoras oficiais da seleção brasileira!). A Flávia tem 34 anos, é Personal Trainer e Fisiologista, mulher que domina muito o Crossfit e dá aula em academias.



 

Juntas, elas gostam muito de viajar e conhecer lugares, de estar com os amigos… e de, principalmente, aproveitar a companhia uma da outra: se curtindo e dando risada. Todos os dias, tentam manter um momento só delas: deixam o celular e a TV de lado, sentam no sofá e curtem a companhia uma da outra. É algo único na relação. 

 

Flávia conta que no começo era a mais tímida e a Bruna a mais extrovertida - que as pessoas naturalmente gostam muito da Bruna - e que era mais difícil elas quererem sair com os amigos, geralmente elas faziam de tudo para estarem sozinhas. Pelo fato do relacionamento ser à distância, acreditamos que isso também influenciava nelas quererem um momento só delas, claro. Mas hoje ela enxerga tudo com outro olhar, se sente mais aberta, mais à vontade e gosta de estar fazendo novas amizades, saindo por aí, sente que inclusive se permite ter mais confiança nas pessoas… É algo que destaca o quanto foi bom (e que nela acrescentou) ter aprendido ao longo dos anos. 

 

No começo do relacionamento foram dois anos à distância e por conta da pandemia os campeonatos de vôlei foram suspensos, fazendo com que Bruna tivesse um tempo sem planos para novas mudanças.  Por mais que os pais dela estivessem morando em Curitiba, ela nasceu em São Paulo e elas já tinham passado por Piracicaba e Osasco, então alugaram um apartamento em Piracicaba e conseguiram ficar lá alguns meses. Foi uma experiência muito feliz morando juntas (inclusive, viram que deu super certo e decidiram realizar a União Estável).




 

A relação da Bruna e da Flávia vem, como elas mesmo intitulam: “num encontro de almas”. Ambas passaram por dois relacionamentos longos e bastante tóxicos, sendo mais jovens e isso acabou gerando um certo trauma e uma insegurança ao se envolver novamente com alguém. Elas se conheceram em 2016, quando ainda estavam em seus relacionamentos, em meio aos campeonatos esportivos (e inclusive torceram uma pela outra), mas só vieram a ter interesse em se conhecer melhor dois anos depois, através de um dos melhores amigos em comum.

 

Por mais que se sentissem machucadas e desacreditadas no amor, quando se conheceram algo ali fez florescer a possibilidade de algo dar certo. Foram com muito cuidado para não cometer os erros do passado, sempre investindo ao máximo em comunicação e em serem sinceras sobre os sentimentos, não deixar para depois ou empurrar algo... esconder alguma coisa… assim, conseguiriam consolidar confiança. 

 

Desde então, já passaram por muitas coisas - e elas devem estar pensando “Ufa! Coloca MUITA coisa nisso!”. A Bruna se assumiu para a família (que naquela época jamais aceitaria e hoje vivem uma relação bem bacana ♥) (e que, também, teve um apoio muito legal das colegas de time e do técnico, importantíssimo de ressaltar), além disso tiveram as mudanças, a mãe da Flávia passou por uma situação de doença familiar bastante difícil afetando sua autonomia, Bruna inclusive viajou para a China nesse período, mas nunca deixou de dar apoio e suporte. Enfim, todas essas situações (e tantas outras, né?) serviram para que elas chegassem à conclusão do significado de suporte: elas se entendem enquanto uma balança. Quando uma não tá muito bem, a outra dá o apoio, assim vice-versa. Elas estão ali realmente como um impulso uma para a outra, um levantamento diário. Comentam sobre a pandemia em relação ao esporte, o trabalho, as mudanças, como isso diariamente vai afetando e como diariamente também elas se impulsionam, é um esforço que vai do levantar até o ir dormir e que é conjunto, não parte apenas parte de uma dentro do relacionamento.




 

Para elas, o amor é puro. É como uma entrega gratuita que vem de dentro para fora. E é sobre essa troca diária que elas fazem: necessita dedicação e muita entrega, mas você também recebe. Isso engloba amigos, famílias, relacionamentos românticos… E essa troca é justamente fazer sem esperar nada em troca. Na hora, a gente ri, porque parece não fazer sentido, mas faz, né? Achamos que faz. 

 

Elas entendem que a sociedade precisa de muito mais amor porque o amor e carinho são capazes de salvar as pessoas (e sobretudo, ajudá-las). Bruna entende que o amor acontece naturalmente, mas que em um casamento com o convívio diário se torna uma escolha: Escolher amar o outro pelo compromisso, responsabilidade e respeito mesmo nos momentos de dificuldades e discordâncias. 

 

Flávia comenta o quanto sente o amor latente pela mãe dela, pois sua família é a sua base e sempre estiveram por perto, sendo sua mãe seu braço direito, sua amiga. E o quanto foi forte o baque da doença. O amor é também um processo de amadurecimento - e esse amor, que elas têm, é como o que abraça todas as outras coisas: o acolhimento, o cuidado, o suporte e um verdadeiro “tô contigo para o que for”. O que vale também para a Bruna, que desde o começo acompanha e dá suporte e forças para enfrentar: não tem jeito, eu disse que ia ficar repetitivo, porque é isso o que elas realmente são > é amor de parceria. 

 Bruna 
 Flávia